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04/10/2020

Sei bounty killers per una strage (1973 / Realizador: Franco Lattanzi)

Sábado de manhã em Portalegre. A esposa está a trabalhar, o miúdo foi para os avós, lá fora não bastasse o bicho mau do Covid-19, ainda parece que alguém deixou o forno ligado e tanto tempo para matar sem nenhum DVD ou “pen drive” à vista. Um zapping rápido na TV cabo só resulta em filmes da tanga. É então que brota a brilhante ideia de ir escarafunchar o YouTube, agora pejado com propostas de episódios do Pocoyo, Patrulha Pata e que tais. Magano do puto, não bastava ter confiscado a televisão e agora já me condiciona o feed online! 


O bando de Frank.

Uma cavadela ou duas e dá para perceber que a presença de westerns-spaghetti nessa plataforma tem crescido a olhos vistos, o difícil foi parar o scroll e decidir qual filme começar a ver. Excluídas revisões, acabo eventualmente por clicar num tal de “Sei bounty killers per una strage”, que até já tinha intenções de ver desde que me cruzei com o paupérrimo “Il giustiziere di Dio” numa dessas noites de confinamento forçado. Tinha-o na calha por mero completismo, entenda-se, não há lógica que explique o que leve um comum mortal a enfrentar dois filmes do Franco Lattanzi num curto espaço de tempo!


Este comparsa viu os filmes todos do Lattanzi, nunca mais foi o mesmo.

A acção desenrola-se em Abilene, uma cidade fortificada que está sob domínio de um tal de Frank (mais uma interpretação patética de Donald O'Brien). Ora qual juiz Rob Bean, Frank decide interpretar a lei conforme lhe convém,  e se dois caçadores de recompensas capturarem e entregarem um qualquer bandido na sua cidade, são eles que correm sério risco de vida! E muito bem, libertem-se os pulhas e condenem-se os captores. E se não concordarem com a sentença, combine-se um duelo, mas não contem que as vossas armas estejam carregadas, portanto rezem mas é as vossas orações!


Adeus meus cabrõezitos.

A produção é evidentemente pobre, suportando-se na reciclagem do tal “Il giustiziere di Dio”, de onde repesca grande parte do elenco, cenários e porventura até algumas cenas (não estive assim tão atento para confirmá-lo). Tal como nesse filme, o maior destaque é a dose mastodôntica de bad acting, que julgo ter sido ainda mais acentuada pela dobragem anglo-saxónica. Franco Lattanzi só começa a carreira nos anos 70, uma época de acentuado crepúsculo do género e onde a fasquia tinha sido relegada para mínimos históricos, talvez por isso não tenha sentido o peso da responsabilidade e tenha realizado os seus filmes às três pancadas. Mas também podia ter sido um pouco mais autocrítico, poupando-se à humilhação publica. 


Donald O'Brien entrega um dos seus piores papéis no género.

Voltando à trama. O dito Frank, enceta uma emboscada a uma diligência escoltada pelo exército e os soldados vão todos desta para melhor. Já as viajantes, esposa e filha do governador, são feitas reféns. Um pedido de resgate é endereçado, mas o governador é demovido do pagamento. Em vez disso é-lhe proposto que premei um grupo selecto de caçadores de recompensas para que eles executem o resgate e aniquilem o bando. A sinopse não é ruim, obviamente uma variação do que vimos por exemplo em “Uma Razão para Viver, Outra para Morrer” (lançado um ano antes), mas com a diferença significativa na falta de qualidade de execução. Não adiantou para o assunto ter tido Robert Woods e George Wang no elenco, uma dupla que teve uma boa interacção em “Una colt in mano al diavolo” de Gianfranco Baldanello, lançado também em 1973. 


O que é que eu estou aqui a fazer?

Mas que se lixe, precisava de matar tempo e tempo matei! E com este riscado da lista só me resta ver o terceiro e último western do senhor Franco Lattanzi, o tal que parece emular o clássico de David Lean, “A Ponte do Rio Kwai”. Mas afinal é um crossover entre western e artes-marciais, esse sabe-se lá como até teve lançamento em Portugal como “O Tigre do Rio Kwai” e até tenho uma versão francófona arquivada algures, mas não creio que tenha estômago para o ver tão  depressa.

15/10/2018

Prega Dio... e scavati la fossa (1968 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Ainda hoje este filme é um aglomerado de interrogações, dúvidas e contradições. Não se sabe se o filme foi realizado por Edoardo Mulargia ou se por Demofilo Fidani. A esposa de Fidani, Mila Vitelli, diz que o marido foi apenas produtor. O protagonista, Robert Woods, diz que foi Fidani quem realizou. Então, em que é que ficamos?! Não há certezas absolutas porque as várias fontes e os diversos depoimentos registados são muito contraditórios. Eu acredito que Mulargia tenha dirigido mas Fidani prova que teve voto na matéria ao incluir alguns dos seus “afilhados” no elenco, nomeadamente Jeff Cameron, Simone Blondell, Cristina Penz e Celso Faria (e até o próprio Fidani fez um “cameo”).

O tema do filme é a época conturbada que se vivia no México do presidente Porfírio Diaz. Após muito tempo exilado nos Estados Unidos, Fernando regressa ao seu querido México. A sua família morreu mas o seu velho amigo Cipriano luta contra o sistema e é procurado pelos “federales”. Fernando quer liberdade e justiça. Cipriano quer continuar de rédea solta, ou seja, matar soldados e andar no gamanço.

O vaidoso Jeff Cameron exibe o cartaz de recompensa.

Don Enrique é o homem mais rico da região. Cipriano planeia raptar-lhe a filha. O melhor momento para isso é quando ela está na marmelada com o namorado. Don Enrique retalia que nem um touro bravo (de cabeça baixa e à bruta) e descarrega a sua fúria nos camponeses mexicanos, que não têm nada a ver com o assunto. Fernando não pode deixar que Cipriano continue a cometer crimes. Está na hora de lhe chegar a roupa ao pelo!

Robert Woods com um vistoso bigode à mexicano!

Os heróis neste tipo de westerns defendem sempre os mais pobres. Ao ver este filme o que me apetece dizer é que a dupla Mulargia / Fidani também foi solidária e apadrinhou um projeto pobre. Mas não… não é um filme disparatado e sem nexo! É apenas uma produção muito pobre.

10/09/2018

Un colt por 4 cirios (1971 / Realizador: Ignacio F. Iquino)

O espanhol Ignacio F. Iquino sempre foi mais conhecido enquanto produtor e argumentista do que propriamente como cineasta. Este filme, “Un Colt Para 4 Cirios” (título em Espanha), é um dos poucos westerns que assinou como realizador. Consta que existem várias versões do filme, todas elas bem distintas umas das outras (variavam consoante o país onde era exibido). Eu acredito piamente que isso seja verdade porque a versão que eu vi não tem quase nada a ver com a versão que é mencionada no tomo de Marco Giusti. O enredo é muito mal esgalhado, muitas cenas e respetivos diálogos não fazem sentido e quase tudo é muito confuso! Pelo menos consegui perceber que as coisas giram à volta de um xerife que quer descobrir quem são os culpados de um assalto à diligência. Esses assaltantes, depois do golpe, foram às putas. Um deles foge do “bataclan” com a massa mas não vai longe porque os seus parceiros tratam-lhe da saúde. O “boss” do grupo é Oswald, um gordo careca com cara de sapo.

Tu não brinques comigo!!

O xerife anda preocupado com uma bela viúva, que é madrasta de uma rapariga mestiça com pelo na venta. Um irritante cangalheiro / coveiro, mais parvo do que um bando de pegas, aparece de vez em quando, só para chatear. Há cada vez mais confusão à medida que o filme avança! Na parte final temos direito a assistir a um “catfight” entre duas mulheres atraentes e assistimos à tentativa de um tarado usar a “tática do peru” com a rapariga mestiça, isto é, “primeiro embebeda-se e depois come-se”. Mas a única coisa que ele come é umas pazadas no focinho!

Queres levar mais uma chapada?!

A confusão alcança o seu zénite quando, absolutamente do nada, surge um pelotão da Cavalaria a perseguir o vilão cara de sapo! Em suma: o melhor: Robert Woods, a atraente viúva e a bela mestiça. O pior: a tremenda confusão que este filme é!

05/12/2017

Una Colt in mano del diavolo (1972 / Realizador: Gianfranco Baldanello

“Lembra-te que quando saíres daqui deves-me um favor”! Foi esta a frase que Sulky Jeremy Scott disse a Roy Koster quando ambos cumpriam pena de prisão com trabalhos forçados numa penitenciária. Jeremy matou um guarda (espetou-lhe uma picareta nos costados) para salvar a vida a Roy e agora este está em dívida para com o seu companheiro. Jeremy é executado e Roy sai da cadeia (não se percebe se fugiu ou se cumpriu a totalidade da pena) e vai até à cidade de Silver Town. Visita a viúva de Jeremy e os seus dois filhos, que ainda guardam muita raiva e ressentimento pelos crimes que o seu pai cometeu. Em Silver Town, Roy Koster tropeça num velho bêbado que inesperadamente se revela uma boa fonte de informações.

Ponham-se a pau comigo!

No dia seguinte, quando Koster quer saber mais… o velho aparece morto (enforcado). Toda a gente insiste em suicídio mas Koster não vai na cantiga. Este, após ter despachado uns rufiões à lei da bala, fica a saber exatamente o que se passou anos antes com o seu amigo Jeremy: tudo teve origem no assassinato de um importante homem de negócios e da sua neta. Ambos foram emboscados e mortos a tiro. A culpa caiu sobre Jeremy, que foi condenado numa audiência nada justa cheia de falsos testemunhos. Mas porque é que tanta gente mentiu em tribunal? Porque todos estavam borrados de medo de Warner, o “big boss” lá do sítio. Mas será que o verdadeiro culpado é assim tão óbvio?

Rédea curta!

Gianfranco Baldanello dirige o ator americano Robert Woods pela segunda vez num western (a primeira vez foi em 1968 com “Black Jack”). Filme de baixíssimo orçamento, com cenários e locais simples mas visualmente apelativos e com um elenco composto por veteranos: Robert Woods, William Berger e George Wang. A duração total do filme é de 90 minutos mas a versão atualmente disponível é de apenas 72 minutos!

Robert Woods distribui chumbo quente. 

Destaque para um momento absurdo: quando Roy Koster e Martha Scott estão a sós a conversar, o ambiente aquece e, sem aviso prévio, Koster crava umas valentes castanhas na cara da rapariga que até a derruba! Logo de seguida… ambos beijam-se apaixonadamente! Dir-se-ia que nesta situação aplica-se a ideia do “quando mais me bates mais gosto de ti”.

14/11/2017

Hai sbagliato... dovevi uccidermi subito! (1972 / Realizador: Mario Bianchi)

O banco foi assaltado. Várias pessoas foram assassinadas. O trio responsável por tudo isto foge incólume. Pouco tempo depois, as autoridades encontram os cadáveres de dois dos três assaltantes (mortos pela mordedura de cobra venenosa). O dinheiro do banco continua desaparecido. O terceiro fora-da-lei anda a monte. Na cidade, num ambiente discreto (ou quiçá clandestino), sentam-se à mesa de jogo o xerife Lewis Burton, o homem de negócios / dono do saloon Karl, o alucinado doutor Torres e o poderoso rei do gado Clinton. Muito dinheiro circula nessas noitadas de jogos de cartas. A bela Kate, a “femme fatale” que trabalha no saloon, é de uma fidelidade canina para quem lhe paga os honorários e as suas qualidades de espia são extremamente úteis. O duro golpe na banca da cidade fez acionar o alarme na companhia de seguros Lloyds Of London, que rapidamente envia alguém para apurar o sucedido.
Mãos ao ar seus cabrões!

Esse alguém chama-se Jonathan Pinkerton, um homem alto, elegante, intrépido e malditamente perspicaz. Pinkerton recolhe diversos testemunhos dos cidadãos para chegar à verdade. O doutor Torres, um médico / cientista que faz experiências no seu laboratório com serpentes venenosas, dá algumas dicas ao agente de seguros. Torres, apesar de ter cara de maluco, rejeita que lhe ponham o rótulo de charlatão e insiste que o seu trabalho é para ser levado a sério. Pinkerton não duvida. Pinkerton sofre vários atentados, resiste a provocações, às quais responde ao murro e ao pontapé (e de vez em quando também usa o revólver) e constata que nem na cadeira do barbeiro se pode estar descansado!

Frank Braña: Um gajo rijo como o aço.

O xerife Burton, o ricaço Karl, o ganadeiro Clinton, o doutor Torres e a atraente Kate estão no topo da lista de suspeitos de Pinkerton mas, inexplicavelmente, os principais suspeitos também são assassinados! Por quem?! Mas afinal o que é que se está a passar?! É fundamental que Pinkerton tenha muito cuidado porque a cidade está apinhada de serpentes venenosas (das que rastejam e das que têm duas pernas) e a qualquer momento uma picada poderá ser fatal! No mercado ibérico (Portugal e Espanha) este filme ficou sob o título de “A Morte Chega a Assobiar” e “La Muerte Llega Arrastrándose”, respetivamente.

Ofereceram-lhe uma gravata de corda.

É um western de baixíssimo orçamento cheio de intrigas, conspirações, voltas, reviravoltas e muito veneno através de um complô bem urdido. O conceito “fazer muito com pouco” assenta-lhe como uma luva.

07/06/2016

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

10/05/2016

Fora de tópico | Lançamento "Belle Starr Story"


"Il mio corpo per un poker" tem finalmente uma edição DVD. O feito é da Artus Films que tem mantido um bom ritmo de lançamentos do género. Pelo que se diz por aí a imagem é superior aos bootlegs que por circulam pela internet e terá audio françês e italiano. Podem encomendá-lo aqui.

02/05/2016

Era Sam Wallash... lo chiamavano... 'E così sia'! (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Só no ano de 1971, Demofilo Fidani realizou cinco westerns! Foi o seu ano mais produtivo (em quantidade porque é qualidade isso é muito discutível). Vamos então ver o que nos reserva este filme: Numa noite tranquila, Sam Wallash e o seu irmão estão no saloon a beber o seu canudo de cerveja. Mash Donovan e a sua manada de jagunços entram no local à bruta, ajustam contas com o taberneiro e disparam sobre toda a gente. Sam escapa ao massacre mas o seu maninho foi com os porcos! O homem zanga-se (e com razão, porra!) e irá até ao fim do mundo para limpar o sebo ao cabeçudo do Donovan. Em Golden City, Donovan anda-se a pavonear feito fanfarrão perante tudo e todos até que correm notícias que um homem alto que escapou ao massacre na taberna é um tipo perigoso e que anda atrás dele. Donovan não admite baixar a crista e contrata mais pistoleiros para o protegerem. Na sua demanda vingativa, Sam “despacha” muitos rufiões mas não se livra de levar umas mocadas nas ventas de vez em quando.

Porrada que até cria bicho!

Embora seja muito hábil no gatilho, Sam tem um trauma antigo e extremamente bizarro: tem pavor de portas a bater! Porquê? Como é habitual nos westerns de Demofilo Fidani a capacidade de estender, prolongar e desenvolver o enredo é muito reduzida e por isso há que “encher chouriços”. Como? Incluindo as habituais cenas de pancadaria no saloon, um combate de boxe e cavalgadas de um lado para o outro apenas para ter mais alguns minutos de projeção para chegar perto da hora e meia de filme previamente estabelecida.

Donovan e os seus jagunços.

O americano Robert Woods é o protagonista. Dean Stratford, Dennis Colt e Simone Blondell são os antagonistas. O competente diretor de fotografia Franco Villa e o compositor Coriolano “Lallo” Gori fazem um bom trabalho, como sempre. O confronto final entre herói e vilões nas dunas de um deserto é um excelente momento e a aparição de uma metralhadora é um ótimo trunfo! Nota de destaque para um hilariante (e absurdo) momento com Gordon Mitchell, Peter Martell e Lincoln Tate, que se apresentam como implacáveis pistoleiros e depois… nunca mais aparecem no filme! Infelizmente, e como seria de esperar, não há DVD deste filme à venda e está na hora de mudar essa situação! Portanto, faço aqui um apelo a todos os fãs de Demofilo Fidani (onde eu estou incluído, naturalmente) para gritar isto alto e bom som: “Fidanianos de todo o mundo… uni-vos!”

15/07/2014

Fora de tópico | Lançamento "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie No. 3"


Na primeira quinzena de Agosto chega ás lojas o terceiro volume da "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie". Para não variar este volume também vêm carregado de bons westerns, incluindo os dois filmes da saga «Pecos», e o seminal "Mille dollari sul nero". A não perder!

26/03/2014

Fora de tópico | Lançamento "My Name is Pecos" & "Pecos Cleans Up"


Grandes noticias para os fãs de Robert Woods. A Wild East acaba de anunciar o lançamento de uma "double feature" com os dois filmes da franquia «Pecos», ambos realizados por Maurizio Lucidi. A edição deverá contar com vários extras, incluindo traileres, galerias e ainda uma entrevista exclusiva com Woods. A não perder!

19/10/2013

Curta-metragem | The Resurrection of El Puro


Apesar da corrente de más noticias que nos têm assolado nos último dias, nem tudo é mau. Estes amigos aproveitaram a presença de Robert Woods em Almeria para fazer esta brincadeira com ele:


26/03/2013

La sfida dei MacKenna (1970 / Realizador: León Klimovsky)

Filme tardio do argentino León Klimovsky, em que se volta a reunir a dupla de protagonistas testada em “Quel caldo maledetto giorno di fuoco” - John Ireland e Robert Woods - lançado um par de anos antes. A dupla funcionou bem nesse primeiro contacto razão que consegue aditar algum interesse sobre este “La sfida dei MacKenna”, que não sendo grande espingarda é provavelmente o mais razoável dos westerns de Klimovsky, que como se sabe não primou por uma carreira de grande brilhantismo (não foi por acaso que um dos seus filmes apareceu no nosso ciclo de «Spaghettis que prejudicam gravemente a saúde»). 

Diz quem sabe que o projecto terá sido uma aposta pessoal de John Ireland mas o nome do actor não é confirmado nos respectivos créditos do filme. Já o nome de Edoardo Mulargia aparece escarrapachado nos mesmos. Ora como se sabe, Mulargia assumiu por diversas vezes a posição de realizador – lembremo-nos de “Cjamango”, “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” ou “W Django!” – o que têm levantado algumas questões sobre o verdadeiro alcance do seu envolvimento neste filme. 


Conhecendo o histórico de Klimovsky, que por diversas vezes se limitara a emprestar o seu nome a filmes em que não participou com uma gota de suor, não é de admirar que Mulargia tenha assumido as rédeas em determinados momentos. A verdade provavelmente nunca se conhecerá mas relatos de Woods e Ireland corroboram a ideia de que o argentino não se interessava muito pelo assunto. 

John Ireland interpreta Jonas, um forasteiro que se vagabundeia no sítio errado. Um jovem acaba de ser enforcado por Don Diego e pelo maníaco do seu filho, Chris. Tudo porque teve a infelicidade de se envolver com a filha do patriarca sem a sua permissão. Don Diego deixa o corpo do enforcado e a própria filha para trás, mas Jonas ao chegar ao local faz o seu dever de bom cristão. Enterra o desgraçado e acompanha a rapariga de volta a casa. Não sabendo porém que o responsável pelo assassínio se trata do pai da cachopa. Don Diego não fica contente por saber que o corpo foi enterrado nas suas terras e Jonas acaba por se tornar alvo dos seus mimos. 


Woods que pela primeira vez encarna o papel de vilão da fita, não compromete. O seu personagem, Chris, é um bon vivant mexicano de tiques algo psicóticos mas cujos comportamentos agaiatados dificilmente intimidam quem quer que seja. Muito menos o experiente Jonas, em tempos um homem de Deus que apesar de desviado dos caminhos do Senhor, tenta evitar a quebra dos dez mandamentos. Tarefa que não se lhe há-de revelar nada fácil. Um papel interessante para este americano, só é pena que não tenha dado o corpo ao manifesto nas cenas de punhada, em que também por culpa de uma fraca fotografia se revela claramente o uso de um duplo. 

Não vos digo que o filme é uma perca de tempo completa mas também não posso negar que é bastante enfadonho. O arranque copiado de “Cimitero senza croci” parece pujante mas a transição entre o clima dramático que se pretendeu embeber não se mescla de uma forma coerente com a acção exigida a um western. E o interesse do mais resistente dos espectadores tende em esmorecer. Foi o que aconteceu comigo nas duas vezes que o vi…


Mais alguns lobbys bonitos:



Excerto:


18/03/2013

Los Pistoleros de Arizona (1964 / Realizador: Alfonso Balcázar)

Estamos em Setembro de 1964 e o western europeu ainda dá os seus primeiros passos mas uns catalões com olho para o negócio já se preparam para produzir filmes do género massivamente. Para o efeito iniciam a construção da sua própria cidade do oeste - «Esplugas City» - em Esplugues de Llobregat (Barcelona) e asseguram a contratação de um norte-americano com pinta de cowboy: Robert Woods!

A estreia da Balcázar Producciones Cinematográficas nos westerns não demoraria muito mais, e ainda com as obras em curso já se iniciavam as rodagens de “Los pistoleros de Arizona”, então anunciado como “El rancho de los implacables”. Uma produção que os catalães partilharam com os italianos da Fida Cinematografica e os alemães da Internacional Germana Film. Já a realização foi assegurada por um dos elementos do clã Balcázar, Alfonso Balcázar, que ganharia o gosto pela coisa (não tanto o jeito) realizando uma porção valente de filmes do género nos anos seguintes: “L'uomo che viene da Canyon City”, “Clint el solitário”, “Sonora”, etc.


O argumento original é de Alessandro Continenza que segundo consta era grande apreciador de westerns americanos, razão que o terá levado a apresentar um manuscrito bastante decalcado das suas referências. E terá mesmo sido o próprio Robert Woods a dar uns toques finais na trama. O resultado é razoavelmente interessante e a acção acaba por se desenrolar a bom ritmo. Com bastante pancadaria mas não particularmente violento. Na verdade, a contagem de cadáveres é bastante baixa para aquilo que se tornaria a  média do género.

Robert Woods é Jeff Clayton, um jogador sortudo que se vê forçado a matar um homem em autodefesa depois de lhe ter ganho a escritura de um rancho num jogo de poker. O acto vale-lhe um «convite» para sair da cidade e na sua rota acaba por salvar Carrancho (Fernando Sancho) de uma morte certa, mas o embusteiro mexicano acaba por lhe fugir com o cavalo e todos os pertences. Todos excepto a escritura do rancho…


Woods que ainda estava verde nestas coisas entregou-nos aqui uma prestação menos robusta do que aquelas que haveriam de o tornar famoso. Na verdade é Fernando Sancho quem rouba o protagonismo do filme abalroando Woods e companhia em mais uma das suas interpretações excessivas. Os dois actores voltariam a encontrar-se em mais dois westerns, “L'uomo che viene da Canyon City” e “Sette pistole per i MacGregor”, sendo ainda hoje sinónimos do western-spaghetti.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer: