2009/11/17

Preparati la bara! (1967 / Realizador: Ferdinando Baldi)


Tal o sucesso de Django (1966), surgiram quase imediatamente dezenas de filmes que se apoiaram no seu nome como chamariz para um público mais alargado. Alguns desses filmes seguiram de uma forma mais ou menos coerente as características da personagem mostrada ao mundo por Sergio Corbucci, outros (maioria) limitaram-se a adicionar o nome Django ao seu título, mas todos eles contribuíram para o culto de uma das mais místicas personagens do spaghetti-western. É por isso justo que prestemos a merecida homenagem ao sombrio pistoleiro aqui no Por um punhado de euros, expondo alguns desses filmes nos artigos que aqui se publicarão nos próximos tempos. Não deixando de ser verdade que em grande parte dos filmes de que me refiro, a utilização da marca «Django», funciona sobretudo como uma abusiva manobra de marketing, outros há que até poderemos considerar como sequelas ditas oficiais. É nesta franja que surge Preparati la bara! - em Portugal lançado como Viva Django - que cronologicamente terá de ser considerada uma prequela, já que a sua acção decorre antes da guerra da secessão. Num período em que conhecemos um Django bastante diferente do que Corbucci nos apresentou, aqui Django ainda sorri e desfruta da feliz vida de casado. Isto por breves momentos, já que a sua vida está prestes a levar uma grande volta.


Django surge aqui como escolta de carregamentos de ouro para o depósito federal, um desses carregamentos acaba no entanto por ser atacado pelo bandido Lucas (George Eastman) e seus homens, a trama é no entanto maior já que o dito Lucas age em nome de David Barry (Horst Frank) - amigo de Django e curiosamente seu patrão - que pretende utilizar esse ouro como financiamento para as suas aspirações políticas. Escapando à morte mas vendo a sua mulher morrer em frente aos seus olhos, Django promete vingança. Depois de fisicamente recuperado, o pistoleiro regressa ao povoado, onde se faz passar por carrasco. Aí supostamente fará cumprir as injustas sentenças lidas a habitantes locais, que um sistema judicial corrupto condenou injustamente apenas por se terem oposto ao bando de Lucas (testa de ferro de Barry). O plano de Django consiste no entanto em libertar estes indivíduos de uma morte certa, fazendo dos enforcamentos uma farsa, provendo-lhes com a devida antecedência um engenhoso casaco que suportará o seu peso na forca. Com este grupo de supostos enforcados, Django cria o seu exército privado que utilizará na execução da sua vingança, atormentando a vida dos “sócios” de Lucas com a reaparição destes supostos fantasmas. A edição espanhola de Preparati la bara! foi justamente intitulada de El clan de los ahorcados, que é porventura o mais esclarecedor dos títulos que o filme recebeu. Como seria de esperar a ganância destes “enforcados” levam à traição a Django, baralhando um pouco mais o enredo do filme, mas no essencial nunca se afastando em demasia da fórmula de Yojimbo (1961) - também seguida no filme de Corbucci.


Ao que parece a ideia original do produtor Manolo Bolognini e da BRC Produzione Film seria colocar novamente Franco Nero no papel de Django, com o qual haviam assinado contrato para três filmes, no entanto Nero agora elevado ao grau de estrela escapuliu-se para a mais apetecível cena de Hollywood, onde interpretaria Lancelot no oscarizado Camelot (1967). Sem o «Django» original disponível, Ferdinando Baldi (Texas, addio, Il pistolero dell'Ave Maria, Blindman) e a produtora activaram um plano de recurso, entregando o papel a Terence Hill, à data ainda relativamente desconhecido. Excelente escolha, dadas as grandes parecenças físicas entre os dois actores. Vestido de negro, Hill parece realmente uma sósia de Franco Nero. Existem cenas em que dificilmente são distinguíveis, ver para crer! Aqueles que reconhecem Terence Hill, sobretudo pelos seus papéis cómicos em Lo chiamavano Trinità... ou ...continuavano a chiamarlo Trinità, poderão criar uma falsa expectativa sobre este filme. Alerto por isso desde já para que não se deixem enganar por algum do marketing utilizado para divulgação do mesmo. Isto não é um spaghetti cómico ao bom estilo de Trinitá, aqui os sorrisos idiotas na cara do Terence Hill contam-se pelos dedos de uma mão e a contagem de cadáveres é larga (veja-se a memorável chacina da cena final).

Por conter todos os elementos que considero essenciais num bom western-spaghetti, Preparati la bara! é um daqueles filmes pelo qual tenho um carinho especial. Não sendo ainda assim uma maravilha em termos cinematográficos, há que reconhecer a Baldi e a Franco Rossetti a capacidade de conceber um filme que não choca com os pressupostos anteriormente apresentados pela personagem. Pessoalmente considero mesmo este «Django» a melhor adaptação que o cinema ítalo-espanhol pariu. Indumentária negra, caixão com metralhadora oculta, mote vingativo – está tudo lá! Destaco também a poderosa banda sonora dos irmãos Reverberi, que incrivelmente viram não há muito tempo, um dos seus temas ser samplado pelo DJ Danger Mouse, no seu projecto Gnarls Barkley. Fiquem por isso sabendo (caso não o saibam já) que o muito orelhudo “Crazy”, grande êxito do verão de 2006, foi inspirado em bandas sonoras de filmes western-spaghetti, em particular por esta.

Tal como Django, também este Preparati la bara! tem edição DVD na “Colección spaghetti western” da espanhola Filmax. É esta edição que tenho em casa e que recomendo apenas aqueles que não desgostem do formato 4:3, e que entendam minimamente a língua espanhola. Existe também no mercado uma edição brasileira da Ocean Pictures cuja qualidade som/imagem não posso infelizmente opinar.


Trailer


10 comentários:

  1. Nunca vi um spaghetti com Terrence Hill em que ele não estivesse cômico, parece-me muito interessante. Só assim conseguiria dizer quem foi maior, Terrence Hill ou Franco Nero?

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  2. Para mim Franco Nero ganha em todos os campos, mas Terence Hill tornou-se bem mais popular nos anos 70 e seguintes, muito graças aos filmes do Trinitá.
    Este "Preparati la bara!" e o "Dio perdona... Io no!" são bons exemplos de filmes em que participou (quase) isentos de elementos cómicos. A conferir!

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  3. Dos filmes derivativos do django de Corbucci, esse talvez seja o meu preferido!!! Quanto a qualidade da Ocean... posso garantir que é uma merda!!

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  4. Este filme é o mais parecido com o original "Django" mas está longe de chegar ao mesmo nível do filme de Corbucci. Sou fã de Terence Hill mas continuo a defender que ele devia ter apostado mais em filmes mais realistas e violentos em detrimento das comédias! Imaginem Terence Hill a protagonizar um sádico vilão num western!!

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  5. esse é um filmaço sem sombra de dúvida, esse filme na verdade é uma continuação não-oficial do primeiro Django de Corbucci, porque fica bem claro isso quando Django não começa o filme com sua vestimenta habitual todo de negro, e sim bem vestido, issso me pareceu que Django encontrou um novo amor e enterreou seu passado como pistoleiro até no dia em que Lucas atacou o comboio a mando de Davis, assim Django voltou a ser aquele pistoleiro Dark.

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  6. Entendo a tua posição Artur, tenho lido por aí várias opiniões mas continuo a pensar que a acção do filme decorre antes dos acontecimentos do filme de Corbucci. Parece-me que Django adopta essa faceta mais darky precisamente por lhe terem assassinado a melhor que ama. Ou se calhar não!
    Penso que se Franco Nero se tivesse mantido como protagonista da personagem, talvez o argumento não tivesse ficado tão aberto.

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  7. Pouco mais tenho a adiantar do que já foi dito, a não ser que adoro ver Terence Hill a interpretar um um personagem sério e implacável o que me faz lembrar um outro filme com ele chamado a CÓLERA DO VENTO (La collera del vento de 1970, realizado por Mário Camus)em que Terence Hill interpreta um semi-vilão, um assassino profissional que no fim procura a redenção quando defende aqueles que devia matar). Não é bem um western, a história passa-se nos arredores de Valência no Século XIX, mas é um excelente drama de acção, amor (com uma cena tórrida pelo meio) e redenção.
    O melhor DVD deste filme, de longe, é o alemão da E-M-S com o título em alemão "Django und die Bande der Gehenkten", imagem quase perfeita no formato original 1.66.1 com áudio em inglês e alemão.

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  8. Parece-me bem melhor do que a versão da Filmax. Deviam proibir a edição de DVDs em 4:3! Pessoalmente cada vez mais evito comprar material com essa reles especificação.

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  9. O amigo António Rosa despertou o meu interesse no filme "a cólera do vento" porque Terence Hill tem uma actuação diferente da habitual. Mas segundo o que já li parece-me um filme demasiado político! A ver vamos...

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  10. Viva Django (1968)

    Preparati La Bara (Itália)
    Viva Django (EUA)
    Direção: Ferdinando Baldi
    Com: Terence Hill, Horst Frank, George Eastman, Jose Torres, Guido Lollobrigida e Luciano Rossi

    Um dos melhores filmes da carreira de Baldi. Viva Django é o começo de uma seqüência de grandes Spaghetti Westerns e ainda definiu Terence Hill como astro do estilo. Inicialmente Franco Nero estava confirmado para reviver o papel que o tornou famoso, mas ele preferiu fazer o filme Holywoodiano “Camelot”. Assim Baldi escolheu Terence Hill para interpretar Django, os dois já haviam trabalhado juntos em “Little Rina Nel West”. Visualmente, o Django de Hill foi o que mais se aproximou do original.
    A Trama: Django é um pistoleiro que trabalha para o Senador David (Horst Frank). Cansado deste trabalho, Django deixa o amigo político para se aposentar e viver com sua esposa em uma fazenda. Mas o comboio em que ele viajava é assaltado pelo bando de Lucas (George Eastman) a mando de David. Apenas Django sobrevive. Algum tempo depois, ele prepara a sua vingança: trabalhando como carrasco ele recruta foras da lei (salvando-os da forca) para formar um bando contra o político corrupto. Assim ele vai fechando o cerco aos bandidos até forçar um confronto em um cemitério, onde Django havia enterrado uma velha “amiga”...
    A direção de Ferdinando Baldi é correta, com destaque para cenas de ação memoráveis como o tiroteio no Saloon em chamas. O melhor fica para o confronto no cemitério, que remete ao Django original. A fotografia é sombria, dando um clima mais melancólico à história. Ótima trilha sonora de Gianfranco reverberi.
    Viva Django é um clássico que vai agradar aos fãs do Spaghetti Western.
    Lançado em DVD no Brasil pela Ocean Pictures.

    http://www.imdb.com/title/tt0062151/

    fonte:
    http://dollarirosso.blogspot.com/2007/06/viva-django-1968.html

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