
A vilanagem amassou o nosso herói. Má ideia!
É nesta franja que surge Preparati la bara! - em Portugal lançado como Viva Django - que cronologicamente terá de ser considerada uma prequela, já que a sua acção decorre antes da guerra da secessão. Num período em que conhecemos um Django bastante diferente do que Corbucci nos apresentou, aqui Django ainda sorri e desfruta da feliz vida de casado. Isto por breves momentos, já que a sua vida está prestes a levar uma grande volta.

Django enterra o passado.
Django surge aqui como escolta de carregamentos de ouro para o depósito federal, um desses carregamentos acaba no entanto por ser atacado pelo bandido Lucas (George Eastman) e seus homens, a trama é no entanto maior já que o dito Lucas age em nome de David Barry (Horst Frank) - amigo de Django e curiosamente seu patrão - que pretende utilizar esse ouro como financiamento para as suas aspirações políticas. Escapando à morte mas vendo a sua mulher morrer em frente aos seus olhos, Django promete vingança. Depois de fisicamente recuperado, o pistoleiro regressa ao povoado, onde se faz passar por carrasco. Aí supostamente fará cumprir as injustas sentenças lidas a habitantes locais, que um sistema judicial corrupto condenou injustamente apenas por se terem oposto ao bando de Lucas (testa de ferro de Barry).

Entrevista de emprego para o clã dos enforcados.
O plano de Django consiste no entanto em libertar estes indivíduos de uma morte certa, fazendo dos enforcamentos uma farsa, provendo-lhes com a devida antecedência um engenhoso casaco que suportará o seu peso na forca. Com este grupo de supostos enforcados, Django cria o seu exército privado que utilizará na execução da sua vingança, atormentando a vida dos “sócios” de Lucas com a reaparição destes supostos fantasmas. A edição espanhola de Preparati la bara! foi justamente intitulada de El clan de los ahorcados, que é porventura o mais esclarecedor dos títulos que o filme recebeu. Como seria de esperar a ganância destes “enforcados” levam à traição a Django, baralhando um pouco mais o enredo do filme, mas no essencial nunca se afastando em demasia da fórmula de Yojimbo (1961) - também seguida no filme de Corbucci.

George Eastman, o maior do elenco.
Ao que parece a ideia original do produtor Manolo Bolognini e da BRC Produzione Film seria colocar novamente Franco Nero no papel de Django, com o qual haviam assinado contrato para três filmes, no entanto Nero agora elevado ao grau de estrela escapuliu-se para a mais apetecível cena de Hollywood, onde interpretaria Lancelot no oscarizado Camelot (1967). Sem o «Django» original disponível, Ferdinando Baldi (Texas, addio, Il pistolero dell'Ave Maria, Blindman) e a produtora activaram um plano de recurso, entregando o papel a Terence Hill, à data ainda relativamente desconhecido. Excelente escolha, dadas as grandes parecenças físicas entre os dois actores. Vestido de negro, Hill parece realmente uma sósia de Franco Nero. Existem cenas em que dificilmente são distinguíveis, ver para crer! Aqueles que reconhecem Terence Hill, sobretudo pelos seus papéis cómicos em Lo chiamavano Trinità... ou ...continuavano a chiamarlo Trinità, poderão criar uma falsa expectativa sobre este filme. Alerto por isso desde já para que não se deixem enganar por algum do marketing utilizado para divulgação do mesmo. Isto não é um spaghetti cómico ao bom estilo de Trinitá, aqui os sorrisos idiotas na cara do Terence Hill contam-se pelos dedos de uma mão e a contagem de cadáveres é larga (veja-se a memorável chacina da cena final).

Chumbo para todos!
Por conter todos os elementos que considero essenciais num bom western-spaghetti, Preparati la bara! é um daqueles filmes pelo qual tenho um carinho especial. Não sendo ainda assim uma maravilha em termos cinematográficos, há que reconhecer a Baldi e a Franco Rossetti a capacidade de conceber um filme que não choca com os pressupostos anteriormente apresentados pela personagem. Pessoalmente considero mesmo este «Django» a melhor adaptação que o cinema ítalo-espanhol pariu. Indumentária negra, caixão com metralhadora oculta, mote vingativo – está tudo lá! Destaco também a poderosa banda sonora dos irmãos Reverberi, que incrivelmente viram não há muito tempo, um dos seus temas ser samplado pelo DJ Danger Mouse, no seu projecto Gnarls Barkley. Fiquem por isso sabendo (caso não o saibam já) que o muito orelhudo “Crazy”, grande êxito do verão de 2006, foi inspirado em bandas sonoras de filmes western-spaghetti, em particular por esta.

Um filme escaldante!