2011/08/09

Navajo Joe (1966 / Realizador: Sergio Corbucci)

Nunca se viu um western em que o herói andasse a vaguear como um fantasma a arrastar um caixão. Nunca se viu um western em que o herói fosse cobardemente assassinado pelos vilões. Era muito pouco habitual a presença de índios nos westerns-spaghetti. Não era nada habitual o protagonista ser um índio. Sergio Corbucci fez tudo isso. Em 1966, o cineasta italiano oscilou, para não variar, entre o seu toque de génio (Django) e a simples banalidade (Johnny Oro). Mas tudo isto começou quando Burt Reynolds, ator conhecido da televisão americana, ambicionava fazer a sua transição para o cinema.

No outono de 1964, o seu amigo Clint Eastwood chama-o ao Review Studios, em Hollywood, para ver o seu último trabalho, um western europeu de baixo orçamento filmado em Espanha e Itália. Burt Reynolds viu o filme e adorou! Mais tarde, Eastwood apresentou Reynolds ao influente produtor italiano Dino de Laurentiis. Já com Sergio Corbucci a dirigir as operações, numa de várias reuniões, Dino disse a Reynolds: “Este filme vai ser ainda melhor que os anteriores! Eastwood matou 100 pessoas mas tu vais matar 245!”


O enredo é simples e violento: Duncan, uma besta da pior espécie, lidera um bando de brutamontes cuja ocupação é massacrar aldeias de tribos índias para depois vender os escalpos. Mas os tempos mudaram, já não há conflitos entre brancos e índios, mas Duncan não aceita isso e arrasa tudo por onde passa! Mas um misterioso índio navajo persegue esse violento grupo e sempre que há uma oportunidade deita a luva a uns quantos mal-encarados e faz trinta por uma linha! Mas qual será o seu verdadeiro motivo?


“Navajo Joe” é um filme simples, apesar de ter beneficiado de um orçamento generoso! Não é muito bom mas também não é mau. Digamos que é um filme do meio da tabela (falta-lhe claramente a magia de outros filmes; tudo parece demasiado forçado; alguns diálogos nem sequer fazem sentido). Os pontos altos são o tiroteio em frente do banco da cidade e o final pessimista típico de Corbucci. Para mim, o maior trunfo é a magnífica música de Ennio Morricone. Resta apenas dizer que, apesar de ter conseguido dar o tão ambicionado salto para o grande ecrã, Burt Reynolds admitiu mais tarde que não gostou desta experiência. Paciência…


Mais alguns lobbys gringos:




Trailer:


11 comentários:

  1. Definiste bem, compadre: nem bom, nem mau - tampouco feio. Vale pela trilha e pela abertura, na minha opinião. Acho que falta carisma ao Reynolds, mas isso já é outra discussão...

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  2. Também me parece ser um western mediano. Se calhar esperaria mais sabendo que é um filme do Sr.Corbucci. Mas até há coisas positivas, por exemplo, Sambrell que tinha tido uma pequena participação nos westerns de Leone é aqui promovido a vilão principal, e acho que se safou muito bem.

    --
    Pedro Pereira

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  3. Como foi ligeiramente referido no texto, Dino de Laurentiis esperava que este filme se tornasse num novo marco dos westerns-spaghetti mas falhou. Parece que Reynolds e Corbucci não se davam bem e isso também não ajudou. Não foi um falhanço completo mas Corbucci tinha obrigação de fazer mais e melhor...

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  4. Claro, há muitas coisas que se salvam na obra, que está mui longe de ser ruim. O que me parece latente, hoje, mais de 40 anos depois de seu lançamento (e das obras conseguintes de Corbucci) é que os envolvidos tinham mais potencial, poderia haver mais conteúdo. De qualquer modo, nem sempre os planos saem como visionados, faz parte da vida (feliz ou infelizmente).

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  5. A mí me decepcionó un poco, sobre todo porque contaron con un presupuesto superior a la media, pero creo que el enfrentamiento final es muy bueno. También destacaría el trabajo de Aldo Sambrell, por una vez con un papel más extenso a la altura de su talento.

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  6. Ya, pero otras oportunidades tendría, me recuerdo de algunas pelis en que desempeña el papel de vilano principal con grande efecto:

    * Quindici forche per un assassino
    * Arizona si scatenò... e li fece fuori tutti
    * Su le mani,cadavere!sei in arresto

    Que en paz descanse!

    --
    Pedro Pereira

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  7. Concordo com o Pedero Pereira em muitos pontos Quando assisti este spaghetti na TV (foram poucos os que vi na telona do cinema)achei espetacular, me emocionava a cada caena. Naquela época, por volta de 1985, eu me fixava muito na violência e na trilha sonora particular do estilo spaghetti, e a desse me pegou de cheio. Agora depois de muitos anos ao vê-lo em DVD peracebi algumas coisas que deixaram um tanto decepcionado e que me fazem talvez não colocá-lo no meu Top 10 do gênero.
    Parece-me que Corbucci tinha no início da sua incursão pelo western uma persistente em impor o seu estilo. Essa dificuldade estava presente ainda nos seus primeiros westerns como Massacre no Grande Canion e Minesota Clay. Ele paarecia aater mêdo de que os críticos dissessem que estava imitando Leone. Em Minesota... os closes são raros e a narrataiva alterna entre o western tradicional e o spaghetti. Em Massacre...parece ter sido ainda pior pelo que tenho lido em algumas resenhas.
    Em Navajo Joe a meu ver ele ainda não consegue resolver esse bloqueio, parece sempre existir uma hesitação. Os zoons são muito rápidos e os closes nos rostos dos atores não demoram o suficiente para que se obtenha o aprofundamento psicológaico dos personagens; ele aplica o zoom, enquadra o close e puxa muito rápido, fazendo aquilo que eu chamo de zoom invertido, o que às vezes transmite a senasação de falta de domínio fílmico. Leone enquadrava o primeiro plano (muitíssimas vezes o big close mesmo) e demorava o bastante até conseguir o efeito desejado (aquele multifacetamento que conhecemos). Este diretor tinha o controle total, o tempo certo. Corabucci parecia ter mêdo de fazer o mesmo e se perder, não conseguindo e depois receber a pecha de imitador. Não quero aqui defender que os diretores devam seguir rigorosamente a receita de outros, seria querer desenvolver um estilo único ,monolítico, dspersonalizando-os ou retairando sua identidade artística. No entanto lembro que Giulio questi em seu Django kill usou e abusou de closes, fazendo um estudo detalhado de rostos mãos, bôcas com dentes mastigango e bicos, bem semelhante a Leone, mas sem imitá-lo. Petroni também em "A Morte anda a Cavalo" usou zoons e primeiros planos belíssimos muito semelhante ao diretor referido e alcançoe grandes resultados sem cair na imitação. Mario siciliano beirou a perfeição em "Vigliacco non Pregano"(Sua lei era a vingança)em cujo filme os closes parecem ter sido calculados segundo os princípios matemáticos da pintura de Leonardo da Vinci. todavia nosso herói aqui em questão da metade do filme em diante consegue melhorar a pontuação. Nas cenas da tortura temos closes espetaculares no rosto de Joe levando os socos e nos contraplanos closes do punho de seu algoz batendo e ao mesmo tempo a visão de seu rosto enraivecido (western spaghetti sem closes sucessivos não é western spaghetti -talvez eu seja obcecado por esse rcurso cinematográfico). A virado de fato ocorreria em 1968 com the Silence(O vingador silencioso) em que Corbucci rompeu definitivamente o bloqueio e o multifacetamento e a reflexão spaghetti-closeana aconteceu sem mêdo de Leone.

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  8. Não acho que sejas obcecado com o uso de closes, é uma imagem de marca do género!

    --
    Pedro Pereira

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  9. Na minha opinião achei um grande filme. diferenciado de muintos spaghetti menos de the good, the bad an de ugly,
    a música titoli de testa-navajo joe cantada na voz de gianna spagnulo reforça a trama do filme sobre as cenas de violencia, pra min foi o melhor filme do Corbuci com influencia do grande produtor dino laurentiis ótimo.

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  10. Este filme é ótimo, com uma grande quantidade de bandidos, e um indio matando um por um, a trilha sonora espetacular arrebatadora e memorável, um dos trunfo musicais do morricone, navajo joe é show de bola.

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