2010/07/13

Black Jack (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)


Depois de planear o assalto ao banco perfeito, Jack é traído pelos seus comparsas no momento da partilha do roubo. Nada que Jack não tivesse previsto. Tirando vantagem de um revolver que previamente havia refundindo no saco do dinheiro, consegue escapar. Mas é novamente traído, agora pelo índio que havia contratado para que deixasse um rasto falso aos bandidos que o tentassem perseguir. Em vez disso, o índio conduz os bandidos até á cidade fantasma onde Jack, sua irmã e cunhado se refugiam. Severamente torturado - parcialmente enforcado, esfaqueado e baleado - vê ainda a sua irmã ser violada e seu escalpe ser removido. Deixado a uma morte certa, Jack acaba por ser salvo no último minuto pela namorada. Já recuperado, mas com visíveis mazelas físicas e mentais, Jack pensa apenas em vingar a morte da sua inocente irmã, mas as notícias do paradeiro dos seus antigos associados não chegam. Farto de esperar, e mesmo aleijado, Jack abandona a cidade fantasma na sua implacável demanda vingativa.


Pessoalmente creio que esta terá sido a melhor prestação de Robert Woods (Il mio nome è Mallory... M come morte) no cinema europeu. Encarnando esta personagem inicialmente simpática, mas que progressivamente passa da amargura à demência total, tais as consequências da fulcral cena de tortura montada por Gianfranco Baldanello. As balas cravadas nas pernas tornam-no manco e será com a ajuda da bengala que Jack se arrastará, qual Horace Pinker no saudoso 100.000 volts de terror (talvez Wes Craven tenha tirado daqui alguma ideia)!

Genialidade é atributo que dificilmente se apontará a Baldanello, mas este Black Jack foi muito bem conseguido. Graças a uma boa história, um punhado de actores interessantes e uma filmagem repleta de cores e ambientes negros. Falha no entanto na sequenciação. Não se sabe por exemplo como o personagem principal encontra cada um dos seus alvos, mas eis que Jack aparece e lá estão eles, prontos a serem abatidos! Baldanello teria certamente beneficiado em algum prolongamento na duração total do filme, que ultrapassa ligeiramente a hora e meia. A sequência final, segue uma linha (quase) gótica e que, ainda que pouco esclarecedora, consegue criar um ambiente sinistro quanto baste, com a cidade a desmoronar-se e sem um final feliz à vista.


Existe por aí uma edição VHS com um final alternativo, que permite entender melhor porque aparece o nosso negro herói estendido no chão no final do filme, mas a edição DVD que vi é a da editora espanhola CWP, que apresenta o filme em castelhano e na sua duração regular. Infelizmente o DVD não beneficia do formato widescreen (pelo que pesquisei não existirá mesmo em nenhuma das edições até agora lançadas), mas a qualidade de imagem é óptima. Gianfranco Baldanello, realizou uma quantidade interessante de westerns-spaghettis mas daquilo que lhe conheço nenhum que iguale o nível alcançado com este recomendável Black Jack.


Amostra:

7 comentários:

  1. Este "Black Jack" é um filme competente tal como muitos outros do subgénero. De uma maneira geral não apresenta quase nada de novo mas é interessante! O desempenho do protagonista, que revela cada vez mais um comportamento agressivo e obcecado e o final sinistro e caótico do filme são os momentos altos, na minha opinião!

    ResponderEliminar
  2. Hace tiempo que lo busco sin dar con el. Ahora me lo haces todavía más atractivo!

    ResponderEliminar
  3. De certeza que o encontrarás Adrán. O DVD de que falo, comprei no El Corte Ingles de Badajoz. Suponho que estará noutras lojas da cadeia.

    ResponderEliminar
  4. Si,he estado mirando por ahí y creo que salió en una colección. Si está editado seguro que aparecerá, además mañana me voy a acercar a la Fnac. Buena pinta tiene. eso desde luego.

    ResponderEliminar
  5. Robert Woods não é uma das primeiras figuras do SW, no entanto, tirando os infelizes exemplos com a colaboração com Fidani, poderemos encontrar alguns exemplos bem interessantes na filmografia dele. Desde já este BLACK JACK, mas também outros bons exemplos como STARBLACK (O ESTRELA NEGRA), onde Woods é uma espécie de Zorro num filme com um certo sabor a western americano mas com muita e boa acção característica do primo europeu, por curiosodade o tema do filme é cantado pelo próprio Robert Woods. Gosto muito também de GATLING GUN / QUEL CALDO MALEDETTO GIORNO DI FUOCO ( A METRLAHADORA) outro bom filme que combina acção e suspense, por vezes assemelha-se mais a um thriller, mas na minha opinião, outro filme muito bom Com RW e claro outro bom exemplo é MY NAME IS PECOS / DUE ONDE DI PIOMBO (A VINGANÇA DE PECOS), onde Woods é um mexicano chamado Pecos rápido no gatilho. A sequela, PECOS CLEANS UP, já não é tão bom. Mas há outros muito interessantes, como SETTE PISTOLE PER I MCGREGOR, FOUR DOLLARS FOR VENGEANCE, etc., ou seja, acho que Robert Woods é um actor a descobrir ou a redescobrir pelos amigos....

    ResponderEliminar
  6. DUE ONCE DI PIOMBO, até agora foi o único Western que eu vi do Robert Woods, quero ver SETTE PISTOLE PER I MCGREGOR

    ResponderEliminar
  7. Olá companheiros!

    Eu recomendaria como prioritários este BLACK JACK, PISTOLEROS DE ARIZONA ou o GATLING GUN. Esse dos SETTE PISTOLE PER I MCGREGOR apesar da fama nunca consegui assistir do inicio ao fim.

    Mas como o António Rosa refere e bem, o Robert Woods deixou uma extensa obra, por isso o melhor é considera-los a todos como opção.

    Pessoalmente já vi bastantes desses, mas falta-me por exemplo conferir coisas como EL PURO - que pelo que li por aí parece ser muito interessante.

    ResponderEliminar

Related Posts with Thumbnails