
«Da pena do maior escritor de western da América actual — Louis L'Amour». Assim se vendia este Um Homem Chamado Noon.


Morreu esta quarta-feira, em Roma, aos 93 anos, Tinto Brass, realizador italiano que ficou conhecido pela sua carreira no cinema erótico e por uma filmografia marcada pela provocação e pela controvérsia.
Nascido em Milão, em 1933, Brass iniciou o seu percurso na Cinemateca de Paris e trabalhou como assistente de Roberto Rossellini. Entre os seus filmes mais conhecidos está Calígula (1979), uma produção que gerou forte polémica pela representação explícita da sexualidade e da violência.
Mas há uma ligação menos conhecida de Tinto Brass ao universo do western spaghetti: em 1966, realizou Yankee, a sua única incursão no género. Um título que merece ser recuperado por quem acompanha este género do cinema italiano, bem diferente daquele pelo qual o realizador viria a alcançar notoriedade internacional.
RIP

Este é um daqueles títulos cuja ficha técnica levanta algumas dúvidas. Nos créditos do filme aparece o argentino Leon Klimovsky, mas várias fontes atribuem a realização ao italiano Marino Girolami, pai de Enzo G. Castellari. Não seria caso inédito: Klimovsky também terá sido posto a andar em Poucos Dólares para Django, filme que Castellari acabou por terminar. E já são duas interferências do mesmo clã! Ou terão sido razões meramente contratuais? Provavelmente nunca saberemos ao certo.
Apesar de alguns posters darem destaque a Richard Harrison, este surge apenas como participação especial, interpretando um xerife com os nervos em franja. O filme gira em torno da personagem de Guy Madison, o ex-caçador de recompensas conhecido como Reverendo 'Colt' Miller. Este chega a Tucson com a intenção de construir uma igreja, mas, logo no dia da sua chegada, um bando assalta o banco da cidade. Os habitantes, desconfiados do novo reverendo por este andar armado, culpam-no imediatamente pelo assalto. O xerife salva-o de um linchamento, metendo-o na cadeia, mas acaba por convencê-lo a localizar o bando e recuperar o saque.
Reverendo Colt passou recentemente no Star Movies (e já morava nas minhas gravações), numa versão impecável, provavelmente superior à do meu DVD da Wild East (não confirmei), embora pareça apresentar alguns cortes, audíveis em determinados momentos. A versão transmitida pelo canal é dobrada em espanhol, algo que bem sei aborrecer muita boa gente. Não é o meu caso.
É um western despretensioso. Mais uma vez, vendem-nos a história de um grupo sitiado por um bando de meliantes. Não faz, nem de perto nem de longe, sombra aos melhores poliziotteschi de Girolami (Roma Violenta, Itália a Mão Armada), mas ainda assim é um produto bastante superior aos filmes do João Broncas que marcaram os últimos anos de actividade do signore Girolami.

O garimpeiro Tom Corbett é chamado por um amigo para regressar a casa. A quinta da família e grande parte das terras da região estão agora nas mãos da família Scott. Para ajudar à festa, o irmão de Tom tornou-se alcoólico. E por trás de todo este imbróglio está Scott Júnior, um psicopata efeminado com uma apetência especial pela crueldade.
Este é o primeiro western spaghetti realizado pelo mestre do terror, Lucio Fulci. Como lhe é apanágio, violência brutal não falta. Quem pagou as favas foi Franco Nero, cuja personagem é sadicamente chicoteada pelo chalupa Júnior, numa interpretação fabulosa de Nino Castelnuovo. Curiosamente, Fulci nunca escondeu a sua antipatia por Franco Nero. Recomendo vivamente que procurem a entrevista que a Wild East incluiu no DVD deste filme. Talvez esteja enterrada algures no YouTube. Investiguem!
Tal como no filme de ontem, temos por aqui outro garrafão ambulante. Mas se Tequila Joe se acobardava atrás do álcool, Jeff (interpretado por George Hilton) é o típico bêbado conflituoso, sempre pronto a arranjar sarilhos. Uma óptima prestação do uruguaio.
Amigos, não vos vou dizer que este Tempo de Massacre é o melhor western spaghetti que vão ver, mas asseguro-vos que não vos fará perder tempo. Já lhe perdi a conta às vezes que o vi: nas primeiras ocasiões, em espanhol, através do meu velhinho DVD da Filmax; uns anos mais tarde, em inglês, na edição da Wild East. Hoje calhou-me uma dobragem em português do Brasil, que foi precisamente o primeiro resultado que a pesquisa me devolveu. Aceitei a minha sorte!
Em Portugal, raramente se dobravam filmes destinados ao público adulto — provavelmente uma das poucas contribuições positivas da ditadura fascista! Vê-lo desta forma não foi má ideia, mas confesso que a experiência foi um tanto estranha.

Para o segundo dia da maratona, tropecei neste Chegou o Tempo de Matar (título usado no Brasil, uma vez que o filme nunca foi lançado em Portugal). É o único western realizado por Vincenzo Dell'Aquila, que, dentro do género, teve várias contribuições como coargumentista. Incluindo Profissionais para um Massacre, que ainda ontem saiu na rifa.
Os bandos rivais de Rock Mulligan e Manuel Trianas enfrentam-se numa luta sangrenta, enquanto o xerife Joe Donnen, um autêntico beberrão, prefere assistir passivamente a tudo. O seu recém-nomeado adjunto bem tenta devolver-lhe algum sentido de coragem e honra, na esperança de evitar que a cidade acabe mergulhada num massacre. Mas a tarefa é hercúlea!
Esta foi a segunda vez que vi o filme. A primeira aconteceu quando a entretanto extinta Wild East o lançou em DVD, numa double feature arriscada dedicada a Anthony Ghidra. Na altura, apesar do ritmo algo lento, gostei do que vi e esta revisão não defraudou as expectativas. O filme tem os seus méritos, mesmo que os cenários tenham um feeling bastante baratucho.
Há também alguns paralelos com outros bebedolas do western spaghetti. Lembrei-me imediatamente de Tempo de Massacre, do mestre Fulci, também ele escrito pela dupla Enzo Dell'Aquila e Fernando Di Leo. Ocorre-me que uma double feature com os dois filmes poderia fazer todo o sentido. Humm, parece que já sei o que vou ver amanhã!
Antes de ir fazer oó, fica a nota de que desta vez vi-o no YouTube, numa versão de qualidade equiparada ao meu DVD, mas que nesta versão me apareceu numa dobragem em espanhol, que arriscaria dizer ser a dobragem Mexicana, o que é algo estranho para mim. Não estou nada habituado ao sotaque e admito que me chateou pra cacete!


A iniciativa foi criada pelo portal Spaghetti Western Database em 2020. E tal como no velho Oeste, as regras são poucas. A balbúrdia impera! Cada participante define o que vai ver. Os mais duros (ou maluquinhos, dependendo do ponto de vista) fazem questão de manter o registo dos filmes vistos nos fóruns, dando assim início a debates, nem sempre construtivos, claro.
Pessoalmente, pretendo voltar a participar. Ver algumas raridades e rever também algumas pérolas. E, sem dúvida, recordar alguns dos westerns protagonizados por Richard Harrison, que recentemente nos abandonou. E evidentemente, estou aqui para vos lançar o desafio: entrem na brincadeira!
Até porque, este ano, a Star Movies facilita-nos a vida, alinhando também ela um bom punhado destes filmes na programação. Além disso, abundam filmes no YouTube e até os serviços de streaming já vão disponibilizando algum material. Os colecionadores dirão que há que ir desgastar as cópias físicas que já têm em casa. E têm razão, mas bem sei que cada vez este filão perde força. Uma pena.
E tu, tens alguma desculpa para não ver uma coboiada italiana manhosa?!
Vamos a matar, compañeros!
| A chegada dos dois palermas. |
| Hey putos! Não quererão substituir essas fisgas por colts?! |
| O duelo vai começar, que vençam os piores! |
| Foda-se. |
«Da pena do maior escritor de western da América actual — Louis L'Amour». Assim se vendia este Um Homem Chamado Noon . Pareceu-me uma es...