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2014/06/24

Os spaghettis da minha vida | Francisco Rocha @ My Two Thousand Movies


Hoje contamos com a presença do Francisco Rocha, o cine-blogguer mais activo da blogoesfera portuguesa. Como provavelmente saberão, o mentor do My Two Thousand Movies - substituto do extinto My One Thousand Movies - ama o cinema em geral e pelo nosso western-spaghetti nutre também algum carinho, não podíamos por isso «largar-lhe a braguilha» enquanto ele não acedesse a mostrar os seus favoritos. Ei-los, então...

Depois do Pedro me ter convidado para fazer esta lista, já há algum tempo, confesso que já a comecei umas três vezes. Por muito que queiramos ser originais, ou diferentes dos outros, há um factor inegável: existe Sérgio Leone, e depois o Spaghetti Western. Já perguntei a várias pessoas se gostam de spaghetti western, muitas vezes dizem que sim. Depois pergunto quais são os seus filmes preferidos: e enumeram sempre os filmes de Leone. Não quero dizer com isto que os cinco spaghetti de Leone são os cinco melhores do mundo, mas pelo menos quatro estariam por certo no top 10. Vamos então esquecer que Sérgio Leone faz spaghetti westerns, e vamos excluir os seus filmes desta lista, não esquecendo que eles teriam um lugar muito especial. E nesse caso a lista seria assim:

Os 10 favoritos:

01 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968
Um dos poucos westerns que consegue rivalizar com os de Leone. É quase um anti-western. Tudo aqui é diferente do que se poderia esperar num filme de Hollywood, o perfeito anti-herói, o cenário de neve poucas vezes visto num western, um vilão impressionante interpretado por Klaus Kinski, e um dos finais mais negros da história do cinema. Tudo isto a juntar a uma grande banda sonora de Morricone. 


02 | Django | Sergio Corbucci | 1966
Diz a lenda que esta era a resposta de Corbucci a "Por Um Punhado de Dólares", de Leone. De facto, "Django" é baseado na mesma história em que inspirou Leone. Temos o heroi que chega a uma cidade sozinho, se envolve numa luta entre duas facções rivais, e vai tentar tirar o máximo de dividendos possível. Corbucci vai um pouco mais longe, e tentou ao máximo não copiar o filme do seu rival. Corbucci dá o tom logo no início, em que vemos um coyboy solitário entrar numa cidade arrastando um caixão, num terreno completamente enlameado. Estava dado o tom para um dos westerns mais originais. 

03 | ¿Quien sabe? | Damiano Damiani | 1967
Um filme que eu fui gostando mais com o tempo, e depois de o ter revisto recentemente, não tenho muitas dúvidas de que será provavelmente o melhor de todos os Western Zapata, um subgénero dentro de todos os spaghetti, que westerns disfarçados de filmes politicos. Tal como a maioria dos seus pares, tinha uma magnifica dupla de protagonistas, Gian Maria Volonté como Mexicano, e Lou Castel no papel de "invasor". Foi dos primeiros filmes deste pequeno movimento, e é talvez o mais politico de todo. Os filmes de Damiano tinham sempre um fundo político, que por vezes era mais forte do que a propria história do filme. Isso ficaria bem vincado em alguns dos filmes que fez já na década de 70, por vezes com o mesmo Gian Maria Volonté. 

04/05 | Il Mercenario | Sergio Corbucci | 1968 & Vamos a matar, compañeros | Sergio Corbucci | 1970
Dos dois Zapata que Corbucci fez, separados por dois anos, tenho sérias dificuldades em destacar um, por isso considerei ambos os filmes para a mesma posição. Talvez "Companheiros" ganhe um pouco em relação a "Il Mercenario", porque Tomas Millian foi um dos melhores actores a interpretar um mexicano louco, mas o certo é Tony Musante no outro filme, também não fica nada atrás. E depois temos um Franco Nero enome, como protagonista dos dois filmes. Um empate. 

06 | Faccia a faccia | Sergio Sollima | 1967
É quase impossivel fazer um top de spaghettis sem Sergio Sollima, mas eu confesso que não sou tão fã como muitos amantes do género. Gosto muito de Faccia a Faccia pela dualidade dos dois protagonistas, Millian e Volonté, quase uma versão western de "Persona", de Bergman. É provavelemente o mais autoral de todos os spaghetti. 

07 | E Dio disse a Caino... | Antonio Margheriti | 1969
Da vaga de westerns góticos que se fizeram em Itália, este é o melhor. Margheriti, ele próprio um especialista no cinema de terror, consegue transportar da melhor forma o ambiente de um desses filmes para o território do Spaghetti western. Muito ajuda a grande interpretação de Klaus Kinski, cuja silhueta é muitas vezes confundida com um fantasma ao longo do filme. 


08 | Requiescant | Carlo Lizzani | 1967
Um dos mais estranhos e originais spaghettis que já vi até hoje. É um filme de cariz religioso, que conta com o próprio Pasolini no papel de um padre. O protagonista também é dos meus actores preferidos no território do Spaghetti: Lou Castel. 

09 | Matalo! | Cesare Canevari | 1970
Um filme que tem a reputação de ser o mais estranho de todos os westerns. Pelo menos a banda sonora é das mais estranhas, eu nunca tinha visto musica psicadélica num destes filmes. O melhor do filme é os movimentos de câmera, e um excelente Lou Castel num dos principais papéis. 


10 | Il mio nome è Nessuno | Tonino Valerii | 1973
Henry Fonda é um cowboy à procura de reforma, Terence Hill é o comboy que o idolatra. Mas a relação entre os dois não é fácil. Apesar da presença de Terence Hill, e do respectivo humor deste, não é propriamente um western cómico. Mas é um dos melhores westerns spaghetti. 




Joker: A diferença está na velocidade!

Il Grande Duello | Giancarlo Santi | 1973
Não coube no top 10 por muito pouco. É um spaghetti que eu considero quase um western normal, apesar de muitas das características do género estarem lá presente. O que o diferencia dos outros spaghetti é a velocidade, que é um pouco mais lenta do que é normal, mas isso é compensado pela banda-sonora fenomenal. 



A Evitar: Violência gratuita!

Condenados a Vivir | Joaquin Luis Romero Merchant | 1972
Li maravilhas sobre este filme antes de o ver. Supostamente era o spaghetti mais violento de todos, mas a violência utilizada é gratuita, sem um bom argumento a acompanhar, uma fotografia terrível…enfim, totalmente a evitar.

2014/03/04

Os spaghettis da minha vida | Rodrigo Carreiro


O Rodrigo Carreiro é do Recife, é editor do Cine Repórter e professor da Universidade Federal de Pernambuco. É também uma das poucas pessoas que sei ter tido a coragem de ter feito uma tese de doutoramento sobre o cinema de Sergio Leone! Recomendo vivamente a leitura da mesma, aqui neste link, e entretanto saibam quais os westerns-spaghetti favoritos do Rodrigo!


Os 10 favoritos:

01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966 

O melhor filme de todos os tempos. Vejo uma vez por ano, sem falta.





02 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

O melhor spaghetti werstern não assinado por Leone, e uma música-tema espetacular que está no topo do melhor que Morricone produziu.



03 | ¿Quien sabe? | Damiano Damiani | 1967

O mais interessante western político passado na revolução mexicana.




04 | La resa dei conti | Sergio Sollima | 1966

Um dos duelos mais inventivos (revólver x faca) e Lee Van Cleef em grande forma.





05 | Una Pistola per Ringo | Duccio Tessari | 1965
Uma abertura hilariante e uma das melhores variações do filme de cerco de Howard Hawks.





06 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976


Western e religião em um filme literalmente crepuscular. Os violentos vão para o inferno Um eletrizante duelo final que ao mesmo tempo homenageia e satiriza Sergio Leone.



07 | Il Mercenario | Sergio Corbucci | 1968 


Um eletrizante duelo final que ao mesmo tempo homenageia e satiriza Sergio Leone.




08 | Cimitero senza croci | Robert Hossein | 1969

Western spaghetti existencial.





09 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965

A cristalização do estilo de Leone e o melhor cruzamento de música intra-diegética e extra-diegética que já se viu num filme (a cena do duelo com o relógio de música).


10 | Se sei vivo spara | Giulio Questi | 1967

Obra-prima inconoclasta e lotado de referências religiosas.







Joker: Culpado!

Se incontri Sartana prega per la tua morte | Gianfranco Parolini | 1968

Embora seja ótimo, é "culpado" por introduzir o elemento cômico que, alguns anos depois, mataria o spaghetti western.






A evitar: Sem graça!

Roy Colt e Winchester Jack | Mario Bava | 1970

Derivativo, sem graça, filmado de modo disciplicente, indigno da assinatura de Mario Bava








2013/12/30

Os spaghettis da minha vida | Paulo Blob Teixeira


Quase no adeus a mais um ano, voltamos a activar esta rubrica. O convidado desta feita foi o Paulo Blob Teixeira que provavelmente conhecerão do terrifico Blog do Blob. Uma casa em que o cinema de terror é rei. Mas o Paulo é também adepto do western-spaghetti e hoje poderemos saber exactamente quais os seus favoritos!

Primeiramente quero agradecer ao Pedro Pereira, por me dar a oportunidade de colocar aqui, os meus spaghettis favoritos, ainda que a minha lista seja bastante óbvia (me perdoem pelo excesso de Leone e Corbucci, quem manou eles fazerem filmes tão grandiosos!), ainda mais depois de dezenas de listas maravilhosas por aqui! É uma grande honra e um imenso prazer falar sobre os faroestes italianos, que sempre me deliciaram desde a infância, quando assistia com meu pai na tv, filmes estrelados por Franco Nero, Giuliano Gemma, Terence Hill, entre tantos outros. Portanto, minha paixão pelos spaghettis vem direto da herança paterna (assim como deve ter sido com vários da minha geração).

Os 10 favoritos: 

01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966 

O que falar dele que já não foi dito? Um dos meus filmes preferidos, não só de SW, mas de todos os tempos! A trilha de Morricone é tão marcante e maravilhosa que transcendeu o próprio filme, quantas pessoas há por aí que nunca viram o filme, mas já escutaram a música? Tudo é soberbo: o roteiro, elenco (o que dizer da trinca principal? Maravilhosa!), fotografia, direção. Senhoras e senhores, isto não é um filme, é um monumento!

02 | Vamos a matar, compañeros | Sergio Corbucci | 1970

Desde a primeira vez que botei os olhos nesse filme, quando ainda era garoto no bom e velho VHS, fiquei encantado, e só tem melhorado a cada revisão! Para muitos esse é quase um remake de um filme anterior de Corbucci: "Il Mercenario" (1968), que no Brasil recebeu o título de “Os Violentos Vão para o Inferno”, mas costumo dizer que “Vamos a Matar...” não é uma refilmagem do anterior, o primeiro que foi um ensaio para esse! Aqui tudo é superior: os personagens, o ritmo, a ação, o humor, as questões políticas, tudo é melhor colocado. Sem falar na maravilhosa trilha de Morricone, escute ela e tente tirá-la da cabeça! Ela vai grudar por uma semana! O elenco é esplêndido! Com Franco Nero como um cínico contrabandista de armas sueco, que ganha o apelido de “pinguin”, graças ao fraque que usa no começo do filme, e que destoa do cenário desértico e povoado de cadáveres do vilarejo que chega, temos ainda Thomas Milian como um rebelde ingênuo (com um visual inspirado em Che Guevara!) que serve de “peão de manobra” do corruptível General Mongo (José Bodalo, aqui creditado como Francisco Bodalo). Franco e Milian terão que resgatar o Prof. Xavier (Fernando Rey), preso num forte nos USA, por ser o único que sabe a combinação de um cofre que contém uma suposta riqueza. Essa jornada de resgate mudará nossos queridos protagonistas. Sem falar de bônus temos Jack Palance, como vilão maneta, que usa uma prótese, que tem um gavião de estimação, capangas tão bizarros quanto ele, e passa o filme fumando maconha. Lamentável apenas o fato do filme ser relançado hoje em dia com o título apenas de “Compañeros”, malditos tempos politicamente corretos em que vivemos!

03 | C'era una volta il West | Sergio Leone | 1968

Aqui o SW atinge seu ponto mais épico, operístico e trágico! Outro clássico absoluto em que não tenho nada a dizer que já não foi dito. Bronson, Fonda, Cardinale, Robards, Leone, Morricone, tudo muito além do perfeito!
04 | Django | Sergio Corbucci | 1966

Outro grande clássico do SW! Chegando a gerar uma “franquia bastarda” que gosto de chamar de Djangosploitation! A figura do pistoleiro que chega numa cidade fantasma carregando um caixão é surreal (imagine que andar por aí a cavalo já não deve ser muito confortável, o que dizer de perambular a pé pelas pradarias carregando um caixão?). O cenário desolador, a violência e a ambiguidade de nosso “herói”, tornaram essa primeira parceria entre Corbucci e Franco Nero, um dos meus clássicos preferidos. Vale dizer que esse também foi um dos primeiros westerns que vi na vida, na tv, graças ao meu pai, que tinha visto no cinema e me recomendou a ver com ele.

05 | I giorni dell'ira | Tonino Valerii | 1967

Assim como "Django", esse também foi um dos primeiros westerns que vi. A trama do bunda mole, que é subjugado por todos, até que, graças a um pistoleiro experiente, ganha habilidade com as armas e acaba se inebriando com o poder, é um tema caro a mitologia do western, feito em qualquer continente (e, com algumas variações, aos filmes orientais de kung fu também!). O bunda mole em questão se chama Scott Mary (Giuliano Gemma!) basta menos de dez minutos para sabermos da situação deplorável desse pobre diabo: habitante da pacata (e hipócrita) cidade de Clifton, Scott é um órfão criado pelas prostitutas da cidade ("o bastardo", como é chamado por todos) e trabalha como uma espécie de gari de lá (!!!), todo dia ele puxa uma carroça com barris aonde vai, de porta em porta, recolhendo os dejetos da cidade! Além disso, ainda serve para varrer as espeluncas do vilarejo. Claro que sempre sendo humilhado por todos (desde o dono do saloon local até o juiz, passando pelo xerife!). Mas o espectador logo percebe que vai acontecer algo quando entra em cena, imponente em seu cavalo, o velho Lee van Cleef, que aqui interpreta Frank Talby, um veterano ás das pistolas, que logo trava amizade com o miserável mancebo, e por causa deste acaba matando em legítima defesa um fazendeiro local. Depois do tumulto Talby sai da cidade, mas acaba sendo seguido por Scott, que agora virou seu fã. O filme dá uma guinada quando sabemos das reais intenções de Telby, ele vai atrás de Wild Jack (o canadense Al Muloch, cuja a cara feia é a que abre num close-up o clássico "Il Buono, Il Bruto, Il Cattivo", aqui em seu penúltimo filme, o último seria justamente o "C’Era uma Volta in West"!), um velho comparsa de roubos que passou dez anos no xilindró e cujo último assalto a grana ficou nas mãos dos seus cumplices do momento, que agora são os todos poderosos de... Clifton! Sim, a cidade de nosso herói! Talby e Scott, então retornam ao lugar de início, o primeiro para botar a mão na grana e o segundo para se cobrar dos desaforos passados, sem contar que agora o outrora nó cego esta hábil no manejo das armas, e tão ou mais rápido que Talby, agora seu mentor, e por isso acaba se impondo na base da bala. Não custa muito para o velho pistoleiro se tornar o dono da cidade, enquanto seu aprendiz e braço direito, acaba perdendo um pouco de seu humanismo (que coisa feia GEMMA!). Só no final, depois de algumas reviravoltas, tiroteios e cádaveres, que nosso herói terá a chance de se redimir com o público no inevitável (e memorável) duelo final. Enfim, uma belezura para encher os olhos de qualquer fã de SW! Destaque para a grande trilha do Riz Ortolani.

06 | Faccia a faccia | Sergio Sollima | 1967

Gian Maria Volonté é um professor, que por causa de problemas de saúde ganha uma licença e vai aproveitar o clima quente do oeste, mas inesperadamente acaba sendo sequestrado por um terrível bandido (Thomas Milian), esse contato entre figuras distintas acaba transformando ambos. Sollima constrói um belo painel psicológico e filosófico, aonde o bandido acaba se humanizando e o professor acaba se identificando com a crueldade. Aqui o herói vira vilão, e o vilão vira herói. Essa metamorfose é captada de forma magnifíca! Não a toa o falecido cineasta brasileiro Carlos Reichenbach chamava esse filme de “spaghetti dialético”.

07 | ¿Quien sabe? | Damiano Damiani | 1967

Assim como o posterior "Vamos a Matar, Compañeros", temos aqui o mexicano bruto e ingênuo (Gian Maria Volonté) em contraste com o gringo elegante e cínico (Lou Castel) no cenário da revolução mexicana. Mas ao contrário do filme do Corbucci, Damiani se mostra mais radical em sua conclusão. E lembrem-se: não comprem pão, comprem dinamite!

08 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Se o Spaghetti Western é a antítese do tradicional western americano, este aqui vai mais além… acaba sendo a antítese de ambos! É praticamente um anti-western por excelência, senão vejamos: começamos pelo já citado cenário, montanhas geladas em vez do deserto ensolarado, em vez de uma mocinha loirinha temos uma negra, muito bela por sinal, os caçadores de recompensa, heróis icônicos dos Spaghettis, a partir das obras de Leone, aqui são vilões cruéis e o final niilista apaga qualquer esperança de redenção! Sim, "Il Grande Silenzio" é um filme muito foda! Só para terminar: eu costumo fazer analogia entre este filme e o espanhol "Condenados a Vivir" a.k.a. "Cut-Throats Nine" de Joaquín Luis romero Marchent, um filme ainda a ser reavaliado. Embora ambos tenham tramas distintas tem suas semelhanças. Pois o espanhol também se passa nas montanhas, em meio a neve, como também possui uma violência brutal e impregnado de pessimismo.

09 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

Sei que falar disso é chover no molhado no filme em questão, mas repito o senso comum: é um filme crepuscular que marca o fim da era de ouro do spaghetti, e o fim da contracultura hippie (ainda que tardia). O clima místico, a câmera lenta peckinpahniana, a beleza da Olga Karlatos. Tudo contribui para um belo espetáculo.

10 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965

Embora seja menos citado que o primeiro e o último da trilogia dos dólares, esse é um dos meus SW favoritos. Eastwood e Van Cleef contra Volonté (que tem Klaus Kinski como capanga!), como não ser maravilhoso? Mais uma vez a trilha de Morricone é mais do que perfeita! Uma das melhores cenas para mim é aquela do duelo entre o vilão Gian Maria Volonté e o traidor de seu bando Lorenzo Robledo, a forma que Leone estica o tempo além do suportável nos duelos , me faz pensar, que além de westerns esse diretor deveria ter dirigido thrillers, tamanho domínio do suspense. Como alguém, não me recordo agora quem, já escreveu: “enquanto Peckinpah se preocupava com a violência, com o duelo propriamente dito, Leone visava mais a preparação para o duelo.”


Joker: Pura diversão!

Blindman | Ferdinando Baldi | 1971

Essa versão SW do Zatoichi, o samurai cego, é pura diversão! O ator Tony Anthony (esse nome é uma redundância, não?) é o pistoleiro cego que tem escoltar um monte mulheres para casarem com mineradores (!!!), no meio do caminho nosso herói é traído tem sus garotas roubadas. Começa então a caçada do cego para reaver “suas” mulheres. Completamente absurdo, esse filme mostra um herói, que por não enxergar, tem que ganhar de seus adversários usando sua audição (tal qual o samurai cego japonês) e muita malandragem! De bônus temos Ringo Starr como um dos sádicos vilões.


A evitar: Pura rotina!

Viva Sabata! |Tulio Demicheli | 1970

Estrelado pelo ítalo-brasileiro Anthony Steffen, só aproveita o nome do personagem imortalizado por Lee Van Cleef. Tenta dar um tom cômico e tem no elenco nomes como Peter Lee Lawrence e Eduardo Fajardo. Mas o resultado é pura rotina.



Menção Honrosa: Western pouco ortodoxo!

L'uomo, l'orgoglio, La vendeta | Luigi Bazzoni | 1967

Embora não seja um western ortodoxo em sua geografia (se passa na Espanha, portanto longe dos USA-Mexico), não poderia deixar de fora essa bela adaptação de Carmen, do francês Proper Mérimée, para ambientação de “faroeste”. Aqui temos Franco Nero como José, um oficial do exército que cai de amores pela cigana Carmen, uma devoradora de homens. A paixão e o ciúme de José o leva a cometer homicídio e ter que fugir da justiça. Ainda temos no filme o sempre insano Klaus Kinski como Garcia, o cruel amante da cigana. Beleza pura!


2013/02/04

Os spaghettis da minha vida | Josito Cro-Mag



Pela ocasião do lançamento do livro "33 spaghetti westerns que no te puedes perder" endereçámos o convite ao co-autor Josito Cro-Mag para participar na nossa mais afamada rubrica. Fiquemos então a conhecer os favoritos deste nosso amigo espanhol!


Coincido con Julio Alberto: cualquier hipotético listado sobre los mejores SW de la historia es, a la fuerza, comprometido. Digamos simplemente que si estos diez títulos están aquí es por una motivación puramente personal, y no por una exigencia cinematográfica (exigencia esta que, de todas las que me obligan a realizar listados o enumeraciones, es la que menos me importa). Al fin y al cabo, cualquier listado o enumeración, ya sea en un número de diez o treinta tres, responde a una inquieta y casi obsesiva pasión por los "catálogos perdidos" de Vila-Matas, y esta sección no anda muy lejos, en espíritu, de nuestro humilde librito, recién publicado, y titulado "33 spaghetti westerns que no te puedes perder". Por todo ello, prescindiré de los títulos dirigidos por Sergio Leone -de nuevo, coincidiendo con el promotor del mítico blog 800 spaghetti westerns, y señalaré mis diez preferidos, nueve de ellos incluidos en nuestro modesto inventario. Allá van mis diez favoritos.


Os 10 favoritos:


01 | Tepepa | Giulio Petroni | 1968

Al sarampión filomarxista del "Zapata Western" cayeron rendidos casi todos los grandes: Leone, Corbucci, Sollima... Las más famosas fueron "Yo soy la revolución", de Damiano Damiani, "Agáchate maldito" del maestro Leone y "El halcón y la presa" de Sergio Sollima. "Tepepa" no tiene absolutamente nada que desmerecer a éstas, de hecho es bastante más inteligente que muchas de ellas, y Tomas Milian está -como siempre, todo sea dicho- absolutamente arrebatador.


02 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Uno de las pelis favoritas de mi compañero Sam Torche, protagonizada por el francés Jean-Louis Trintignant -ahora de actualidad gracias a su papel en la última cinta de Haneke- el alemán Klaus Kinski en el papel de "Loco" (un papel hecho a su medida, todo sea dicho). Una de las mejores pelis de  Sergio Corbucci, alguien que nunca aceptó firmar sus obras con un nombre extranjero, como si hicieran tantos otros compañeros de profesión. Espectacular fotografía y score para uno de esos títulos que de tan citados, puede resultar sobrevalorado. Nada más lejos de la realidad. 


03 | Il ritorno di Ringo | Duccio Tessari | 1965

Quizá no sea un must, pero esta continuación de la objetivamente más endeble "Una pistola para Ringo" (tambien de Duccio Tessari), saga de películas protagonizadas por el simpático Giuliano Gemma, tiene una relevancia especial para mí, ademas de una banda sonora brutal, responsabilidad del maestro Morricone. Tan amena como inaceptablemente olvidada.


04 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

Uno de los adjetivos más sobados en el mundo del cine es ese que se refiere a cierto tipo de películas como "film crepuscular". En este caso, el calificativo está justificado, ya que "Keoma" es uno de los últimos SW de la que podríamos denominar "edad dorada" del género. Argumentalmente, como tantos otros títulos de su generación ("Mi nombre es ninguno",  "Los cuatro del apocalipsis" o "El valle de la muerte/Mannaja"), de alguna manera la propuesta de Enzo Castellari es consciente de que el euro-western estaba ya prácticamente agotado y dando sus últimos coletazos. Aun así, vista una y otra vez, es una película deliciosa y absolutamente reivindicable.


05 | I giorni dell'ira | Tonino Valerii | 1967

El cine ha sido injusto con un director como Tonino Valerii, responsable de la muy recomendable y desmitificadora "Mi nombre es ninguno" (1973). Dos horas de cine macarra salpicado con una serie de frases inolvidables, escupidas por Van Cleef en sus momentos más hater, acompañado aquí por el simpático Giulianno Gemma -el gran Ringo de la saga de Duccio Tessari.


06 | Buon funerale, amigos!... paga Sartana | Giuliano Carnimeo | 1970

Peli bastante oscura y bastante macarra, con un estilo muy Peckinpah, y con unos movimientos de cámara, poco habituales en los euro-westerns de su época. Peli con encanto, con una banda sonora excepcional, obra de Bruno Nicolai, y con un Gianni Garko como siempre excepcional. Loable SW de otro todoterreno de la exploit italiana , el aún vivo y desvergonzado Giuliano Carnimeo.


07 | Il Mercenario | Sergio Corbucci | 1968

Los primeros años de la década de los sesenta le sirvieron al romano Sergio Corbucci para foguearse en producciones de todo tipo, predominantemente péplums y alguna comedieta a la italiana con Totó. Su llegada al SW fue explosiva, ya que en tres años rodó “Minnesota Clay”, “Django”  y “Joe, el implacable”, convirtiéndole en la gran esperanza macaroni del western mediterráneo, siempre a la sombra de Leone, claro está. De todas, este Zapata Western es quizá la mejor, y la más moderna (cuando se estrenó en verano de 1968, la utilización de la voz en off era algo muy poco habitual en el spaghetti western). La mejor película de Corbucci, en mi opinión.


08 | Mannaja | Sergio Martino | 1977

Sucia, violenta, agonizante, cafre crepuscular, lírica, sórdida… Hay muchos adjetivos para calificar al que es probablemente el euro-western más decadente jamás filmado. Fulci o "Keoma" no andan muy lejos, pero parece claro que Martino quiso, en su primera intervención en el género, coger bastantes ideas del cine de Peckinpah –esos innumerables “Let´s go” no son casuales, desde luego- y adaptarlas a un spaghetti western que, por aquel entonces, estaba absolutamente pasado de moda para público y críticos.

09 | Django | Sergio Corbucci | 1966

Como otros spaghetti westerns de la época, la hora y media que dura "Django" es un cliché continuo: por eso nos sigue fascinando. A su estreno, la crueldad de la peli de Corbucci —en concreto la escena de la ametralladora— habría de repugnar al sector más fordiano del western, asustado ante tal despliegue de suciedad y violencia gratuita. Mejor que la de Tarantino.


10 | Corri, uomo, corri | Sergio Sollima | 1968

Aunque la versión editada en DVD en España está recortadísima -por lo que se ve, la edición uncut es una maravilla-, estamos ante otro ejemplo de peli olvidada que merece, al menos, la misma suerte que "El halcón y la presa" -también de Sollima- o la también aquí citada "Tepepa".



Joker:

I Lunghi giorni della vendetta | Florestano Vancini | 1966

Recientemente editado en España en DVD (horriblemente editado, todo sea dicho), "Los largos días de la venganza" no es el mejor eurowestern de la historia, pero de resultados muy satisfactorios. La peli es un lucimiento continuo de Giuliano Gemma, definitivamente un tipo con tablas y una actitud que para sí quisiera más de una estrella de Hollywood actual. A pesar de los aburridos diez/quince minutos iniciales, Vancini se muestra muy hábil y consigue escenas muy recordables como la del afeitado. Sencilla pero eficaz BSO de Armando Trovaioli, otro compositor usufructuado por Tarantino en el pasado.



A evitar:

Diamante Lobo | Gianfranco Parolini | 1976

Me pasé años ubicando ésta peli dentro de la filmografía de Castellari. La autoría del atentado es cosa de otro canalla del SW, Gianfranco Parolini aka Frank Kramer. Coproducción italo-israelí con un sobreactuado Jack Palance y un consumidísimo Lee Van Cleef en los papeles principales (de hecho, Van Cleef parece la versión blanca de Snoop Doggy Dogg), combinación lo suficientemente explosiva de por sí a la que hay que unir a Leif Garret haciendo de mudito. Deberían editarla en castellano neutro, de hecho no descarto que algún día lo hagan... Muy muy jodida.
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