2011/02/08

Lo voglio morto (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

Clayton (Craig Hill) trabalhou arduamente durante três anos, transportando cavalos em plena guerra da sucessão. O suor gasto teve um objectivo, comprar o seu próprio pedaço de terra. Mas o seu mundo começa a ruir quando percebe que os seus dólares confederados pouco valem. Pior, de regresso à cidade descobre o corpo inanimado de sua irmã, violada e morta por Jack Blood (José Manuel Martín). Uma bolsa deixada no local é a sua única pista. Mas os problemas de Clayton não terminam por aqui. Ao inquirir o empregado de balcão do saloon sobre o proprietário da bolsa, é importunado por um bêbado que abate em legítima defesa. Azar, o bêbado era afinal irmão do xerife local (Remo De Angelis), que coloca a “lei” no encalço do nosso infortunado cowboy.

Posto isto, parece óbvio que “Lo voglio morto” segue a habitual trama de «um homem em busca de vingança», mas não é bem assim. À medida que a acção se desenrola ficamos a saber que Blood e seus comparsas não são uns meros malandros, são antes mão-de-obra contratada por um rico e poderoso negociante de armas - Mallek - que está muito pouco interessado no mais que provável tratado de paz entre o Exército da União e o Exército da Confederação. Mallek (Andrea Bosic) engendra então um plano para sabotar as negociações e assim manter o seu normal escoamento de armamento. Mas conseguirá levar a sua avante?


Apesar de ser uma produção de orçamento limitado este filme consegue sobressair no meio das centenas de westerns filmados na Europa, muito por culpa do bom trabalho de fotografia de Ricardo Andreu (a cena inicial em que capta a imagem de um bandido na caneca de café de Clayton é algo digno de ser visto), mas também pela direcção de eficaz e ritmada de Paolo Bianchini (o mesmo de Quel caldo maledetto giorno di fuoco). O protagonismo foi entregue a Craig Hill, que não é um dos mais versáteis actores que o género conheceu, mas a sua pouca expressividade encaixa perfeitamente na pele do amargurado Clayton. Já os papéis dos antagonistas foram entregues alguns dos habituais vilões do género que também cumprem os objectivos mínimos: Andrea Bosic, José Manuel Martín e Frank Braña. A facção feminina, com personagens fortes e relevantes, também marca pontos (destaque para Lea Massari). O italiano Paolo Bianchini realizou mais alguns westerns, mas este é aquele pelo qual guardo maior carinho.


Ainda que relativamente desconhecido pela maioria dos apreciadores deste tipo de cinema, “Lo voglio morto” conheceu algumas edições em formato DVD. A versão que utilizei para ilustrar este texto foi o bootleg de Franco Cleef - um anónimo fã do género que ao longo dos anos têm recuperado alguns obscuros títulos do género - mas existem muitas mais edições. Aqui na Europa, foi por exemplo editado pela Impulso Records, que o incluiu na “La colección sagrada del spaghetti western”. O DVD apresenta o filme com dobragem em espanhol e com uma imagem nítida num formato 1:85.1. Parece-me que é um daqueles filmes a merecer ser redescoberto passados mais de 40 anos sobre o seu lançamento.


Trailer:

16 comentários:

  1. Eu arrisco-me a dizer que Craig Hill foi escolhido para protagonista porque o seu rosto é semelhante a Clint Eastwood e Franco Nero.

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  2. Não me parece muito descabido, de facto consigo imaginar um mix entre as duas caras. Apesar de não ser um actor de primeira linha gosto dele. Este filme que comentei por aqui acima, o "Per il gusto di uccidere" e o "Quindici forche per un assassino" são bons filmes. Dignos de atenção. Espero que o pessoal que leia isto, os veja. Não referi no texto, mas o filme está também disponível no Brasil, através da Ocean Pictures: Eu quero ele morto!


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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  3. Uma vingança justificada, um personagem sem expressão. O rosto mantém-se fechado o tempo todo, como se se tratasse de um muro intransponível. Muito interessante!

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  4. Um bom filme. A cena da caneca é mesmo bastante criativa. Quanto ao Hill, arrisco a dizer que ele me lembra mais o Gary Cooper do que outros astros do Spaghetti propriamente dito.

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  5. Um Gary Cooper mal encarado e sedento de vingança!

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    Pedro Pereira

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  6. não me lmbrou o Cooper nem um puquinho, esse film é ótimo e a cena da caneca de café e´uma das coisas mais criativas que já vi, do Hill quero muito assisti Per Il Gusto di Uccidere, que infelizmente ainda não foi lançado no Brasil.

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  7. Por acaso revi esse "Per il gusto..." muito recentemente. Um bom filme Artur, espero que o consigas encontrar. Faz parte da mesma colecção que este "Lo voglio morto", espanhola. Mas haverá mais edições por aí.

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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  8. se puder disponibilizar para download, ficaria agradecido.

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  9. Olá Artur,

    Se tiveres conta no website getdropbox.com posso partilhar o ficheiro contigo. Fiz ainda assim uma pesquisa rápida e encontrei-o disponível num site de torrents. Aqui:

    http://thepiratebay.org/torrent/4632690/Taste_of_Killing_%281966%29_aw

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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  10. já achei um site no Orkut disponiblizando o filme para download, na comunidade "Bangue Bangue a italiana" é do Felipe M. Guerra do FILMES PARA DOIDOS.

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  11. Boas noticias então! Espero que gostes do filme, eu gosto bastante, ainda que Valerii tenha feito muito melhor depois desse aí.

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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  12. A mí este spaghetti me gustó bastante, sobre todo su primera parte. En cuanto a Craig Hill creo que fue un actor infravalorado y me parece superior a otros con más fama.

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  13. Si, un actor interesante que tuve la suerte de protagonizar buenas, pero pelis que no necesitaban grande expresividad. Como casi todos los actores interesantes que pasaran en el genero, ha hecho cosas muy sufribles. Me acuerdo de "All'ultimo sangue" por ejemplo, mediocre.

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    Pedro Pereira

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  14. Excelente Spaghetti Western exibido no Brasil como:"Meu Sangue Chama Vingança".trilha sonora do cantor italiano Nico Fidenco. O ator americano Craig Hill(Craighill Fowler)-nasceu no Estado da Califórnia.Serviu na marinha,terminada a guerra,entrou para a escola Naval de Anápolis.Estudou em um teatro de Laguna Beach,na Califórnia,onde foi contratado pela Fox.Foi casado com a atriz italiana Teresa Gimpera.Sua estréia no cinema se deu no filme americano:"Papai Batuta"(Cheaper by the Dozen),com Myrna Loy e Jeanne Crain.Filme produzido em 1951.mlmlmarcoslima@gmail.com

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  15. Obrigado pelo comentário Marcos. É impossível não adorar os títulos brasileiros dados a estes filmes.

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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com
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  16. Tuesday, November 20, 2007
    Lo Voglio Morto (1968)
    Meu sangue Chama Vingança/ Eu Quero Ele Morto (Brasil- Cinema/DVD)
    I Want Him Dead (EUA)
    Direção: Paolo Bianchini
    Com: Craig Hill, Lea Massari, Jose Manuel Martin, Andréa Bosic, Frank Braña e Jose Canalejas.

    Craig Hill foi um especialista em interpretar heróis mais rústicos e realistas, sem o glamour que envolve muitos personagens do gênero. Bons exemplos dessa sua característica podem ser encontrados no pistoleiro analfabeto de “Pelo gosto de Matar” (1966) e no ladrão de cavalos em “Quindice Forche per um Assassino” de 1968. Deste mesmo ano é o competente filme do diretor Paolo Bianchini: “Lo Voglio Morto”. Este é o segundo e melhor Western de Bianchini.
    Durante os últimos meses da Guerra Civil Americana, o cowboy Clayton (Hill) viaja com a irmã até a fazenda de um velho amigo. Clayton planeja comprar essa fazenda, mas como ele possui apenas Dólares Confederados, o homem não aceita sua oferta, pois o Sul está à beira da derrota e em breve aquele dinheiro não valerá mais nada. Enquanto isso, sua irmã que ficou em uma cidadezinha esperando por ele, é estuprada e assassinada por dois bandidos que trabalham para um grande fazendeiro. Ao ser ignorado pelos homens da lei, Clayton sai à caça aos bandidos sozinho, enquanto os vilões planejam um golpe aos Confederados.
    Uma série de fatores faz com que “Lo Voglio Morto” seja um Western bem sucedido: a trama simples é defendida com garra pelo belo elenco, Paolo Bianchini conduz muito bem o ritmo e as cenas de ação, as locações na Almeria (Espanha) são espetaculares por natureza e, além disso, temos uma excelente trilha sonora de Bruno Nicolai. Os destaques entre os atores ficam com Craig Hill em uma atuação carismática e José Manuel Martin, interpretando mais um odioso maníaco sexual em sua carreira (como nos filmes “Los Desesperados” e “Condenados a Vivir”). Martin, apesar de pouco conhecido, foi um dos melhores vilões do gênero, geralmente interpretando capangas, raramente foi protagonista como em “Lo Voglio Morto”. Bianchini brinda o espectador com algumas seqüências bastante criativas, como a clássica cena em que Clayton enxerga no seu café o reflexo de um inimigo avançando pelas suas costas.
    Com todos estes ingredientes, as pequenas falhas são perdoáveis, não chegando a prejudicar o filme. Ou seja, um Spaghetti Western de primeira linha, recomendado para todos os fãs. “Lo Voglio morto” foi exibido nos cinemas brasileiros como “Meu Sangue Chama Vingança” e recentemente ganhou uma ótima edição em DVD pela Ocean Pictures com o título “Eu Quero Ele Morto”.

    http://www.imdb.com/title/tt0063233/

    fonte:

    http://dollarirosso.blogspot.com/2007/11/lo-voglio-morto-1968.html

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