Clayton (Craig Hill) trabalhou arduamente durante três anos, transportando cavalos em plena guerra da sucessão. O suor gasto teve um objectivo, comprar o seu próprio pedaço de terra. Mas o seu mundo começa a ruir quando percebe que os seus dólares confederados pouco valem. Pior, de regresso à cidade descobre o corpo inanimado de sua irmã, violada e morta por Jack Blood (José Manuel Martín). Uma bolsa deixada no local é a sua única pista. Mas os problemas de Clayton não terminam por aqui. Ao inquirir o empregado de balcão do saloon sobre o proprietário da bolsa, é importunado por um bêbado que abate em legítima defesa. Azar, o bêbado era afinal irmão do xerife local (Remo De Angelis), que coloca a “lei” no encalço do nosso infortunado cowboy.
Craig Hill é o nosso vingador de serviço.
Posto isto, parece óbvio que “Lo voglio morto” segue a habitual trama de «um homem em busca de vingança», mas não é bem assim. À medida que a acção se desenrola ficamos a saber que Blood e seus comparsas não são uns meros malandros, são antes mão-de-obra contratada por um rico e poderoso negociante de armas - Mallek - que está muito pouco interessado no mais que provável tratado de paz entre o Exército da União e o Exército da Confederação. Mallek (Andrea Bosic) engendra então um plano para sabotar as negociações e assim manter o seu normal escoamento de armamento. Mas conseguirá levar a sua avante?
Você confiaria nesse homem?
Apesar de ser uma produção de orçamento limitado este filme consegue sobressair no meio das centenas de westerns filmados na Europa, muito por culpa do bom trabalho de fotografia de Ricardo Andreu (a cena inicial em que capta a imagem de um bandido na caneca de café de Clayton é algo digno de ser visto), mas também pela direcção de eficaz e ritmada de Paolo Bianchini (o mesmo de Quel caldo maledetto giorno di fuoco).
Aqueles pormenores que fazem a diferença.
O protagonismo foi entregue a Craig Hill, que não é um dos mais versáteis actores que o género conheceu, mas a sua pouca expressividade encaixa perfeitamente na pele do amargurado Clayton. Já os papéis dos antagonistas foram entregues alguns dos habituais vilões do género que também cumprem os objectivos mínimos: Andrea Bosic, José Manuel Martín e Frank Braña. A facção feminina, com personagens fortes e relevantes, também marca pontos (destaque para Lea Massari). O italiano Paolo Bianchini realizou mais alguns westerns, mas este é aquele pelo qual guardo maior carinho.
Um punhado de patifes.
Ainda que relativamente desconhecido pela maioria dos apreciadores deste tipo de cinema, “Lo voglio morto” conheceu algumas edições em formato DVD. A versão que utilizei para ilustrar este texto foi o bootleg de Franco Cleef - um anónimo fã do género que ao longo dos anos têm recuperado alguns obscuros títulos do género - mas existem muitas mais edições. Aqui na Europa, foi por exemplo editado pela Impulso Records, que o incluiu na “La colección sagrada del spaghetti western”. O DVD apresenta o filme com dobragem em espanhol e com uma imagem nítida num formato 1:85.1. Parece-me que é um daqueles filmes a merecer ser redescoberto passados mais de 40 anos sobre o seu lançamento.
Edit (26/06/2020):
Devido a problema no alojamento original de imagens tivemos de repô-las. Aproveitando que entretanto surgiram versões ainda superiores em termos de qualidade de imagem, utilizamo-las para ilustrar a resenha. Não faltam opções na Amazon.