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01/06/2024

Django spara per primo (1966 / Realizador: Alberto De Martino)


A desértica cidade de Silver Creek tem um novo visitante, um misterioso cavaleiro solitário cujas únicas posses parecem ser o seu cavalo, a sua arma e um cadáver que carrega. O nome do forasteiro é Glenn Garwin e o cadáver é do seu pai, um suposto fora-da-lei procurado na implacável cidade de Silver Creek.

Todavia, ao chegar à cidade descobre que o seu pai afinal não era criminoso nenhum, mas sim um empresário aldrabado pelo seu antigo sócio. Esta descoberta leva-o a ficar na cidade, vingar-lhe a morte e tentar reclamar a sua legítima herança.

Acasos da vida: Um caçador de prémios cruza-se com o filho do homem que acabara de mandar para os anjinhos.


E assim estava dado o mote para a primeira apropriação não oficial da personagem Django, uma temática que daria azo nos anos seguintes a dezenas de sequelas sem qualquer ligação ao filme originalmente lançado por Sergio Corbucci. 

Sem surpresas, o personagem interpretado por Glenn Saxon (nome artístico do holandês Roel Bos) tem muito pouco em comum com o lendário homem do caixão. A própria explicação dada para que lhe chamem Django é simplória: «É assim que sou conhecido no México».

Duelo estiloso com as paisagens de Almeria em pano de fundo. 


Glenn Saxon, actor holandês de sorriso maroto, aqui mais se compara aos habituais papeis de Giuliano Gemma do que o taciturno Django, popularizado por Franco Nero. E curiosamente há mesmo uma ligação entre este filme e o pistolero nazionale

Ao que parece a produtora Fida Cinematografica tinha entregue o então projecto de “Per pochi dollari ancora” (em Portugal: “Gringo Não Perdoa”) ao realizador Alberto de Martino, a estrela do filme seria o bello Giuliano. Mas este, desconhecendo ou desmerecendo as qualidades de Martino, forçou a entrega da cadeira de realização a alguém da sua confiança: Giorgio Ferroni! Com quem já trabalhara no fundamental “Um Dólar Furado”.

Não faltam beldades nesta pelicula. 


A produtora para não deixar o pobre Alberto na mão, e visto que ele até se tinha safado na colaboração anterior entre as duas partes, “100.000 Dólares por Ringo”, entregou-lhe então este “Django Atira Primeiro”.  Ficando a segunda unidade desses dois filmes da Fida ao comando do emergente Enzo G. Castellari. Ele que teria de remendar outro pseudo Django nesse mesmo ano, o frenético: “Poucos Dólares para Django”.

16/08/2022

Quei disperati che puzzano di sudore e di morte (1969 / Realizador: Julio Buchs)


Noticias do eminente parto de Rosa, fazem com que o soldado confederado John Warner deserte da sua unidade. Uma fuga que rapidamente termina, por azar ele bate de caras com outra unidade confederada em patrulha no deserto. Devolvido à procedência, decidem as patentes de serviço que em vez de o submeterem a tribunal militar, seja designado à desmoralizante tarefa do enterro de soldados inimigos em valas comuns.

As coisas não correm de feição ao soldado Warner e só tendem a piorar. Na vala encontra um soldado nordista moribundo, o pedido de auxílio que lança é rejeitado e recebe antes ordem para apertar o fagote ao desgraçado. Dá-se uma disputa com oficial ordenante e Warner acaba por matá-lo acidentalmente. Está tudo f*dido! Em pânico, ele e os companheiros designados às valas comuns chegam à conclusão de que não têm outra alternativa senão meter-se ao fresco, certos de que a hierarquia militar não lhes daria o benefício da dúvida.

Warner recusa matar um soldado moribundo.

Ao chegarem a Los Sadros a tragédia adensa-se. A cidade está assolada pela cólera e Rosa morreu no parto. O irrascível Don Pedro Sandoval, pai de Rosa, não está com mais nem boas e mete o recém-nascido nas mãos de Warner, dando-lhe guia de marcha. Mesmo sabendo que este não terá a menor condição para criar a criança. Barra pesada, estimado leitor. Isto não é filme para rapaziada sensível a dramas familiares e muito menos para espectadores dos filmes com final feliz da Fox Life. Pois então, Warner e companheiros partem de Los Sadros com a criança em braços. O estigma da cólera faz com que sejam escorraçados de qualquer sítio onde passem e sem surpresas o recém-nascido sucumbe. Um acto que destruiria qualquer pai. Warner fica destroçado e promete vingança a todos os que lhe negaram a ajuda num momento tão crucial.  

Ora como se percebe, este é um filme de estilo e motivações diferente do típico western-spaghetti. Inegavelmente é também o oposto daquilo que se conhece do restante reportório western de Julio Buchs. Recordando, em “O Homem que Matou Billy the Kid” Buchs enredou pelo uso de um personagem estabelecido no imaginário do típico consumidor de cinema western. E em “Mestizo” abordou típicas escaramuças entre índios e a Polícia Montada Canadiana. Tudo muito clássico e não particularmente interessante. 

Nenhum pai deveria ter que enterrar seu filho

Na verdade, a produção do filme nem sequer era para ser um western e isso pode ajudar a perceber o que fez parir um filme tão fatídico. Aponta Marco Giusti no seu “Dizionario del western all'italiana” que originalmente o filme deveria ser sobre “Los Siete Niños de Écija” 1, um grupo de bandoleros espanhois que nas invasões napoleónicas imprimiram actos de guerrilha sobre o invasor. Os distribuidores gringos não terão ficado entusiasmados e foi preciso repensar o filme como um western-spaghetti.

Apesar do título internacional – A Bullet for Sandoval – dar destaque à personagem de Ernest Borgnine, um actor oscarizado que interpretava qualquer papel com as pernas às costas, parece-me que é justo destacar aqui o trabalho do uruguaio George Hilton. Ele interpreta Warner, o soldado confederado que pelas trágicas circunstâncias da vida se vê transformado num bandolero sem escrúpulos. Um papel que fica a léguas dos habituais pistoleiros sorridentes que somou na sua carreira western e que não se limitaram aos filmes das franquias Aleluia e Tresette. 


Os cabeças de cartaz desta corrida de touros.

Que não hajam dúvidas, este é um espécime que o entusiasta do western-spaghetti não pode perder. Mas não é um filme isento de problemas, o maior será porventura a ténue ponte que é feita entre a primeira parte do filme, carregada de melodrama e a ponta final, uma vendetta tresloucada em que nenhum dos protagonistas parece ter razão que lhes justifique os actos. Mas tudo culmina com grande efeito, num embate numa praça de touros mexicana. Possivelmente uma ideia que Buchs terá sacado do “Pistoleiro Profissional”, filme de Sergio Corbucci lançara no ano anterior. E não, não é um plágio.

13/02/2021

Quindici forche per un assassino (1967 / Realizador: Nunzio Malasomma)

Os anos de ouro do western-spaghetti permitiram a alguns realizadores assinar uma quantidade considerável de filmes do género. Mas também não faltaram casos de paraquedistas que pousaram e nunca mais lá voltaram. Alguns deles tiveram bons resultados, ainda recentemente por aqui se escreveu sobre “Quanto costa morire”, um excelente registo único de Sergio Merolle e hoje propomos um caso similar. O aludido chama-se "A um passo da forca" e é o único western assinado por Nunzio Malasomma. Um filme que tinha tudo para ser um clássico, mas faltou-lhe o tal «danoninho»! 


George Martin (esquerda) e Craig Hill (direita), nomes inseparáveis do western-spaghetti.

Segundo consta, Malasomma rodou o filme já depois da sua 73ª volta ao sol e para trás não tinha qualquer coisa vagamente relacionado com cinema de acção. Mas honra lhe seja feita, já que o velho se safou bem para cacete. As razões, acho que podem resumir-se ao bom naipe de actores (Craig Hill, George Martin, Aldo Sambrell, Andrea Bosic), bons cenários (os mesmíssimos que vimos por exemplo em “Por Mais Alguns Dólares”), boa música (batuta de Stelvio Massi) e sobretudo um enredo que se destaca no género por primar pelo enfoco no suspense. Parafraseando o grande Adolfo Luxúria Canibal: “Quem matou?” 

Tudo bons rapazes.

Não querendo entrar em demasiados detalhes para não entregar o desfecho do filme de mão beijada, resumo apenas o início da trama. O bando de Sandy Cassell (George Martin), profissionais na arte de roubar gado, está de passagem pelas terras da mulher de armas, a viúva Madeline Cook (Margarita Lozano), à qual pedem abrigo para passarem a noite. Alguns dos elementos do bando estão de pau afiado pela presença dos três elementos femininos do rancho, mas o cabecilha refreia-lhes os ânimos e nada se passa. E que tragédia seria, visto que a filha mais velha da viúva está de casamento marcado. Para ajudar à festa, outro bando de rufias, este encabeçado por Bill Mack (Craig Hill), aparece no encalço dos primeiros. Mas rapidamente mostram ser farinha do mesmo saco e até selam uma sociedade entre ambos. 


Craig Hill ganhou uma gravata nova.

Ao raiar o sol o noivo aparece no rancho e descobre as três mulheres sem vida. Apercebendo-se da presença de tantos cavalos no curral galopa para a cidade à procura de reforços. E é assim que os dois bandos passam a ser perseguidos por um crime que aparentemente nem cometeram. Muita violência se segue, filmada talvez com menos espectacularidade do que se esperaria para um filme com estes alicerces, mas ainda assim muito apreciável. Peca especialmente pela falta de tomates na resolução da trama, optando-se por um final feliz que destoa do rumo que o filme tomava até aí. Uma pena, mas que não vos impeça de vê-lo!

12/02/2013

La collera del vento (1970 / Realizador: Mario Camus)

“O quê?! Terence Hill interpreta um impiedoso assassino? E protagoniza uma ardente cena de sexo com uma mulher? E tem um trágico fim neste filme? Tens a certeza?!” Esta será a reação dos fãs de Terence Hill que o conhecem somente pelos seus trabalhos cómicos de pancadaria e acrobacias mas que ainda nunca viram este drama político de Mario Camus. Este cineasta pretendia fazer um filme de contornos políticos sobre a vida rural dos trabalhadores espanhóis e as desavenças entre estes e os patrões da burguesia. Um filme com claras tendências políticas de esquerda iria ter, à partida, grandes dificuldades em ser filmado e aceite na Espanha ditatorial do General Francisco Franco.

Como poderia a produção de Mario Cecchi Gori resolver este problema? De uma forma muito simples: dizer às autoridades que aquele filme era um western! E assim foi! “A Cólera do Vento” passou a ser classificado como mais um western europeu protagonizado pelo célebre Terence Hill, que nesse mesmo ano alcançaria o topo da sua carreira com “Lo Chiamavano Trinitá”.


O sul da Espanha no início do século XX é um local agitado. As lutas de classes entre patronato e trabalhadores estão ao rubro. Os lavradores estão descontentes com as suas condições de vida e de trabalho. Os patrões sentem-se incomodados porque paira no ar uma ameaça de rebelião e greves e para evitar isso recorrem a métodos radicais. A aristocracia decide contratar um assassino profissional para que este consiga localizar e eliminar o agitador político da região, ao mesmo tempo que infunde medo aos lavradores.

Marco, um implacável assassino, está prestes a executar a sua tarefa mas as coisas tomam um rumo diferente quando este se apaixona por Soledad, a lindíssima dona da pousada. Essa paixão louca muda a personalidade de Marco e coloca entraves à sua missão. Agora só há uma de duas saídas: ser profissional e levar o seu trabalho até ao fim ou abrir o seu coração e viver uma relação intensa mas simultaneamente perigosa!


Este terá sido, provavelmente, o último filme “sério” de Terence Hill. A partir daqui enveredou por projetos ligados à comédia dirigida a um público mais jovem. Embora interessante, ainda hoje é um dos trabalhos menos conhecidos da longa filmografia de Terence Hill.


Lobbys germânicos:




Filme completo (áudio em espanhol):

08/01/2013

Fora de tópico | Lançamento "Django Shoots First"


Ora aqui está mais um DVD a justificar o selo «Djangosploitation»! A facção britânica do StudioCanal faz o mesmo que os seus comparsas germânicos e reempacotam um dos seus antigos lançamentos com um aspecto mais bonitinho, e claro, reminiscente com o design usado no novo «Django» de Quentin Tarantino.

"Django Shoots First" (Django Spara per primo) é de um euro-western razoável de Alberto de Martino, que neste caso usa de facto uma personagem que responde pelo nome do nosso conhecidissmo herói, mas que dificilmente encaixa no perfil do personagem.  O DVD está à venda a 14 de Janeiro.

04/12/2012

L'uomo, l'orgoglio, la vendetta (1968 / Realizador: Luigi Bazzoni)

Este filme é, na sua essência, um drama e não um western. A presença de gigantes como Franco Nero (Django, Keoma) ou Klaus Kinski (E Dio disse a Caino..., Il grande silenzio) levaram as distribuidoras a divulgar o filme sob o rótulo de western-spaghetti mas não é bem assim. José (Franco Nero), um humilde militar do exército espanhol, encontra Carmen (Tina Aumont), uma bela jovem cigana. Entre ambos inicia-se um complexo jogo amoroso que combina traição, sexo, ciúme, ganância, violência e homicídio. 

A ciumenta relação que José mantém com Carmen leva-o a assassinar um oficial superior e a tornar-se foragido. A coisa complica-se ainda mais quando José e um grupo de ciganos capitaneados pelo implacável Garcia (Klaus Kinski) executam um assalto para roubar um valioso cofre cheio de ouro. O golpe corre mal, várias pessoas morrem e a tensão é cada vez maior! A única escapatória para os sobreviventes é fugir para o continente americano e começar uma nova vida. Mas os conflitos entre José e Carmen são cada vez mais acesos e a obsessão levá-los-á a um desfecho trágico!


A ação deste filme não acontece no oeste americano ou na fronteira mexicana. A ação acontece em Espanha, mais concretamente na Andaluzia dos finais do século XIX. Tendo em conta que o filme foi produzido em 1968 é perfeitamente normal que se tenha aproveitado o sucesso que os westerns europeus estavam a viver para “camuflar” este filme como sendo parte desse género cinematográfico.


“O Homem, o Orgulho e a Vingança” é um projeto simples, não entusiasma o espetador (excetuando talvez o duelo de facas entre Nero e Kinski) e creio até que o romance conflituoso entre os dois personagens principais se torna demasiado repetitivo. Em suma, conclui-se que não se trata de nada de extraordinário…

Mais algumas poses:



Trailer:

20/11/2012

Una Pistola per Ringo (1965 / Realizador: Duccio Tessari)


A lenda começou quando um jovem italiano alto, forte, atlético e bem parecido começou a trabalhar no cinema na década de 50. A sua capacidade física abriu-lhe portas como duplo e gradualmente começou a subir na hierarquia do cinema italiano. A sua presença agradou a alguns cineastas e até teve a honra de figurar como centurião romano em duas sequências de grande épico “Ben-Hur”. Lucchino Visconti também o quis em “Il Gattopardo”, ao lado de Alain Delon, Claudia Cardinale e um tal Mario Girotti (Terence Hill). A enorme quantidade de filmes épicos em Itália foi a oportunidade que este jovem duplo precisava para ascender ao estatuto de ator. Em 1962, o cineasta italiano Duccio Tessari pretendia fazer um “peplum” e convidou o jovem duplo para protagonizar o seu filme “Arrivano i Titani”.


A partir daí começou uma longa relação profissional (e de amizade) entre Duccio Tessari e Giuliano Gemma. Mas o “peplum” tinha os dias contados e esse género cinematográfico morreu quase tão rápido como surgiu. Os realizadores italianos voltavam-se agora para os westerns e a dupla Tessari / Gemma já tinha uma carta na manga. Em 1965, viajaram até Almería e começaram a fazer um western cujo personagem principal era um pistoleiro ganancioso chamado Ringo. O filme, intitulado “Una Pistola per Ringo”, foi um grande sucesso de bilheteira e transformou Giuliano Gemma num ídolo. O seu nome passou a ser mundialmente conhecido e o patético pseudónimo que tinha (Montgomery Wood) desapareceu para sempre.


O nome “Ringo” provocou uma cobiça intensa em muitos outros cineastas e produtores, que mudavam o nome do protagonista apenas para tentar lucrar mais algum dinheiro mas nenhum alcançou o mesmo sucesso do original. Houve apenas uma sequela oficial produzida no mesmo ano com a mesma equipa técnica e com o mesmo elenco. “Il Ritorno di Ringo” é uma visão mais pessimista e violenta do personagem, embora o enredo não tenha nenhuma ligação com o filme anterior. Ambos os filmes são hoje marcos importantes dos westerns-spaghetti e percebe-se porquê.


Duccio Tessari sempre foi um realizador competente e aqui não é exceção. O excelente trabalho de Francisco Marin como diretor de fotografia e de Ennio Morricone como compositor faz toda a diferença. Giuliano Gemma sente-se totalmente confortável a manejar um colt, a cavalgar, a lutar e a fazer acrobacias. O restante elenco que acompanhou tudo isto não deixa margem para dúvidas. Quem pode pôr em causa a qualidade de atores como Fernando Sancho, George Martin, Antonio Casas ou Nieves Navarro? “Una Pistola per Ringo” é um bom filme, não tão bom como a sequela, e vale fundamentalmente pela atuação enérgica e carismática de um tal jovem italiano que responde pelo nome de Giuliano Gemma.


Mais algum material promocional:



Trailer:

17/09/2012

I cinque della vendetta (1966 / Realizador: Aldo Florio)


O ano de 1965 foi determinante para a industrialização do western-spaghetti. Filmes como “Per qualche dollaro in più”, “Un dollaro bucato”, “Adios Gringo”, “Una Pistola per Ringo” ou “Il ritorno di Ringo” registaram grande afluência de publico ás bilheteiras italianas, não seria pois de estranhar que o impulso lançado por estes primeiros sucessos levasse a uma exploração mais exaustiva do filão.

Um ano depois já eram produzidos filmes do género ás dezenas, muitos destes eram filmes desprovidos de grande interesse e vê-los passados mais de 40 anos do seu lançamento original pode revelar-se uma tarefa penosa.



Um dos filmes que sofreu degenerativamente com o passar dos anos é este “I Cinque della vendetta”. Uma primeira incursão de Aldo Florio no género, claramente influenciada pelo clássico do western americano “The Magnificent Seven”, de John Sturges.O argumento do filme é tão simplista que irrita. Os Gonzalez tencionam dominar toda a região. O único entrave que lhes barra os planos é a casmurrice de um fazendeiro gringo, Jim Lattimer, o único que lhes faz frente. Razão pela qual acaba por ser fatalmente abatido pelos irmãos Gonzalez. 

É então que surgem na cidade cinco forasteiros, liderados por Tex (Guy Madison), dispostos a vingar a morte de Jim e assim devolver as terras à viúva Lattimer. Existirão percalços, e antes que consigam cumprir a sua missão são encurralados e deixados para morrer no deserto, mas safam-se e num ápice distribuem bordoada pelos tiranos e seus capangas.


A versão a que assisti não é mais do que um bootleg montado pelo fã do género Franco Cleef, rapazito que teve a paciência de mesclar uma fita alemã com boa qualidade de imagem, com outra proveniente do velhinho mercado de VHS. Resultado, conseguimos ver o filme numa versão mais alargada, mas que implica um rodopio constante entre imagens cristalinas do DVD alemão e imagens deploráveis do VHS americano. 

 Não é coisa fácil de aturar mas acaba por ser um exercício educativo na medida em que permite entender a quantidade de tesouradas que o filme levou na versão exibida ao público germânico. Ainda que pessoalmente ache que num filme tão insípido nada do que se tinha cortado fazia realmente falta para o entendimento da história.

Aldo Florio voltaria ao western-spaghetti uma vez mais no início da década seguinte. Onde cozinharia uma bela homenagem ao seminal “Per un pugno di dollari” de Sergio Leone. Uma violentíssima história de vingança protagonizada por Fabio Testi e que provaria a existência de um sentido mais apurado por parte deste realizador italiano: “Anda muchacho, spara!”.