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09/09/2019

Trinità e Sartana figli di... (1972 / Realizador: Mario Siciliano)

Quando este filme estreou, em 1972, os westerns-spaghetti cómicos nasciam como cogumelos e o público-alvo era as crianças, os jovens e o pessoal que já estava farto de ver cadáveres em catadupa. O realizador Mario Siciliano escolheu o jovem Alberto Dell’Acqua, acrobata, duplo e ator secundário em muitos westerns, para o papel de Sartana. A maior novidade foi Harry Baird, ator negro de nacionalidade britânica, para encarnar Trinitá. Sartana, um rapaz loiro cheio de genica, alia-se a Trinitá, um negro que veste uma camisola de marinheiro às riscas vermelhas e brancas. Diz chamar-se Trinitá porque é nativo da ilha de Trinidad (atual Trinidad e Tobago).

Este Trinitá mais parece um marinheiro de água doce!

A dupla Sartana e Trinitá anda com um olho no burro e outro no cigano porque sabem que um carregamento de dinheiro chegou fresquinho ao banco. Ambos roubam a massa e pisgam-se. Trinitá apaixona-se por Martha (Daniela Giordano), uma jovem que vive com um grupo de agricultores pobres. Trinitá almoçou com eles, encheu os cornos de vinho e, perdido de bêbado, deu o dinheiro roubado aos agricultores. Quando Sartana chegou e viu o que o seu sócio fez, passou-se da marmita!

Ambos os protagonistas empunham as suas armas!

Enquanto isso, Burton e o mexicano El Tigre andam armados em parvos à cata de ouro que os Rangers transportam. Sartana e Trinitá também vão meter o focinho no assunto. O resto do filme não é mais do que muitas chapadas, pontapés no cu, frigideiras nas ventas, cabeças partidas, narizes amassados e algum tiroteio. Na cena final surge uma metralhadora, há muita confusão, muito cagaçal, muito banzé mas… zero mortos!

Sartana disfarçado de mexicano.

O veredito: não tem o impacto dos dois primeiros “Trinitá” com Terence Hill e Bud Spencer mas, verdade seja dita, também não é a estupidez à “Tresette” ou à “Carambola”. Quem quiser arriscar… fora, figo! Quem não quiser… não vem mal ao mundo.

26/01/2019

La collina degli stivali (1969 / Realizador: Giuseppe Colizzi)

“No imenso Oeste, onde quase ninguém morria de morte natural, o cemitério era chamado de “A Colina Das Botas”.Esta foi a frase de lançamento deste western de Giuseppe Colizzi, o cineasta italiano que criou a trilogia de Cat Stevens (Terence Hill) e Hutch Bessy (Bud Spencer). “A Colina Dos Sarilhos” (título em Portugal) leva à letra o significado da palavra “circus-western” porque muita da ação acontece exatamente no circo, com destaque para os verdadeiros intérpretes da arte circense (palhaços, anões, bailarinas, acrobatas, etc.).Mas porquê o ambiente circense num western? Porque o protagonista, o pistoleiro Cat Stevens, foi ferido num tiroteio e escondeu-se na tenda de um circo. Os artistas circenses não deram conta de nada.

Cat de unhas afiadas!

Os brutamontes que perseguem Cat, bestas como são, entram na tenda durante o espetáculo de acrobacia e matam um dos acrobatas. Todos os elementos da companhia de circo estão tristes e extremamente revoltados. Perante isto, os artistas vão deixar temporariamente o trapézio e vão, juntamente com o veloz Cat e o robusto Hutch, empunhar armas contra os bandidos que tanto mal lhes fizeram!O tema circense em westerns é apropriado, diria eu. O circo e o cinema western combinam bem porque são duas artes que nos divertem, que estimulam a nossa imaginação e que nos fazem sonhar. Eu admiro muito os artistas de circo e tenho muito respeito por eles. Levam uma vida de grande sacrifício e mesmo assim não desistem de viajar pelo mundo inteiro em prol da sua arte.

Uma dupla que fez história no cinema.

Atualmente anda por aí uma corja de ignorantes / ganzados que embirraram com o circo e querem acabar com ele! São grupelhos de frustrados que nunca fizeram nada na puta da vida exceto fumar material que faz rir e cuspir veneno em todas as direções. Enfim, é só tropa que não interessa nem aos cães!Nota final: só tenho pena que os famosos palhaços portugueses, Batatinha e Companhia, nunca tenham aderido à moda western. Se o tivessem feito, a frase que diziam à sua assistente Mimi, “Mimi, apita aqui!”, mudava ligeiramente e passava a ser algo deste género: “Mimi, dispara aqui!”.

27/09/2016

I lunghi giorni dell'odio (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Os mais acérrimos adeptos do western-spaghetti, recordarão para sempre o italiano Gianfranco Baldanello devido ao asperíssimo “Black Jack” – brilhantemente protagonizado por Robert Woods e pelo recentemente finado Mimmo Palmara – mas há mais material de qualidade a conferir na sua filmografia. Debrucemo-nos então sobre um desses títulos, “I lunghi giorni dell'odio”, conhecido internacionalmente como “This man can’t die”. Apesar de menos vigoroso que o supramencionado, “I lunghi giorni dell'odio” é um filme carregado de violência gratuita e muita maminha ao léu. A acção começa com duas linhas aparentemente distintas, por um lado seguimos as pisadas do personagem Martin Benson (Guy Madison), um mercenário pago pelo exército para desmantelar um esquema de tráfico ilegal de armas com os índios. 

Noutra linha mais ou menos paralela, seguimos o resto da família Benson, gente desligada de encrencas mas que acabam por ser alvos de represálias do bando que Martin investiga. A certo dia os bandidos tomam o rancho de assalto, os velhotes acabam assassinados e a miúda mais nova - Jenny - violada por um dos canalhas. Ainda os malandros galopam no horizonte, quando Suzy e Daniel chegam da cidade, para se deparar com o cenário de terror. Para trás ficou um homem ferido, que Daniel (Alberto Dell'Acqua) tudo fará para manter vivo, única forma de extrair informação que lhes permita seguir no encalço do bando. Está claro de onde aparece o título internacional, não? 

Alberto Dell'Acqua "descansa" os costados.

Guy Madison tem aqui mais um papel como protagonista mas ao que se diz por aí não terá sido a primeira opção de Baldanello. Venceram neste caso os interesses do produtor que considerava Madison como o actor ideal para capitalizar o filme nos dois lados do Atlântico. Queira-se ou não, é preciso admitir que Madison tem o look e a destreza adequada a um homem de Winchester em riste, mas pessoalmente vivo mal com aquele sorriso quase permanente. Admito ainda assim que neste caso não me criou grande brotoeja. 

Pirotecnia qb neste western de baixo orçamento.

Na verdade não há muito por onde desancar o filme, a fotografia é decente (mesmo sem contar com as paisagens de Almeria, o budget não deu para fazer milhas na Alitalia) e o elenco não compromete com o desenrolar dos acontecimentos, pena porém que Peter Martell tenha sido tão infimamente utilizado. Mas há um senão, que não consigo compreender e que macula o resultado final do filme. Acreditem ou não, a banda sonora assinada por Amedeo Tommasi rouba descaradamente um pedaço da trilha de “Por um punhado de dólares”. Para quê senhores, para quê?

03/11/2015

...e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile (1972 / Realizador: Antonio Secchi)

Este é o primeiro e único filme de Antonio Secchi, Genovês responsável pela fotografia de uma mão cheia de westerns-spaghetti de belo efeito, incluindo os muito recomendáveis “Un dollaro bucato”, “Quién sabe?” e “Sentenza di morte”. Mas para azar de todos a perícia de Seccchi com a câmara não acompanhou as necessidades da realização, não admirando por isso que não tenha voltado a sentar o «próio» na cadeira de realizador. Situemo-nos: estamos já nos anos setenta e não há muito dinheiro nem tempo a perder nas rodagens. A acção do filme gravita em redor de um tipo chamado Jerusalém, uma versão muito desinspirada de um Aleluia (George Hilton) ou de um Trinitá (Terence Hill), um lugar-comum nestas paródias dos anos setenta.

 Anos setenta, tempo de dizer adeus aquelas belas paisagens de Almeria (Espanha).

O papel de Jerusalém coube a outro «desaparecido em combate» do cinema: Scott Holden, filho de William Holden, esse sim estrela maior de filmes como o super clássico “The Wild Bunch” de Sam Peckinpah. Jerusalém e o pai, um velho bandido agora reformado e desacreditado, aceitam a arriscada tarefa de transportar um carregamento de ouro até ao Fort Edward, chefiado pelo general confederado Briscott (mais uma breve participação do francês Philippe Leroy). Mas nessa arriscada aventura não serão poucos os que lhes tentarão rapinar o soldo.

Ainda que o título original do filme seja “… e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile”, artifício pomposo e claramente decalcado de um sem número de outros westerns europeus que o precederam. Este é conhecido internacionalmente por algo que poderemos livremente traduzir como “Frigideira calibre 38”, o que diz bastante sobre qual a arma de eleição do nosso herói de ocasião. Esperem por isso muita galhofa idiota e pouco tiroteio! 

 Giorgio Trestini interpreta Bobo, uma brutamontes claramente influenciado por Bud Spencer.

Dizem por aí que não devemos julgar os livros pelas capas, mas seria estúpido se não tivesse feito neste caso. Não, não fui ao engano e só acabei por confirmar aquilo que já desconfiava, é mais um western de fim de época, mal feito, sem piada e ideal para nos embalar no sono. Comigo funcionou… Zzz!

04/12/2012

L'uomo, l'orgoglio, la vendetta (1968 / Realizador: Luigi Bazzoni)

Este filme é, na sua essência, um drama e não um western. A presença de gigantes como Franco Nero (Django, Keoma) ou Klaus Kinski (E Dio disse a Caino..., Il grande silenzio) levaram as distribuidoras a divulgar o filme sob o rótulo de western-spaghetti mas não é bem assim. José (Franco Nero), um humilde militar do exército espanhol, encontra Carmen (Tina Aumont), uma bela jovem cigana. Entre ambos inicia-se um complexo jogo amoroso que combina traição, sexo, ciúme, ganância, violência e homicídio. 

A ciumenta relação que José mantém com Carmen leva-o a assassinar um oficial superior e a tornar-se foragido. A coisa complica-se ainda mais quando José e um grupo de ciganos capitaneados pelo implacável Garcia (Klaus Kinski) executam um assalto para roubar um valioso cofre cheio de ouro. O golpe corre mal, várias pessoas morrem e a tensão é cada vez maior! A única escapatória para os sobreviventes é fugir para o continente americano e começar uma nova vida. Mas os conflitos entre José e Carmen são cada vez mais acesos e a obsessão levá-los-á a um desfecho trágico!


A ação deste filme não acontece no oeste americano ou na fronteira mexicana. A ação acontece em Espanha, mais concretamente na Andaluzia dos finais do século XIX. Tendo em conta que o filme foi produzido em 1968 é perfeitamente normal que se tenha aproveitado o sucesso que os westerns europeus estavam a viver para “camuflar” este filme como sendo parte desse género cinematográfico.


“O Homem, o Orgulho e a Vingança” é um projeto simples, não entusiasma o espetador (excetuando talvez o duelo de facas entre Nero e Kinski) e creio até que o romance conflituoso entre os dois personagens principais se torna demasiado repetitivo. Em suma, conclui-se que não se trata de nada de extraordinário…

Mais algumas poses:



Trailer:

27/02/2012

Sette pistole per i MacGregor (1966 / Realizador: Franco Giraldi)

Um grupo de bandidos mexicanos rodeia o rancho dos MacGregor com intenção de lhes roubar a manada de cavalos. Apenas quatro idosos se encontram no rancho pelo que o golpe parece fácil, mas a ladroagem não podia estar mais enganada. Os velhos pioneiros escoceses têm pelo na venta e recebem o bando a tiro. A saraivada de balas que se gera não chega para demover os assaltantes o que leva os velhos MacGregor a utilizar o meios mais estrondosos, um canhão que carinhosamente chamam de Rainha Ana.

Alertados pelo estrondo dos tiros de canhão, os sete MacGregors mais novos apressam-se a regressar ao rancho em auxílio dos velhotes, acabando por espantar os bandidos. Decidem então levar o gado para Las Mesas, onde o tentarão vender ao melhor preço. Aí encontrarão Crawford (Chris Huerta) que os tentará enganar no negócio. A coisa acaba com toda a gente do saloon à pancadaria e os sete escoceses acabam na cadeia do Xerife John F. Mason (Antonio Molino Rojo), um escroque escondido por detrás da estrela da lei.


Gregor MacGregor (Robert Woods) que age como líder da família engendra um mecanismo com as esporas das botas que lhes permitirá destruir a parede da cela e assim conseguem escapar. Mas para seu infortúnio também os cavalos desapareceram dos currais. Para reavê-los Gregor infiltra-se no bando de Santillana (Leo Anchoriz), responsável pelo furto assumindo para tal a falsa identidade de um foragido procurado pela lei. Depois de aceite no bando, toma partido da informação privilegiada para sabotar todos os actos de Santillana e seu braço direito, Miguel (Fernando Sancho). À boa moda do western europeu, Gregor acaba por ser desmascarado e por consequência espancado pelos fora-da-lei. Mas escapa eventualmente de modo a poder voltar e aniquilar o bando.

Franco Giraldi que anteriormente havia sido responsável pela segunda unidade de Sergio Leone em “Por Um Punhado de Dólares” estreia-se na cadeira de realizador neste aventuroso “Sete pistolas para os Macgregor”. Para o efeito usou inclusive alguns dos cenários do primeiro nomeadamente a vila de San Miguel que para aqui renomearia como El Rojo, numa clara homenagem para com o filme de Leone. Mas o filme de Giraldi privilegia os elementos cómicos em detrimento da violência mais visceral e gratuita. Em geral poderia-se dizer que é um filme interessante mas que vive longe da perfeição, sendo pejado de lugares comuns e muitos erros de raccord a que se lhe possa apontar o dedo. Apesar disso tornar-se-ia um dos primeiros westerns-spaghetti cómicos a atingir o sucesso comercial tendo mesmo sido mote para uma sequela – “7 Mulheres Para os MacGregor” – também realizado por Giraldi.


Infelizmente a passagem dos anos fez com que o filme se ressinta, sendo necessária alguma predisposição para vê-lo de fio a pavio. Eu já conto com uma versão DVD do filme na minha colecção há alguns anos e por duas ou três vezes tinha tentado vê-lo, mas tanta palhaçada nos primeiros 10 minutos levaram-me sempre a carregar no botão «stop» e voltar a colocar o DVD na prateleira. Apesar disso na recente quadra natalícia, em que se toleram opções mais leves e descontraídas, decidi voltar a tentar. E desta vez até ao fim!

O DVD de que falo é uma edição da Divisa, editora espanhola que tem um bom punhado de westerns-spaghetti editados na terra de nuestros hermanos. Por regra as suas edições contém os filmes em formato widescreen, áudio em espanhol e sem extras de destaque. Tenho encontrado ocasionalmente parte desse catálogo em lojas especializadas espanholas e sempre me ficaram em conta. Actualmente, como já abriu a sucursal espanhola da Amazon, viver a meia-dúzia de quilómetros da fronteira espanhola já não se pode considerar uma vantagem para o coleccionador destes nichos. A facilidade de acesso a filmes destas editoras espanholas ficam ainda mais acessíveis aos fãs do género, o que naturalmente se louva.


Mais algumas fotos de família:


Trailer:

22/08/2011

Killer Calibro 32 (1967 / Realizador: Alfonso Brescia)

O alemão Peter Lee Lawrence (Karl Hirenbach de baptismo) estreou-se cedo no cinema, e logo pela mão do colosso Sergio Leone. Em “Por Mais Alguns Dólares” representaria o cunhado do Coronel Mortimer, uma participação limitada a alguns flashbacks que nem lhe valeu o nome nos créditos do filme. Mas pouco faltaria para que Lawrence tivesse o seu nome escarrapachado nos posters de mais do que uma dezena de westerns-spaghetti. Só em 1967 protagonizaria três destes filmes, desses destacamos agora “Killer calibro 32”. Filme que terá chegado a ser lançado em Portugal com o título “Cada bala tem um nome”, mas pessoalmente considero mais acertada a escolha dos nossos patrícios brasileiros: “O Matador de aluguel”!

Silver entra em cena.

Peter Lee Lawrence é Silver, um pistoleiro a soldo, 1000 dólares é o valor que aceita para matar. Um dos «serviços» leva-o Carson City onde acaba por ser contratado para encontrar e eliminar os meliantes responsáveis pelo assalto de uma diligência carregada com o ouro do banco local. Silver não tem muitas pistas que o possam colocar na senda dos patifes responsáveis pelo massacre de todos os passageiros da diligência, mas o banho de sangue deixado para trás parece incriminar alguém das redondezas, alguém que não arriscou ser reconhecido.

Tudo bons rapazes.

O clima misterioso criado por Alfonso Brescia (realizador) e Enzo Gicca Palli (argumentista) atira-nos para o universo da saga Sartana, mas aqui numa versão livre de todas aquelas camadas lipídicas. Muito fácil de seguir mas sem ser por isso demasiado previsível, evitando portanto as tramas ultra-complexas que Giuliano Carnimeo nos habituou. Curiosamente, em 1971 Enzo Gicca Palli assumiria a cadeira da realização numa sequela dada à personagem Silver: "Il venditore di morte". Sequela essa, em que o genuíno Sartana - Gianni Garko - encarnaria a figura do infalível pistoleiro detective.

Matas-me com esse olhar.

O filme esteve durante anos na lista de lançamentos da Wild East, mas a coisa só viu a luz do dia em finais de Julho deste ano. Uma espera longa mas que me parece ter valido a pena. O filme é apresentado em formato widescreen quase isento de danificações de fita. E pelo que os amigos da Wild East garantem, esta será também a versão completa, o que aparentemente não se verifica nas edições disponíveis no mercado alemão e brasileiro.

12/07/2011

Joko invoca Dio... e muori (1968 / Realizador: Antonio Margheriti)

De gladiador a pistoleiro. É o que se pode dizer de Richard Harrison, ator americano muito popular em Itália nos anos 60, que abandonou as arenas, as togas, as sandálias e os gládios para colocar um chapéu e empunhar um colt. O realizador Antonio Margheriti era um apaixonado do cinema de suspense e terror mas fez alguns westerns patéticos por causa da mania de imitar o estilo americano. Quando se apercebeu que essa fórmula não valia uma beata tomou o caminho certo e fez a junção do terror com o western.

Muito tiroteio!

“Joko invoca Dio… e muori” seria um filme banal se não tivesse os elementos típicos do “giallo”. O tiroteio noturno cheio de sombras inquietantes e medos recíprocos; a mina de enxofre visualmente repugnante e decadente; um vilão de aspeto excêntrico, com roupas estranhas, mas que basta um olhar para perceber a sua astúcia, o seu calculismo e a sua crueldade! É um bom western que aos poucos se aproxima dos terrenos do terror! Dir-se-ia que este filme foi o prelúdio para o extraordinário “E Dio disse a Caino”, esse sim um assustador western gótico de grande qualidade!

Um vilão muito exótico!

O filme está subdividido em 5 atos, à semelhança de uma ópera ou peça teatral. Joko Barrett participou num assalto minuciosamente planeado pelo seu astuto sócio Mendoza e brilhantemente executado pelo ágil Ricky. Para não variar, há sempre algo que corre mal e tanto Mendoza como Ricky morrem e o dinheiro desaparece. Joko vai agora, um por um, desmascarar os traidores e enviar cordiais saudações em formato de balázios e murros no focinho! Mas o destino aguarda uma chocante revelação…

Joko encurralado na caverna.

Este filme tem vindo aos poucos a ganhar cada vez mais terreno e a ter um reconhecimento mais justo. O DVD talvez tenha contribuído para isso porque há muitas edições DVD em muitos países. Tenho a versão francesa intitulada “Avec Django, la mort est lá”, da editora Seven 7. Os extras ajudam a perceber melhor o trabalho de Antonio Margheriti, através dos depoimentos de Ruggero Deodato (Cannibal Holocaust, Uomini si nasce poliziotti si muore, etc.).


Uma tortura original.

É para ser visto e revisto pelos fãs que respiram westerns-spaghetti por todos os poros. Para os pseudo-intelectuais do cinema: Não se metam nisto! Continuem a vossa incessante busca pela verdade artística nos filmes de meninas que deixaram a claque da escola para casar com um príncipe encantado num mundo estupidamente cor-de-rosa!

27/08/2009

Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)


Com toda a euforia em torno de Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino - bestialmente intitulado em Portugal de “Sacanas sem lei” - importa relembrar a obra de Enzo G. Castellari responsável por filmes tão interessantes como Vado... l'ammazzo e torno, Quella sporca storia nel west ou Keoma. Afinal de contas foi ele que pariu Quel maledetto treno blindato (1978), a matriz original em que Tarantino se apoiou para a realização do seu há muito anunciado filme de guerra. Munido de alguma curiosidade “cinéfila”, decidi também eu despender algum do meu tempo de sofá para assistir a essa incursão de Castellari no universo dos filmes de guerra, com acção nos anos da segunda guerra mundial e, neste caso, com um forte travo a Dirty Dozen (1967).

Os patifes de Chuck Connors. 

Depois de visualizada a coisa, permito-me considerar que se trata de mais um daqueles casos em que foi maior o hype criado do que outra coisa. O filme tem um fio condutor algo caótico, com explosões/tiroteios constantes e quase sempre sem grande nexo. No geral, desde as interpretações (nalguns casos muito pouco credíveis), passando pelo fraco argumento e terríveis efeitos especiais (leia-se miniaturas filmadas de muito perto), diria que é um filme fraquinho. É claro que pelo menos no que respeita aos efeitos especiais desculpabilizar-se-á Castellari. Temos pois de nos situar no ano da produção (1978), em que as tecnologias eram ainda bastante pré-históricas, e o baixo orçamento disponível para as gravações não terá facilitado a vida ao italiano.

Frank Wolff tem uma actuação explosiva.

Felizmente no velho oeste, a existência de tais efeitos são praticamente desnecessários, pelo que o violento cinema de acção, típico de Castellari, tem outro interesse. Neste domínio que me é mais familiar destaco agora Ammazzali tutti e torna solo (1968), um dos grandes apontamentos do realizador, e um bom ponto de partida para aqueles que queiram conhecer a sua obra. Este filme foi escrito entre outros, pelo próprio Castellari, Tito Carpi e o também realizador Joaquin Romero Marchent (Antes llega la muerte, Condenados a vivir); e, curiosamente segue, tal como “Quel maledetto treno blindato”, a fórmula de “Dirty Dozen”. Neste caso a fórmula foi decalcada na forma de um grupo de mercenários contratados pelo exército confederado a troco de “algum” ouro. Como líder do grupo surge um tal de Clyde Mac Kay, desempenhado nada mais nada menos que por Chuck Connors, actor mais conhecido pelos adeptos de western como “o homem da carabina”.

Aquele sorriso!

A questão essencial resume-se bem no início do filme. Connors deve recuperar o ouro de um forte do exército da união com os habilidosos e multifacetados homens que seleccionou para a missão, mas tudo isto com uma condição: só ele poderá voltar vivo! Ao grupo juntar-se-á entretanto um último elemento, o capitão Lynch, desempenhado por Frank Wolff, que como sempre se apresenta em bom plano, ainda que desta vez num papel com menos substância. Obviamente que nada disto decorre como planeado e as traições entre elementos do bando são consecutivas. Este é um daqueles filmes que, embora dificilmente se considere de topo, merece uma atenção especial naquela secção dos spaghetti com maior acção. A batuta de Castellari neste campo é bastante eficaz, sem dúvida um dos realizadores a ter em conta no género.

Acrobratas, duplos e companhia. A mão-de-obra favortita do tio Enzo.

Em resumo, acção incessante, tiroteios, cenas de pancadaria, acrobacias (nalguns casos bem irritantes) e explosões quanto baste, cortesia do protótipo de bazuca aqui apresentado, imagine-se (ver trailer abaixo)! Tivesse o argumento sido mais explorado e poderíamos mesmo ter aqui um marco do género. Ammazzali tutti e torna solo (exibido em Portugal como “Mata todos e volta só”), não está infelizmente disponível no nosso mercado DVD, mas pode ser facilmente encontrado em qualquer loja virtual, muito graças à edição da Wild East (editado como “Kill Them All and Come Back Alone”). Para nós latinos existe pelo menos uma opção low-cost, editada pela espanhola Suevia, que podem procurar por aí sob o título “Matalos y vuelve”.

Aposto que esta VHS tem imagem igual ou melhor ao DVD da Suevia. Fonte: ebay.it

Esta edição apesar de se apresentar em widescreen anamórfico 2.35:1; tem uma muito sofrível qualidade de imagem (VHS?!). Incluindo também para além da trilha áudio em espanhol, a original em italiano (que pessoalmente prefiro desde que exista uma opção de legendas em espanhol, que é o caso).