2009/08/27

Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)


Com toda a euforia em torno de Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino - bestialmente intitulado em Portugal de “Sacanas sem lei” - importa relembrar a obra de Enzo G. Castellari responsável por filmes tão interessantes como Vado... l'ammazzo e torno, Quella sporca storia nel west ou Keoma. Afinal de contas foi ele que pariu Quel maledetto treno blindato (1978), a matriz original em que Tarantino se apoiou para a realização do seu há muito anunciado filme de guerra. Munido de alguma curiosidade “cinéfila”, decidi também eu despender algum do meu tempo de sofá para assistir a essa incursão de Castellari no universo dos filmes de guerra, com acção nos anos da segunda guerra mundial e, neste caso, com um forte travo a Dirty Dozen (1967).

Depois de visualizada a coisa, permito-me considerar que se trata de mais um daqueles casos em que foi maior o hype criado do que outra coisa. O filme tem um fio condutor algo caótico, com explosões/tiroteios constantes e quase sempre sem grande nexo. No geral, desde as interpretações (nalguns casos muito pouco credíveis), passando pelo fraco argumento e terríveis efeitos especiais (leia-se miniaturas filmadas de muito perto), diria que é um filme fraquinho. É claro que pelo menos no que respeita aos efeitos especiais desculpabilizar-se-á Castellari. Temos pois de nos situar no ano da produção (1978), em que as tecnologias eram ainda bastante pré-históricas, e o baixo orçamento disponível para as gravações não terá facilitado a vida ao italiano.


Felizmente no velho oeste, a existência de tais efeitos são praticamente desnecessários, pelo que o violento cinema de acção, típico de Castellari, tem outro interesse. Neste domínio que me é mais familiar destaco agora Ammazzali tutti e torna solo (1968), um dos grandes apontamentos do realizador, e um bom ponto de partida para aqueles que queiram conhecer a sua obra. Este filme foi escrito entre outros, pelo próprio Castellari, Tito Carpi e o também realizador Joaquin Romero Marchent (Antes llega la muerte, Condenados a vivir); e, curiosamente segue, tal como “Quel maledetto treno blindato”, a fórmula de “Dirty Dozen”. Neste caso a fórmula foi decalcada na forma de um grupo de mercenários contratados pelo exército confederado a troco de “algum” ouro. Como líder do grupo surge um tal de Clyde Mac Kay, desempenhado nada mais nada menos que por Chuck Connors, actor mais conhecido pelos adeptos de western como “o homem da carabina”. A questão essencial resume-se bem no início do filme. Connors deve recuperar o ouro de um forte do exército da união com os habilidosos e multifacetados homens que seleccionou para a missão, mas tudo isto com uma condição: só ele poderá voltar vivo! Ao grupo juntar-se-á entretanto um último elemento, o capitão Lynch, desempenhado por Frank Wolff, que como sempre se apresenta em bom plano, ainda que desta vez num papel com menos substância. Obviamente que nada disto decorre como planeado e as traições entre elementos do bando são consecutivas. Este é um daqueles filmes que, embora dificilmente se considere de topo, merece uma atenção especial naquela secção dos spaghetti com maior acção. A batuta de Castellari neste campo é bastante eficaz, sem dúvida um dos realizadores a ter em conta no género.


Em resumo, acção incessante, tiroteios, cenas de pancadaria, acrobacias (nalguns casos bem irritantes) e explosões quanto baste, cortesia do protótipo de bazuca aqui apresentado, imagine-se (ver trailer abaixo)! Tivesse o argumento sido mais explorado e poderíamos mesmo ter aqui um marco do género. Ammazzali tutti e torna solo (exibido em Portugal como “Mata todos e volta só”), não está infelizmente disponível no nosso mercado DVD, mas pode ser facilmente encontrado em qualquer loja virtual, muito graças à edição da Wild East (editado como “Kill Them All and Come Back Alone”). Para nós latinos existe pelo menos uma opção low-cost, editada pela espanhola Suevia, que podem procurar por aí sob o título “Matalos y vuelve”. Esta edição apesar de se apresentar em widescreen anamórfico 2.35:1; tem uma muito sofrível qualidade de imagem (VHS?!). Incluindo também para além da trilha áudio em espanhol, a original em italiano (que pessoalmente prefiro desde que exista uma opção de legendas em espanhol, que é o caso).


Trailer


6 comentários:

  1. esse filme é muito bom, assisti numa cópia francesa no youtube, por aqui no Brasil também ainda não chegou, uma pena.

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  2. Excelente exemplo de um western spaghetti puro e duro com uma partitura musical excelente de Francesco de Masi.
    Permite-me discordar um pouco, Pedro, mas acho que a elaboração simples do argumento é um ponto muito favorável neste filme porque o principal fio condutor do filme é a acção constante e está lá tudo como bem realças no teu texto, para quê complicar mais e sempre me fez confusão como é que o Capitão Lynch passa de um exército para o outro num ápice, mas enfim, as traições, a pancadaria, os tiros e o vil metal, o ouro, estão lá. No meu top 15 à vontade...
    INGLORIUS BASTARDS foi lançado em portugal com o título SEIS GLORIOSOS PATIFES (pelo menos em VHS, não sei se saiu nos cinemas.
    Um abraço...

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  3. Pois é, companheiro! Já tive oportunidade de ver este filme e gostei! Além disso é sempre bom rever Chuck Connors com uma Winchester nas mãos! Um abraço!

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  4. Pois é, saudades! Ele participou em mais alguns spaghettis, salvo erro 4 no total. Entre eles o "Pancho Villa" em que contracena com Telly Savalas!

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  5. Concordo contigo quando dizes que filme ganharia, e muito, se houvesse uma melhor exploração do argumento, e consequentemente das personagens. Por outro lado, o argumento simples sublinha e vira o espectador para a acção incrivelmente tratada e elaborada, o que me parece ter sido a intenção do realizador!
    Na minha opinião é difícil seguir as cenas de intensa pancadaria e muitas vezes dei por mim "perdida" lá no meio sem conseguir acompanhar onde estava quem...

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  6. Olá bonequinha!
    Temos de agendar uma sessão-dupla com o "Keoma" e o "Johnny Hamlet". São mais à nossa medida...

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