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01/11/2016

Lançamentos | "Eine Bahre für den Sheriff (Una Bara per lo sceriffo)"


A Colosseo lança em Novembro, "Una Bara per lo sceriffo". Western mediano da chancela de Mario Caiano e que conta com o taciturno Anthony Steffen no papel principal. Esta edição contará ainda com diversos extras, incluindo entrevistas com o realizador e  Francesco de Masi.

16/01/2012

Quella sporca storia nel west (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)

Quem diz que os westerns-spaghetti são produções sem sentido levadas a cabo por gente inculta não tem consciência das baboseiras que está a dizer! Tanto pior quando isso é dito por palhaços que deliram com os filmes de meninas que passam a vida no centro comercial e no cabeleireiro! Mas atenção: Eu também dou a mão à palmatória e já vi westerns-spaghetti tão maus que até metem ranço! Mas neste caso isso não se aplica. Quem diria que o dramaturgo William Shakespeare, vários séculos após a sua vida e obra, ia ser o principal responsável por um western? Para algumas cabeças de burro pode custar a acreditar mas é verdade. A tragédia “Hamlet” transformou-se num western de qualidade!

Senão vejamos: O veterano de guerra Johnny acorda numa praia acompanhado por um grupo de saltimbancos / atores que ensaiam uma peça de Shakespeare. Enquanto dormia teve um sonho macabro em que o seu pai era agora um fantasma porque terá sido cobardemente assassinado. Ao chegar a casa o choque é total: o seu pai morreu e está sepultado num cemitério lúgubre dentro de uma gruta, a sua mãe casou com o seu tio e ambos vivem à grande e à francesa, a sua namorada perdeu o fulgor da paixão e o único que se mantém fiel é o seu velho amigo Horácio. Perante tal confusão, Johnny tem agora como principal objetivo descobrir o assassino do seu pai e, consequentemente, “acabar-lhe com as tosses”.


Os personagens mais importantes estão bem presentes: o tio Cláudio, a mãe Gertrudes, o amigo Horácio, a namorada Ofélia e, claro está, o protagonista Johnny (Hamlet). A ideia para este filme partiu de Sergio Corbucci mas inexplicavelmente decidiu abandonar o projeto e cedeu o seu lugar. Os produtores entraram em contacto com outros realizadores e a escolha caiu sobre o jovem Enzo G. Castellari.

Destaco o ótimo trabalho musical de Francesco de Masi, que abre com uma bonita canção interpretada por Maurizio Graf, e em alguns momentos a música acentua ainda mais o elemento fantasmagórico alusivo ao espetro do pai de Hamlet. Descobri este filme há relativamente pouco tempo e após várias visualizações fiquei rendido. Apenas aponto um defeito que faz toda a diferença: o termo “tragédia” implica sempre a morte do protagonista no final mas esta versão de “Hamlet” tem um final diferente. Acho que foi um erro mas consigo perceber o porquê dessa decisão. Naquela época não era habitual haver filmes com um “final triste”. Os poucos que tentaram isso estavam quase sempre condenados a críticas severas e à mercê da tesoura da censura e dos cortes dos grandes estúdios, que exigiam finais alternativos.


É realmente uma pena haver tão poucas edições DVD. É urgente que as editoras europeias acordem e coloquem à disposição do público novas e melhores versões. Se William Shakespeare ainda fosse vivo teria tudo para ser um ávido fã de westerns-spaghetti. Mas como ele já não está entre nós há alguns séculos acredito que o seu espetro deve estar orgulhoso deste trabalho de Enzo G. Castellari.


Mais alguns lobbys alemães:



Trailer:


27/08/2009

Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)


Com toda a euforia em torno de Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino - bestialmente intitulado em Portugal de “Sacanas sem lei” - importa relembrar a obra de Enzo G. Castellari responsável por filmes tão interessantes como Vado... l'ammazzo e torno, Quella sporca storia nel west ou Keoma. Afinal de contas foi ele que pariu Quel maledetto treno blindato (1978), a matriz original em que Tarantino se apoiou para a realização do seu há muito anunciado filme de guerra. Munido de alguma curiosidade “cinéfila”, decidi também eu despender algum do meu tempo de sofá para assistir a essa incursão de Castellari no universo dos filmes de guerra, com acção nos anos da segunda guerra mundial e, neste caso, com um forte travo a Dirty Dozen (1967).

Os patifes de Chuck Connors. 

Depois de visualizada a coisa, permito-me considerar que se trata de mais um daqueles casos em que foi maior o hype criado do que outra coisa. O filme tem um fio condutor algo caótico, com explosões/tiroteios constantes e quase sempre sem grande nexo. No geral, desde as interpretações (nalguns casos muito pouco credíveis), passando pelo fraco argumento e terríveis efeitos especiais (leia-se miniaturas filmadas de muito perto), diria que é um filme fraquinho. É claro que pelo menos no que respeita aos efeitos especiais desculpabilizar-se-á Castellari. Temos pois de nos situar no ano da produção (1978), em que as tecnologias eram ainda bastante pré-históricas, e o baixo orçamento disponível para as gravações não terá facilitado a vida ao italiano.

Frank Wolff tem uma actuação explosiva.

Felizmente no velho oeste, a existência de tais efeitos são praticamente desnecessários, pelo que o violento cinema de acção, típico de Castellari, tem outro interesse. Neste domínio que me é mais familiar destaco agora Ammazzali tutti e torna solo (1968), um dos grandes apontamentos do realizador, e um bom ponto de partida para aqueles que queiram conhecer a sua obra. Este filme foi escrito entre outros, pelo próprio Castellari, Tito Carpi e o também realizador Joaquin Romero Marchent (Antes llega la muerte, Condenados a vivir); e, curiosamente segue, tal como “Quel maledetto treno blindato”, a fórmula de “Dirty Dozen”. Neste caso a fórmula foi decalcada na forma de um grupo de mercenários contratados pelo exército confederado a troco de “algum” ouro. Como líder do grupo surge um tal de Clyde Mac Kay, desempenhado nada mais nada menos que por Chuck Connors, actor mais conhecido pelos adeptos de western como “o homem da carabina”.

Aquele sorriso!

A questão essencial resume-se bem no início do filme. Connors deve recuperar o ouro de um forte do exército da união com os habilidosos e multifacetados homens que seleccionou para a missão, mas tudo isto com uma condição: só ele poderá voltar vivo! Ao grupo juntar-se-á entretanto um último elemento, o capitão Lynch, desempenhado por Frank Wolff, que como sempre se apresenta em bom plano, ainda que desta vez num papel com menos substância. Obviamente que nada disto decorre como planeado e as traições entre elementos do bando são consecutivas. Este é um daqueles filmes que, embora dificilmente se considere de topo, merece uma atenção especial naquela secção dos spaghetti com maior acção. A batuta de Castellari neste campo é bastante eficaz, sem dúvida um dos realizadores a ter em conta no género.

Acrobratas, duplos e companhia. A mão-de-obra favortita do tio Enzo.

Em resumo, acção incessante, tiroteios, cenas de pancadaria, acrobacias (nalguns casos bem irritantes) e explosões quanto baste, cortesia do protótipo de bazuca aqui apresentado, imagine-se (ver trailer abaixo)! Tivesse o argumento sido mais explorado e poderíamos mesmo ter aqui um marco do género. Ammazzali tutti e torna solo (exibido em Portugal como “Mata todos e volta só”), não está infelizmente disponível no nosso mercado DVD, mas pode ser facilmente encontrado em qualquer loja virtual, muito graças à edição da Wild East (editado como “Kill Them All and Come Back Alone”). Para nós latinos existe pelo menos uma opção low-cost, editada pela espanhola Suevia, que podem procurar por aí sob o título “Matalos y vuelve”.

Aposto que esta VHS tem imagem igual ou melhor ao DVD da Suevia. Fonte: ebay.it

Esta edição apesar de se apresentar em widescreen anamórfico 2.35:1; tem uma muito sofrível qualidade de imagem (VHS?!). Incluindo também para além da trilha áudio em espanhol, a original em italiano (que pessoalmente prefiro desde que exista uma opção de legendas em espanhol, que é o caso).