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15/11/2015

Filme completo | W Django! (1971)



Django segue o rastro dos bandidos que violaram e mataram a sua esposa. No caminho, salva da forca um ladrão de cavalos, que sabe quem assassinou a sua esposa. O filme é de Edoardo Mulargia, italiano que ficou conhecido pela sua capacidade em debitar westerns decentes mas de baixo orçamento, quase todos com usurpação de cenas de filmes de Sergio Leone. Este não foi excepção, baseando-se aqui e ali no clássico "Il buono, il brutto, il cattivo", com Glauco Onorato (Carranza) a fazer um decalque descarado do famoso "Tuco". Ver para crer! 

07/01/2014

Vendo cara la pelle (1968 / Realizador: Ettore Maria Fizzattori)

Ora recordemos então mais uma produção transalpina de baixo orçamento que logrou arrecadar umas liras graças a um enredo descaradamente copiado do conhecido clássico norte-americano de George Stevens, "Shane". Que lembremos, até já havia sido replicado anteriormente em mais alguns westerns europeus de fraca fama, caso do seminal "Tierra Brutal" e do enfadonho "Clint el solitário". A particularidade desta nova colagem, é que até o nome da personagem principal foi roubado ao filme de Stevens. Ah, patifes! Esta é a história do jovem pistoleiro Shane, um homem que vive para vingar a sua família, assassinada pelo bando do crápula Magdalena. Trata-se portanto de um cruzamento (quase) perfeito entre a velhinha história do «pistoleiro em procura de redenção» aqui adulterada para uma versão mais latina: «pistoleiro à procura de vingança». Um lugar comum nos westerns-spaghetti que se produziam ás dezenas nos finais dos anos sessenta.


Sem rodeios a vendetta começa pouco depois de uma breve explciação da narrativa, aqui feita com uns flashbacks sacados a ferros. E por aí segue a um ritmo alucinante, abrandando apenas quando Shane é baleado numa emboscada. Mas é socorrido por um miúdo que o leva para casa. Durante a sua recuperação acaba por fazer amizade com o cachopo e a sua mãe.

O franco-americano Mike Marshall marca aqui a sua segunda presença num western-spaghetti, um género onde não chegou a fazer carreira. Com essa sua primeira incursão - "Con lui cavalca la morte" - ainda não me cruzei por isso nada posso alvitrar, mas acho que ele se safou satisfatoriamente neste "Vendo cara la pelle". O sorriso idiota com que embrenha a personagem pode até roçar as fronteiras da ridiculez mas dá-lhe também um toque psico-cómico que acaba por se encaixar no perfil do pistoleiro afectado pela situação traumática a que sabemos ter sido exposto.


A direcção do filme é de Ettore Maria Fizzattori, um realizador que também não se debruçaria mais sobre o género. Desgraçadamente o realizador napolitano deixa transparecer alguma falta de perícia na condução do filme mas consegue ainda assim manter um ritmo entretido, conseguindo até escamotear a falta de bons cenários exteriores, que obviamente não poderia dispor sem uma pulada até Espanha. Provavelmente por «culpa» de Stelvio Massi que por estes anos ainda se ficava pelas responsabilidades da fotografia. Mas que nas décadas seguintes assumiria definitivamente o papel de realizador, tornando-se num dos nomes de respeito do cinema de acção italiano.


Graças a informação do comparsa António Rosa, ficámos a saber que o filme foi lançado em Portugal com o título "O filho de Shane", uma manobra publicitária arrojada dos nossos queridos tradutores portugueses que resolvem colar definitivamente esta versão italiana com o filme de George Stevens. Algo que nem os italianos quiseram tornar tão óbvio!



Trailer:

20/08/2013

W Django! (1971 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Eis o típico western-spaghetti de baixo orçamento que aposta tudo o que tem (e não é muito) na fórmula mais popular de sempre: Django e a sua vingança! Apesar dos westerns italianos estarem em rápida decadência, a produção ainda arriscou fazer mais um filme, no meio de dezenas, protagonizado pelo carismático Django. 

Vedetas como Franco Nero ou Terence Hill eram cartas fora do baralho. Mas o inconfundível Anthony Steffen estava ali mesmo à mão de semear e foi o escolhido. O tema deste filme vai ao encontro do filme original, isto é, Django chega a uma cidade com o intuito de vingar o assassinato da sua mulher. Sabe que o homicídio foi executado por três homens e não descansará enquanto não arrumar o assunto com muitas doses de chumbo no lombo dos adversários! 


A pouco e pouco consegue eliminar todos os obstáculos mas quando Django pensava que a sua vingança estava consumada eis que surge uma terrível revelação! Anthony Steffen encarna o personagem na perfeição. Provavelmente ninguém melhor do que ele consegue transmitir a imagem de um homem misterioso, de poucas palavras, angustiado pelo seu passado conturbado e, mais importante que tudo, disposto a mandar balázios a tudo o que mexe! 


Atrevo-me a dizer que este filme sem Anthony Steffen estava condenado ao fracasso e ao esquecimento (quase) total. Mas, por mais incrível que possa parecer, este western surpreende pela positiva e, tendo em conta que estávamos em 1971 e o auge do subgénero já tinha acabado, o resultado é positivo. Se procuram um western-spaghetti simples e violento vejam este filme. Se procuram algo mais profundo fujam antes que Anthony Steffen saque da pistola e despache toda a gente com uma chuva de balas (sem recarregar, obviamente)!



Mais exemplos do expressionismo típico de Anthony Steffen:




Trailer:

11/06/2013

Dio non paga il sabato (1967 / Realizador: Tanio Boccia)

O bandido Braddock está prestes a ser enforcado pelas autoridades. No último momento é salvo por um grupo de pistoleiros liderados pelos seus dois sócios. A população foge aterrorizada e os bandidos escapam. Braddock e os seus dois amigos pagam ao grupo de mercenários pelos seus serviços e… matam-nos logo a seguir para recuperar o dinheiro e não deixar testemunhas. O trio viaja para uma cidade abandonada que servirá de esconderijo. Pouco tempo depois, a namorada / cúmplice de Braddock junta-se ao grupo. Em pouco tempo organizam e executam um novo assalto a uma diligência para roubar uma caixa cheia de dinheiro.

Isto é um assalto!

Agora é voltar à cidade fantasma, aguardar pacientemente que as autoridades desistam das buscas, repartir o dinheiro e ir cada um à sua vida. Mas a inveja, os ciúmes e a ganância falam mais alto. O que acontecerá a seguir não vai ser nada pacífico… Este filme ainda continua (injustamente) no anonimato no vasto mundo dos westerns-spaghetti. Os atores não têm nomes sonantes, o realizador também não e o dinheiro que a produção investiu foi mínimo. Mas isso não significa absolutamente nada!

Um cofre cheio de massa!

Não concordo com aqueles que acreditam que a qualidade de um filme se resume à quantidade de dinheiro investido. Para mim, este western é um valioso tesouro escondido no meio de centenas. Bastou vê-lo uma vez para despertar o meu interesse. Gosto da história, gosto dos personagens, gosto dos cenários (a cidade fantasma é excelente) e gosto da atitude sexual da vilã!

Tortura!

Em 1970, o realizador Cesare Canevari fez o “remake” intitulado “Màtalo” mas é mais fraco que o original. Perante tudo isto foi uma questão de dias até ter comprado o DVD. A edição italiana da Cecchi Gori tem boa qualidade de som (italiano) e imagem (2.35:1), contém o trailer como bónus e, obviamente, já cá canta!

12/03/2013

Quel caldo maledetto giorno di fuoco (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

A sangrenta Guerra Civil Americana entre os estados do Norte e os estados do Sul continua. O conflito está equilibrado mas aos poucos o Norte começa a ganhar cada vez mais terreno. As altas patentes militares e a administração do presidente Lincoln estudam estratégias que permitam decidir a guerra a seu favor. Os serviços secretos convenceram Gatling a apoiar a sua causa. Este contribui com uma invenção da sua autoria que irá revolucionar o poderio militar do exército: uma metralhadora!

Do outro lado da barricada, os espiões sulistas apercebem-se da jogada e preparam-se para agir. Numa operação de espionagem perfeita, os poucos indivíduos que estão a par do assunto são assassinados e Gatling é raptado. Esta jogada poderá representar uma inversão nos destinos do conflito e toda a máquina de guerra ianque entra em pânico! Numa situação extrema opta-se por medidas extremas.


Numa prisão militar está Chris Tanner (Robert Woods), ex-militar e agente da Pinkerton acusado e julgado por alta traição. Ele é o único suficientemente competente para resolver este caso. Tanner aceita a missão em troca de um perdão presidencial e dispõe apenas de 30 dias para investigar. A partir de agora, o futuro do país está nas mãos deste homem.


Este foi um dos muitos filmes protagonizados por Robert Woods (Black Jack, La Taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io), ator americano que trabalhou intensamente nos anos áureos (e crepusculares) dos westerns italianos. Com ele estão também John Ireland, Evelyn Stewart, Rada Rassimov, Furio Meniconi e Roberto Camardiel. Ao vermos este filme percebemos logo que se trata de uma produção de segunda linha que não causa grande impacto. O tiroteio noturno no cemitério é o momento mais interessante de todo o filme. Tudo o resto é, a meu ver, perfeitamente banal…


Trailer:

27/08/2009

Ammazzali tutti e torna solo (1968 / Realizador: Enzo G. Castellari)


Com toda a euforia em torno de Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino - bestialmente intitulado em Portugal de “Sacanas sem lei” - importa relembrar a obra de Enzo G. Castellari responsável por filmes tão interessantes como Vado... l'ammazzo e torno, Quella sporca storia nel west ou Keoma. Afinal de contas foi ele que pariu Quel maledetto treno blindato (1978), a matriz original em que Tarantino se apoiou para a realização do seu há muito anunciado filme de guerra. Munido de alguma curiosidade “cinéfila”, decidi também eu despender algum do meu tempo de sofá para assistir a essa incursão de Castellari no universo dos filmes de guerra, com acção nos anos da segunda guerra mundial e, neste caso, com um forte travo a Dirty Dozen (1967).

Os patifes de Chuck Connors. 

Depois de visualizada a coisa, permito-me considerar que se trata de mais um daqueles casos em que foi maior o hype criado do que outra coisa. O filme tem um fio condutor algo caótico, com explosões/tiroteios constantes e quase sempre sem grande nexo. No geral, desde as interpretações (nalguns casos muito pouco credíveis), passando pelo fraco argumento e terríveis efeitos especiais (leia-se miniaturas filmadas de muito perto), diria que é um filme fraquinho. É claro que pelo menos no que respeita aos efeitos especiais desculpabilizar-se-á Castellari. Temos pois de nos situar no ano da produção (1978), em que as tecnologias eram ainda bastante pré-históricas, e o baixo orçamento disponível para as gravações não terá facilitado a vida ao italiano.

Frank Wolff tem uma actuação explosiva.

Felizmente no velho oeste, a existência de tais efeitos são praticamente desnecessários, pelo que o violento cinema de acção, típico de Castellari, tem outro interesse. Neste domínio que me é mais familiar destaco agora Ammazzali tutti e torna solo (1968), um dos grandes apontamentos do realizador, e um bom ponto de partida para aqueles que queiram conhecer a sua obra. Este filme foi escrito entre outros, pelo próprio Castellari, Tito Carpi e o também realizador Joaquin Romero Marchent (Antes llega la muerte, Condenados a vivir); e, curiosamente segue, tal como “Quel maledetto treno blindato”, a fórmula de “Dirty Dozen”. Neste caso a fórmula foi decalcada na forma de um grupo de mercenários contratados pelo exército confederado a troco de “algum” ouro. Como líder do grupo surge um tal de Clyde Mac Kay, desempenhado nada mais nada menos que por Chuck Connors, actor mais conhecido pelos adeptos de western como “o homem da carabina”.

Aquele sorriso!

A questão essencial resume-se bem no início do filme. Connors deve recuperar o ouro de um forte do exército da união com os habilidosos e multifacetados homens que seleccionou para a missão, mas tudo isto com uma condição: só ele poderá voltar vivo! Ao grupo juntar-se-á entretanto um último elemento, o capitão Lynch, desempenhado por Frank Wolff, que como sempre se apresenta em bom plano, ainda que desta vez num papel com menos substância. Obviamente que nada disto decorre como planeado e as traições entre elementos do bando são consecutivas. Este é um daqueles filmes que, embora dificilmente se considere de topo, merece uma atenção especial naquela secção dos spaghetti com maior acção. A batuta de Castellari neste campo é bastante eficaz, sem dúvida um dos realizadores a ter em conta no género.

Acrobratas, duplos e companhia. A mão-de-obra favortita do tio Enzo.

Em resumo, acção incessante, tiroteios, cenas de pancadaria, acrobacias (nalguns casos bem irritantes) e explosões quanto baste, cortesia do protótipo de bazuca aqui apresentado, imagine-se (ver trailer abaixo)! Tivesse o argumento sido mais explorado e poderíamos mesmo ter aqui um marco do género. Ammazzali tutti e torna solo (exibido em Portugal como “Mata todos e volta só”), não está infelizmente disponível no nosso mercado DVD, mas pode ser facilmente encontrado em qualquer loja virtual, muito graças à edição da Wild East (editado como “Kill Them All and Come Back Alone”). Para nós latinos existe pelo menos uma opção low-cost, editada pela espanhola Suevia, que podem procurar por aí sob o título “Matalos y vuelve”.

Aposto que esta VHS tem imagem igual ou melhor ao DVD da Suevia. Fonte: ebay.it

Esta edição apesar de se apresentar em widescreen anamórfico 2.35:1; tem uma muito sofrível qualidade de imagem (VHS?!). Incluindo também para além da trilha áudio em espanhol, a original em italiano (que pessoalmente prefiro desde que exista uma opção de legendas em espanhol, que é o caso).