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2018/09/29

Quinto: non ammazzare (1969 / Realizador: León Klimovsky)

Fazendo-se passar por leprosos, um bando de foras-da-lei assalta o banco de um pequeno povoado do oeste. Com o risco de contágio a pairar no ar, a população não lhes oferece grande resistência, o que facilita o trabalho meliantes. Estes põem-se então em fuga para lugar seguro, mas nem todos chegarão vivos ao esconderijo. E pior, há um traidor entre eles, que deu sumiço ao carcanhol do roubo. 

Inevitavelmente a desconfiança apoderar-se-à do grupo e as velhas amizades serão postas em causa. O cabecilha decide então que devem esconder-se num inóspito entreposto em pleno deserto, onde tentarão passar despercebidos ás autoridades que os perseguem e ao mesmo tempo escrutinar a identidade do traidor. Azar para os locais que acabam vitaminizados pela situação, sujeitando-se aos caprichos de cada um dos párias do bando. Será porém o mais cobarde de todos a ter a responsabilidade de lhes fazer frente. 

Melhor disfarce de sempre!

Admito que não morro de amores pelos westerns do León Klimovsky, mas tenho de lhe dar uma palmadinha nas costas por este “Quinto: non ammazzare”, que apesar de paupérrimo enquanto western de acção, sobrevive relativamente bem enquanto thriller. Quem o queira conferir saiba que não está disponível em formato digital, além de umas transferências foleiras do VHS. Uma pena!  

2017/05/23

Sette pistole per un massacro (1967 / Realizador: Mario Caiano)

Esta é a história de Will Flaherty, um homem falsamente acusado pelo assalto a um banco e assassinato dos seus dois clérigos. Três anos passam e Will evade-se da prisão com o propósito de procurar os verdadeiros gatunos. Mas de regresso a Little Tucson tem tudo menos uma recepção calorosa e palavras de conforto. Porém, a sua estadia há-de se prolongar por aqueles lados, é que para azar dos seus patrícios, um bando de foras-da-lei ataca novamente o banco. Os larápios dão-se mal com o golpe e batem com o queixo no chão ao verificarem que o cofre está vazio, resolvem então sequestrar toda a população da cidade. Et voila, volte de face, e o enjeitado passa a ser a única hipótese de salvação para os habitantes da pequena cidade.

Craig Hill em apuros.

Este era o único western de Mario Caiano que ainda não tinha riscado da lista, e como já desconfiava é enfadonho de morte. Irritante sobretudo pelo uso e abuso de cenas de pancadaria em ambiente de saloon e demais cantarolices. Ao habitué, Craig Hill, coube o papel desse tal Will Flaherty, que diga-se, mais parece uma reprise medíocre da personagem de Giuliano Gemma em “Adios Gringo”. Aliás, o título internacional do filme – “Adios Hombre – parece ele mesmo um encosto premeditado ao filme de Giorgio Stegani, que como se sabe fez mossa nas bilheteiras poucos anos antes do lançamento deste.

Will Flaherty (Craig Hill) espreme a verdade de Luke (Piero Lulli)

Pessoalmente até tenho o senhor Hill no goto, muito por culpa do cunho que deixou em alguns dos seus primeiros westerns-spaghetti, sobretudo os “Lo vogilo morto”, “Per il gusto di uccidere” ou “Quindici forche per un assassino”. Mas é claro que a coisa aqui pia mais fininho. Ao contrário desses três exemplares, este “Sette pistole per un massacro”, é um filme em tudo rotineiro e sem essa bengala, o californiano nem aquece nem arrefece. Curiosamente é a vilanagem que ganha em quantidade e qualidade (Eduardo Fajardo, Piero Lulli, Roberto Camardiel, Nello Pazzafini). Mas enfim, está visto!

2017/01/03

Fora de tópico | "Adios Gringo" & "Blood on a Silver Dollar"


Juro que não recebemos comissão da Wild East, mas há que divulgar mais um dos seus recentes lançamentos. Este também já está nas lojas e é dedicado ao mítico Giuliano Gemma, contendo dois dos seus primeiros westerns, "Adios Gringo" e "Un dollaro bucato"

2016/08/30

Fora de tópico | Lançamento "Die unerbittlichen Vier (I quattro inesorabili)"


Muitos não saberão mas Adam West, o Batman dos anos sessenta , também fez uma perninha no western europeu. O filme é este "I quattro inesorabili", que agora volta a estar disponível em DVD via Wild Coyote. Audio em inglês e alemão. Nas lojas a 30 de Setembro.

2014/12/16

Uno, dos, tres... dispara otra vez (1973 / Realizador: Tulio Demicheli)

Shoshena e Bobo unem esforços para assaltar o banco de Cogan, um tipo avarento que mantém os rancheiros da região com a corda na garganta. Entre os rancheiros não há quem não lhe queira limpar o sebo e a entrada em cena dos dois pilantras só vai ajudar a complicar um pouco mais a situação local. Apesar de uma entrada em que os cadáveres caem que nem tordos, literalmente falando, o filme rapidamente toma uma direcção mais leve e descontraída. Não é de estranhar, afinal de contas lembremos-nos que estamos em 73 e os filmes da saga Trinitá são agora lideres de vendas nos cinemas europeus. Razão que veio mudar definitivamente a cara do western-spaghetti, que rapidamente transitou da ultra-violência para a comédia aparvalhada.



A vida continua, e até o mais carrancudo dos actores do género se teve de adaptar ás novas solicitações do mercado. Ora como é sabido, o ítalo-brasileiro Anthony Steffen não primou nunca pela sua grande expressividade, muito menos pela sua veia humorística. Talvez por isso tenham cabido essas tarefas ao aragonês Roberto Camardiel, muito mais capacitado para essas andanças. Curiosamente os dois até já haviam trabalhado juntos na sequela de "Arizona Colt""Arizona si scatenò... e li fece fuori tutti", onde fizeram uma dupla não muito diferente desta aqui, mas aí com resultados bastante mais satisfatórios.


São dias difíceis para o western-spaghetti, O cuidado com os detalhes é cada vez menor e aparentemente a coerência é algo que já pouco ou nada interessa aos produtores/realizadores da época. Ora a mim, este tipo de filmes deixam-me quase sempre com o estômago meio revoltado e os neurónios baralham-se-me com as transições não anunciadas entre as piadas secas e a saraivada de balas. Mas enfim, amo o western-spaghetti do inicio ao fim e há que vê-los a todos, mesmo sabendo que de quando a quando temos de levar com uma nulidade destas. 


O argentino Tulio Demicheli, autor de quatro westerns-spaghetti despedia-se aqui do género, e o próprio Steffen já só apareceria em mais uma entrada no género, "Il mio nome è Scopone e faccio sempre cappotto, o nível não varia muito mas sobre esse falamos outro dia!

2013/12/03

Adios Gringo (1965 / Realizador: Giorgio Stegani)

Brent (interpretado pelo Pistolero NazionaleGiuliano Gemma) cavalga pela pradaria quando encontra um velho conhecido, Gill (Nello Pazzafini). Os dois homens trocam umas palavras e um negócio surge: Brent compra a manada de gado de Gill. Brent segue então para Johnston City, onde rapidamente descobre que o gado que acabara de comprar fora roubado a um poderoso homem dessa cidade. O confronto torna-se inevitável e Brent mata o fazendeiro em legitima defesa, mas é forçado a fugir da cidade. Decidido a limpar o seu nome, parte em busca do trapaceiro e seus cúmplices.


“Adeus Gringo” foi o primeiro de uma série de três westerns-spaghetti realizados pelo italiano Giorgio Stegani, mas não foi rigorosamente uma estreia no género para o realizador, que já havia colaborado com o bem-amado Giorgio Ferroni no seminal “Um Dólar Furado”, onde contribuíra activamente no argumento. E talvez devido a essas colaborações anteriores, “Adeus Gringo” sofre de algum efeito de clonagem em relação ao modus operandi que reconhecemos dos westerns de Ferroni. Não será pois de estranhar que até o elenco de ambos os filmes seja largamente comum. 


No outro dia enquanto passeava pelo blogue do Nuno Vieira cruzei-me com as fotografias da cassete portuguesa deste filme, que me lembro de ter alugado também eu em princípios dos noventa. A Filmitalus vendia-o como “um western excepcional”, um sensacionalismo barato que obviamente devo reconhecer ser exagerado. Ainda assim creio tratar-se de um filme bastante aceitável, arriscando num enredo mais complexo e dramático do que a maioria dos westerns lançados nesta fase do género. Algo que também se reflectiu no encaixe do filme nas salas de cinema italianas, superando até os dois filmes da saga Ringo, também protagonizados pelo recentemente finado Gemma. O ano de 1965 foi de facto um ano de viragem na carreira do actor romano, com quatro filmes no top de assistências italianas. Ainda que seja na minha opinião o mais fraco dos quatro.


Mais alguns lobby cards ultra-saturados:




Trailer:




Filme completo:

2013/10/01

Maus como as cobras


Aqui, no blogue “Por Um Punhado de Euros”, andamos há mais de 4 anos a divulgar o western-spaghetti. Os que nos acompanham conhecem Django, Ringo, Sabata, Sartana, Silêncio ou Harmónica. Contudo, para esses personagens terem alcançado o estatuto de heróis foi necessário ter acontecido algo. Foi necessário terem enfrentado inimigos de alto calibre que acagaçavam qualquer um! Na maior parte das vezes, os vilões dos filmes são negligenciados em detrimento dos heróis que defendem a honra, os valores morais e os bons costumes. Mas neste âmbito as coisas nem sempre são assim. Neste subgénero, heróis e vilões confundem-se. Até mesmo no aspeto físico. O vilão já não é o gajo com cara de mau e chapéu preto e o bom já não é o galã bem vestido e com a marrafinha toda janota. 

Por razões óbvias, é impossível mencionar todos os “maus da fita”. Este texto serve essencialmente para falar sobre vilões carismáticos, violentos, sádicos, assassinos, drogados, uns são elegantes, outros vestem-se como maltrapilhos, todos eles frios como um bloco de gelo e mais brutos do que uma carrada de porcos! Uns manejam as armas como verdadeiros especialistas, outros usam outras geringonças e tudo o que se possa imaginar. Em suma, estamos perante indivíduos “maus como as cobras”! Começamos com Ramon Rojo e El Índio (Gian Maria Volonté). O primeiro usa uma winchester e o outro dedica-se a fumar material que faz rir. Ambos nem pestanejam quando limpam o sarampo a todos aqueles que andam a chatear. 

Frank (Henry Fonda) é um assassino elegante que varre tudo pela mesma medida enquanto contempla as suas vítimas com o seu gélido olhar azul. Na mesma linha de elegância estão David Barry (Horst Frank) ou Gauche (Alain Delon). Stengel (Franco Ressel) mantém o nível e as roupas todas pipis que o homem veste tornam-no ainda mais odiável. Não admira que Sabata lhe tenha tratado da saúde! Na fação com menos elegância temos ótimos vilões como Aldo Sambrell, Fernando Sancho, Roberto Camardiel, Eduardo Fajardo ou Mario Brega. Estes iam diretos ao assunto e funcionavam à base de chicotadas, murros, pontapés, torturas e chapadas. Ou seja, tudo pessoas de bem! 

Mas esta rubrica nunca poderia ficar completa sem mencionar um ator que tinha tanto de genial como de polémico e que encarnou inúmeros papéis de vilão em inúmeros westerns europeus. Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, “Ecce Homo”, Eis o Homem: Klaus Kinski! Olhar alucinado, cabelos loiros desgrenhados, cara de maluco, é um autêntico perigo à solta e cair nas suas mãos é pior do que cair num ninho de cascavéis! Entre muitas atuações de grande valor alcançou o auge quando interpretou “Tigrero”, o implacável caçador de recompensas tão frio quanto a neve. Esse personagem tem um valioso trunfo que todos os outros já mencionados não possuem: Tigrero foi o único que venceu o seu arqui-inimigo, aplicando-lhe uns balázios disparados à traição. Por isto e por muito mais merece a imortalidade! Por isto e por muito mais merece liderar a galeria de vilões dos westerns-spaghetti, embora todos eles sejam “maus como as cobras”!

2013/03/26

La sfida dei MacKenna (1970 / Realizador: León Klimovsky)

Filme tardio do argentino León Klimovsky, em que se volta a reunir a dupla de protagonistas testada em “Quel caldo maledetto giorno di fuoco” - John Ireland e Robert Woods - lançado um par de anos antes. A dupla funcionou bem nesse primeiro contacto razão que consegue aditar algum interesse sobre este “La sfida dei MacKenna”, que não sendo grande espingarda é provavelmente o mais razoável dos westerns de Klimovsky, que como se sabe não primou por uma carreira de grande brilhantismo (não foi por acaso que um dos seus filmes apareceu no nosso ciclo de «Spaghettis que prejudicam gravemente a saúde»). 

Diz quem sabe que o projecto terá sido uma aposta pessoal de John Ireland mas o nome do actor não é confirmado nos respectivos créditos do filme. Já o nome de Edoardo Mulargia aparece escarrapachado nos mesmos. Ora como se sabe, Mulargia assumiu por diversas vezes a posição de realizador – lembremo-nos de “Cjamango”, “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” ou “W Django!” – o que têm levantado algumas questões sobre o verdadeiro alcance do seu envolvimento neste filme. 


Conhecendo o histórico de Klimovsky, que por diversas vezes se limitara a emprestar o seu nome a filmes em que não participou com uma gota de suor, não é de admirar que Mulargia tenha assumido as rédeas em determinados momentos. A verdade provavelmente nunca se conhecerá mas relatos de Woods e Ireland corroboram a ideia de que o argentino não se interessava muito pelo assunto. 

John Ireland interpreta Jonas, um forasteiro que se vagabundeia no sítio errado. Um jovem acaba de ser enforcado por Don Diego e pelo maníaco do seu filho, Chris. Tudo porque teve a infelicidade de se envolver com a filha do patriarca sem a sua permissão. Don Diego deixa o corpo do enforcado e a própria filha para trás, mas Jonas ao chegar ao local faz o seu dever de bom cristão. Enterra o desgraçado e acompanha a rapariga de volta a casa. Não sabendo porém que o responsável pelo assassínio se trata do pai da cachopa. Don Diego não fica contente por saber que o corpo foi enterrado nas suas terras e Jonas acaba por se tornar alvo dos seus mimos. 


Woods que pela primeira vez encarna o papel de vilão da fita, não compromete. O seu personagem, Chris, é um bon vivant mexicano de tiques algo psicóticos mas cujos comportamentos agaiatados dificilmente intimidam quem quer que seja. Muito menos o experiente Jonas, em tempos um homem de Deus que apesar de desviado dos caminhos do Senhor, tenta evitar a quebra dos dez mandamentos. Tarefa que não se lhe há-de revelar nada fácil. Um papel interessante para este americano, só é pena que não tenha dado o corpo ao manifesto nas cenas de punhada, em que também por culpa de uma fraca fotografia se revela claramente o uso de um duplo. 

Não vos digo que o filme é uma perca de tempo completa mas também não posso negar que é bastante enfadonho. O arranque copiado de “Cimitero senza croci” parece pujante mas a transição entre o clima dramático que se pretendeu embeber não se mescla de uma forma coerente com a acção exigida a um western. E o interesse do mais resistente dos espectadores tende em esmorecer. Foi o que aconteceu comigo nas duas vezes que o vi…


Mais alguns lobbys bonitos:



Excerto:


2013/03/12

Quel caldo maledetto giorno di fuoco (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

A sangrenta Guerra Civil Americana entre os estados do Norte e os estados do Sul continua. O conflito está equilibrado mas aos poucos o Norte começa a ganhar cada vez mais terreno. As altas patentes militares e a administração do presidente Lincoln estudam estratégias que permitam decidir a guerra a seu favor. Os serviços secretos convenceram Gatling a apoiar a sua causa. Este contribui com uma invenção da sua autoria que irá revolucionar o poderio militar do exército: uma metralhadora!

Do outro lado da barricada, os espiões sulistas apercebem-se da jogada e preparam-se para agir. Numa operação de espionagem perfeita, os poucos indivíduos que estão a par do assunto são assassinados e Gatling é raptado. Esta jogada poderá representar uma inversão nos destinos do conflito e toda a máquina de guerra ianque entra em pânico! Numa situação extrema opta-se por medidas extremas.


Numa prisão militar está Chris Tanner (Robert Woods), ex-militar e agente da Pinkerton acusado e julgado por alta traição. Ele é o único suficientemente competente para resolver este caso. Tanner aceita a missão em troca de um perdão presidencial e dispõe apenas de 30 dias para investigar. A partir de agora, o futuro do país está nas mãos deste homem.


Este foi um dos muitos filmes protagonizados por Robert Woods (Black Jack, La Taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io), ator americano que trabalhou intensamente nos anos áureos (e crepusculares) dos westerns italianos. Com ele estão também John Ireland, Evelyn Stewart, Rada Rassimov, Furio Meniconi e Roberto Camardiel. Ao vermos este filme percebemos logo que se trata de uma produção de segunda linha que não causa grande impacto. O tiroteio noturno no cemitério é o momento mais interessante de todo o filme. Tudo o resto é, a meu ver, perfeitamente banal…


Trailer:

2011/04/12

Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972 / Realizador: Michele Lupo)

A minha paixão pelo western-spaghetti a muito se deve aqueles momentos bem passados em frente à televisão, nos tempos de criança. Nesses anos assistia-se com frequência a filmes destes lá em casa. Filmes que alugávamos nos videoclubes da cidade de Portalegre e que passavam também com bastante frequência nos canais espanhóis, que conseguíamos captar graças a uma antena bem posicionada. Desses tempos e desses filmes muito se esfumou, mas nos ficheiros temporários do grande amendoim guardei algumas cenas de filmes que por mais que tente não consigo recordar o nome, filmes esses que tenho tentado redescobrir ao longo dos anos.

Tenho comprado por isso bastantes DVDs do género, muitas das vezes por coleccionismo doentio, mas noutras simplesmente na ilusão de que seja “o tal filme”. Uma das imagens que a minha memória guardou e que mais empenho me mereceu nesta busca desenfreada, foi um duelo entre um personagem interpretado por Giuliano Gemma e um tipo careca cuja cara a nada associava. Nesse retrato, Gemma ficara sem munição mas conseguira enganar o vilão graças a uma bala que guardava num fio que levava ao pescoço. Pois bem, finalmente descobri que porra de filme era esse: “Amico, stammi lontano almeno un palmo”, que por cá ficou conhecido por “Ben e Charlie”!


Ben (Giuliano Gemma) é libertado de uma prisão mexicana, lá fora um gringo – Charlie (George Eastman) – espera-o à três dias. Depois de se agredirem mutuamente em nome dos bons velhos tempos tomam caminhos distintos, mas o destino acaba teimosamente por os voltar a cruzar. Chegados a Red Rock, Ben assalta o banco para espanto do próprio Charlie. Ambos acabam por escapar com o saque das garras do Xerife Walker (Aldo Sambrell) e com o feito passam de meros escroques esfomeados a bandidos com a cabeça a prémio. O Xerife e os agentes da Pinkerton seguem no seu encalço, mas inesperadamente são alcançados não pela lei, mas sim por um bando de malfeitores interessados em fazer sociedade com os nossos anti-heróis.

Michele Lupo, que já trabalhara com Gemma noutro clássico do género (Arizona Colt), monta aqui um filme que não compromete mas que também não ganhou lugar na história do western europeu. Pessoalmente pareceu-me razoavelmente bem fotografado (recuperando até alguns cenários míticos do género como a fortaleza de "El Condor" ou casa de "Once Upon a Time in the West") e com um ritmo bastante interessante. Ainda assim, num ponto de vista meramente analítico poderia reduzi-lo a mais um buddy western na linha dos então populares westerns cómicos da escola Barboni. Meio sério e meio a brincar, com cenas de pancadaria aos montões, mas com tiroteio reduzido e quase sempre pouco certeiro. O argumento é curiosamente responsabilidade parcial do próprio Eastman (que na função assina com o nome de baptismo: Luigi Montefiore), algo que repetiria noutras películas com igual ou maior sucesso ("Keoma").


O DVD da Wild East é uma das opções a considerar para aqueles que quiserem obter “Ben e Charlie”. Como é norma nas edições da editora Norte-Americana, o filme é apresentado em formato widescreen, com imagem cristalina e com áudio em Inglês. O DVD contém ainda alguns extras de interesse: galerias de imagens promocionais, trailers e genéricos alternativos. Um filme divertido para nos fazer esquecer do fosso em que o país está mergulhado.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer:


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