Este filme não é um western-spaghetti “per se” mas todo o ambiente envolvente é praticamente igual e o realizador
Duccio Tessari, que deu um óptimo contributo ao subgénero (
Il ritorno di Ringo,
¡Viva la muerte... tua!), surge como líder deste projecto. Eu considero-o um western, ou melhor, é um cruzamento entre as aventuras de Zorro e os westerns-spaghetti, mas cada um é livre de interpretar como quiser! No início do século XIX, no continente americano, Diego de la Vega encontra casualmente Miguel Vega de la Serna, amigo de longa data e futuro governador de Nuevo Aragon, uma colónia espanhola na América Central. Nuevo Aragon é um local extremamente turbulento e com a polémica morte do governador, tudo se complicou. Miguel, que fez uma longa viagem de Espanha para o Novo Mundo, tem agora a responsabilidade de ocupar o lugar do seu defunto tio e sonha, através de um governo por si liderado, aplicar novas medidas pacifistas que sejam o exemplo de ordem e justiça para todos.
Grande atuação de Alain Delon!
Para impedir isso, o maquiavélico coronel Huerta envia um grupo de assassinos para matar o governador e, deste modo, usurpar para si mesmo todos os poderes de Nuevo Aragon. No calor da luta, Diego consegue eliminar todos os agressores mas não evita a morte do seu amigo. Para impedir Huerta de alcançar os seus propósitos, Diego decide tomar o lugar de Miguel e apresentar-se em Nuevo Aragon como o tão esperado governador. Segue-se um brilhante jogo do gato e do rato entre Diego e o coronel Huerta, com destaque para a dupla personalidade do protagonista (intrépido herói mascarado e exímio espadachim em contraste com o patético e efeminado governador).
O pançudo sargento Garcia é humilhado.
O filme tem alguns momentos hilariantes, tais como as aparições do obeso sargento Garcia, a fuga de Zorro e Hortênsia das masmorras de um forte militar, com muitos trambolhões, acrobacias e um corneteiro desesperado a tentar dar o alarme! Há contudo momentos mais dramáticos, como a morte de Miguel ou a execução fria e cruel do padre Francisco às mãos de Huerta. Os últimos 15 minutos são o auge do filme, que resulta no melhor e mais longo duelo de espadachins da História do cinema. Uma nota de destaque para os irmãos Guido e Maurizio de Angelis na música, recorrendo às sempre inimitáveis guitarras espanholas!
Além de espadachim, Zorro também maneja o chicote.
Zorro, personagem criada pela mente de Johnston McCulley, foi ao longo da História uma mina riquíssima de adaptações que marcaram para sempre a literatura, o cinema e a televisão. Toda a gente conhece este singular herói mascarado e consequentemente Duccio Tessari tinha de ter um actor digno dessa grande responsabilidade. Quem melhor para essa função do que nada mais nada menos que
Alain Delon (
Soleil rouge), o carismático actor francês que estava no auge da sua popularidade. A aposta foi claramente ganha porque Alain Delon é o grande centro das atenções, o seu desempenho é genial e é bem apoiado por Stanley Baker, Ottavia Piccolo, Adriana Asti, Enzo Ceruzico e Moustache.
O perigoso e astuto coronel Huerta!
Este filme marcou a minha infância e a minha adolescência no formato VHS. Agora que temos o DVD nunca poderia deixar de comprar um exemplar. A edição francesa da MGM foi a escolhida com imagem em 4:3 e áudio em inglês e francês. Esta é a versão original integral de 120 minutos. Existem outros exemplares à venda mas praticamente todos eles estão incompletos e com muitas cenas cortadas (alguns até com menos de 90 minutos, imagine-se!)! Enfim, é mais um exemplo de como certas companhias do mercado DVD têm tendência para esquartejar e assassinar um bom filme! Espanha, Itália e França foram os países responsáveis por este projecto e essa colaboração deu os seus frutos: Permitiu filmar nas belas paisagens espanholas, permitiu ter um realizador muito competente como Duccio Tessari e permitiu ter um Alain Delon em grande forma, com a sua legião de fãs a delirar e a resumir-se ao óbvio: As mulheres amavam-no, os homens invejavam-no!