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31/01/2020

...e continuavano a chiamarlo figlio di... (1972 / Realizador: Rafael Romero Marchent)

Foi por uma sugestão do amigo António Rosa que vi este filme de Rafael Romero Marchent, o mesmo Marchent que nos deu “Sinal Vermelho” (1973), um filme sobre os janados dos jet-set lisboeta dos anos setenta, com um daqueles enredos colados com cuspinho mas que vale a cavadela mais que não seja pela presença do nosso tuga António Vilar no papel principal e pelas improváveis cenas de acção na Avenida da Liberdade. O que é que os dois filmes têm em comum além do realizador, perguntarão. Pouco ou nada além da dificuldade que foi encontrá-los. O tal “Sinal Vermelho” (1973) vi-o por um golpe de sorte numa inclusão do filme numa das edições do MOTELX, a fita é da Cinameteca e ainda é daquelas em que o filme tem que ter intervalo para mudar de bobine, já este “El Zorro justiciero” também foi inicialmente difícil deitar-lhe a mão.

Um bom actor num filme assim-assim, quem nunca?

O sítio SWDB, à data em que a minha busca ocorreu pouco mais apresentava do que um poster e um link para o IMDB, o que achei um pouco estranho já que o filme é protagonizado pelo bem conhecido Fabio Testi, a página só mais tarde seria actualizada com informação e até link para compra do dito em DVD, que acabei por fazer. Mas a primeira versão que deitei a mão veio mesmo das catacumbas da pirataria, Cinemaggeadon.

Piero Lulli preparado para dar pazada!

O filme poderia ter sido incluído numa subcategoria dos westerns-spaghetti, tipo zorro-spaghetti, ou que raio lhe quiserem chamar. Spaghetti-western per se é que não me parece nada coerente chamar-lhe. Não tinha bem a noção, mas existe uma quantidade razoável de filmes desta tipologia feitos por estas gentes e a coisa até começou bem cedo, veja-se o magnífico exemplar “El Coyote” que data de 1955 e foi realizado por outro elemento do clã: Joaquín Luis Romero Marchent.

Abusaram no rimel...

Ora quem já viu pelo menos uma vez na vida um filme do herói mascarado Zorro, facilmente entende a trama deste “El Zorro justiciero”, que em Itália até tem um título mais malandreco e subjectivo, “E continuavano a chiamarlo figlio di...”. Mas então vamos lá, um jovenzito é incriminado pelo assalto a um banco entre outros delitos. Todas as provas são meramente circunstanciais mas é apontado por todos como culpado. Antevendo a inocência do rapaz e o mais que provável cenário de execução, leva a que Don Diego (o Zorro, claro está) o liberte, iniciando em paralelo a sua própria investigação. As pistas levam-no até ao rancheiro e seus capangas. Zorro desenvolve então o seu contragolpe expondo os verdadeiros criminosos.
Simoneta Blondell, a melhor criação do tio Demofilo Fidani, faz uma perninha no filme.

Resumindo e baralhando, Rafael Romero Marchent como habitual não chega a tocar nos calcanhares do irmão Joaquín Luis (que terá sempre o infame “Condenados a vivir” a pesar a seu favor), mas consegue aqui dirigir um filme repleto de cenas de acção, algumas levadas a um extremo que pessoalmente dispensaria (sobretudo as com tendências circenses), mas num contexto generalista é suficientemente interessante para recomendá-lo aos mais fanáticos do género.

18/10/2011

Bandas Sonoras | "Zorro" de Guido & Maurizio De Angelis

Os irmãos De Angelis são provavelmente a dupla de músicos / compositores mais prolífica de Itália. A sua carreira abrange trabalhos não apenas no cinema mas também na televisão e até em séries de animação!

Acho que um dos seus grandes trunfos é a capacidade de adaptar perfeitamente os seus registos ao produto a que se destina. Se queremos sonoridades lúdicas ou infantis, eles conseguem! Se queremos partituras musicais mais sóbrias, eles também conseguem! Se queremos a mescla destes dois registos, a banda sonora de “Zorro” alcança facilmente o objetivo!

Como é típico nos filmes do justiceiro mascarado, tem de haver um ambiente hispânico e a música deve traduzir isso mesmo. De Angelis usam fundamentalmente o virtuosismo das guitarras espanholas, adicionando-lhe teclados e, para os momentos mais lúdicos, flautas. “Zorro” varia entre faixas que sugerem alegria, brincadeira e regozijo, faixas que demonstram grande dinamismo e virtuosismo, e faixas mais melódicas a apelar ao drama ou até mesmo ao romance.

Embora a maioria seja instrumental, três músicas são cantadas por Oliver Onions (pseudónimo usado pelos compositores). Em suma, estamos perante um belo trabalho musical que enriqueceu este filme de Duccio Tessari e que mais uma vez veio demonstrar a capacidade desta dupla de brilhar em qualquer registo!


04/07/2010

Zorro (1975 / Realizador: Duccio Tessari)

Este filme não é um western-spaghetti “per se” mas todo o ambiente envolvente é praticamente igual e o realizador Duccio Tessari, que deu um óptimo contributo ao subgénero (Il ritorno di Ringo, ¡Viva la muerte... tua!), surge como líder deste projecto. Eu considero-o um western, ou melhor, é um cruzamento entre as aventuras de Zorro e os westerns-spaghetti, mas cada um é livre de interpretar como quiser! No início do século XIX, no continente americano, Diego de la Vega encontra casualmente Miguel Vega de la Serna, amigo de longa data e futuro governador de Nuevo Aragon, uma colónia espanhola na América Central. Nuevo Aragon é um local extremamente turbulento e com a polémica morte do governador, tudo se complicou. Miguel, que fez uma longa viagem de Espanha para o Novo Mundo, tem agora a responsabilidade de ocupar o lugar do seu defunto tio e sonha, através de um governo por si liderado, aplicar novas medidas pacifistas que sejam o exemplo de ordem e justiça para todos.

Grande atuação de Alain Delon!

Para impedir isso, o maquiavélico coronel Huerta envia um grupo de assassinos para matar o governador e, deste modo, usurpar para si mesmo todos os poderes de Nuevo Aragon. No calor da luta, Diego consegue eliminar todos os agressores mas não evita a morte do seu amigo. Para impedir Huerta de alcançar os seus propósitos, Diego decide tomar o lugar de Miguel e apresentar-se em Nuevo Aragon como o tão esperado governador. Segue-se um brilhante jogo do gato e do rato entre Diego e o coronel Huerta, com destaque para a dupla personalidade do protagonista (intrépido herói mascarado e exímio espadachim em contraste com o patético e efeminado governador).

O pançudo sargento Garcia é humilhado.

O filme tem alguns momentos hilariantes, tais como as aparições do obeso sargento Garcia, a fuga de Zorro e Hortênsia das masmorras de um forte militar, com muitos trambolhões, acrobacias e um corneteiro desesperado a tentar dar o alarme! Há contudo momentos mais dramáticos, como a morte de Miguel ou a execução fria e cruel do padre Francisco às mãos de Huerta. Os últimos 15 minutos são o auge do filme, que resulta no melhor e mais longo duelo de espadachins da História do cinema. Uma nota de destaque para os irmãos Guido e Maurizio de Angelis na música, recorrendo às sempre inimitáveis guitarras espanholas!

Além de espadachim, Zorro também maneja o chicote.

Zorro, personagem criada pela mente de Johnston McCulley, foi ao longo da História uma mina riquíssima de adaptações que marcaram para sempre a literatura, o cinema e a televisão. Toda a gente conhece este singular herói mascarado e consequentemente Duccio Tessari tinha de ter um actor digno dessa grande responsabilidade. Quem melhor para essa função do que nada mais nada menos que Alain Delon (Soleil rouge), o carismático actor francês que estava no auge da sua popularidade. A aposta foi claramente ganha porque Alain Delon é o grande centro das atenções, o seu desempenho é genial e é bem apoiado por Stanley Baker, Ottavia Piccolo, Adriana Asti, Enzo Ceruzico e Moustache.

O perigoso e astuto coronel Huerta!

Este filme marcou a minha infância e a minha adolescência no formato VHS. Agora que temos o DVD nunca poderia deixar de comprar um exemplar. A edição francesa da MGM foi a escolhida com imagem em 4:3 e áudio em inglês e francês. Esta é a versão original integral de 120 minutos. Existem outros exemplares à venda mas praticamente todos eles estão incompletos e com muitas cenas cortadas (alguns até com menos de 90 minutos, imagine-se!)! Enfim, é mais um exemplo de como certas companhias do mercado DVD têm tendência para esquartejar e assassinar um bom filme! Espanha, Itália e França foram os países responsáveis por este projecto e essa colaboração deu os seus frutos: Permitiu filmar nas belas paisagens espanholas, permitiu ter um realizador muito competente como Duccio Tessari e permitiu ter um Alain Delon em grande forma, com a sua legião de fãs a delirar e a resumir-se ao óbvio: As mulheres amavam-no, os homens invejavam-no!