2010/05/02

Il Grande silenzio (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)


Sergio Corbucci é um cineasta com extenso currículo e trabalhou em quase todos os ramos do cinema (peplum, comédia, drama, terror, western). Normalmente fazia vários filmes num só ano e talvez isso tenha prejudicado a sua reputação porque muitos desses projectos não ultrapassavam a mediocridade. A meu ver, Corbucci é um cineasta irregular, quase bipolar! Só assim se explica o facto de fazer westerns fracos e logo a seguir saca algo genial como “Django”. Dois anos após esse grande sucesso, e com alguns falhanços pelo meio, surge como o inventor de “O grande silêncio”, outro ponto alto da sua carreira. Apesar dos muitos defeitos, Corbucci é para mim o realizador de westerns-spaghetti mais corajoso (e mais louco) de sempre. Atreveu-se a fazer tudo aquilo que todos os outros tinham receio de experimentar! Com ele não há meias medidas nem presta qualquer tipo de homenagem a ninguém! Explora o subgénero para lá dos limites e deu-se muito bem! Provavelmente só Giulio Questi está na mesma linha com o incrível e brutal “Se sei vivo, spara!


Este filme triunfa porque é em tudo diferente do que as pessoas já estavam habituadas no subgénero. As paisagens áridas são substituídas por um quadro branco gélido e desolador. E é aí que surge “Silêncio”, um pistoleiro mudo (não de nascença) que será um dos vértices de um triângulo problemático composto por “Pauline” e “Tigrero”. Aqui não há alegria, risos, luz ou calor. Todo o filme é pessimismo, é violência, é frio porque, ao contrário do que queriam fazer passar nos westerns clássicos americanos do cinema e da televisão, o oeste selvagem era mesmo selvagem! E a selvajaria no ser humano resulta sempre no mesmo: Matar para sobreviver!
Ao longo dos tempos criou-se uma imagem idealizada do herói imune às balas e à tentação carnal em forma de mulher! Pois bem, até nisso “O grande silêncio” é diferente. O protagonista envolve-se sexualmente com a sua amante numa sensual cena de amor, apoiada pela sempre brilhante música de Ennio Morricone.


Haveria muito mais a dizer mas prefiro guardar surpresa para quem ainda nunca viu o filme. Levanto somente a ponta do véu: o final é de tal forma chocante e violento que Corbucci foi obrigado a filmar um final alternativo para poder ser distribuído noutros países mais conservadores. Felizmente, hoje em dia a versão original mantém-se em quase todos os DVD disponíveis para venda (o ridículo final alternativo faz parte dos extras de algumas edições DVD). O filme conta com nomes consagrados como o francês Jean-Louis Trintignant, o alemão Klaus Kinski, o italiano Luigi Pistilli e os americanos Frank Wolff e Vonetta McGee. Boas sequências de tiroteio, drama, muita violência e morte são os ingredientes desta obra-prima do western italiano e de Sergio Corbucci, que entre 1966 e 1968 tirou da cartola dois filmes geniais que vão figurar para sempre na galeria dos mais notáveis! Para terminar, uma breve observação: “Homens duros” como John Ford, John Wayne, Howard Hawks e Anthony Mann ficariam arrepiados com este filme, se tivessem coragem para o ver!


Trailer




Documentário

31 comentários:

  1. Este é sem duvida um dos meus filmes favoritos, gosto dele pela irreverência. Na minha opinião tem muito de diferente sem perder o espírito dum verdadeiro western spaghetti, Para além de conter cenas realmente surpreendes no desenrolar da história.
    Relativamente a Corbucci, penso que a sua irregularidade se deve apenas à falta de medo de arriscar e tentar concretizar coisas diferentes sem preocupação alguma em "manter o nível" ou fazer render um personagem. Ele aventurou-se por caminhos desconhecidos só e apenas por amor à arte. Alguns resultaram, outros não. Mas seja com for é louvável não temer criticas e seguir apenas o queria fazer.

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  2. Concordo. Quem não arrisca não petisca, e este Corbucci arrascou bastante. O filme não se safou nas bilheteiras mas é ainda hoje recordado, o que vale mais do que um punhado de liras no bolso!

    O filme em si também me agrada bastante, sem dúvida um dos meus 10 favoritos no género. Incrivelmente até está editado em DVD em Portugal, mas a versão que comprei foi a da espanhola Impulso, que me parece bastante correcta.

    Quem não quiser abrir os cordões à bolsa poderá sempre ver o filme gratuitamente online, aqui:

    http://www.classiccinemaonline.com/1/index.php?option=com_content&view=article&id=278:the-great-silence-1968s&catid=106:spaghetti-western&Itemid=889

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  3. Atualmente, meu spaghetti preferido é este aqui. Belo texto!

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  4. Às vezes penso que é injusto Corbucci ficar atrás de Leone em termos de talento. Leone teve o mérito de progredir mais porque também beneficiou de orçamentos cada vez mais generosos. Além disso, só fez 5 westerns. Se Corbucci tivesse feito apenas 5 westerns, então aí sim teria saído pela porta grande! Mesmo assim, presenteou-nos com momentos extraordinários!!

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  5. Entendo o que dizes, mesmo o Sergio Leone nos seus 5 euro-westerns "oficiais" meteu a pata na poça.

    O "Aguenta-te canalha" não tem na minha opinião a magia que Corbucci conseguiu nos seus zapata-westerns, "Companheiros" e " "Il mercenario". As co-realizações de Leone são também na minha opinião medíocres.

    Agora o Sr. Corbucci, meteu-se a fazer filmes em série e o resultado é o que se sabe, mais de metade leva um "satisfaz menos".

    Já agora fica aí a listagem de títulos cronologicamente ordenada:

    * Massacro al Grande Canyon 1963
    * Minnesota Clay 1964
    * Johnny Oro 1965
    * Django 1966
    * Navajo Joe 1966
    * Crudeli, I 1966
    * Grande silenzio, Il 1968
    * Mercenario, Il 1968
    * Specialisti, Gli 1969
    * Vamos a matar, compañeros 1970
    * La Banda J. & S. cronaca criminale del Far West 1972
    * Che c'entriamo noi con la rivoluzione 1972
    * Bianco, il giallo, il nero, Il 1974

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  6. Pessoalmente, se Corbucci tivesse apenas realizado estes 5 westerns teria estado sempre no topo e não seria conhecido pela carreira inconstante que teve! A saber:
    * Navajo Joe
    * Django
    * Il grande silenzio
    * Il mercenário
    * Compañeros

    É verdade que ainda não vi todos os westerns de Corbucci mas posso garantir que alguns são mesmo maus! Os 2 primeiros da lista que o Pedro escreveu não passam de cópias fracas dos westerns americanos!!

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  7. Parece ser muito genial mesmo, tenho ele aqui mas não vi até hoje. Depois volto e deixo minhas impressões.

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  8. Tens de ver isso Caio, este é de top!

    @ Emanuel:

    Acho que nessa tua selecção de 5 Corbucci's trocaria só o "Navajo Joe" pelo "I Crudeli". O "Gli specialisti" só não entra por causa dos irritantes dos hippies!

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  9. Uno de los spaghettis más bellos, líricos y brutales que he visto. Una joya indispensable para todo aficionado a este género.

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  10. trecho do texto do John Nudge:
    Trecho do texto de 1998 do John Nudge,
    "Spaghetti Western", publicado originalmente no imagesjournal.com e que pode ser lido no site do wildeast, e que fala especificamente do Sergio Corbucci:


    "...By 1966, the Spaghetti Western genre had gained full momentum, and major directors and trends emerged. Sergio Corbucci (aka "The Other Sergio," and who had already directed Westerns) made his over-the-top Django, a film which not only helped introduce the revenge motive to Spaghetti Western plots, it raised the violence quotient considerably (causing it to be banned in several markets). Brutality and high body counts became part of the formula causing critics to overlook many outstanding films. Giulio Questi's surrealistic Django Kill! (1967) with Tomas Milian is considered the most brutal of the Spaghettis, as well as the strangest, with humiliation, torture, vampire bats, a crucifiction, and an army of homosexual outlaws.

    Django spawned over thirty sequels, though only one of these was official. As with other series characters, like the hero of Duccio Tessari's A Pistol for Ringo and Return of Ringo (both 1965) starring Montgomery Wood, many of these films were re-dubbed or re-titled to cash in on the original films. Gianfranco Parolini's (aka Frank Kramer) Sartana (1968) and Sabata (1969) as well as E. B. Clucher's They Call Me Trinity (1970) all inspired ersatz sequels.

    Politics, mostly of the leftist type, arrived with Sergio Sollima's The Big Gundown (1966) with Lee Van Cleef and Tomas Milian, a film considered to be the best non-Leone Spaghetti Western. Milian plays a Mexican peasant persecuted by the privileged of society. Sollima followed up with two more Westerns starring Tomas Milian -- Face to Face (1967) and Run, Man, Run (1967), the Big Gundown sequel. Damiano Damiani's A Bullet for the General (1966) and Giulio Petroni's Tepepa (1967) reinforced those politics with films set amidst the class struggles of the Mexican Revolution. Sergio Corbucci joined in, making The Great Silence (1967), A Professional Gun (aka The Mercenary) (1968) and Companeros! (1970)."

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  11. texto do Rodrigo Carreiro
    Silêncio da Morte, O

    Duas mulheres conversam em um cemitério clandestino escavado no meio da neve, na pequena cidade de Snow Hill, em Utah (EUA). Uma delas acaba de enterrar o marido, morto por um cruel caçador de recompensas. Enfurecida, a mulher revela a intenção de contratar um vingador especializado em vingar viúvas, um excêntrico homem chamado Silenzio. “Eles o chamam de Silenzio porque não importa aonde ele vá, o silêncio da morte sempre o acompanha”, afirma. Com essa frase, Pauline (Vonetta McGee), a viúva enraivecida, explica o estranho título nacional do faroeste “O Silêncio da Morte” (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968).

    O filme de Sergio Corbucci ganhou fama entre os fãs de western por ter sido considerado pelo especialista Christopher Frayling, biógrafo de Sergio Leone, como o melhor longa-metragem do abundante ciclo de produções italianas de faroeste entre 1960 e 1975 que não tinha a mão de Leone. O título não-oficial é merecido. “O Silêncio da Morte” transpõe os arquétipos característicos do subgênero para uma paisagem gelada, dando-lhes um tratamento original, que confere ao filme um caráter melancólico e evocativo, um clima que vai além da simples soma de elementos técnicos (som, cenários, atores) que compõem um filme.

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  12. A produção trata, como convém a um faroeste italiano, de uma saga de vingança encabeçada por um “estranho sem nome”, um pistoleiro de poucas palavras com passado misterioso e ágil no gatilho. Silenzio (Jean-Louis Trintignant), no entanto, possui uma condição que o coloca em uma dimensão diferente daquela ocupada pelo personagem imortalizado opor Clint Eastwood. Ele é mudo. Quando criança, teve a garganta cortada por um caçador de recompensas. Por isso decidiu toda a sua vida a matar quem vive desse ofício.

    Silenzio chega a Snow Hill em um momento curioso. A cidade, castigada por um inverno rigoroso, encontra-se cercada por ladrões e assassinos. Vivendo nos bosques além dos limites da vila, os bandidos atraem a atenção de outro bando, formado pelos caçadores de recompensas, que montam acampamento da cidade para matá-los. Esses são liderados por Loco (Klaus Kinski), um assassino frio, traiçoeiro e sanguinário. Loco é o homem que a viúva Pauline quer ver morto. Ele e Silenzio chegam a Snow Hill na mesma carruagem, abarrotada de cadáveres de malfeitores postos por Loco para congelar em bancos de neve, à espera de transporte.

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  13. Um detalhe a mais: no mesmo veículo, chega a Snow Hill o xerife Burnett (Franco Wolff). Militar condecorado, ele acaba de ser designado para controlar a terrível situação da cidade, acalmando os ânimos entre bandidos e caçadores de recompensa. Como se vê, Corbucci prepara a ação de modo a pôr três indivíduos em rota de colisão. Mais ou menos como Leone havia feito na sua famosa “trilogia dos dólares”, e como ele próprio havia realizado no violento “Django”, dois anos antes.

    A receita é parecida, mas “O Silêncio da Morte” conta com um trunfo inigualável: as maravilhosas paisagens de inverno dos montes Pirineus, que serviram de locação principal. O filme quebra a tradição do gênero, pródigo em ambientar os filmes em cidades cheias de poeira, lama e calor. Assim, Corbucci e o fotógrafo Silvano Ippoliti conseguem filmar panoramas gelados de tirar o fôlego, com imensas porções de neve branca como papel e um céu azul claro. Além disso, o contrate violento entre o branco da neve e o vermelho do sangue, nos tiroteios, serve de mote para uma série de grandes imagens. O visual de “O Silêncio da Morte” é belíssimo.

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  14. O trabalho de fotografia é realmente impressionante, pois abusa de técnicas distintas (tomadas de ângulos quase verticais, de cima para baixo ou de baixo para cima, câmera na mão em pelo menos uma seqüência) para dar ao longa-metragem um ritmo particular, lento mas jamais tedioso. Para completar, o maestro Ennio Morricone compõe um tema dramático, utilizando os corais masculinos tradicionais do western spaghetti de uma maneira bem diferente do normal. A música dá o toque fúnebre definitivo que complementa a desolação das imagens com precisão.

    “O Silêncio da Morte” é um filme claramente mais ambicioso do que o normal no estilo. Isso seria de se esperar, já que Corbucci ganhou notoriedade por seguir os passos de Leone, então já consagrado como um cineasta maior. Isso fica evidente, por exemplo, nas tomadas que focalizam os rostos dos atores em close, uma característica de Sergio Leone que o xará incorporou aqui com brilhantismo (ajudado, é claro, pelos traços expressivos de Klaus Kinski, à vontade no papel do louco homicida que interpretaria tantas vezes ainda).

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  15. Mesmo assim, o diretor italiano jamais abandona suas marcas registradas, como as mãos machucadas dos pistoleiros durante os tiroteios, as cenas passadas em cemitérios toscos (como o citado acima) e as doses expressivas de violência, aqui mais espaçadas mas ainda impactantes. Além disso, demonstra um carinho maior para com seus personagens, em especial para com Pauline e Silenzio, chegando mesmo a criar uma relação sem palavras entre os dois, em cenas que denotam muita intimidade, o que é muito bom.

    Para completar, Corbucci demonstra um domínio ainda maior da narrativa, inserindo na trama dois flashbacks bem colocados que conferem ao filme um novo sentido. “O Silêncio da Morte” também chama a atenção dos aficionados pelo final surpreendente, amargo e violento. Este é um daqueles finais que deixam o espectador em silêncio, ruminando os acontecimentos, impotente devido à impossibilidade de mudá-los – exatamente como na vida real. Não há dúvida de que Sir Christopher Frayling tinha razão ao analisar este filme.

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  16. O selo Classic Line lançou o DVD no Brasil sem alarde. A edição é baseada na edição norte-americana da Image Entertainment. O disco contém o filme com boa qualidade de imagem (formato widescreen 1.66:1 original) e som em inglês (Dolby Digital 2.0). Faz falta a dublagem original em italiano. Não há extras. O DVD da Região 1 traz um final alternativo (6 minutos) e mais um vídeo de apresentação com o cineasta inglês Alex Cox (de “Sid & Nancy”, com 5 minutos). O filme também pode ser encontrado, sob o título “O Vingador Silencioso”, em edição idêntica (acrescida de áudio em português) do selo Ocean Pictures.

    ***
    FONTE DO TEXTO:
    http://www.cinereporter.com.br/scripts/monta_noticia.asp?nid=1181

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  17. Texto do Rafael Hansen Quinsani:Dollarirosso.


    O ano não poderia ser mais significativo. 1968. Ano fundamental para a edificação do Spaghetti Western e para o alargamento de sua influência ao redor do mundo. Com tantos Spaghettis de sucesso e o furacão Sergio Leone devastando os cinemas pelo mundo (a ponto de o crítico L.C. Merten escrever em 1969: “No plano internacional, nem o cinema faturando altíssimo (2001 à frente) nem a reativação do musical e do policial puderam conter a investida do anti-western italiano [...]”) compreende-se o ofuscamento da obra-prima de Sergio Corbucci, O silêncio da Morte. Mas o tempo e a percepção dos espectadores operaram a retirada do silêncio dessa película magistral.
    O roteiro em si não se configura original: com o avanço da civilização e do capitalismo, torna-se necessário o fim dos criminosos fora-da-lei. Mas onde suas amarras não são tão fortes, como na cidade de Snow Hill há um desvio na aplicação dessas leis. Nesta cidade, o juiz financia os caçadores de recompensa e depois recupera o dinheiro com juros. O pistoleiro mudo Silenzio (Jean-Louis Trintignant) persegue esses caçadores de recompensa agindo como vingador dos oprimidos. Por meio de flash backs descobrimos o componente pessoal de sua vingança: seus pais foram assassinados pelos caçadores que ele persegue. Temos a configuração do Herói-Bandido e ao mesmo tempo em que a população precisa de Silenzio também o teme e este temor é expresso não só pelos diálogos e atitudes, mas pela argumentação estética e narrativa de Corbucci.

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  18. A ambientação na neve marca a constituição dos tons da fotografia e aqui se insere a dualidade natureza/pureza X humanidade/civilização. A música de Ennio Morricone acentua os primeiros elementos dando um tom de espetáculo, quase que se contrapondo ao unívoco tom alvo da fotografia. A música também pontua uma bonita cena de amor, algo pouco comum nos Spaghettis.
    Assim, Silenzio traz o que a lei não oferece, mas também se vale dela quando usa o argumento da legítima defesa para sacar primeiro e escapar de punições. Ele equilibra o jogo das instituições valendo-se delas próprias e assim ressaltando sua importância para a população oprimida. O questionamento da fundamentação da civilização e suas estruturas no século XIX se justapõem ao contexto do final dos anos 1960 onde estas apontavam uma crise e decadência. A civilização cria e usa as leis conforme lhe convêm, mas a atuação dos indivíduos não se descola desse processo. Após o sangrento final, temos a inserção da seguinte frase: “As botas dos homens poderão levantar poeira por mil anos. Mas nada poderá apagar as manchas de sangue dos pobres indefesos que aqui tombaram”. Lembrar o passado, não esquecer, para que se possa ter um presente diferente e revolucionário. Este desejo de construir uma identidade cultural e política marca a obra de vários cineastas, entre eles Corbucci.


    ***
    TEXTO POSTADO EM 23/07/2006 NO BLOG 'DOLLARIROSSO'

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  19. A arma usada por SILENZIO:

    A arma é uma Mauser "Broomhandle" C96:


    "The C96 Mauser Pistol, known as the 'Broomhandle', seems strangely out of place in a section about 'Guns of the Old West', but it does make an appearance as a curiosity in several spaghetti westerns.

    Although more readily associated with WWI, the Mauser C96 was patented in 1895, with full-scale production starting in 1897. It is not unfeasible therefore for Silenzio to be carrying one in 1898, in the film 'The Great Silence'.

    The C96 had a 10-round magazine that was loaded with stripper clips, and was the first pistol to feature a reliable autoloading mechanism. The pistol came with a wooden holster which could be fitted to the handle of the gun, transforming it into a shoulder-fired carbine.

    Clint Eastwood can be seen using a Mauser C96 in the John Sturges directed western 'Joe Kidd'.

    Silenzio's Mauser is complete with the wooden holster that doubles as shoulder stock.

    ***
    Fonte:
    Vide imagens e texto no site:

    http://www.fistfulofwesterns.com/

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  20. a MUSICA DO FILME:

    http://spaghettiwesterns.1g.fi/music/Ennio_Morricone_-_The_Great_Silence.mp3

    Mais musica do filme:
    http://spaghettiwesterns.1g.fi/music/Ennio_Morricone_-_Barbara_e_Tagliente.mp3


    http://spaghettiwesterns.1g.fi/music/Ennio_Morricone_-_Nuddu.mp3

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  21. Erros e curiosidades:



    Loco is pulling the outlaw behind him with a whip he got round the outlaws neck.



    There is an extra rope attached to the horse because it would have been too heavy for Klaus Kinski to pull the man by just holding the whip.



    The Rope is gone when we have a rear view.



    And attached again in side view.





    Something moving fast in the background (behind Silence), possible train but could also be video garbage or dirty lens.

    ***
    Fonte:

    http://spaghettiwesterns.1g.fi/bloopers/tgs-bloopers.htm

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  22. DATAS DE LANÇAMENTO NO MUNDO:


    Italy 19 November 1968

    France 27 January 1969

    Sweden 10 February 1969

    West Germany 21 February 1969

    Japan 6 September 1969

    Hong Kong 26 March 1970

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  23. TRIVIA:

    ...E pensar que o Franco Nero podia ter feito o personagem...


    ////////////////////////////////////////////


    Trintignant had agreed to do the film in order to help out the producer, who was a friend of his.


    The snow in the town of Snow Hill was created by gallons of shaving cream.


    Franco Nero was originally going to be cast as Silence, but he was busy working on another project.


    According to "Once Upon a Time in the Italian West" by Howard Hughes. Silence's distinctive rapid-firing pistol is the 1896 9mm Mauser Broomhandle.


    Twenty people die in the final massacre.


    Silence kills eleven people in the film.


    ///

    http://www.imdb.com/title/tt0063032/trivia

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  24. O Vingador Silencioso



    Li uma vez, só não me recordo onde, que Jean-Louis Trintignant havia sido “a voz” do computador Hal-9000 na versão francesa de 2001, Uma Odisséia no Espaço, do Stanley Kubrick. Naquele mesmo ano de 1968 (parece até brincadeira!), Trintignant interpretou um pistoleiro e caçador de recompensas completamente mudo em um western de Sergio Corbucci, antigo colaborador do xará Leone. Resumo da ópera: num filme, ele não dá as caras, mas pontua presença com sua voz; no outro, vive um protagonista sem uma única fala...

    Com um desfecho inusitado, extremamente marcante, fica difícil tecer comentários a respeito de O Vingador Silencioso sem arruinar as surpresas do roteiro de Sergio Corbucci, escrito em cooperação por inúmeros amigos, entre os quais o irmão Bruno. No geral, vou me ater a alguns dados que são colocados em evidência logo no primeiro terço da história e, naturalmente, elogiar a impecável equipe técnica — vamos começar por ela, aliás: trilha sonora de Ennio Morricone; só por isto, o filme já mereceria uma conferida, afinal traz como embalo as músicas sempre bem-casadas de um dos maiores compositores cinematográficos de todos os tempos (mesmo que eu não dissesse o nome do responsável por aquelas notas arrancadas de violões, flautas e demais instrumentos típicos do gênero, ficaria fácil associar o presente trabalho com as melodias fixadas em filmes da mesma safra, como Três Homens em Conflito, por exemplo). A fotografia de Silvano Ippoliti é belíssima; longe da tradicional estética do Velho Oeste, temos aqui a neve em abundância no lugar da poeira texana (as filmagens se deram na Cortina d’Ampezzo, na região italiana do Vêneto, famosa por sua estação de esqui). E há de se destacar a cenografia realista de Riccardo Dominici, onde tudo parece sujo e ensebado, tal como os personagens que nela habitam.

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  25. Niilista ao extremo, O Vingador Silencioso é daqueles westerns em que a maldade é exacerbada por vilões quase tão diabólicos quanto um monstro de filme de horror. Neste caso, o show de monstruosidade fica a cargo do ótimo ator alemão Klaus Kinski, que antagoniza Silêncio (apelido do personagem de Trintignant, o “mocinho” do filme). Kinski faz Loco, caçador de recompensas que não hesita em matar os foragidos da lei e transformar em profissão sua trilha de sangue, um autêntico carniceiro que conserva os corpos das vítimas por baixo da neve, como se fossem peças de alcatra. Silêncio e Loco: dois homens que matam por dinheiro, dois homens pelos quais não torceríamos em situações normais, todavia, trata-se de um faroeste, então, por instinto, optamos por um dos lados, mesmo que sejam da mesma moeda.

    Silêncio surge por aquelas bandas sem sobreaviso, aparentemente para acertar contas pendentes (em dois curtos flashbacks, assistimos ao episódio que o fizera calar-se para sempre, além de um outro acontecimento que encontraria repercussões naquela nova passagem por Snow Hill, o vilarejo onde tudo se desenrola), mas o destino encarrega-se de colocá-lo frente a frente com Loco num bárbaro duelo, ambicionado por uma viúva sedenta de vingança. Corbucci nos leva a um frenesi digno de mestre para, em seguida, acionar uma corrente de alta voltagem e imensa carga de fatalismo e nos dar um tremendo choque. Pode ser um alerta de que naquela época não havia espaço para heroísmo, o que, a propósito, esticar-se-ia para os nefastos tempos modernos. Ou talvez os homens valentes imortalizados por John Wayne e Gary Cooper em Hollywood fossem apenas parte de uma mitologia que o cinema europeu não se acha capaz de oferecer a seu público. Não há uma conclusão precisa, Corbucci quis apenas deixar um assombro no ar e inúmeras questões em aberto, só um inquietante silêncio surgindo como resposta.

    ***
    fonte:
    Texto do Pierre W.

    http://cinema-filia.blogspot.com/2008/08/curtas-16-o-vingador-silencioso.html

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  26. Download - filme: legendas em português

    Jean-Louis Trintignant é Silêncio, o actor principal deste filme, cujas cordas vocais foram cortadas por caçadores sádicos. O Silêncio é um aliado na lista das autoridades corruptas e tirânicas na cidade de Snow Hill. O realizador Corbucci simpatiza com os seus heróis bandidos, que fazem o impossível para sobreviver, enquanto a lei é representada por um xerife corrupto.
    O filme é interpretado pelo actor francês Jean-Louis Trintignant e o grande Klaus Kinski, e só isto quase que chega para tornar o filme grande. Franco Nero, que já tinha trabalhado com Sérgio Corbucci, era para ser o protagonista mas estava com a agenda cheia. Trintignant só aceitou fazer o filme porque era muito amigo do produtor e com a condição de que não fosse preciso decorar nenhuma fala. Criaram então uma personagem muda, cujas cordas vocais tinham sido cortadas ainda em criança. E Trintignant está perfeito no papel de Silêncio, um herói trágico em busca de vingança a lutar contra caçadores de recompensas sem escrupulos. Já Kinski interpreta um desses caçadores de recompensas sem escrúpulos.
    O final é extremamente chocante e brutal. Qualquer paradigma sobre heróis míticos e invencíveis criados pelo western holliwoodiano é desfeito. A forma como Corbucci recria os vilões (especialmente Kinski, com aqueles olhos azuis expressivos, de gelar a espinha) e os refugiados da floresta reforça ainda mais o sentido dilacerante da conclusão, e Silêncio, ao apaixonar-se por Pauline torna-se mais humano, e enfraquecido.
    Um dos melhores western spaghettis, sem dúvida.
    As legendas em português não batem muito bem com as falas, porque foram feitas para o audio em italiano, mas se preferiem dispõem de uma outra versão com audio em italiano e legendas em inglês (que já vinham embutidas).

    Link para versão com legendas em português.
    Link para versão com legendas em inglês
    ***
    fonte:
    http://myonethousandmovies.blogspot.com/2010/12/o-grande-silencio-il-grande-silenzio.html

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  27. Comunidade no Orkut:


    'O GRANDE SILENCIO - FAR. ITAL.'

    tópico:
    'O Grande Silêncio - Toques Diversos' com 43 postagens:

    Link de acesso:
    http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=41631322&tid=2569819202544828448

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  28. Pesquisa exaustiva! Obrigado.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  29. download:




    http://www.megaupload.com/?d=P9LYRM61
    http://www.megaupload.com/?d=55T8UTVF
    http://www.megaupload.com/?d=S8KW4WHS
    http://www.megaupload.com/?d=EF6GRJLY
    http://www.megaupload.com/?d=0HVXJ3B7
    http://www.megaupload.com/?d=DQQZBW40
    http://www.megaupload.com/?d=VJLMERRJ
    http://www.megaupload.com/?d=X68S3FXS


    Subtítulos en español:
    http://www.megaupload.com/?d=Z6CLFDD2


    Final alternativo (sem som):
    http://www.megaupload.com/?d=9FF538PF

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  30. Vi-o há pouco tempo, e gostei da forma de filmar de Corbucci, a câmara frenética e os seus close-ups transformam o filme numa experiência algo singular e refrescante no género. Depois as personagens são bem caracterizadas e interligadas com o magnífico argumento. Este parece-me que será mesmo o seu ponto mais forte - a violência, as paisagens gélidas, os diálogos e o silêncio, etc. A banda sonora também está fenomenal, não seria de esperar outra coisa de Morricone.

    De qualquer modo não apreciei na totalidade, aqui e ali acho que se arrasta um pouco, ou será o seu carácter distinto que merecerá outra visualização...é possivel. Mas em suma gostei, e sem dúvida percebo que facilmente está nos melhores westerns spaghetti de sempre. Genial.

    abraço

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