Mostrar mensagens com a etiqueta Luigi Pistilli. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luigi Pistilli. Mostrar todas as mensagens

20/06/2016

19/05/2015

La notte dei serpenti (1969 / Realizador: Giulio Petroni)


Estamos numa insignificante aldeia algures no México. A noite revela-se escura, silenciosa e estranhamente ameaçadora. Não se vê ninguém nas ruas. Todo o povoado parece adormecido… exceto dentro de uma das casas. Uma discussão aparentemente inofensiva resulta na morte de um homem. O cadáver da vítima é levado para um local público onde é descoberto na manhã seguinte pela população. 

A vítima é o telegrafista da aldeia que, segundo se sabe, não tinha inimigos. O chefe da polícia desconfia que as peças não encaixam bem no puzzle e descobre um complô organizado pelos parentes da vítima: o alcaide, o dono da estalagem, a prostituta mais concorrida da aldeia e o seu primo sacristão. 

Em 1969 Luke Askew apareceria ainda no clássico "Easy Rider", ao lado de Peter Fonda e Dennis Hopper.

Após desmascará-los e chantageá-los o tenente Hernandez não só não os prende como exige unir-se ao grupo porque o crime pode compensar encaixando 10 000 dólares de herança! Para meter a cheta ao bolso é fundamental eliminar o único e verdadeiro herdeiro, o jovem Manuel. Para fazer esse trabalho contratam Luke, um pistoleiro americano que agora vive na miséria devido às carraspanas de caixão à cova que apanha.

Quando lhe dizem que o trabalho é matar um homem Luke aceita sem pestanejar mas quando percebe que o alvo é uma criança faz-se luz na sua mente conturbada! Não pode concluir a sua missão porque no passado teve a triste experiência de disparar sobre o seu próprio filho (quis armar-se em Guilherme Tell) com consequências desastrosas! Será que Luke vai conseguir proteger Manuel ou será que os cinco conspiradores conseguirão levar a sua avante?

Luigi Pistilli que já trabalhara com Petroni em "Da uomo a uomo", interpreta aqui o malvado Tenente Hernandez. 

Giulio Petroni assina um filme equilibrado, bem estruturado mas muito longe dos melhores do subgénero. As cenas noturnas vão ao encontro do cinema gótico bem ao estilo italiano dos anos 60. Nada mais há a acrescentar exceto que esta foi a única incursão do ator americano Luke Askew nos westerns-spaghetti. Os outros intervenientes (Luigi Pistilli, Chelo Alonso, Magda Konopka, Benito Stefanelli) já são repetentes.


10/03/2014

Posters | Il buono, il brutto, il cattivo (1966)

O bom, o mau e o Vilão (Portugal) | Três Homens em Conflito (Brasil)

04/02/2014

Trailers | Da uomo a uomo (1967)



Trailer de "Da uomo a uomo", que em Portugal foi lançado sob o titulo "A morte vem a cavalo". Legendado em Português por António Rosa.

06/02/2012

Per qualche dollaro in più (1965 / Realizador: Sergio Leone)


Com o seu primeiro western, Sergio Leone deu início a uma nova fase do cinema italiano mas agora sentia na pele as desvantagens de ter assinado de forma precipitada um contrato pouco vantajoso com a Jolly Films. O contrato dizia que Leone era forçado a fazer outro filme e sucediam-se os conflitos com os produtores Arrigo Colombo e Giorgio Papi. O cineasta sentia-se injustiçado na divisão dos lucros e antes de cortar o mal pela raiz e rescindir unilateralmente disse aos produtores da Jolly Films: “Vou processá-los em tribunal! Eu nem sabia se queria fazer outro western mas agora vou mesmo fazer, só para vos chatear! E o título vai ser… Por Mais Alguns Dólares!” O advogado que se ocupou do processo foi um tal Alberto Grimaldi. Grimaldi também tinha ambições no cinema, já tinha produzido três westerns de Joaquin Romero Marchent, mas aguardava por uma grande oportunidade. Viu em Sergio Leone o homem certo para apostar e fez-lhe uma proposta irrecusável: Para o novo filme, a produção garantia as despesas, os salários e 50% do lucro das bilheteiras ia diretamente para o bolso do realizador! Mas a guerra de bastidores continuava e, numa jogada cínica, Colombo e Papi contactaram Clint Eastwood e tentaram convencê-lo para protagonizar uma sequela produzida pela Jolly Films, desviando-o do caminho de Leone. Contudo, Eastwood não aceitou e pouco tempo depois Leone viajou de propósito aos Estados Unidos para resgatar o ator para uma segunda aventura juntos. Mas “Por Mais Alguns Dólares” não podia ter apenas um protagonista. Henry Fonda, Charles Bronson, Lee Marvin e Robert Ryan recusaram categoricamente. Em Los Angeles, um dos assistentes de Leone facultou-lhe um documento com uma fotografia de um ator de segunda linha e que agora tinha desaparecido misteriosamente após um grave acidente de viação. Ao ver a foto, Leone decidiu instantaneamente: Lee Van Cleef era o homem certo e nada mais interessava! Com uma mala cheia de dinheiro, Leone apresentou o contrato ao ator e 10 000 dólares. Foi mais do que suficiente… O filme gira em torno de dois caçadores de prémios que perseguem o psicopata / assassino / ladrão / drogado / violador El Índio. Enquanto um quer o dinheiro da recompensa o outro parece ter outras razões. Alguns momentos do filme ficam para sempre na memória dos cinéfilos, nomeadamente o duelo final dentro de uma área circular, a “arena da vida”, como Sergio Leone lhe chamava, “o momento da verdade na hora da morte”, tudo isto acompanhado pela genial partitura musical do mestre Ennio Morricone. O filme estreou no outono de 1965 e foi um sucesso gigantesco, tornando-se no filme mais rentável em Itália durante vários anos. Lee Van Cleef ascendeu ao estatuto de estrela, Clint Eastwood confirmou as suas credenciais de super vedeta e Sergio Leone matou dois coelhos com uma cajadada só: conseguiu mais um extraordinário marco da História do Cinema e vergou definitivamente as intenções malévolas dos seus inimigos de estimação.
Galeria: Trailer:

02/05/2010

Il Grande silenzio (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)


Sergio Corbucci é um cineasta com extenso currículo e trabalhou em quase todos os ramos do cinema (peplum, comédia, drama, terror, western). Normalmente fazia vários filmes num só ano e talvez isso tenha prejudicado a sua reputação porque muitos desses projectos não ultrapassavam a mediocridade. A meu ver, Corbucci é um cineasta irregular, quase bipolar! Só assim se explica o facto de fazer westerns fracos e logo a seguir saca algo genial como “Django”. Dois anos após esse grande sucesso, e com alguns falhanços pelo meio, surge como o inventor de “O grande silêncio”, outro ponto alto da sua carreira.

Eis o silencioso protagonista!

Apesar dos muitos defeitos, Corbucci é para mim o realizador de westerns-spaghetti mais corajoso (e mais louco) de sempre. Atreveu-se a fazer tudo aquilo que todos os outros tinham receio de experimentar! Com ele não há meias medidas nem presta qualquer tipo de homenagem a ninguém! Explora o subgénero para lá dos limites e deu-se muito bem! Provavelmente só Giulio Questi está na mesma linha com o incrível e brutal “Se sei vivo, spara!”

Pauline sofre!

Este filme triunfa porque é em tudo diferente do que as pessoas já estavam habituadas no subgénero. As paisagens áridas são substituídas por um quadro branco gélido e desolador. E é aí que surge “Silêncio”, um pistoleiro mudo (não de nascença) que será um dos vértices de um triângulo problemático composto por “Pauline” e “Tigrero”. Aqui não há alegria, risos, luz ou calor. Todo o filme é pessimismo, é violência, é frio porque, ao contrário do que queriam fazer passar nos westerns clássicos americanos do cinema e da televisão, o oeste selvagem era mesmo selvagem! E a selvajaria no ser humano resulta sempre no mesmo: Matar para sobreviver!

Neve! Muita neve!!

Ao longo dos tempos criou-se uma imagem idealizada do herói imune às balas e à tentação carnal em forma de mulher! Pois bem, até nisso “O grande silêncio” é diferente. O protagonista envolve-se sexualmente com a sua amante numa sensual cena de amor, apoiada pela sempre brilhante música de Ennio Morricone.

Cicatrizes assustadoras!

Haveria muito mais a dizer mas prefiro guardar surpresa para quem ainda nunca viu o filme. Levanto somente a ponta do véu: o final é de tal forma chocante e violento que Corbucci foi obrigado a filmar um final alternativo para poder ser distribuído noutros países mais conservadores. Felizmente, hoje em dia a versão original mantém-se em quase todos os DVD disponíveis para venda (o ridículo final alternativo faz parte dos extras de algumas edições DVD).

Tigrero, um vilão imbatível.

O filme conta com nomes consagrados como o francês Jean-Louis Trintignant, o alemão Klaus Kinski, o italiano Luigi Pistilli e os americanos Frank Wolff e Vonetta McGee. Boas sequências de tiroteio, drama, muita violência e morte são os ingredientes desta obra-prima do western italiano e de Sergio Corbucci, que entre 1966 e 1968 tirou da cartola dois filmes geniais que vão figurar para sempre na galeria dos mais notáveis! Para terminar, uma breve observação: “Homens duros” como John Ford, John Wayne, Howard Hawks e Anthony Mann ficariam arrepiados com este filme, se tivessem coragem para o ver!