A chegada dos anos 70 revelou-se uma autêntica catástrofe para o western-spaghetti. Até mesmo
Sergio Corbucci, realizador italiano de créditos comprovados numa mão cheia de westerns de grande culto (
“Django”,
“Navajo Joe”,
“Il Mercenario”, etc), se espalhou ao comprido nesta que seria a sua última incursão pelo género. O filme faria um belo encaixe nas bilheteiras mas infelizmente trata-se de facto de uma triste despedida de um género cujas normas ele próprio ajudara a definir anos antes.
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A acção polarizada em torno das três estrelas do cartaz, plagia de uma forma bastante explicita a mesma história de
“Soleil rouge” de Terence Young, lançado poucos anos antes. Sendo aqui a espada de Mifune substituída por um pónei sagrado, oferenda nipónica à comunidade Japonesa emigrada nos Estados Unidos. O comboio onde o pónei é transportado é assaltado por uma tribo índia, que sequestra o equídeo para o qual exige um resgate (invulgar acção associada à raça índia que obviamente se prevê uma aldrabice). Ao “idóneo” Xerife Edward ‘Black Jack’ Gideon (o negro) é entregue a missão de entregar o ouro do resgate e recuperar o pónei, mas o pilantra ítalo-suíço Blanc de Blanc (o branco) tudo fará para surripiar o dinheiro. E Sakura (o amarelo), ora bem, Sakura limita-se a fazer figura de parvo na cerca de hora e meia que o filme comporta.
A existência de um elenco tão forte faria salivar o fã do western europeu, mas o que parecia ser a grande mais-valia do filme é incapaz de beliscar a mediocridade geral da película Reféns de papéis muito pouco interessantes e num argumento gasto e previsível, estes limitam-se a interpretações em piloto automático. Porém a Milian saiu mesmo a fava, desempenhando aqui um simplório aspirante a samurai, cheio de tiques aparvalhados. Um papel ainda mais irreal e constrangedor do que aquele que já desempenhara nos filmes da personagem «Providenza», de Petroni.
Actualmente “Il bianco, il giallo, il nero” é sobretudo recordado pelo extenso monólogo inicial em que a esposa do Xerife protesta com o marido usando para o efeito uma série de referências a filmes e personagens que o género conhecera até então.
(A esposa): “Per un pugno di dollari, per un miserabile pugno di dollari, che non sono neanche tuoi, devi già ripartire? Almeno lo facessi per qualche dollaro in più!, e invece, vamos a matar compañeros, sempre in giro con il buono, il brutto e il cattivo tempo Giù la testa, caro… Sei alla resa dei conti, ormai. Chi sono io, per te? Nessuno, ecco, il mio nome è nessuno. Tu devi metterti faccia a faccia con le tue responsabilità. Per queste creature ti danno un dollaro a testa, sei il mercenario peggio pagato di tutto il Texas, cangaceiro!, e noi siamo il mucchio selvaggio… Ma tu non vali nemmeno un dollaro bucato, e prima o poi finirai come quel bounty killer del Minnesota, Clay era il suo nome, ma poi lo chiamarono il magnifico… però ricordatelo, c’era una volta il west che dicevi tu: oggi, anche gli angeli mangiano fagioli, ma sì, corri uomo, corri! Altrimenti, ci arrabbiamo sul serio, e se Dio perdona, io no, perciò datti da fare, capito? E tu smettila di fare il bestione! Vergognati, vergognati di fare vivere i tuoi bambini come dei barboni. Leone, questo devi diventare, se vuoi fare la rivoluzione nel mondo del west".
(O Xerife:): "Ma che c’entriamo noi con la rivoluzione?”
(A esposa:) Avete sentito? Tanto di Ringo o di Django, sono sempre io che me lo piango ...
Saibam os curiosos que “Dispara primeiro… pergunta depois” – mais um delirante título Português – foi lançado em Portugal pela Prisvideo, na sua “Colecção Western”, que ainda se encontra nas lojas a preço de amigo. O filme é apresentado no seu idioma original italiano (com legendas em Português) e surge em formato widescreen 16:9 com qualidade de imagem cristalina.