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01/09/2015

I Quattro dell'Ave Maria (1968 / Realizador: Giuseppe Colizzi)

Segundo filme da trilogia protagonizada pela famosa dupla Terence Hill e Bud Spencer e realizada por Giuseppe Colizzi. Este segundo registo da trilogia parece-me o mais bem conseguido dos três filmes das aventuras de Cat Stevens e Hutch Bessy. O primeiro filme tinha Frank Wolff a enriquecer o elenco, o terceiro filme tem Woody Strode mas “O Ás Vale Mais” (título em Portugal) tem nas suas fileiras o grande Eli Wallach. Wallach veste a pele de Cacopoulos, um trapaceiro americano de ascendência grega que anseia vingar-se de todos os seus ex-comparsas que vários anos antes o traíram e condenaram à prisão após um assalto. Na sua senda de vingança cruza-se várias vezes com o “felino” pistoleiro Cat Stevens, com o “forte” Hutch Bessy e com o equilibrista circense Thomas. 

Terence Hill em apuros.

Nestes 130 minutos de filme temos o quê? Terence Hill a sacar da pistola e a limpar o sarampo a uns quantos em vez das habituais chapadas na cara. Temos Bud Spencer a pregar umas castanhas bem assentes nos seus adversários. E temos Eli Wallach num estilo cómico / sério semelhante ao que já tinha feito em “O Bom, O Mau e o Vilão” quando interpretou o bandido mexicano Tuco Benedito Pacífico Juan Maria Ramirez.

Boa disposição de Cat, Cacopoulos e Thomas.

No fim de tudo isto (tiroteio, porrada e humor) o quarteto é protagonista de um duelo muito bem coreografado ao som de violinos na sala de jogo de um casino diante de uma roleta viciada. Em suma: bom filme, elenco de luxo e bom entretenimento. “Rien ne va plus!”


Mais alguns lobby cards norte-americanos:


Trailer:

03/05/2015

Curiosidades | O Bom, o Mau e o Vilão (1966)

Clint Eastwood, Sergio Leone e Eli Wallach nas filmagens de "O Bom, o Mau e o Vilão"

Inicialmente Clint Eastwood não ficou satisfeito com o roteiro do filme e estava preocupado que fosse ofuscado por Eli Wallach, e disse a Leone, "No primeiro filme eu estava sozinho. No segundo éramos dois. Aqui somos três. Se continuar desta forma, no próximo eu vou ser a estrela da cavalaria americana".

31/03/2015

Amanhã no Cinema São Jorge há "O Bom, o Mau e o Vilão"!


Recordamos que amanhã passa um dos melhores filmes de sempre na sala de cinema mais bonita de Lisboa. Os bilhetes estão à venda no local e aqui. E tu, vais perder esta oportunidade? 

25/06/2014

Morreu Eli Wallach


"Parece que tenho uma vida dupla", disse em tempos Eli Wallach. "No teatro, sou o homenzinho, ou o homem irritado, ou o homem incompreendido. No cinema, passo a vida a ser escolhido para os papéis de mau." Não é por isso surpresa que Wallach, falecido esta terça-feira aos 98 anos de idade, seja mais recordado pelos vilões que interpretou em dois dos filmes mais icónicos da década de 1960: Os Sete Magníficos (1960), versão western dos Sete Samurais de Akira Kurosawa dirigida por John Sturges, e O Bom, o Mau e o Vilão (1966), terceiro filme da trilogia de westerns-spaghetti de Sergio Leone. Mas é um destino, no mínimo, irónico para aquele que era um dos últimos nomes ainda vivos da “primeira fornada” formada na lendária escola de representação nova-iorquina do Actors Studio, que revolucionou o cinema e o teatro americanos no período do pós-II Guerra Mundial. Era no teatro que o actor nova-iorquino, nascido no bairro de Brooklyn em 1915 e filho único de emigrantes judeus polacos, se sentia mais à vontade. Embora tenha continuado a filmar quase até ao fim da sua vida - os seus últimos trabalhos de nota foram O Escritor Fantasma de Roman Polanski e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme de Oliver Stone, em 2010 - foi no teatro, do qual se retirou de vez em 1997, que construiu a sua carreira. Trabalhou repetidamente com a sua mulher, a também actriz Anne Jackson, que conheceu nos palcos em 1946 e com quem casou dois anos depois. Entre os muitos autores que Wallach representou contam-se Tennessee Williams (vencendo o Tony por uma produção de A Rosa Tatuada em 1951), Jean Anouilh, Eugène Ionesco ou Tom Stoppard.

O “camaleão por excelência” Wallach foi um dos primeiros alunos da escola de representação do Actors Studio, fundado em 1947 e gerido a partir de 1951 por Lee Strasberg. Os seus colegas de curso chamavam-se Marlon Brando, Montgomery Clift e Sidney Lumet. E estreou-se no cinema precisamente sob o signo do teatro: foi em Baby Doll (1956), adaptação de Tennessee Williams sob o comando de Elia Kazan, ele próprio um dos fundadores da escola. Entre as quase duas centenas de filmes e produções televisivas em que entrou, muitos lembrar-se-ão particularmente de Os Inadaptados (1961), realizado por John Huston e escrito pelo dramaturgo Arthur Miller, com Clark Gable, Marilyn Monroe e Montgomery Clift nos papéis principais. A cena em que Wallach dança com Marilyn, de quem era amigo de longa data e que teria aqui a sua última interpretação em vida, ficou célebre. Wallach participou também em inúmeras séries televisivas – como Cidade Nua, Batman, onde interpretou (lá está...) o vilão Mr. Freeze, ou mais recentemente Nurse Jackie - e no último filme da trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola (1990).

Eli Wallach nunca foi nomeado para um Óscar, mas a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood reconheceu a sua carreira no final de 2010, entregando-lhe o Óscar honorário pela “desenvoltura inata com que interpretou uma variedade de personagens, ao mesmo tempo que deixou uma marca inimitável em cada papel”. Chamou-lhe então “um camaleão por excelência”. O “camaleão por excelência” era algo que vinha da sua extensa experiência teatral - e Wallach nunca escondeu que, para um actor de composição como ele, "o cinema era apenas um meio para chegar a um fim", como disse numa entrevista de 1973 citada pelo New York Times. "Vou montar a cavalo para Espanha durante dez semanas e regresso com uma almofada financeira suficiente para poder montar uma peça." Mas a verdade é que, se Wallach e Anne Jackson se tornaram no “primeiro casal” do teatro americano nas décadas de 1960 e 1970, foram mesmo os papéis de vilão que fizeram o nome do actor no grande écrã. Faltou-lhe “aquele” papel que o atirasse para uma carreira de primeira grandeza – mas a verdade é que o actor também nunca o terá querido. Como o comprova um daqueles fait-divers que muitas vezes definem uma personalidade: primeira escolha do realizador Fred Zinnemann para um papel secundário em Até à Eternidade (1953), Eli Wallach optou antes por aceitar o convite para uma nova peça de Tennessee Williams encenada por Elia Kazan, Camino Real. Em seu lugar ficou Frank Sinatra, que ganhou o Óscar de melhor actor secundário.

In Público

24/03/2014

08/10/2012

Il bianco, il giallo, il nero (1974 / Realizador: Sergio Corbucci)

A chegada dos anos 70 revelou-se uma autêntica catástrofe para o western-spaghetti. Até mesmo Sergio Corbucci, realizador italiano de créditos comprovados numa mão cheia de westerns de grande culto (“Django”, “Navajo Joe”, “Il Mercenario”, etc), se espalhou ao comprido nesta que seria a sua última incursão pelo género. O filme faria um belo encaixe nas bilheteiras mas infelizmente trata-se de facto de uma triste despedida de um género cujas normas ele próprio ajudara a definir anos antes. 

Este “Il bianco, il giallo, il nero” que até consegue a proeza de reunir um elenco de luxo, com Giuliano Gemma, Eli Wallach e Tomas Milian, mas resume-se afinal a uma resposta de fraco efeito aos então famosíssimos filmes da dupla Terence Hill/Bud Spencer. No entanto Corbucci que já vinha a dar sinais de estagnação nos seus trabalhos anteriores – “La Banda J. & S. cronaca criminale del Far West” e “Che c'entriamo noi con la rivoluzione” – esbarra aqui num desafio que se lhe mostra impossível de transpor. Falhando a transição do seu western negro e graficamente violento, para as tendências cómicas que o público de então exigia. 


A acção polarizada em torno das três estrelas do cartaz, plagia de uma forma bastante explicita a mesma história de “Soleil rouge” de Terence Young, lançado poucos anos antes. Sendo aqui a espada de Mifune substituída por um pónei sagrado, oferenda nipónica à comunidade Japonesa emigrada nos Estados Unidos. O comboio onde o pónei é transportado é assaltado por uma tribo índia, que sequestra o equídeo para o qual exige um resgate (invulgar acção associada à raça índia que obviamente se prevê uma aldrabice). Ao “idóneo” Xerife Edward ‘Black Jack’ Gideon (o negro) é entregue a missão de entregar o ouro do resgate e recuperar o pónei, mas o pilantra ítalo-suíço Blanc de Blanc (o branco) tudo fará para surripiar o dinheiro. E Sakura (o amarelo), ora bem, Sakura limita-se a fazer figura de parvo na cerca de hora e meia que o filme comporta.  

A existência de um elenco tão forte faria salivar o fã do western europeu, mas o que parecia ser a grande mais-valia do filme é incapaz de beliscar a mediocridade geral da película  Reféns de papéis muito pouco interessantes e num argumento gasto e previsível, estes limitam-se a interpretações em piloto automático. Porém a Milian saiu mesmo a fava, desempenhando aqui um simplório aspirante a samurai, cheio de tiques aparvalhados. Um papel ainda mais irreal e constrangedor do que aquele que já desempenhara nos filmes da personagem «Providenza», de Petroni. 


Actualmente “Il bianco, il giallo, il nero” é sobretudo recordado pelo extenso monólogo inicial em que a esposa do Xerife protesta com o marido usando para o efeito uma série de referências a filmes e personagens que o género conhecera até então.   

(A esposa): “Per un pugno di dollari, per un miserabile pugno di dollari, che non sono neanche tuoi, devi già ripartire? Almeno lo facessi per qualche dollaro in più!, e invece, vamos a matar compañeros, sempre in giro con il buono, il brutto e il cattivo tempo  Giù la testa, caro… Sei alla resa dei conti, ormai. Chi sono io, per te? Nessuno, ecco, il mio nome è nessuno. Tu devi metterti faccia a faccia con le tue responsabilità. Per queste creature ti danno un dollaro a testa, sei il mercenario peggio pagato di tutto il Texas, cangaceiro!, e noi siamo il mucchio selvaggio… Ma tu non vali nemmeno un dollaro bucato, e prima o poi finirai come quel bounty killer del Minnesota, Clay era il suo nome, ma poi lo chiamarono il magnifico… però ricordatelo, c’era una volta il west che dicevi tu: oggi, anche gli angeli mangiano fagioli, ma sì, corri uomo, corri! Altrimenti, ci arrabbiamo sul serio, e se Dio perdona, io no, perciò datti da fare, capito?  E tu smettila di fare il bestione! Vergognati, vergognati di fare vivere i tuoi bambini come dei barboni. Leone, questo devi diventare, se vuoi fare la rivoluzione nel mondo del west".  
(O Xerife:): "Ma che c’entriamo noi con la rivoluzione?”  
(A esposa:) Avete sentito? Tanto di Ringo o di Django, sono sempre io che me lo piango ...   

Saibam os curiosos que “Dispara primeiro… pergunta depois” – mais um delirante título Português – foi lançado em Portugal pela Prisvideo, na sua “Colecção Western”, que ainda se encontra nas lojas a preço de amigo. O filme é apresentado no seu idioma original italiano (com legendas em Português) e surge em formato widescreen 16:9 com qualidade de imagem cristalina.  

Mais alguns lobbys:



Trailer:

03/08/2009

¡Viva la muerte... tua! (1971 / Realizador: Duccio Tessari)


Mesmo sendo um grande adepto dos western spaghettis, sempre existiram alguns elementos no género que considero condicionantes para a minha satisfação total na apreciação da coisa, aqueles pormenores que me põem de pé atrás. Neste campo, e com largo avanço sobre os outros, surge a presença de veículos motorizados. No meu spaghetti ideal, seja o personagem um “bom”, “um mau” ou “um vilão”, este deve andar a cavalo. De comboio também é admissível, sobretudo se houver a intenção de o roubar! Obviamente que admito e entendo que quando estamos nos domínios dos chamados Zapata Westerns (designação a que normalmente se catalogam os filmes cuja acção decorre na revolução mexicana iniciada em 1910) a tecnologia estava já bem mais avançada e a presença de tais veículos é de todo justificável.

Mas esqueçamos os carros e motorizadas e falemos do filme. A acção deste ¡Viva la muerte... tua! (1971) como se entende pelo que referi atrás, decorre no meio da revolução mexicana, onde um ex-príncipe (confesso que ainda não percebi o termo) russo, Dimitri Vassilovich Orlowsky (Franco Nero), casualmente, toma conhecimento de um tesouro enterrado na região de Piedras Negras, pela boca de um mexicano moribundo. Para chegar ao ouro, o único que o pode ajudar é um tal Lozoya (Eli Wallach), um bandido mexicano que possui o mapa do tesouro. O problema é que Lozoya está encarcerado na prisão de Yuma, onde aguarda pela hora do seu enforcamento. Uma irritante jornalista irlandesa cheia de ideais radicais, Mary O'Donnel (Lynn Redgrave), irá intrometer-se e a história acaba por se desenrolar com muitas peripécias e momentos cómicos mais ou menos bem sacados. Refira-se que as colagens ao argumento de Il buono, il brutto, il cattivo (1966), são evidentes e a própria interpretação de Eli Wallach pouco se demarca do famoso “Tuco” - o que acaba por tirar muito do brilho ao resultado final.


A realização de Duccio Tessari (Una pistola per Ringo, Il ritorno di Ringo) é pouco inspirada, como aliás na generalidade dos seus westerns (perdoem-me fanáticos dos Ringos mas a mim nunca me convenceram verdadeiramente). Um elenco desta categoria implicaria à partida um produto superior. Pessoalmente, achei também a escolha das paisagens demasiado verdes para um filme supostamente passado no México. Embora pesem os muitos momentos cómicos para onde Duccio Tessari orientou o filme, a contagem de cadáveres até acaba por ser elevada - ou não estivéssemos em plena revolução mexicana - com um Franco Nero mais uma vez agarrado à metralhadora. No geral, diria que se trata de um filme mediano, com muita acção, aventura, e situações divertidas, mas certamente apenas recomendável a fanáticos do género.


O DVD que tive a oportunidade de ver, e assim poder aqui esboçar estes comentários, foi a edição espanhola da Filmax intitulada Viva la Muerte... Tuya, incluída na interessante “Colección Spaghetti Western” (que inclui por exemplo mais dois filmes com Franco Nero, Django e Tempo di massacro). A qualidade da imagem do DVD é decente, ainda que num formato 4:3 (2.35). Lamento apenas que por regra “nuestros hermanos” não disponibilizem outros idiomas ou legendas nos lançamentos que fazem. Contentemo-nos com o que há!


Trailer