2018/11/25

Sette magnifiche pistole (1966 / Realizador: Romolo Guerrieri)

Em 1960 dá-se a estreia do mega-clássico “Os Sete Magníficos”. O sucesso de bilheteiras é enorme e ainda que as personagens principais do grupo de justiceiros sejam severamente dizimadas, haverá espaço para mais três sequelas oficiais e muitas fotocópias de qualidade inferior. Este “Sette magnifiche pistole” é uma dessas variações de segunda linha, dúvidas houvessem quanto ao trocadilho do titulo ou semelhanças entre os posters de ambos os filmes (vide arte original aí abaixo). Mas há variações, claro, desta vez não será um grupo de campesinos a sofrer as passinhas do Algarve nas mãos de um grupo de bandidos, singularizando-se a coisa num tal de Timothy Benson, que teve a sorte (ou azar) em herdar uma mina de ouro por parte de um tio.

Ora sucede que esse tal Timothy (num desempenho raro de Sean Flynn, filho do infâme Errol Flynn) não a consegue explorar, culpa da malvadez do excelentíssimo Sancho Rodriguez, interpretado justamente por um verdadeiro Sancho, o único e incomparável Fernando Sancho. Que, vá-se lá saber como, nesse ano protagonizou três westerns com o «sete» diluído nos seus títulos: “7 dólares de sangue”, “Sete pistolas para os MacGregors” e este “Sete magnificas pistolas”. Mas, adiante…

Sean Flynn em sessão de aprendizagem via bofetada na tromba!

O tal Benson tem estudos, é educado e até já conquistou o coração da bela Coralie (interpretação de Evelyn Stewart, que registe-se está especialmente bonita neste filme), mas ao rapaz faltam-lhe as ferramentas necessárias para enfrentar o todo poderoso e muito egocêntrico Sancho Rodriguez, que lhe dizima quase toda a equipa de mineração. Sobrevive apenas Gorky que resolve recrutar cinco velhos conhecidos para fazerem frente ao processo de bullying em curso. Como expectável darão formação ao oprimido e enfrentarão inevitavelmente os bandidos, desta vez com saldo muito negativo para a equipa dos mauzinhos.

Ida Galli (aka Evelyn Stewart), a carinha laroca de serviço.
 
Este foi o primeiro western de Romolo Guerrieri, que deixou para a posterioridade o excelente “10000 dólares para um massacre”, e por ser a sua primeira entrada no género perdoemos-lhe a incapacidade de se ter decidido pelo ambiente cómico ou violento, que machuca gravemente a qualidade do filme, que obviamente será apenas para completistas do género.

Arte original do filme de John Sturges. Qualquer semelhança não será coincidência...

2018/11/13

Allegri becchini... arriva Trinità (1973 / Realizador: Ferdinando Merighi)

Este filme está repleto de nomes ligados aos westerns-spaghetti de série B (ou será série Z?). O realizador é Fred Lyon Morris (quem?!), aliás, Ferdinando Merighi (quem?!). Merighi foi assistente de realização de vários westerns de Giuseppe Vari e de um western de Demofilo Fidani. O responsável pela montagem é Luigi Batzella, que também realizou alguns westerns muito baratos e muito maus. O herói improvável é Dean Stratford (Dino Strano), ator italiano que fazia sempre papéis de mau mas que desta vez evitou o “typecast”. Gordon Mitchell tinha de estar presente porque foi tudo filmado no seu estúdio Western Town, o santuário dos westerns-spaghetti paupérrimos dos anos 1970. O aviso fica desde já feito: marados da série B (ou será série Z?), cheguem-lhe obra! Intelectualoides: Pisguem-se!!


A vingança é o prato forte do dia! Um bando de cinco pulhas (um barbudo, um índio, o já citado Gordon Mitchell, um parvalhão que tira macacos do nariz e um mexicano de meia-tigela) pratica extorsão e rapto. O cabecilha é um homem que veste uma túnica e um capuz preto (tipo Ku Klux Klan mas em preto) e comunica por linguagem gestual (o índio é o intérprete). A mulher raptada é assassinada pelos bandidos pouco antes da chegada à cidade do seu irmão Chad Randall. Este também veste sempre de preto e é um pistoleiro mais bruto do que uma capa de parede!

Todos obedecem ao homem do capuz!

Randall vai à caça, apanha dois deles e trata-lhes da saúde. Mas o homem não é feito de ferro e também tem direito a fazer uma pausa. Nada melhor do que foder a gaja da pousada. Depois, já mais leve, vai atrás dos restantes broncos. Mas será que ele vai descobrir a identidade do misterioso encapuzado?

O protagonista sofre!

Como é evidente não vou contar o final. Direi apenas que Randall seguirá a premissa que os Megadeth estabeleceram em 1990 no célebre álbum “Rust in Peace”. Na terceira faixa pode ler-se “take no prisoners… take no shit!”.

Trailer:


E um pouco de Megadeth:

2018/10/15

Prega Dio... e scavati la fossa (1968 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Ainda hoje este filme é um aglomerado de interrogações, dúvidas e contradições. Não se sabe se o filme foi realizado por Edoardo Mulargia ou se por Demofilo Fidani. A esposa de Fidani, Mila Vitelli, diz que o marido foi apenas produtor. O protagonista, Robert Woods, diz que foi Fidani quem realizou. Então, em que é que ficamos?! Não há certezas absolutas porque as várias fontes e os diversos depoimentos registados são muito contraditórios. Eu acredito que Mulargia tenha dirigido mas Fidani prova que teve voto na matéria ao incluir alguns dos seus “afilhados” no elenco, nomeadamente Jeff Cameron, Simone Blondell, Cristina Penz e Celso Faria (e até o próprio Fidani fez um “cameo”).

O tema do filme é a época conturbada que se vivia no México do presidente Porfírio Diaz. Após muito tempo exilado nos Estados Unidos, Fernando regressa ao seu querido México. A sua família morreu mas o seu velho amigo Cipriano luta contra o sistema e é procurado pelos “federales”. Fernando quer liberdade e justiça. Cipriano quer continuar de rédea solta, ou seja, matar soldados e andar no gamanço.

O vaidoso Jeff Cameron exibe o cartaz de recompensa.

Don Enrique é o homem mais rico da região. Cipriano planeia raptar-lhe a filha. O melhor momento para isso é quando ela está na marmelada com o namorado. Don Enrique retalia que nem um touro bravo (de cabeça baixa e à bruta) e descarrega a sua fúria nos camponeses mexicanos, que não têm nada a ver com o assunto. Fernando não pode deixar que Cipriano continue a cometer crimes. Está na hora de lhe chegar a roupa ao pelo!

Robert Woods com um vistoso bigode à mexicano!

Os heróis neste tipo de westerns defendem sempre os mais pobres. Ao ver este filme o que me apetece dizer é que a dupla Mulargia / Fidani também foi solidária e apadrinhou um projeto pobre. Mas não… não é um filme disparatado e sem nexo! É apenas uma produção muito pobre.

2018/09/29

Quinto: non ammazzare (1969 / Realizador: León Klimovsky)

Fazendo-se passar por leprosos, um bando de foras-da-lei assalta o banco de um pequeno povoado do oeste. Com o risco de contágio a pairar no ar, a população não lhes oferece grande resistência, o que facilita o trabalho meliantes. Estes põem-se então em fuga para lugar seguro, mas nem todos chegarão vivos ao esconderijo. E pior, há um traidor entre eles, que deu sumiço ao carcanhol do roubo. 

Inevitavelmente a desconfiança apoderar-se-à do grupo e as velhas amizades serão postas em causa. O cabecilha decide então que devem esconder-se num inóspito entreposto em pleno deserto, onde tentarão passar despercebidos ás autoridades que os perseguem e ao mesmo tempo escrutinar a identidade do traidor. Azar para os locais que acabam vitaminizados pela situação, sujeitando-se aos caprichos de cada um dos párias do bando. Será porém o mais cobarde de todos a ter a responsabilidade de lhes fazer frente. 

Melhor disfarce de sempre!

Admito que não morro de amores pelos westerns do León Klimovsky, mas tenho de lhe dar uma palmadinha nas costas por este “Quinto: non ammazzare”, que apesar de paupérrimo enquanto western de acção, sobrevive relativamente bem enquanto thriller. Quem o queira conferir saiba que não está disponível em formato digital, além de umas transferências foleiras do VHS. Uma pena!  

2018/09/10

Un colt por 4 cirios (1971 / Realizador: Ignacio F. Iquino)

O espanhol Ignacio F. Iquino sempre foi mais conhecido enquanto produtor e argumentista do que propriamente como cineasta. Este filme, “Un Colt Para 4 Cirios” (título em Espanha), é um dos poucos westerns que assinou como realizador. Consta que existem várias versões do filme, todas elas bem distintas umas das outras (variavam consoante o país onde era exibido). Eu acredito piamente que isso seja verdade porque a versão que eu vi não tem quase nada a ver com a versão que é mencionada no tomo de Marco Giusti. O enredo é muito mal esgalhado, muitas cenas e respetivos diálogos não fazem sentido e quase tudo é muito confuso! Pelo menos consegui perceber que as coisas giram à volta de um xerife que quer descobrir quem são os culpados de um assalto à diligência. Esses assaltantes, depois do golpe, foram às putas. Um deles foge do “bataclan” com a massa mas não vai longe porque os seus parceiros tratam-lhe da saúde. O “boss” do grupo é Oswald, um gordo careca com cara de sapo.

Tu não brinques comigo!!

O xerife anda preocupado com uma bela viúva, que é madrasta de uma rapariga mestiça com pelo na venta. Um irritante cangalheiro / coveiro, mais parvo do que um bando de pegas, aparece de vez em quando, só para chatear. Há cada vez mais confusão à medida que o filme avança! Na parte final temos direito a assistir a um “catfight” entre duas mulheres atraentes e assistimos à tentativa de um tarado usar a “tática do peru” com a rapariga mestiça, isto é, “primeiro embebeda-se e depois come-se”. Mas a única coisa que ele come é umas pazadas no focinho!

Queres levar mais uma chapada?!

A confusão alcança o seu zénite quando, absolutamente do nada, surge um pelotão da Cavalaria a perseguir o vilão cara de sapo! Em suma: o melhor: Robert Woods, a atraente viúva e a bela mestiça. O pior: a tremenda confusão que este filme é!

2018/08/27

Non aspettare Django, spara (1967 / Realizador: Edoardo Mulargia)

E lá vamos nós em mais uma viagem pelo western-spaghetti de Edoardo Mulargia. Desta vez saiu na rifa este “Django Não Espera... Mata”, que incrivelmente passou recentemente na grelha da Fox Movies portuguesa. A história do filme é bastante intrincada, o que facilmente deixa o espectador menos atento a apanhar papéis. Foi o que me aconteceu, graças às birras intermitentes do membro mais novo da família, mas perdi a preguiça e voltei a ver os primeiros quinze minutos para me situar. Então vamos lá, o pai de Django fez um negócio com Don Alvarez, mas este encomenda um servicinho ao escroque Navarro, que já se está a ver, abate o velho e rapina o dinheiro da negociata. Ora para adensar ainda mais a trama, o filho deste último resolve desfalcar o pai e foge com o guito.

Paralelamente Django fica a saber da patifaria e regressa a casa, e empunhando o colt do finado pai, promete vingança! Por esta altura é Fred Grey que está com o dinheiro, mas com o cerco que Django monta na cidade não vai ter hipótese de fugir com ele.

Está na hora de tirar a ferrugem a este artefacto.

Tinha visto este filme há uns anos valentes graças a um DVDr caseiro montado por um tal de Franco Cleef, de quem provavelmente já terão ouvido falar. Era uma versão com boa qualidade de imagem e com áudio inglês, mas felizmente a Fox respeitou o formato que mais vingou em Portugal e apresentou o filme com o áudio italiano. É outra fruta, e aqui o alentejano agradece. 

Ignazio Spalla empresta a sua persona do costume.

O filme não foge à regra da filmografia de Mulargia e facilmente agradará o fã de westerns simples e directos, mas na minha opinião está uns furos abaixo dos seus melhores trabalhos. Muito por culpa de alguns erros grosseiros, que escaparam ao olho do realizador (se estiverem atentos encontrarão postes de electricidade, casas sem telhado, etc.), mas sobretudo pelo desinteresse escarrapachado na cara de Ivan Rassimov. Tivesse isso sido corrigido e teríamos aqui filme…

2018/08/13

Antonio das Mortes (1969 / Realizador: Glauber Rocha)

A minha primeira memória sobre cangaceiros foi durante a minha infância. No final dos anos 1980, na televisão pública portuguesa, passava a série brasileira “Grande Sertão: Veredas”, com os atores Tony Ramos e Bruna Lombardi. Os personagens dessa série deixavam-me fascinado porque andavam a cavalo pelo Sertão, tinham chapéus, tinham cinturões carregados de balas e exibiam espingardas e revólveres dentro dos coldres. Aquilo para mim era um western autêntico, embora eu tivesse a noção que na realidade era algo diferente. Mas eu não queria saber disso! Havia tiroteio, havia duelos… tanto melhor! Anos mais tarde, enquanto leitor de banda desenhada, descobri “Mister No”, um personagem criado pelo italiano Sergio Bonelli em 1975. Bonelli amava o Brasil e as aventuras de Jerry Drake, vulgo Mister No, aconteciam na Amazónia e no nordeste brasileiro. Enfrentou, por exemplo, temíveis cangaceiros nas aventuras “O Último Cangaceiro” e “Morte no Sertão”.

António das Mortes, o justiceiro do Sertão.

O realizador brasileiro Glauber Rocha fazia questão de incluir os seus ideais políticos nos seus filmes. “António das Mortes” é uma obra que critica a interferência política norte-americana nos países da América Latina (estávamos em plena Guerra Fria), fala da reforma agrária, da indústria e critica a ditadura brasileira (“respeita Deus e o Governo!”), alguém salienta. São mencionados personagens da história e da mitologia brasileira (Lampião, Corisco); temos muito folclore brasileiro (procissões, danças, cânticos regionais, canções) e todo o filme está recheado de símbolos cristãos e pagãos.

Muitos cangaceiros!!

Na humilde localidade brasileira de Jardim das Piranhas, o protagonista, António das Mortes, é contratado pelo velho Coronel e pelo seu ajudante Batista para os proteger contra os bandidos cangaceiros liderados pelo Capitão Coirana. António e Coirana defrontam-se num duelo mortal à catanada. António vence porque “ele é um cabra macho!”. Mas a vida dá muitas voltas e o Coronel decreta que António já não é seu empregado mas sim seu inimigo! O momento alto do filme é o tiroteio / massacre final “à la Peckinpah” entre António das Mortes e os jagunços do novo capataz Mata-Vacas. A crítica internacional foi positiva (ganhou o prémio de melhor realização no festival de Cannes) mas a ditadura militar brasileira não gostou, obviamente.

Beleza feminina no Sertão.

Nota final: o ator Maurício do Valle, que aqui interpreta o anti-herói António das Mortes, também era um rosto conhecido da minha infância: Maurício do Valle era o Delegado Feijó na célebre telenovela brasileira “Roque Santeiro”, que tanto sucesso teve em Portugal.

“Jurando nas igrejas,
Sem santo padroeiro,
António das Mortes,
Matador de cangaceiro!”

2018/07/24

Il bello, il brutto, il cretino (1967 / Realizador: Giovanni Grimaldi)

Antes da chegada de Trinitá e Bambino ao oeste selvagem, já havia uma dupla a abrir sorrisos nas plateias europeias (e não só): Franco Franchi e Ciccio Ingrassia. Tal como acontece hoje em dia, com as réplicas bollywoodianas, era prática nos idos de sessentas/setentas meter estes dois sicilianos a protagonizar versões parodiadas dos sucessos de bilheteira de então e o filão do western-spaghetti não foi excepção. A fórmula era quase sempre a mesma, comédias estúpidas com os dois a fazerem invariavelmente cara de parvos, Franco Franchi a ganhar neste campeonato a dois, diga-se. A coisa funcionou de tal forma, que nos bons tempos estreavam uma dezena de filmes por ano!


Dificilmente encontraremos alguém que tenha vivido nesses anos que tenha passado incólume ao sucesso da dupla. Mas nem tudo são rosas e a comédia como se sabe é um género que sofre bastante com o passar dos anos, e actualmente a generalidade dos seus filmes têm um travo extremamente datado.

Mimmo Palmara explica o poder da sedução!

Ora neste capítulo dessa longa parceria, aparece-nos um velho conhecido no cargo de realizador, Gianni Grimaldi (StarblackAll'ombra di una coltCuatro dólares de venganza). Aqui encarregue de parodiar livremente o mega sucesso “O bom, o mau e o vilão” de Sergio Leone. A trama é decalcada de uma forma quase assustadora, substituindo apenas algumas peças do puzzle. A Franco cabe o papel de um caçador de recompensas, e a Ciccio o de bandido.

Dois palermas, ou não fossem eles de Palermo.

Juntos têm um esquema para recolher o dinheiro da recompensa e dar de frosques do local. Até que um dia dá o tremelico a Franco e a corda não parte. Mas ainda assim, o bandido escapa da morte certa e culpabiliza o ex-comparsa pelo feito, punindo-o com uma passeata pelo deserto. Só que em vez de lhe provocar uma insolação, é ele que apanha uma congestão pela barrigada de água que foi bebendo pelo caminho. E com esta já perceberam o nível do filme. Encontram então um sargento sulista que lhes confia duas partes de um segredo, o paradeiro de um tesouro enterrado, surpresa?! Os dois decidem dividir o soldo mas como é óbvio há mais um peão neste jogo, o bonito!

2018/07/09

La diligencia de los condenados (1970 / Realizador: Juan Bosch)

Anthony Stevens, John Wiseman e Brett Hudson, três velhacos do piorio, têm as suas carantonhas estampadas num cartaz de recompensa. A lei anda a morder-lhes os calcanhares porque violaram e mataram duas mulheres. A arrogância deste trio é tanta que, apesar de andarem fugidos, até se atrevem a ir à cidade jogar às cartas. O xerife local é um tipo honesto e não está com meias-medidas: mete-os no xadrez. O julgamento será nos próximos dias. Mas o juiz só pode condená-los quando chegar uma testemunha que assistiu aos crimes que Stevens e os seus brutamontes cometeram. A testemunha viaja na diligência que é interpelada pelo bando de Ramon Azteco, um bajoujas com um chapéu à Benny Hill. Ramon, que é cúmplice de Tony Stevens, tem como missão impedir que essa valiosa testemunha chegue ao tribunal. A diligência é desviada para a pousada mais próxima, pousada essa que é gerida por um tal Robert Walton, homem casado e pai de um rapaz de oito anos. Mas o fanfarrão Ramon Azteco não faz ideia qual dos passageiros é a testemunha. 

Os passageiros da diligência são ameaçados.

Por isso, todos vão ter de ficar retidos na pousada e esperar que o tempo passe. Robert Walton, a sua bela esposa e o seu filho vão ter de comer e calar? Ramon Azteco conseguirá alcançar o seu objetivo? O malandro Anthony Stevens e os seus compinchas vão ser ilibados por falta de provas e falta de testemunhas? E por onde anda o famoso pistoleiro Wayne Sonnier? Consta que desapareceu misteriosamente depois de ter sido baleado há oito anos.

Põe-te manso ou levas um balázio!

O realizador espanhol Juan Bosch Palau (pseudónimo John Wood) dirige este ótimo filme protagonizado pelos gigantes do western-spaghetti Richard Harrison e Fernando Sancho. As cenas na pousada são tensas, claustrofóbicas e ameaçadoras.
“A Diligência dos Condenados” (título em Portugal) é um western muito interessante que felizmente está disponível em DVD. A edição italiana da “Wild West” é de ótima qualidade e está à venda a preço de amigo!

2018/06/11

In nome del padre, del figlio e della Colt (1971 / Realizador: Mario Bianchi)

Uma diligência é assaltada por um grupo de mulheres! Ou pelo menos assim parece. Mas não… não é verdade. Os assaltantes são homens vestidos com roupas femininas. O seu líder é um tipo vestido de preto que se chama Wace Cassidy. Enquanto o assalto decorre, a jovem Antoinette “Tony” Pickford, que viaja na diligência com o seu pai, é violada pelo sinistro Cassidy. Quando é hora de dividir o montante roubado, o lúgubre Cassidy mata os seus capangas e fica com tudo. Quatro anos depois, Antoinette e o seu pai chegam à cidade de Oakland na qualidade de vendedores ambulantes (vendem roupa e adereços de senhora). O xerife de Oakland chama-se Billy Nolan, um homem com muito boa reputação e, segundo dizem, é de uma honestidade à prova de bomba. Mas a jovem fica em estado de choque quando vê o xerife porque ele é exatamente igual ao homem que a violou! Mas será que é a mesma pessoa? Para confundir ainda mais as coisas, anda pela cidade um assassino mascarado que veste uma capa e um capuz.

Não te atrevas a piar!

O dia 31 de outubro chegou. A cidade festeja o Halloween. Há um baile de máscaras no saloon. Mas a tão famosa “noite de bruxas” vai-se tornar numa noite de medo e de terror com cadáveres a sério! Será que todos os cidadãos vão tirar a sua máscara? Este western emana uma aura interessante de suspense, terror, intriga e violência. Segundo várias fontes, Mario Bianchi rodou o filme em 1971 mas só estreou nas salas de cinema em 1975. Escusado será dizer que não teve sucesso. Mas em 1975 Mario Bianchi já estava noutra onda: navegava a seu bel-prazer no cinema erótico e pornográfico.

Craig Hill num duplo papel.

Para terminar, duas notas:

1) A versão italiana diz que a música é de Piero Piccioni. A versão espanhola refere Gianni Ferrio como compositor.
2) As versões disponíveis por essa Internet fora (não existe nenhuma edição em DVD) têm somente 73 minutos de duração! São versões demasiado curtas e, obviamente, incompletas. Mas é o que há. Por isso, vejam e não bufem!

2018/06/04

Nove anos de "Por um punhado de euros"


Mais um ano que passou, mais um aniversário e estes gajos ainda não largaram o osso! Nove anos consecutivos sempre sem parar! É verdade que este blogue não tem atualizações diárias (e por vezes nem sequer semanais) mas é garantido que todos os meses lá cai uma ou outra resenha de um western-spaghetti.

O nosso arquivo de filmes vai aumentando a cada ano que passa e neste momento já vai em quase 190 filmes (184 filmes, para ser exato). O contador do blogue está bem encaminhado para em breve alcançar o redondo número de 1.000.000 (um milhão) de visitas.

Obrigado a todos os que seguem o nosso trabalho. Muito obrigado ao meu amigo e sócio Pedro Pereira por me aturar nesta nossa odisseia na blogosfera que já vai em quase uma dezena de anos! Por isso, não se esqueçam: saquem rapidamente do colt e visitem o POR UM PUNHADO DE EUROS!

2018/05/27

Mi chiamavano Requiescat... ma avevano sbagliato (1973 / Realizador: Mario Bianchi)

Era uma vez um rapazinho italiano chamado Sergio Ciani. Tal como muitos outros, começou a bombar forte e feio nos ginásios. Estava claro que o seu destino era o culturismo. No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a Itália estava a abarrotar de tipos cheios de cabedal que, além do culturismo, também apostavam numa carreira na Sétima Arte. Gordon Scott: impecável! Reg Park: imponente! Ed Fury: perfeito! Gordon Mitchell: aquela máquina! Dan Vadis: incrível! Steve Reeves: o melhor de todos! E Sergio Ciani?! Também fez carreira no “peplum” mas agora sob o pseudónimo de Alan Steel. O tempo foi passando, o “peplum” foi substituído pelo western e, já na fase decadente do género, Alan Steel esconde os seus músculos sob um manto negro ao encarnar o papel de vingador justiceiro.

Alan Steel está em apuros!

O capitão ianque Jeff Madison e os seus soldados caem numa emboscada. O inimigo é um grupo de militares rebeldes sob as ordens de Machedo. Os homens do capitão Madison são fuzilados. O oficial é barbaramente torturado com murros, pontapés, dois tiros na mão direita e uma chuva de escarretas! Os bandidos abandonam o prisioneiro amarrado ao chão e em muito mau estado. Praticamente à beira da morte, Madison é salvo por uma bela jovem índia. O sentimento de raiva é cada vez mais ardente. Mas como pode Madison vingar-se se a sua mão direita ficou inutilizada para sempre?

Frank Braña com cara de maluco!

Filho do cineasta Roberto Bianchi Montero, Mario Bianchi deixou a sua função de assistente de realização para ele próprio se tornar realizador. Os seus westerns não gozam de grande reputação nem de grande culto. Da sua curta filmografia western, aconselho vivamente três registos seus: o inquietante “Hai Sbagliato… Dovevi Uccidermi Subito!”, com Robert Woods, o misterioso “In Nome Del Padre, Del Figlio e Della Colt”, com Craig Hill, e este muito violento “Fast Hand is Still My Name” (título internacional), com Alan Steel, o tal rapazinho italiano que fez carreira graças a muito trabalho físico e mental. Um verdadeiro “self-made man”, diria eu!

2018/04/23

Fora de tópico | Lançamento "Ammazzali tutti e torna solo"

Está na calha mais uma edição do mais explosivo dos westerns de Enzo G. Castellari, "Ammazzali tutti e torna solo". Atendendo a que todas as edições actuais falham na qualidade de imagem, vamos rezar para que a Koch Media remedie o assunto. Podem consultar os detalhes já avançados aqui. Nas lojas em Junho.

2018/04/16

Il giorno del giudizio (1971 / Realizador: Mario Gariazzo)

Normalmente sigo com interesse e com entusiasmo os westerns italianos produzidos no início dos anos 70. É verdade que o género já estava estafado, as produções eram muito baratas, os realizadores, os atores e os técnicos (salvo algumas exceções) também não deviam nada à genialidade. Quando há dinheiro há palhaços. Quando a cheta é pouca faz-se o que se pode! Mario Gariazzo era um realizador de segunda (ou terceira) linha. Foi jornalista, empresário, produtor e como cineasta assinou alguns westerns banais. Em 1971 trabalhou com o ator americano Lincoln Tate em “Acquasanta Joe” e com o também ianque Ty Hardin para protagonizar “Il Giorno del Giudizio”.

Estão todos sob a minha mira!

O filme é fraco, ninguém tem grandes recordações do filme, sejam eles atores, técnicos ou críticos. Até o próprio Gariazzo admite o falhanço muito por causa da falta de dinheiro. Consta até que Ty Hardin teve de pôr dinheiro do seu bolso para que o filme visse a luz do dia. O enredo vai bater na inevitável tecla: um militar regressa a casa após o fim da Guerra da Secessão. Descobre que a sua família (mulher e filho) foram assassinados por uns quantos energúmenos. O homem vai perseguir os culpados e limpar o sebo a todos eles. Antes de acabar-lhes com o cagar, o vingador coloca no chão um pequeno brinquedo de dar corda (um boneco que toca tambor que pertencia ao seu falecido filho) para cronometrar os duelos.

Um brinquedo mortal.

Só no final é que ele descobre que o cabecilha é um xerife tarado sexual que queria afiar o pau na sua mulher mas ela rejeitou-o e o gajo torceu-lhe o fagote. “Il Giorno del Giudizio” é também conhecido no mercado internacional como “Doomsday” ou “Drummer of Vengeance”.

2018/04/09

Fora de tópico | Lançamento "...e per tetto un cielo di stelle"

"Amigos" aka "...e per tetto un cielo di stelle", já fazia parte do catálogo da Koch Media através da "Italowestern Enzyklopädie No.1" mas entretanto vai ganhar edição solo. Nas lojas em Junho!
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