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2018/03/30

Fora de tópico | Lançamento "The Sartana Collection"

Chegou a ser anunciada pela Wild East mas afinal quem se posiciona para lançar a saga completa do nosso herói favorito, vai ser a Arrow (detalhes aqui). O lançamento está agendado para Junho. Preparem uns cobres valentes!

2015/12/15

Passa Sartana... è l'ombra della tua morte (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)

Parece impossível mas é verdade: o realizador Demofilo Fidani fez este filme em seis dias! Seis dias!! Segundo reza a lenda o cineasta tinha o projeto em mãos mas estava completamente falido. Juntou toda a equipa técnica e os atores (ou melhor, os duplos e os figurantes) e prometeu pagar-lhes depois de fazer o filme. Toda a gente compreendeu a situação e todos trabalharam com o empenho habitual. O título deste filme em Portugal é “Sartana Contra Todos”. O título é mais do que adequado porque é exatamente isso que acontece em todo o filme. Ninguém escapa a Sartana! Onde quer que o homem vai, por todos os sítios por onde passa… é só cadáveres a rebolar pelo meio do chão e cacetada de criar bicho! Todos os malandros, piratas, trafulhas, vigaristas, batoteiros e assassinos que se cruzam com Sartana são automaticamente varridos pela sua pistola ou pelos seus punhos de aço (a bem da verdade diga-se que a maioria manda umas trombas tão feias que realmente merecem um tiro naqueles cornos)! 

O xerife paga os honorários a Sartana

Mas porque é que o famoso justiceiro do Oeste anda a fazer isso? A resposta é simples: as autoridades estão aflitas porque não conseguem estancar o elevado número de crimes na região (homicídios, raptos, assaltos). Há pânico, morte e caos por todo o lado! A lei tem de agir! O xerife e os altos responsáveis pela cidade são forçados a tomar medidas extremas para acabar com o problema. A solução chama-se Sartana, o famoso pistoleiro que, por razões obscuras, é agora um fora-da-lei. Convocado à cidade, é pedido a Sartana que trate da saúde a toda a escumalha que anda por aí. A recompensa pelo trabalho será um prémio em dinheiro e o perdão oficial das autoridades. Sartana monta-se no cavalo, passa por várias localidades, saloons, desertos, cidades fantasma e tudo o que apanhou pela frente foi derretido. 

Sartana encurralado

Alguém sobreviveu a Sartana? Não. O trabalho foi bem executado? Sim. Demofilo Fidani assina mais um western violento a preço de saldo? Sim. E este Jeff “Sartana” Cameron? É o homem certo para o papel? Na minha modesta opinião a resposta é “sim”. E porquê? Porque Fidani não pode ter um Sartana elegante à Gianni Garko. Com Fidani, o Sartana à Jeff Cameron trata do assunto à bruta porque este Sartana é bruto dos queixos! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é duro que nem um calhau! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é rijo que nem um corno!


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Trailer:




Filme completo:

2015/11/17

Django sfida Sartana (1970 / Realizador: Pasquale Squitieri)

Estávamos numa época em que era moda juntar vários personagens célebres dos westerns italianos para tentar adiar o inevitável, isto é, a saturação do subgénero e a sua consequente decadência. A junção desses nomes célebres vinha sempre em dupla: Trinitá e Sabata, Django e Aleluia, Sartana e Trinitá, Sartana e Sabata, etc. A dupla que mais vezes trabalhou em conjunto foi provavelmente Django e Sartana. São eles os protagonistas deste filme de Pasquale Squitieri, um cineasta que apenas registou dois westerns no seu currículo.


A cidade de Tombstone orgulha-se do seu sistema bancário. Steve, irmão do conhecido pistoleiro Django, trabalha no banco onde ocupa um cargo de relevo. Sartana está de passagem pela cidade e foi visto a falar com Steve. Quando nada o fazia prever o diretor do banco é assassinado e a sua sobrinha é raptada. Pior ainda, todo o dinheiro da caixa forte desapareceu.

O tema fundamental do filme: dinheiro!

A população, privada das suas poupanças, exige explicações e justiça. Steve e Sartana tornam-se assim nos bodes expiatórios perfeitos. Sartana tem a cabeça a prémio e Steve é linchado pelos cidadãos. Quando Django chega a Tombstone vê o cadáver do seu irmão pendurado na rua e vai atrás de Sartana para ajustar contas. No momento decisivo, e após uma troca de bofetadas, Django percebe que a história está muito mal contada e decide unir-se a Sartana para desmascarar os verdadeiros culpados.

Tony Kendall não é para brincadeiras

Com paisagens e belos cenários de cores escuras envolvidos em chuva, lama e sujidade, temos o venezuelano José Torres a interpretar o papel de mexicano mudo, temos algumas mulheres atraentes e temos os habituais brutamontes de serviço. Os italianos Tony Kendall e George Ardisson encarnam Django e Sartana, respetivamente. Ambos os atores têm uma história curiosa porque ambos defendem que Sergio Leone queria-os como protagonistas para o seu filme “Por Um Punhado de Dólares” (Kendall como “Joe” e Ardisson como “Ramon”).

Django e Sartana bebem uma fresquinha

Acima de tudo a ideia fundamental que fica é esta: Django é um tipo implacável e Sartana também. Quando os dois se juntam… ponham-se a pau!!


Trailer:



2015/07/28

...e vennero in quattro per uccidere Sartana! (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)


Imaginemos este cenário: dois amigos encontram-se. Ambos são fãs de westerns-spaghetti e estão num local a beber uns copos. Eis a conversa:

- Então pá, já viste o Sartana do Demofilo Fidani?
- Sartana? Qual deles? Não são dois?

- Sim, são dois. É aquele protagonizado pelo Jeff Cameron.
- Mas não são os dois com o Jeff Cameron?

- Pois é, tens razão! As minis já me estão a fazer efeito!
- Bebe mais um copo que isso passa!

- Dizia eu que o filme do Sartana é aquele em que aparecem quatro indivíduos para matar o Sartana.
- Ah, esse! Não, ainda não vi. É bom?

- Para quem gosta de westerns-spaghetti de série B não é mau.
- E quem são afinal esses quatro indivíduos que querem matar o Sartana?

- São quatro mercenários. Foram pagos por um tipo misterioso para limpar o sebo ao Sartana.
- Mas porquê? O Sartana fez mal a esse gajo?

- O gajo tem medo que o Sartana estrague os seus planos de rapto, extorsão e homicídio.
- Ele devia ter medo das autoridades em vez de ter medo do Sartana.

- Pelos vistos as autoridades pediram ajuda ao Sartana, já que o homem sabe o que faz quando se trata de despachar assassinos e vigaristas.
- Lá isso é verdade!

- Mais uma rodada, se faz favor! Certo?
- Sim, venham elas!

Jeff "Sartana" Cameron cheio de estilo.

- Como estava a dizer, o Sartana foi contratado pelo xerife para descobrir quem é o cabecilha deste complô e tem carta branca para fazer o trabalho.
- Já estou a imaginar balázios com fartura e sopapada que até ferve!

- Pois está claro! Isto é um western do Fidani, não é uma daquelas xaropadas “artisticamente bem estruturadas”!
- Artisticamente? “Vade Retro”, Satanás!!

- “Vade Retro”, não! Venham mas é mais umas fresquinhas, só por causa das tosses.
- Se faz favor! Mais do mesmo!

- E dizia eu que esse tipo misterioso…
- Mas é misterioso porquê?

- Porque fala com os seus capangas por trás de um quadro na parede. O quadro tem dois furos de onde só se vê os olhos.
- É estranho, realmente…

- E quando contratou os quatro mercenários para matarem o Sartana o gajo usou sempre uma capa preta, uma peruca comprida, um chapéu e nunca se vê a cara.
- E quem são esses quatro mercenários?

- Um é pugilista, outro anda com um chicote, outro é um “naifas” e o último é um pistoleiro que nunca dispara pelas costas.
- Está visto que não vai ser pera doce para o Sartana.

- Provavelmente. Terás de ver o filme para confirmar.
- Há algum DVD deste filme à venda?

- Infelizmente, não.
- Nem sequer na Alemanha ou na Itália?

- Não. Até à data ainda não. Em lado nenhum.
- É pena senão até comprava. Enfim, terei de ver o filme no computador. O ficheiro que tenho tem uma qualidade de imagem fraca mas é o que há.

- Bebemos mais uma, para a despedida?
- É capaz de ser melhor.

- Se faz favor! Duas!
- Quantas é que já bebemos hoje?

Um pugilista em ação.

- Nem sei. Já lhe perdi a conta.
- Não devem ter sido poucas.

- Porquê?
- Porque tanto paleio sobre um filme do Fidani só pode ser obra de tontos e de fracos do sentido.

- Alto lá! Eu não sou fraco do sentido!
- E tonto?

- Também não!
- Então já sei! Há um outro tipo de pessoas que falam dos westerns do Fidani como se de um génio se tratasse.

- Quem? Não conheço ninguém assim.
- Conheces, conheces.

- Quem?
- Alguém que anda na blogosfera a debitar baboseiras há mais de seis anos. Todos os meses escrevem baboseiras diferentes.

- Mas quem é essa gente?
- A equipa do blogue “Por Um Punhado De Euros”.

- Ena pá, essa dupla! Aqueles gajos não regulam bem, pois não?
- Quase de certeza que não. Quem é que no seu perfeito juízo tem um blogue sobre westerns-spaghetti? Hoje em dia os blogues de cinema são modernos e falam de temas modernos…

- Mas esses dois são da velha guarda, não são?
- São. Eles são tão antigos que, além de escreverem sobre filmes antigos, até compram DVD originais!

- É incrível! Isso já não se usa!
- E então, bebemos mais uma ou vamos embora?

- Vamos embora. A carga que levamos hoje já é mais do que suficiente…


2015/03/24

Sonora (1968 / Realizador: Alfonso Balcázar)

Aproveitando o sucesso de "Se incontri Sartana prega per la tua morte" de Gianfranco Parolini, o espanhol Alfonso Balcázar lançou-se de unhas e dentes à personagem, mesmo sem ter Gianni Garko ou um enredo relacionável com a personagem. Usou antes a prata da casa, George Martin, presença habitual nas produções da família catalã e cozinhou mais uma história de vingança. Sartana (Uriah, na dobragem inglesa/espanhola) é um caçador de recompensas, a sua presa mais apetecida é Slim Kovaks, um calhorda que lhe vale muito mais do que o valor da recompensa, é que Kovaks abusou e assassinou a esposa de Sartana. Não é propriamente o tipo de enredo que esperaríamos de um western catalogado como parte da franquia Sartana, mas lembremos-nos que não se tratando de uma sequela oficial, vale tudo menos arrancar olhos!

George Martin veste a capa de Django, perdão, Sartana.

Em bom nome da verdade diga-se que o filme não foi sequer planeado com esse propósito e o titulo italiano "Sartana non perdona" - que foi traduzido à letra em quase todo o lado - é a única coisa que faz paralelo com o pistoleiro de Parolini. E ao contrário do que eu próprio desconfiaria, a maior influência do filme nem sequer foi Parolini, mas sim Sergio Leone. Sendo especialmente reminiscente dos dois primeiros filmes da saga do «homem sem nome». Sem qualquer vergonha na cara, Balcázar copia mesmo algumas das situações usadas nesses dois filmes. Fá-lo ainda assim com algum bom gosto e com suporte de uma fotografia muito sólida. E a malandrice resultou, gorando até as minhas expectativas, que admito serem por regra fracas quando de produções da Balcázar Producciones Cinematográficas se trata.

Kirchner, um pistoleiro de traços ambíguos, lugar comum na carreira do mexicano Gilbert Roland.

Para além de Martin temos ainda interpretações eficazes de dois veteranos do western americano, Gilbert Roland, presença habitual nas produções deste lado do atlântico. Ele que volta aqui a aplicar a sua muito característica postura de pistoleiro romântico. O outro é Jack Elam (no papel de Kovacs), o actor de olhar diabólico que tantas vezes vimos nos westerns americanos faz aqui a sua segunda participação no western europeu, logo após a perninha que fez no supremo "C'era una volta il West". O autor Jasper P. Morgan desanca a interpretação de Elam no seu "Spaghetti Heroes: Django - Sartana - Ringo", mas pergunto-me se ele terá visto o mesmo filme que eu ou alguma dobragem alemã maluca? É que pessoalmente fiquei muito bem impressionado e até orgulhoso por vê-lo num papel maior do que habitualmente lhe cabia. Aquele olhar diabólico, que fazia a sua imagem de marca, mescla-se aqui francamente bem com este protótipo de vilão de aspecto nojento, trapaceiro e cobardolas.

Jack Elam (Kovacs) lança «aquele olhar» sobre Martin (Sartana/Uriah). Que é como quem diz: Hora de surra!

Não esperem uma obra original mas no meio de tanta porcaria, encontrarão divertimento nestes 92 minutos de película. O filme esteve até recentemente disponível apenas em velhas cassetes de VHS mas os italianos da Quinto Piano deram-se ao trabalho de o editar em formato digital (e outra alemã está já a a caminho). É uma edição fraca mas também não vos vai ferir os olhinhos habituados aos 1080p.


Trailer:

2015/02/17

Fora de tópico | Lançamento "Für ein paar Leichen mehr - Sonora"


Até bastante recentemente "Sonora" (também conhecido por "Sartana não perdoa") era um dos westerns-spaghetti mais difíceis de obter em formato digital, mas a história está a mudar. Em Junho do ano passado a italiana Quinto Piano disponibilizou pela primeira vez o filme em DVD e para finais de Março chegará mais uma versão ás lojas, esta pela mão dos alemães da Wild Coyote (audio em inglês e alemão). Esperemos que a qualidade supere a versão transalpina que usou uma transferência bastante fraca (ver aqui algumas capturas de imagem). 

2014/07/15

Fora de tópico | Lançamento "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie No. 3"


Na primeira quinzena de Agosto chega ás lojas o terceiro volume da "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie". Para não variar este volume também vêm carregado de bons westerns, incluindo os dois filmes da saga «Pecos», e o seminal "Mille dollari sul nero". A não perder!

2014/04/28

Fora de tópico | Lançamento "Sartana"


Hoje temos noticias excitantes para os coleccionadores mais inveterados. A editora germânica Xcess Entertainment acaba de anunciar o lançamento de "Mille dollari sul nero" em caixa dura. A edição vai aparecer com três capas diferentes e como habitual em quantidades bastante limitadas. Compras e mais especificações neste link.

2013/05/14

Fora de tópico | Lançamento "Sartana Box Set"


Preparem as carteiras.  Em Junho chegará as lojas a mui aguardada caixa com os quatro filmes oficiais da saga "Sartana", ou seja os quatro protagonizados por Gianni Garko. A edição que a Wild East aponta agora ao mercado contará também com algum conteúdo extra de onde se destaca uma entrevista com o actor que conheceu a fama graças à personagem. 

2012/10/22

Sartana nella valle degli avvoltoi (1970 / Realizador: Roberto Mauri)

Eis mais uma produção italiana de baixo orçamento que procurou encaixar algum dinheiro por via da utilização abusiva do apelido Sartana. Personagem lançada originalmente por Gianfranco Parolini e que despoletaria uma série de filmes oficiais (já resenhados por aqui) e claro está, muitos mais no mercado paralelo. E na verdade para com a personagem popularizada por Gianni Garko, este pseudo Sartana apenas no uso da capa negra se poderá assemelhar.

O jogador intrometido, ganancioso mas justo; transforma-se nesta versão num bandido procurado pela lei, capaz de matar à mínima provocação. Curiosamente coube ao austríaco William Berger envergar as vestimentas Sartana, ele que até participara no filme de lançamento oficial da saga, “Se incontri Sartana prega per la tua morte”, em que desempenhara um dos antagonistas, Lasky! Lee Calloway ou Sartana (William Berger) é um foragido da lei, a sua cabeça vale já 10000 dólares, valor que o coloca nas prioridades dos caçadores de recompensas locais. Hábil no gatilho leva a melhor nesses embates.


Incentivado por uns patifes da mesma laia que ele, irá tomar a prisão local de assalto e libertar os irmãos Douglas, com os quais pretende dividir o ouro que estes haviam rapinado ao exército e que esconderam antes de serem capturados. É claro que depois de se verem em liberdade os três irmãos tentam livrar-se de Calloway a cada oportunidade. Surpreendido numa destas tentativas de fuga dos Douglas, o nosso anti-herói acaba amarrado a um cartucho de dinamite, mas safa-se miraculosamente e dá então caça aos seus ex-associados. Tudo se inverterá no entanto e o caçador torna-se na presa. Uma situação completamente reminiscente do estupendo “Sentenza di morte” de Mario Lanfranchi, onde é o homem armado que foge dos seus perseguidores.

Infelizmente este que é o grande mote lançado pelo título do filme revela-se numa mui entediante e mal filmada perseguição. Que sai claramente prejudicada pela falta de um orçamento que permitisse filmagens em ambientes mais apropriados (esclareça-se que aquele que é exaltado como perigosíssimo deserto se monstra na verdade ser bastante outonal). Filmado inteiramente em Itália e portanto sem acesso aos convincentes desertos andaluzes, a débil ilusão de desertificação conseguida prejudica profundamente a autenticidade do filme.


Apesar de ter realizado uma série considerável de westerns (Colorado Charlie, Wanted Sabata, ...e lo chiamarono Spirito Santo, etc.), Roberto Mauri não será recordado como um dos grandes realizadores do género, e este “Sartana nella valle degli avvoltoi” - que até é um dos seus filmes mais aceitáveis - não é grande espingarda, mas também não é completamente vulgar. Acabando por cumprir alguns requisitos mínimos, que lhe permitem uma entrada directa para o gigantesco lote dos euro-westerns que nem aquecem nem arrefecem.

O filme foi exibido em Portugal com o título “Sartana no Vale dos Abutres”, mas nos dias de hoje como seria de esperar não está disponível em DVD. Está contudo disponível em várias edições por esse mundo fora, aquela que disponho é uma edição britânica da C’est La Vie, que apresenta o filme em formato widescreen com áudio em inglês. A imagem é tão nítida que permite ver coisas tão características do cinema de outrora como os fios de coco que puxam as articulações de um escorpião, usado numa das derradeiras cenas do filme. Algo que poderia passar despercebido nas décadas de 60 e 70 mas que hoje em dia surgem nuas aos nossos olhos, sendo impossível não considerar filmes como este, datados de uma outra época. Apenas para curiosos!

Lobbys:


Trailer:

2010/12/15

Una nuvola di polvere... un grido di morte... arriva Sartana (1970 / Realizador: Giuliano Carnimeo)


Sartana abate três supostos homens da lei que aterrorizam um juiz e sua filha, de seguida entrega-se às autoridades da presidiária local. Os carcereiros espancam-no e colocam-no dentro de grades. Pouco depois, uma troca de olhares com um dos prisioneiros indicia o jogo de Sartana. Afinal o nosso herói de capa negra fez-se encarcerar para chegar a Grande Full (Piero Lulli), o mais célebre dos aprisionados. Grand Full parece saber o paradeiro de uma elevada soma de dinheiro, parte em ouro e parte em notas falsificadas. Tudo indica que o lote esteja escondido em Grandville, para onde cavalga Sartana depois de se evadir da prisão. Lá ficamos a saber que meia cidade está interessada no dinheiro, incluindo um xerife corrupto (Massimo Serato), um general e seu bando de malfeitores (José Jaspe), uma viúva-alegre (Nieves Navarro), um velhote engenhoso (Franco Pesce) e até um agente federal (Frank Braña). Mas ninguém sabe ao certo o paradeiro do dinheiro. Sartana inicia então a sua própria investigação do caso, prometendo parceria com todos os anteriormente mencionados, que afinal apenas manipulará na sua grande caça ao tesouro.

Este foi o quarto e último filme protagonizado por Gianno Garko para a franquia Sartana. É também aquele que mostra um argumento mais elaborado, sempre embebido num clima de suspense, não muito distante dos filmes de detectives. Cheio de flashbacks e outros demais clichés dessa vertente: um assassinato por resolver, uma elevada soma de dinheiro desaparecido, um punhado de implicados, etc. “Una nuvola di polvere... un grido di morte... arriva Sartana” é também o titulo que compila as mais forçadas e inacreditáveis engenhocas que Gianfranco Parolini e Giuliano Carnimeo foram introduzindo nos títulos anteriores da saga.

O auge da patetice é atingido com a entrada em cena de um órgão de tubos que afinal serve como letal arma, ora transformado em canhão ora em metralhadora. A par da máquina de costura de “Aleluia” este é um dos momentos mais irrealistas de todos os westerns-spaghetti que já assisti. É claro que em “Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja” Carnimeo assinava propositadamente um western cómico, e aí sim, tudo é permitido! Outra das engenhocas mais embaraçosas é Alfie, um boneco índio que se move através de um sistema mecânico. Já a habitual Derringer, que Sartana sempre usou foi aqui suplantada pelo mais corriqueiro Colt. Uma pena!


“Sartana, o vingador” - título português - não está até à data em que escrevo estas linhas, disponível no mercado português. Aos que se dão bem com o espanhol recomendo o DVD da Impulso Records (incluído na “La colección sagrada del spaghetti western”), que contem o filme num formato widescreen e com uma imagem cristalina.

E com estes breves comentários dizemos não um “adeus”, mas um “até já” ao nosso amigo Sartana. Os filmes que incluímos neste ciclo, são provavelmente os mais notáveis da saga, mas existem obviamente muitos mais com a sua marca. Filmes que de um modo ou de outro se apropriam da personagem, mas que na sua maioria para além do nome “Sartana” pouco mais têm em comum com as características definidas quer por Parolini quer por Carmineo. Alguns desses filmes são realmente intragáveis, outros até cumprem os mínimos de divertimento, mas a seu tempo lhes dedicaremos o seu espaço no “Por um punhado de euros”. Em breve estaremos no Natal, quem sabe o Pai Natal não vos põe um “Sartana” no sapatinho!


Para aguçar o apetite aqui fica mais um punhado de lobby cards:



Trailer:

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