2010/08/02

E Dio disse a Caino... (1969 / Realizador: Antonio Margheriti)


Não acredito no amor à primeira vista mas com este filme foi quase isso! Foi o meu amigo Pedro Pereira que me facultou este excelente western e apenas precisei de três visualizações para concluir o seguinte: na primeira vez fiquei com a pulga atrás da orelha, na segunda vez classifiquei o filme de muito bom e na terceira vez constatei que corresponde sem dúvida ao meu ideal de western e consequentemente fará parte da minha exigente e restrita colecção de DVD. O tema é novamente a vingança e normalmente todo esse processo é acompanhado de violência, ódio, ganância e morte. Aqui não é excepção. Se acrescentarmos tudo isso num ambiente lúgubre, tanto melhor!


Após 10 anos de pena de prisão com trabalhos esforçados, o tenente Gary Hamilton (Klaus Kinski) é amnistiado. Uma vez que a sua condenação foi injusta, porque foi vítima de uma hábil conspiração, apenas tem uma coisa em mente agora que é um homem livre: tratar da saúde aos conspiradores! Com o pouco dinheiro que lhe resta compra um cavalo e uma espingarda e dirige-se à cidade onde os seus inimigos vivem à grande e à francesa! Estando cientes da chegada de Hamilton, o líder Acombar e os seus lacaios fazem uma espera à entrada da cidade para liquidar o protagonista. Contudo, uma forte tempestade cai sobre a cidade, dificultando a tarefa dos meliantes. Tudo acontece ao longo dessa terrível noite, com Hamilton a movimentar-se furtivamente pelos subterrâneos da cidade. Ao alvorecer, a sede de vingança é finalmente saciada!


Antonio Margheriti (Joko invoca Dio... e muori), que assinou sob o pseudónimo Anthony Dawson, é um cineasta ligado aos filmes de terror e conseguiu fazer uma ponte perfeita entre dois géneros cinematográficos. E dio disse a Caino é um sinistro western sobrenatural, confinado a um espaço fechado e claustrofóbico e com uma mão cheia de mortes arrepiantes (enforcar um homem na corda de um sino, esmagar outro sob esse mesmo sino, etc.). A interessante partitura musical de Carlo Savina realça ainda mais o ambiente do filme. Klaus Kinski lidera o elenco de forma sólida, fugindo aos habituais papéis de vilão. Temos também a presença de Peter Carlsten, Marcella Michelangeli e Antonio Cantafora.

Na Europa, este filme está editado em DVD apenas na Alemanha e na França, o que me parece terrivelmente escasso. Tenho o DVD francês cujo título é “Et le vent apporta la violence”. Tem áudio em francês e italiano, legendas em francês e imagem no formato letterbox 2.35:1. Balanço final: Antonio Margheriti realizou uma extraordinária mescla de horror gótico e western violento e Klaus Kinski protagoniza um grande filme, mantendo-se como um dos reis do subgénero! Quando assim é, que mais um fã pode querer?


Trailer:

12 comentários:

  1. A mí es una película que me gustó mucho sobre todo por la originalidad de mezclar una atmósfera más propia del cine gótico con un spaghetti. Y eso que la versión editada en España por Jennymar es una auténtica chapuza que no respeta el formato original y cuenta con una imagen defectuosa.

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  2. Quando vi este filme há alguns anos atrás, reagi mais ou menos como o amigo Emanuel e surpreendeu-me sobretudo todo esta atmosfera gótica e lúgubre como tão bem dizem os amigos Emanuel e Jesús e este filme é a prova provada de que um argumento simples e um orçamento baixo podem ser sinónimo de qualidade. Aliás, Antonio Margheriti, o realizador, já nos tinha brindado com este tipo de atmosfera noutro excelente western, na minha opinião, já editado em Portugal JOKO INVOCA DIO... E MUORI (DUELO ENTRE GIGANTES).
    No entanto, o que me surpreendeu mais neste filme foi a interpretação de Klaus kinski, muito contida e muito sóbria, coisa pouco vista neste actor, que apesar de não ser dos meus preferidos, reconheço-o uma competência muito acima da média.
    Resumindo, mais uma pérola do género a descobrir ou a redescobrir.

    Título em Portugal:
    DIREITO DE VINGANÇA

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  3. Sem dúvida, uma das melhores misturas entre horror e western! E o Kinski está sensacional!

    Grande abraço!

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  4. Obra maestra. No en vano Margheriti es uno de los grandes directores de la escuéla gótica italiana.
    Inolvidable toda la película y sobrenatural Kinski.

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  5. Todos de acordo, é um grande filme. Fico feliz de poder ter mostrado tal obra ao meu amigo Emanuel. Pena que o título não esteja disponível em Portugal à imagem de "Joko...".

    Reparei no entanto que saiu recentemente em Espanha, vi-o de relance no El Corte Inglés de Badajoz, mas como tenho a versão em Inglês do Franco Cleef não comprei.


    @ António,
    Obrigado pela informação sobre o título português. Existirá alguma base de dados nacional onde se possam consultar os títulos atribuídos por cá?

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  6. Amigo Pedro, infelizmente não há nenhuma base de dados nacional, sei muitos dos títulos através de pesquisas que faço em jornais antigos, é um dos meus passatempos preferidos, pesquisar jornais antigos...

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  7. É realmente uma pena, mas apesar de não existir tal base de dados é bom saber que alguém têm pesquisado e compilado essa informação. Muito obrigado!

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  8. esse eu nunca mais assisti, um dia desses vou rever.

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  9. Pois é, compañeros! O amigo António é aquela máquina, uma vez que nos fornece informação muito interessante! Por acaso há algumas semanas interroguei-me de qual seria o título deste filme em Portugal... agora já sabemos!
    O filme não é por acaso que consta no meu top 10... é um óptimo exemplo de qualidade sem grandes custos, tal como foi apontado pelo António!
    Sócio Pedro, o facto do filme não estar editado em DVD em Portugal é coisa a que já estamos habituados! Filmes de qualidade, sobretudo westerns-spaghetti, é quase uma nulidade!

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  10. o dvd lançado no brasil pela ocean tem uma excelente quelidade

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  11. Infelizmente a Ocean não parece muito interessada em exportar o seu catálogo. Uma idiotice dadas as ligações culturais e linguísticas entre Portugal e Brasil!

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  12. Sergio Leone não gostava quando diziam que ele era o pai do western spaghetti. Reclamando dizia "quantos filhos da puta deixei por aí". Não é caso de Antonio Margheriti diretor deste faroeste. No entanto, apesar da presença do grande ator alemão Klaus Kinski e do bom elenco de coadjuvantes, este não está na relação dos meus preferidos. Nota 6.

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