Estivemos recentemente à conversa com o ilustre António Araújo, no seu Podcast Segundo Take. O pretexto foi falarmos um pouco de nós, do livro Por um Punhado de Euros - O Génio de Leone, o caixão de Django e a loucura de Fidani e claro do western-spaghetti com foco no clássico "E Dio disse a Caino" e o filme que o precedeu "Un straniero a Paso Bravo". O episódio está agora online e podem ouvi-lo directamente no sítio www.segundotake.com ou nas plataformas habituais. Abaixo o player para uma dessas!
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07/11/2021
01/04/2020
La vendetta è un piatto che si serve freddo (1971 / Realizador: Pasquale Squitieri)

O jovem Jeremiah Bridge (Leonard Mann) crê que os seus pais foram massacrados por um grupo de índios selvagens. Alguns anos depois, já adulto, Jeremiah é um homem que destila ódio contra os índios e é agora um implacável matador de indígenas (e vendedor de escalpes). Os seus sentimentos começam a mudar quando encontra uma jovem índia que levou um tratamento com alcatrão e penas. A arrogância do ricaço Perkins (Ivan Rassimov) e do seu sabujo Virgil Prescott (Klaus Kinski) leva Jeremiah a ver as coisas de outro prisma. No fim, ele descobre quem são os verdadeiros selvagens e os verdadeiros assassinos.
Agarrem essa gaja!
Este filme é um dos poucos westerns-spaghetti que aborda o tema do ódio / racismo entre brancos e índios (e toma partido do lado dos índios). Klaus Kinski teve um papel menor neste filme, o que não o impediu de “armar barraca”. Segundo o realizador Pasquale Squitieri, na cena em que Kinski é levado à força por vários indivíduos, o irascível ator alemão desatou a bater em todos os que se aproximavam dele.
E que tal um balázio nas trombas?
Squitieri mandou parar tudo, perguntou o que se passava e Kinski respondeu: “Realismo! Isto tem de ter realismo!”. Squitieri pediu-lhe calma. Mas o cabrão era tinhoso e tinha a mania nos cornos! Continuou a fazer a mesma merda até que Squitieri entrou em cena com um taco de basebol nas mãos pronto para lhe escavacar a marmita! Só aí é que Kinski baixou a bolinha e fez as coisas como deve ser.
Leonard Mann, o caçador de índios!
Título original italiano traduzido à letra: “A vingança é um prato que se serve frio”.
Título em Espanha: “Le venganza esperó diez años”.
Título em Portugal: “Fúria Selvagem”.
30/12/2019
Il ritorno di Clint il solitario (1972 / Realizador: Alfonso Balcázar)
Clint Madison regressou. Todos pensavam que tinha morrido. A sua esposa, conhecida por todos como “a viúva”, ainda vive no Rancho Green Circle com os seus dois filhos, Jimmy e Betty. Clint apresenta-se perante a sua mulher, desta vez disposto a largar as armas e a abraçar a vida pacífica do campo. Mas uns rufiões andam a ameaçar os agricultores daquela região.
Clint recusa-se a lutar. Os seus filhos acham que ele não passa de um cobarde. Mas os rufiões são mais chatos do que a merda, agridem a família de Clint e matam um jovem agricultor. Os “flashbacks”, ao longo de todo o filme, explicam porque é que o protagonista não quer voltar à vida violenta de outrora.

Vais levar um papo-seco na tromba!!
Por aquelas bandas anda um caçador de prémios ansioso por encaixar 5 000 dólares pela captura de Clint Madison. Quem vai ganhar esta contenda? Clint? Os rufiões? Ou o caçador de recompensas?
Francisco Celeiro Martinez, ou melhor, George Martin, e Nikolaus Günther Karl Nakszynski, isto é, Klaus Kinski, são os dois grandes focos deste western mediano. O primeiro é mortífero com uma espingarda Winchester nas mãos. O segundo fuma charuto, veste uma longa capa, movimenta-se com pezinhos de lã e exibe um cabelo comprido à metaleiro.

Kinski, o pistoleiro!
A música é do maestro Ennio Morricone porque foi roubada à força toda, perdão, foi desviada de outros westerns, nomeadamente “I Crudeli” e “Tepepa”.
05/03/2018
Per una bara piena di dollari (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)
George Hamilton é um militar da Confederação que regressa a casa. A sua família foi assassinada e o seu rancho foi reduzido a cinzas. O único sobrevivente é Sam, um escravo negro que, mesmo após a Guerra Civil, quis continuar a trabalhar para a família Hamilton. Os cabrões que cometeram estes crimes andam aí! E quem é o mandachuva? O mexicano Tamayo ou o raivoso Hagen? George Hamilton vai em busca da verdade sem hesitar. A única pista, para já, é um relógio de bolso que toca uma suave melodia e que foi encontrado no meio dos escombros. O resto do mundo que se prepare porque agora George já só responde pelo seu nome de guerra: Nevada Kid.
Obra tipicamente fidaniana, “Per Una Bara Piena di Dollari” é um retrato fiel da maneira muito peculiar de como o realizador Demofilo Fidani fazia os seus westerns. Foi a segunda e última colaboração de Fidani com o ator Klaus Kinski (já tinham trabalhado juntos em “Giù La Testa… Hombre!”). Kinski era teimoso que nem um corno mas aparentemente respeitava Demofilo Fidani (pudera, o velhote tinha um físico que impunha respeito!).

Klaus Kinski está desconfiado!
O diretor de fotografia, Aristide Massaccesi (nome de guerra: Joe D’Amato), é que esteve quase a partir as trombas a Kinski. No último momento, Fidani meteu-se no meio da confusão e cada um foi para seu lado. Em privado, Kinski e Fidani tiveram uma conversa séria. Foi mais ou menos isto: “Klaus, a partir de agora ou fazes tudo o que te dizem para fazeres ou quem te parte o focinho sou eu! Chiaro?!” Foi remédio santo! A partir daí tudo correu lindamente e consta até que Klaus Kinski e Aristide Massaccesi se tornaram amigos.

Um churrasco à mexicana!
A lindíssima Simone Blondell, atriz e filha do realizador, fazia parte do elenco. Kinski, tarado sexual de primeira categoria, andava sempre com o ponteiro fora da braguilha mas não há qualquer registo sobre uma hipotética relação entre ambos. Nem mesmo na sua autobiografia, onde o irascível ator alemão se gaba constantemente das suas aventuras sexuais.

O acrobata Jeff Cameron.
Dezenas, centenas, milhares de gajas que Klaus Kinski papou! Se calhar, até metade do mundo marchou! E a outra metade não marchou porque começaram a dar-lhe cãibras, muito provavelmente! Enfim, Klaus Kinski era a personificação da hipérbole!
28/02/2017
Un genio, due compari, un pollo (1975 / Realizador: Damiano Damiani)
O ano é 1975. Sergio Leone tinha o rei na barriga e vivia dos altos rendimentos que os seus westerns deram. Agora a sua obsessão era filmar “Era Uma Vez na América” mas a coisa não estava fácil. Decidiu fazer de produtor em 1973 e, dois anos depois, voltou à carga. Mas a sua capacidade como produtor era uma sombra daquilo que valia como realizador. O homem era chato, era incompetente e ainda por cima não era totalmente honesto com os seus realizadores. Em suma, Sergio Leone produtor era um malandro de primeira categoria. Apostava em westerns cómicos mas não dava o braço a torcer porque se as coisas falhassem atirava as culpas para cima do realizador, que tinha poderes muito limitados. Aconteceu com Tonino Valerii em 1973, aconteceu com Damiano Damiani neste filme.
“Chamavam-lhe Génio” (título em Portugal) é mais um veículo perfeito para o ator Terence Hill, que volta a fazer o que melhor sabe: um pistoleiro veloz como um raio, despreocupado, sujo, dorminhoco, ginasta e especialista em cravar chapadas nos inimigos. Este filme, embora nunca fique totalmente claro, parece ser uma espécie da continuação das aventuras de “Ninguém”.
O protagonista veste-se da mesma maneira, também carrega a sela ao ombro mas desta vez adota outro nome: Joe Thanks. Várias cenas foram filmadas em Monument Valley, Arizona, há cenários e locais idênticos e a equipa técnica é praticamente a mesma que acompanhou Tonino Valerii dois anos antes (Giuseppe Ruzzolini na fotografia, Ennio Morricone na música, Nino Baragli na montagem, Sergio Leone a produzir).
O enredo é perfeitamente banal: Joe Thanks, em parceria com Lucy e Locomotiva Bill, ambicionam roubar 300 000 dólares ao exército americano. E é isso! Nada mais! Dá a sensação que tudo foi feito “às três pancadas” e a inclusão de humor brejeiro / javardo estraga ainda mais o filme. Há que salientar o “cameo” de Klaus Kinski logo no início do filme. Esta sua breve presença só revela a esperteza do ator alemão: apareceu 10 minutos, embolsou o cachet (não deve ter sido pouco) e pirou-se! Ele é que fez bem!
Os alemães não foram em cantigas e venderam este filme como continuação do filme de Valerii, "Ninguém é o maior!", eis a propaganda:
Isto só vai lá à lei da bomba!
“Chamavam-lhe Génio” (título em Portugal) é mais um veículo perfeito para o ator Terence Hill, que volta a fazer o que melhor sabe: um pistoleiro veloz como um raio, despreocupado, sujo, dorminhoco, ginasta e especialista em cravar chapadas nos inimigos. Este filme, embora nunca fique totalmente claro, parece ser uma espécie da continuação das aventuras de “Ninguém”.
Prova de atletismo no forte militar.
Klaus Kinski, o único gajo com juízo neste filme.
Os alemães não foram em cantigas e venderam este filme como continuação do filme de Valerii, "Ninguém é o maior!", eis a propaganda:
25/10/2016
Black Killer (1971 / Realizador: Carlo Croccolo)
Tombstone é uma cidade apavorada! O medo deve-se à violência que os irmãos O’Hara exercem sobre a população. Assaltos e homicídios são o prato do dia. O juiz é um malandro corrupto e o xerife é tão inútil que depressa acabam com ele. O advogado James Webb (Klaus Kinski) chega à cidade. Elegantemente vestido de negro, Webb vem carregado de livros muito importantes, muito especiais e muito misteriosos.
Procura saber rapidamente o que se passa naquela localidade e, sendo um advogado abelhudo, mete o nariz (discretamente) em todo o lado: espreita pelas janelas, ouve atrás das portas, esconde-se atrás dos cortinados e nunca se separa de, pelo menos, um dos seus essenciais tomos da lei. Com pezinhos de lã e constantemente a recorrer ao paleio técnico (cita artigos da lei), o advogado Webb cedo percebe que o juiz é um ciganão e que não tem intenção nenhuma de acabar com a corrupção.
Preparando a artilharia.
Enquanto isso, um tal Burt Collins chega a Tombstone. O homem tem o dedo leve no gatilho e Webb insiste que o tipo seja nomeado xerife. Com a estrela ao peito, Collins limpa a cidade (com a extraordinária ajuda da sua cunhada índia especialista em arco e flecha) e o advogado mantém-se nos bastidores com os seus inseparáveis livros. Mas que raio de livros serão aqueles?
“Black Killer” é um dos 7 westerns que o ator Klaus Kinski fez no ano de 1971. É um filme fraco, com uma montagem descuidada e que recorre a alguma nudez feminina para evitar que o pessoal se deixe dormir durante os 90 minutos que o filme dura. Alguns perguntar-se-ão como é que um ator de prestígio como Klaus Kinski aceitava estes papéis nestas produções rascas.
Este artigo da lei é mortal!
Eis a resposta: “A certa altura eu já nem me dava ao trabalho de ler argumentos. Nem queria saber! Chegava lá, fazia o que tinha a fazer, recebia o dinheiro e ia-me embora!” E quanto aos westerns-spaghetti, concretamente: “Muitos e muitos westerns que fiz em Itália”, dizia Kinski, “cada um pior do que o outro!
E os seus pseudo-realizadores ainda mais incompetentes! E quanto mais incompetentes eles eram mais hostis se tornavam! Mas pagavam-me bem e isso é que me interessava. Com o estilo de vida que eu levo preciso de trabalhar.”
Sangue!!
De facto, ao ler a sua autobiografia, eu próprio constatei que Klaus Kinski levava uma vida absurdamente cara: 7 Ferraris, 6 Rolls-Royce, 3 Maseratis, várias mansões, apartamentos e palacetes na Europa e na América, viagens, banquetes, champanhe, caviar e muitas putas è discrição!
Chegou a ganhar um salário astronómico de 50 000 Marcos por dia mas… será que era suficiente para cobrir todas estas despesas loucas? Excêntrico e genial para uns, alucinado de merda que não respeitava nada nem ninguém para outros, Klaus Kinski era mesmo assim: um homem de extremos. Com ele, ou oito ou oitenta!
29/02/2016
15/02/2016
08/02/2016
28/12/2015
02/11/2015
23/09/2015
Filme completo | Il mio nome è Shangai Joe (1973)
Shanghai Joe é um emigrante chinês em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos da América. Mas chegado ao destino encontrará tudo menos calorosas recepções. Aproveitem e vejam ou revejam "Il mio nome è Shangai Joe", um dos mais infames filmes de Mario Caiano, que infelizmente nos abandonou por estes dias. RIP.
23/09/2014
Fora de tópico | Lançamento "Töte Amigo"
Reconhecido por muitos como um dos melhores westerns que o filão europeu viu ser lançado, "Quién sabe?", passa agora a estar disponível em formato BluRay também na Europa. A edição é da Koch Media e vêm apinhada de opções e material extra. Já está à venda na Amazon.
02/09/2014
La Belva (1970 / Realizador: Mario Costa)
Por esta altura da sua vida profissional Klaus Kinski estava no auge. Era um ator com grande reputação e com um estatuto que muitos ambicionavam ter. Tinha a fama (e o proveito) de ser um tipo conflituoso, de mau génio, de acessos de fúria. A sua personalidade narcisista fazia aumentar o seu número de inimigos no mundo do cinema mas o que é certo é que nunca lhe faltou propostas de trabalho.
Segundo a sua autobiografia Klaus Kinski levava uma vida de luxo e precisava de estar sempre a trabalhar porque as mansões, os carros topo de gama, as viagens exóticas e as extravagâncias de outra ordem (entenda-se putas e vinho verde) não eram possíveis se não houvesse muito dinheiro. Deste modo, Kinski aceitava praticamente tudo o que lhe ofereciam a nível profissional.
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Conta no seu currículo registos sob a batuta de lendas como David Lean, Sergio Leone e Sergio Corbucci mas também trabalhou com nomes mais humildes como Giuseppe Vari, Demofilo Fidani, Enzo Gicca Palli ou Mario Costa. Com este, Kinski protagoniza um western fraco, de baixa qualidade, desinteressante mas o personagem que encarna assenta-lhe que nem uma luva.
Ele é Johnny Laster, um tarado sexual maluco dos cornos que fica alucinado sempre que vê uma mulher. Mas quando tenta alguma coisa com elas as mulheres afastam-no porque o gajo é mais bruto do que uma carrada de porcos! Sexo e dinheiro são drogas viciantes e quando surge uma oportunidade de ganhar uma bela soma através de um esquema de burla, rapto, vigarice e traição Johnny não diz que não, desde que isso implique ficar mais rico e poder papar as mulheres que quiser.
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Para a história ficam as inúmeras discussões entre Klaus Kinski e Mario Costa. Um achava-se o centro do universo e o outro não conseguia controlá-lo. As zangas subiam de tom até que Mario Costa disse algo como “eu vou fazer com que sejas expulso de Itália! E vou fazer de tudo para que nunca mais faças nenhum filme!”.
E Kinski, na sua habitual delicadeza semelhante às patas de um urso, ripostou: “Só eu e Deus é que sabemos se faço mais filmes e não um verme como tu! Mas muito antes disso tu já estarás estendido no caixão!”. Não se lhe conhece qualidades de profeta mas Klaus Kinski acertou. Ao fim de alguns meses o realizador Mario Costa morreu e Kinski continuou a somar filmes no seu currículo. A sua longa batalha profissional e pessoal terminou no dia 23 de novembro de 1991. Um ataque cardíaco fulminante colocou o ponto final. Tinha 65 anos.
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