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30/12/2019

Il ritorno di Clint il solitario (1972 / Realizador: Alfonso Balcázar)

Clint Madison regressou. Todos pensavam que tinha morrido. A sua esposa, conhecida por todos como “a viúva”, ainda vive no Rancho Green Circle com os seus dois filhos, Jimmy e Betty. Clint apresenta-se perante a sua mulher, desta vez disposto a largar as armas e a abraçar a vida pacífica do campo. Mas uns rufiões andam a ameaçar os agricultores daquela região. Clint recusa-se a lutar. Os seus filhos acham que ele não passa de um cobarde. Mas os rufiões são mais chatos do que a merda, agridem a família de Clint e matam um jovem agricultor. Os “flashbacks”, ao longo de todo o filme, explicam porque é que o protagonista não quer voltar à vida violenta de outrora.

Por aquelas bandas anda um caçador de prémios ansioso por encaixar 5 000 dólares pela captura de Clint Madison. Quem vai ganhar esta contenda? Clint? Os rufiões? Ou o caçador de recompensas?

Vais levar um papo-seco na tromba!!

Francisco Celeiro Martinez, ou melhor, George Martin, e Nikolaus Günther Karl Nakszynski, isto é, Klaus Kinski, são os dois grandes focos deste western mediano. O primeiro é mortífero com uma espingarda Winchester nas mãos. O segundo fuma charuto, veste uma longa capa, movimenta-se com pezinhos de lã e exibe um cabelo comprido à metaleiro.

Kinski, o pistoleiro!

A música é do maestro Ennio Morricone porque foi roubada à força toda, perdão, foi desviada de outros westerns, nomeadamente “I Crudeli” e “Tepepa”.

25/10/2016

Black Killer (1971 / Realizador: Carlo Croccolo)

Tombstone é uma cidade apavorada! O medo deve-se à violência que os irmãos O’Hara exercem sobre a população. Assaltos e homicídios são o prato do dia. O juiz é um malandro corrupto e o xerife é tão inútil que depressa acabam com ele. O advogado James Webb (Klaus Kinski) chega à cidade. Elegantemente vestido de negro, Webb vem carregado de livros muito importantes, muito especiais e muito misteriosos. Procura saber rapidamente o que se passa naquela localidade e, sendo um advogado abelhudo, mete o nariz (discretamente) em todo o lado: espreita pelas janelas, ouve atrás das portas, esconde-se atrás dos cortinados e nunca se separa de, pelo menos, um dos seus essenciais tomos da lei. Com pezinhos de lã e constantemente a recorrer ao paleio técnico (cita artigos da lei), o advogado Webb cedo percebe que o juiz é um ciganão e que não tem intenção nenhuma de acabar com a corrupção.

Preparando a artilharia.

Enquanto isso, um tal Burt Collins chega a Tombstone. O homem tem o dedo leve no gatilho e Webb insiste que o tipo seja nomeado xerife. Com a estrela ao peito, Collins limpa a cidade (com a extraordinária ajuda da sua cunhada índia especialista em arco e flecha) e o advogado mantém-se nos bastidores com os seus inseparáveis livros. Mas que raio de livros serão aqueles? “Black Killer” é um dos 7 westerns que o ator Klaus Kinski fez no ano de 1971. É um filme fraco, com uma montagem descuidada e que recorre a alguma nudez feminina para evitar que o pessoal se deixe dormir durante os 90 minutos que o filme dura. Alguns perguntar-se-ão como é que um ator de prestígio como Klaus Kinski aceitava estes papéis nestas produções rascas.

Este artigo da lei é mortal!

Eis a resposta: “A certa altura eu já nem me dava ao trabalho de ler argumentos. Nem queria saber! Chegava lá, fazia o que tinha a fazer, recebia o dinheiro e ia-me embora!” E quanto aos westerns-spaghetti, concretamente: “Muitos e muitos westerns que fiz em Itália”, dizia Kinski, “cada um pior do que o outro! E os seus pseudo-realizadores ainda mais incompetentes! E quanto mais incompetentes eles eram mais hostis se tornavam! Mas pagavam-me bem e isso é que me interessava. Com o estilo de vida que eu levo preciso de trabalhar.”

Sangue!!

De facto, ao ler a sua autobiografia, eu próprio constatei que Klaus Kinski levava uma vida absurdamente cara: 7 Ferraris, 6 Rolls-Royce, 3 Maseratis, várias mansões, apartamentos e palacetes na Europa e na América, viagens, banquetes, champanhe, caviar e muitas putas è discrição! Chegou a ganhar um salário astronómico de 50 000 Marcos por dia mas… será que era suficiente para cobrir todas estas despesas loucas? Excêntrico e genial para uns, alucinado de merda que não respeitava nada nem ninguém para outros, Klaus Kinski era mesmo assim: um homem de extremos. Com ele, ou oito ou oitenta!