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30/12/2019

Il ritorno di Clint il solitario (1972 / Realizador: Alfonso Balcázar)

Clint Madison regressou. Todos pensavam que tinha morrido. A sua esposa, conhecida por todos como “a viúva”, ainda vive no Rancho Green Circle com os seus dois filhos, Jimmy e Betty. Clint apresenta-se perante a sua mulher, desta vez disposto a largar as armas e a abraçar a vida pacífica do campo. Mas uns rufiões andam a ameaçar os agricultores daquela região. Clint recusa-se a lutar. Os seus filhos acham que ele não passa de um cobarde. Mas os rufiões são mais chatos do que a merda, agridem a família de Clint e matam um jovem agricultor. Os “flashbacks”, ao longo de todo o filme, explicam porque é que o protagonista não quer voltar à vida violenta de outrora.

Por aquelas bandas anda um caçador de prémios ansioso por encaixar 5 000 dólares pela captura de Clint Madison. Quem vai ganhar esta contenda? Clint? Os rufiões? Ou o caçador de recompensas?

Vais levar um papo-seco na tromba!!

Francisco Celeiro Martinez, ou melhor, George Martin, e Nikolaus Günther Karl Nakszynski, isto é, Klaus Kinski, são os dois grandes focos deste western mediano. O primeiro é mortífero com uma espingarda Winchester nas mãos. O segundo fuma charuto, veste uma longa capa, movimenta-se com pezinhos de lã e exibe um cabelo comprido à metaleiro.

Kinski, o pistoleiro!

A música é do maestro Ennio Morricone porque foi roubada à força toda, perdão, foi desviada de outros westerns, nomeadamente “I Crudeli” e “Tepepa”.

18/03/2013

Los Pistoleros de Arizona (1964 / Realizador: Alfonso Balcázar)

Estamos em Setembro de 1964 e o western europeu ainda dá os seus primeiros passos mas uns catalões com olho para o negócio já se preparam para produzir filmes do género massivamente. Para o efeito iniciam a construção da sua própria cidade do oeste - «Esplugas City» - em Esplugues de Llobregat (Barcelona) e asseguram a contratação de um norte-americano com pinta de cowboy: Robert Woods!

A estreia da Balcázar Producciones Cinematográficas nos westerns não demoraria muito mais, e ainda com as obras em curso já se iniciavam as rodagens de “Los pistoleros de Arizona”, então anunciado como “El rancho de los implacables”. Uma produção que os catalães partilharam com os italianos da Fida Cinematografica e os alemães da Internacional Germana Film. Já a realização foi assegurada por um dos elementos do clã Balcázar, Alfonso Balcázar, que ganharia o gosto pela coisa (não tanto o jeito) realizando uma porção valente de filmes do género nos anos seguintes: “L'uomo che viene da Canyon City”, “Clint el solitário”, “Sonora”, etc.


O argumento original é de Alessandro Continenza que segundo consta era grande apreciador de westerns americanos, razão que o terá levado a apresentar um manuscrito bastante decalcado das suas referências. E terá mesmo sido o próprio Robert Woods a dar uns toques finais na trama. O resultado é razoavelmente interessante e a acção acaba por se desenrolar a bom ritmo. Com bastante pancadaria mas não particularmente violento. Na verdade, a contagem de cadáveres é bastante baixa para aquilo que se tornaria a  média do género.

Robert Woods é Jeff Clayton, um jogador sortudo que se vê forçado a matar um homem em autodefesa depois de lhe ter ganho a escritura de um rancho num jogo de poker. O acto vale-lhe um «convite» para sair da cidade e na sua rota acaba por salvar Carrancho (Fernando Sancho) de uma morte certa, mas o embusteiro mexicano acaba por lhe fugir com o cavalo e todos os pertences. Todos excepto a escritura do rancho…


Woods que ainda estava verde nestas coisas entregou-nos aqui uma prestação menos robusta do que aquelas que haveriam de o tornar famoso. Na verdade é Fernando Sancho quem rouba o protagonismo do filme abalroando Woods e companhia em mais uma das suas interpretações excessivas. Os dois actores voltariam a encontrar-se em mais dois westerns, “L'uomo che viene da Canyon City” e “Sette pistole per i MacGregor”, sendo ainda hoje sinónimos do western-spaghetti.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer:

19/07/2011

Professionisti per un massacro (1967 / Realizador: Nando Cicero)

Neste explosivo filme de Nando Cicero somos levados para os anos da Guerra da Secessão. Enquanto o Exército do Sul investe sobre uma cidade sob domínio nortista, um grupo de soldados pouco escrupulosos aproveita o caos instalado para assaltar os cofres de um banco local. Já de volta ao quartel, os três afoitos patifes desviam uma considerável porção de armas que se apressam a negociar com o Exército da União. A transacção é feita mas os soldados azuis não chegam longe, já que Preacher (George Hilton) se encarrega de acender o rastilho de uma carga de dinamite refundida no carregamento de fuzis.

As armas e os soldados vão pelos ares, mas desta vez o plano sai-lhes furado e são capturados pelo Major Lloyd (Gerard Herter), que os entrega ao tribunal militar. Ao mesmíssimo Major é-lhe entregue a missão de escoltar um importante carregamento de ouro que o Exército da Confederação tenciona usar na compra de armamento, mas o oficial e seus cúmplices aniquilam os camaradas de armas, saindo de cena com o ouro e uma inestimável metralhadora.


Ao bom estilo de “Doze Indomáveis Patifes”, os três condenados ganham a oportunidade de voltar a servir o exército. Agora não como soldados mas como larápios, salvando no processo os seus próprios pescoços. Para garantir o sucesso do resgate entra em cena um outro oficial, que terá a árdua tarefa de controlar os movimentos dos três malandros. E se quiserem saber mais terão mesmo de ver o filme!

A tripla de gatunos é interpretada por George Hilton, Edd Byrnes e George Martin; que dividem o protagonismo do filme sem que nenhum se destaque particularmente. Pessoalmente gostei sobretudo da personagem Fidel, um machão mexicano interpretado pelo actor espanhol George Martin, que aqui volta a demonstrar as suas habilidades de ginasta. George Hilton é Preacher, um piromaníaco com mania das contagens decrescentes. Bastante divertido na minha opinião, mas como fã confesso que sou do Uruguaio, não consigo ser isento na análise. Já Byrnes (Chattanooga Jim), apesar de ser o legítimo «gringo» do trio, acaba por ter a mais modesta das presenças, acabando por transmitir até a sensação de estar a fazer um grande frete.


Sem ser um mimo de competência cinematográfica e muito menos de originalidade, “Professionisti per un massacro” consegue ainda assim ser um bom veículo de entretenimento. Nando Cicero que curiosamente até começou por ser assistente de gente intocável como Luchino Visconti ou Roberto Rossellini, não faria carreira no western-spaghetti, realizando apenas mais dois filmes no género: “Due volte giuda” e “Il Tempo degli avvoltoi”. O seu nome haveria pois de ficar ligado às comédias eróticas dos anos 70, em que dirigiria por diversas vezes dois dos nomes maiores do género: Edwige Fenech e Alvaro Vitali.

“Professionisti per un massacro” está disponível em diversas edições DVD, tenho duas delas no meu acervo particular. A da editora espanhola Impulso, que conta com o filme num belo widescreen e áudio em Espanhol; e a da norte-americana Wild East que recomendo aqueles que preferem as dobragens em Inglês. Esta última é uma das famosas double features da editora, incluindo também “Sette winchester per un massacro” (filme realizado por Enzo G. Castellari e que também conta com Edd Byrnes nos principais papeis).


Mais alguns lobbys italianos:



11/10/2010

Clint el solitario (1967 / Realizador: Alfonso Balcázar)


Fugindo aos habituais cenários de Almeria no sul de Espanha, a Balcázar Producciones Cinematográficas transporta a acção deste “Clint el solitario” para as montanhas nevadas dos Pirinéus. O nosso herói de ocasião é Clint Harrinson – muito bem interpretado por George Martin. Clint é um famoso pistoleiro que regressa para junto da sua mulher e filho, prometendo renunciar definitivamente ás armas. Tudo em nome de uma vida de sossego para a si e sua família. Mas as disputas entre os pequenos fazendeiros locais e o poderoso ganadeiro Shannon (Walter Barnes) obrigam-no a empunhar as armas mais uma vez. Perante um xerife comprado pelo poder de Shannon, o pistoleiro defenderá a família e a vizinhança até ora subjugados aos caprichos do crápula que pretende eliminar todos aqueles que interfiram na sua criação de gado.


“Clint el solitario” aposta em sentimentos fortes, deixando para trás as habituais narrativas vingativas contadas em tantos outros westerns-spaghetti, utilizando apenas, e em breves momentos, algumas doses de pancadaria e tiroteio. Trata-se claramente de um daqueles filmes que agradarão ao adepto do western clássico americano (especialmente se “Shane” faz parte da lista de preferências), os outros provavelmente acharão o filme uma seca das grandes! A favor da película estão os magníficos cenários nevados, muito bem captados por Alfonzo Balcazar. E ainda um elenco internacional recheado de nomes que fizeram carreira no género: George Martin (Il ritorno di Ringo), Marianne Koch (Per un pugno di dollari), Walter Barnes (La Resa Dei Conti) ou Fernando Sancho (Arizona Colt).


A edição que me chegou às mãos é a da editora norte-americana Wild East, que aparece no formato “double feature” acompanhada pela continuação - leia-se remake - “Il Ritorno di Clint il solitario”. A qualidade da edição, ainda que respeite as proporções regulares (widescreen), não é das melhores. Denotando algumas falhas na fita original, mas o pior a apontar é o zumbido que surge na segunda metade do filme. Ainda assim nada que impossibilite a visualização do mesmo. Os extras contemplam as habituais galerias e trailers. Para coleccionistas!

04/04/2010

Il ritorno di Ringo (1965 / Realizador: Duccio Tessari)

A literatura da Antiguidade Clássica grega e latina marcou há muitos séculos atrás a nossa vida. Portugueses, espanhóis, italianos e gregos foram educados e regidos segundo uma matriz clássica que hoje temos bem presente nas obras literárias de Cícero, Tito Lívio ou Virgílio. No caso português, Luís Vaz de Camões, considerado o príncipe dos poetas renascentistas, é o caso mais marcante com “Os Lusíadas”. Contudo, acima de todos estes nomes está Homero. Este brilhante poeta grego é o expoente máximo da literatura greco-latina clássica porque as epopeias “A Ilíada” e “A Odisseia” ainda hoje são objecto de estudo, são ricas em simbologia e são fundamentalmente um tributo aos povos do mediterrâneo.

Nieves Navarro é a única que consegue dar a volta a Fernando Sancho!

Como se sabe, antes da exploração até à exaustão do western houve a exploração até à exaustão do “peplum” na Itália dos anos 50. Temas como a guerra de Tróia, o império romano, os gladiadores, os temas religiosos e os feitos dos heróis (Hércules, Sansão, Ulisses, Aquiles, Eneias, Ursus, Maciste) viram a luz do dia pelos mesmos cineastas que mais tarde se dedicariam ao western. Sergio Leone considerava Homero como o primeiro criador de westerns mas ironicamente foi o seu amigo Duccio Tessari quem transformou a parte final de “A Odisseia” num western. O resultado foi O regresso de Ringo.

O homem voltou!

Este filme tem todos os elementos chave da epopeia homérica que tem como protagonista Ulisses, o mais astuto dos heróis gregos. O herói volta da guerra após anos de ausência. Ao chegar vê-se confrontado com uma dura realidade: a cidade onde vivia foi tomada de assalto e ocupada por forasteiros. Como se não bastasse a sua esposa é forçada a viver com o líder invasor, sempre na esperança de ver o marido regressar são e salvo, tal qual Penélope espera por Ulisses sem nunca casar com os pretendentes (símbolo da fidelidade feminina).

Tiro ao alvo.

A única forma do herói obter sucesso é infiltrar-se na cidade disfarçado e aguardar pela hora certa para ajustar contas! Este é o final de “A Odisseia” e é o enredo de “O regresso de Ringo”. Ulisses passa a ser Giuliano Gemma, Penélope é Hally Hammond e os vilões estão a cargo de George Martin e Fernando Sancho. A Guerra de Tróia é substituída pela Guerra Civil Americana e a justiça vai prevalecer ao fim de 90 minutos de acção, drama, traição, violência e amor.

Tiroteio à porta da igreja!

Na minha opinião, este filme é em tudo superior ao seu antecessor Uma pistola para Ringo. Pessoalmente nem sequer considero que ambos os filmes estejam ligados porque são muito distintos. Por acaso, “O regresso de Ringo” até está editado em DVD em Portugal juntamente com “Uma pistola para Ringo” numa caixa de dois discos intitulada “Caixa Giuliano Gemma”. Conheço o conteúdo mas preferi a versão francesa no formato original 2.35:1 sem legendas e áudio em francês. Esta edição tem extras bem interessantes mas breves. O documentário “De Ringo a Ulisses” tem cerca de 10 minutos mas é esclarecedor.

Ringo cheio de feridas.

Há também uma entrevista de 7 minutos com Vera Gemma, a filha de Giuliano Gemma, que nos ilumina sobre o sucesso que o seu pai teve na Itália e além fronteiras. Fala do privilégio que foi passar a sua infância nos bastidores dos westerns protagonizados pelo seu progenitor e afirma que, após muitas viagens ao Japão, só dois actores europeus provocavam tantas paixões loucas e tanta histeria naquele país: Um deles é o francês Alain Delon, o outro é o italiano Giuliano Gemma! Eis a prova que os westerns-spaghetti são admirados e respeitados pelo mundo inteiro! Quem defende o contrário pode fazê-lo mas está enganado!