A literatura da Antiguidade Clássica grega e latina marcou há muitos séculos atrás a nossa vida. Portugueses, espanhóis, italianos e gregos foram educados e regidos segundo uma matriz clássica que hoje temos bem presente nas obras literárias de Cícero, Tito Lívio ou Virgílio. No caso português, Luís Vaz de Camões, considerado o príncipe dos poetas renascentistas, é o caso mais marcante com “Os Lusíadas”. Contudo, acima de todos estes nomes está Homero. Este brilhante poeta grego é o expoente máximo da literatura greco-latina clássica porque as epopeias “A Ilíada” e “A Odisseia” ainda hoje são objecto de estudo, são ricas em simbologia e são fundamentalmente um tributo aos povos do mediterrâneo.
Nieves Navarro é a única que consegue dar a volta a Fernando Sancho!
Como se sabe, antes da exploração até à exaustão do western houve a exploração até à exaustão do “peplum” na Itália dos anos 50. Temas como a guerra de Tróia, o império romano, os gladiadores, os temas religiosos e os feitos dos heróis (Hércules, Sansão, Ulisses, Aquiles, Eneias, Ursus, Maciste) viram a luz do dia pelos mesmos cineastas que mais tarde se dedicariam ao western.
Sergio Leone considerava Homero como o primeiro criador de westerns mas ironicamente foi o seu amigo Duccio Tessari quem transformou a parte final de “A Odisseia” num western. O resultado foi
O regresso de Ringo.
O homem voltou!
Este filme tem todos os elementos chave da epopeia homérica que tem como protagonista Ulisses, o mais astuto dos heróis gregos. O herói volta da guerra após anos de ausência. Ao chegar vê-se confrontado com uma dura realidade: a cidade onde vivia foi tomada de assalto e ocupada por forasteiros. Como se não bastasse a sua esposa é forçada a viver com o líder invasor, sempre na esperança de ver o marido regressar são e salvo, tal qual Penélope espera por Ulisses sem nunca casar com os pretendentes (símbolo da fidelidade feminina).
Tiro ao alvo.
A única forma do herói obter sucesso é infiltrar-se na cidade disfarçado e aguardar pela hora certa para ajustar contas! Este é o final de “A Odisseia” e é o enredo de “O regresso de Ringo”. Ulisses passa a ser
Giuliano Gemma, Penélope é
Hally Hammond e os vilões estão a cargo de
George Martin e
Fernando Sancho. A Guerra de Tróia é substituída pela Guerra Civil Americana e a justiça vai prevalecer ao fim de 90 minutos de acção, drama, traição, violência e amor.
Tiroteio à porta da igreja!
Na minha opinião, este filme é em tudo superior ao seu antecessor
Uma pistola para Ringo. Pessoalmente nem sequer considero que ambos os filmes estejam ligados porque são muito distintos. Por acaso, “O regresso de Ringo” até está editado em DVD em Portugal juntamente com “Uma pistola para Ringo” numa caixa de dois discos intitulada “Caixa Giuliano Gemma”. Conheço o conteúdo mas preferi a versão francesa no formato original 2.35:1 sem legendas e áudio em francês. Esta edição tem extras bem interessantes mas breves. O documentário “De Ringo a Ulisses” tem cerca de 10 minutos mas é esclarecedor.
Ringo cheio de feridas.
Há também uma entrevista de 7 minutos com Vera Gemma, a filha de Giuliano Gemma, que nos ilumina sobre o sucesso que o seu pai teve na Itália e além fronteiras. Fala do privilégio que foi passar a sua infância nos bastidores dos westerns protagonizados pelo seu progenitor e afirma que, após muitas viagens ao Japão, só dois actores europeus provocavam tantas paixões loucas e tanta histeria naquele país: Um deles é o francês
Alain Delon, o outro é o italiano Giuliano Gemma! Eis a prova que os westerns-spaghetti são admirados e respeitados pelo mundo inteiro! Quem defende o contrário pode fazê-lo mas está enganado!