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05/08/2014

Vado... l'ammazzo e torno (1967 / Realizador: Enzo G. Castellari)

Enzo G. Castellari é um homem que gera consenso. É um cineasta muito competente, é um homem que não se envolve em polémicas, é inteligente, culto, humilde… é de facto um senhor! Os seus westerns-spaghetti (assinou alguns registos menos felizes, é certo) primam pela qualidade. É verdade que Enzo, tal como muitos outros, beneficiou de ter nascido no seio de uma família ligada ao cinema (nomeadamente o seu pai Marino Girolami) mas a sua capacidade de trabalho, o seu empenho e a sua paixão pela sétima arte fizeram dele um dos pilares do subgénero. Acho interessantíssimo a escolha dos nomes para os seus filmes: “Vado, Vedo e Sparo / Vou, Vejo e Disparo”, “Ammazzali Tutti e Torna Solo / Mata Todos e Volta Só” ou então este “Vado, L’ammazzo e Torno / Vou, Mato e Volto”. 

Sob escolta militar, um comboio transporta 300 000 dólares. Clayton é o homem responsável pelo dinheiro. O mexicano Monetero e o seu bando assaltam o comboio, levam o dinheiro e deixam um rasto de cadáveres. Dentro do comboio está um forasteiro caçador de recompensas que há muito anseia receber o prémio pela cabeça de Monetero. Apesar do golpe ter sido bem sucedido, um dos homens de Monetero, antes de morrer, escondeu todo o ouro num lugar secreto e só com o auxílio de um antigo medalhão espanhol é que é possível encontrá-lo. Monetero, Clayton e o forasteiro aventuram-se numa caça ao tesouro cujo prémio final será a bela soma de 300 000 dólares. Quem será o feliz contemplado? 


Enzo G. Castellari realiza um western à sua medida com ação, pancadaria e humor (as cenas de pancadaria são um pouco patéticas), apesar deste filme estar bem longe de ser o seu melhor western. No trio de protagonistas temos Edd Byrnes a querer imitar Clint Eastwood, Gilbert Roland com o seu inconfundível bigode à escovinha e George Hilton num registo livre de parvoíces (ainda não tinha sido atacado pela terrível febre “Tresette”). Uma nota de destaque para a brilhante cena inicial. Castellari, no seu humor inteligente, reservou três caixões para três indivíduos muito parecidos a Django / Franco Nero, Mortimer / Lee Van Cleef e Homem Sem Nome / Clint Eastwood. Foi pena que Sergio Leone não tenha conseguido fazer algo semelhante na cena inicial na estação ferroviária de “C’era Una Volta il West”.


Propaganda germânica:


Trailer

19/07/2011

Professionisti per un massacro (1967 / Realizador: Nando Cicero)


Neste explosivo filme de Nando Cicero somos levados para os anos da Guerra da Secessão. Enquanto o Exército do Sul investe sobre uma cidade sob domínio nortista, um grupo de soldados pouco escrupulosos aproveita o caos instalado para assaltar os cofres de um banco local. 

Já de volta ao quartel, os três afoitos patifes desviam uma considerável porção de armas que se apressam a negociar com o Exército da União. A transacção é feita mas os soldados azuis não chegam longe, já que Preacher (George Hilton) se encarrega de acender o rastilho de uma carga de dinamite refundida no carregamento de fuzis.

Jorge Hill Acosta y Lara aka George Hilton.

As armas e os soldados vão pelos ares, mas desta vez o plano sai-lhes furado e são capturados pelo Major Lloyd (Gerard Herter), que os entrega ao tribunal militar. Ao mesmíssimo Major é-lhe entregue a missão de escoltar um importante carregamento de ouro que o Exército da Confederação tenciona usar na compra de armamento, mas o oficial e seus cúmplices aniquilam os camaradas de armas, saindo de cena com o ouro e uma inestimável metralhadora.

Ao bom estilo de “Doze Indomáveis Patifes”, os três condenados ganham a oportunidade de voltar a servir o exército. Agora não como soldados mas como larápios, salvando no processo os seus próprios pescoços. Para garantir o sucesso do resgate entra em cena um outro oficial, que terá a árdua tarefa de controlar os movimentos dos três malandros. E se quiserem saber mais terão mesmo de ver o filme!

Os profissionais.

A tripla de gatunos é interpretada por George Hilton, Edd Byrnes e George Martin; que dividem o protagonismo do filme sem que nenhum se destaque particularmente. Pessoalmente gostei sobretudo da personagem Fidel, um machão mexicano interpretado pelo actor espanhol George Martin, que aqui volta a demonstrar as suas habilidades de ginasta. 

George Hilton é Preacher, um piromaníaco com mania das contagens decrescentes. Bastante divertido na minha opinião, mas como fã confesso que sou do Uruguaio, não consigo ser isento na análise. Já Byrnes (Chattanooga Jim), apesar de ser o legítimo «gringo» do trio, acaba por ter a mais modesta das presenças, acabando por transmitir até a sensação de estar a fazer um grande frete.

Acção explosiva garantida.

Sem ser um mimo de competência cinematográfica e muito menos de originalidade, “Professionisti per un massacro” consegue ainda assim ser um bom veículo de entretenimento. Nando Cicero que curiosamente até começou por ser assistente de gente intocável como Luchino Visconti ou Roberto Rossellini, não faria carreira no western-spaghetti, realizando apenas mais dois filmes no género: “Due volte giuda” e “Il Tempo degli avvoltoi”. 

O seu nome haveria pois de ficar ligado às comédias eróticas dos anos 70, em que dirigiria por diversas vezes dois dos nomes maiores do género: Edwige Fenech e Alvaro Vitali.

O fascínio do western-spaghetti com soldados sulistas, dava um caso de estudo.

“Professionisti per un massacro” está disponível em diversas edições DVD, tenho duas delas no meu acervo particular. A da editora espanhola Impulso, que conta com o filme num belo widescreen e áudio em Espanhol; e a da norte-americana Wild East que recomendo aqueles que preferem as dobragens em Inglês. 

Esta última é uma das famosas double features da editora, incluindo também “Sette winchester per un massacro” (filme realizado por Enzo G. Castellari e que também conta com Edd Byrnes nos principais papeis).