Enzo G. Castellari é um homem que gera consenso. É um cineasta muito competente, é um homem que não se envolve em polémicas, é inteligente, culto, humilde… é de facto um senhor! Os seus westerns-spaghetti (assinou alguns registos menos felizes, é certo) primam pela qualidade. É verdade que Enzo, tal como muitos outros, beneficiou de ter nascido no seio de uma família ligada ao cinema (nomeadamente o seu pai
Marino Girolami) mas a sua capacidade de trabalho, o seu empenho e a sua paixão pela sétima arte fizeram dele um dos pilares do subgénero. Acho interessantíssimo a escolha dos nomes para os seus filmes:
“Vado, Vedo e Sparo / Vou, Vejo e Disparo”,
“Ammazzali Tutti e Torna Solo / Mata Todos e Volta Só” ou então este
“Vado, L’ammazzo e Torno / Vou, Mato e Volto”.
.png)
Sob escolta militar, um comboio transporta 300 000 dólares. Clayton é o homem responsável pelo dinheiro. O mexicano Monetero e o seu bando assaltam o comboio, levam o dinheiro e deixam um rasto de cadáveres. Dentro do comboio está um forasteiro caçador de recompensas que há muito anseia receber o prémio pela cabeça de Monetero. Apesar do golpe ter sido bem sucedido, um dos homens de Monetero, antes de morrer, escondeu todo o ouro num lugar secreto e só com o auxílio de um antigo medalhão espanhol é que é possível encontrá-lo. Monetero, Clayton e o forasteiro aventuram-se numa caça ao tesouro cujo prémio final será a bela soma de 300 000 dólares. Quem será o feliz contemplado?

Enzo G. Castellari realiza um western à sua medida com ação, pancadaria e humor (as cenas de pancadaria são um pouco patéticas), apesar deste filme estar bem longe de ser o seu melhor western. No trio de protagonistas temos
Edd Byrnes a querer imitar Clint Eastwood,
Gilbert Roland com o seu inconfundível bigode à escovinha e
George Hilton num registo livre de parvoíces (ainda não tinha sido atacado pela terrível febre “Tresette”). Uma nota de destaque para a brilhante cena inicial. Castellari, no seu humor inteligente, reservou três caixões para três indivíduos muito parecidos a Django / Franco Nero, Mortimer / Lee Van Cleef e Homem Sem Nome / Clint Eastwood. Foi pena que Sergio Leone não tenha conseguido fazer algo semelhante na cena inicial na estação ferroviária de
“C’era Una Volta il West”.
Propaganda germânica:
Trailer