Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Sancho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Sancho. Mostrar todas as mensagens

01/06/2024

Django spara per primo (1966 / Realizador: Alberto De Martino)


A desértica cidade de Silver Creek tem um novo visitante, um misterioso cavaleiro solitário cujas únicas posses parecem ser o seu cavalo, a sua arma e um cadáver que carrega. O nome do forasteiro é Glenn Garwin e o cadáver é do seu pai, um suposto fora-da-lei procurado na implacável cidade de Silver Creek.

Todavia, ao chegar à cidade descobre que o seu pai afinal não era criminoso nenhum, mas sim um empresário aldrabado pelo seu antigo sócio. Esta descoberta leva-o a ficar na cidade, vingar-lhe a morte e tentar reclamar a sua legítima herança.

Acasos da vida: Um caçador de prémios cruza-se com o filho do homem que acabara de mandar para os anjinhos.


E assim estava dado o mote para a primeira apropriação não oficial da personagem Django, uma temática que daria azo nos anos seguintes a dezenas de sequelas sem qualquer ligação ao filme originalmente lançado por Sergio Corbucci. 

Sem surpresas, o personagem interpretado por Glenn Saxon (nome artístico do holandês Roel Bos) tem muito pouco em comum com o lendário homem do caixão. A própria explicação dada para que lhe chamem Django é simplória: «É assim que sou conhecido no México».

Duelo estiloso com as paisagens de Almeria em pano de fundo. 


Glenn Saxon, actor holandês de sorriso maroto, aqui mais se compara aos habituais papeis de Giuliano Gemma do que o taciturno Django, popularizado por Franco Nero. E curiosamente há mesmo uma ligação entre este filme e o pistolero nazionale. 

Ao que parece a produtora Fida Cinematografica tinha entregue o então projecto de “Per pochi dollari ancora” (em Portugal: “Gringo Não Perdoa”) ao realizador Alberto de Martino, a estrela do filme seria o bello Giuliano. Mas este, desconhecendo ou desmerecendo as qualidades de Martino, forçou a entrega da cadeira de realização a alguém da sua confiança: Giorgio Ferroni! Com quem já trabalhara no fundamental “Um Dólar Furado”.

Não faltam beldades nesta pelicula. 


A produtora para não deixar o pobre Alberto na mão, e visto que ele até se tinha safado na colaboração anterior entre as duas partes, “100.000 Dólares por Ringo”, entregou-lhe então este “Django Atira Primeiro”.  Ficando a segunda unidade desses dois filmes da Fida ao comando do emergente Enzo G. Castellari. Ele que teria de remendar outro pseudo Django nesse mesmo ano, o frenético: “Poucos Dólares para Django”.

15/08/2021

L'uomo che viene da Canyon City (1965 / Realizador: Alfonso Balcázar)



Algures no meio do deserto, Rayo e Carrancho caminham acorrentados sob forte guarda prisional. Num piscar de olhos aproveitam um descuido dos guardas e mandam-se por uma ravina abaixo. A perseguição sucede-se imediatamente, mas no jogo do gato e do rato, os dois foras-da-lei levam a melhor e escapam sem mazelas. Sem hipótese de se libertarem das correntes não lhes resta outra hipótese que não seja entrar em acordo sob qual o rumo a seguir. Acordo feito, lá seguem caminho, mas quase imediatamente os dois dão de caras com uma tentativa de assalto a uma diligência. Sem nunca se porem a descoberto, escutam uma informação empolgante: A localização de um pagamento de 70 mil dólares, destinados às minas de prata. O portador da maquia é um tipo texano astuto, que não só repudia o ataque à diligência como também escapa à tentativa de roubo encetada entretanto pelos dois meliantes. 

Rayo (esquerda) e Carrancho (direita), unidos pelos elos de uma corrente.

Todavia estamos na presença de patifes trabalhadores! Pois bem, ao aperceberem-se que o dinheiro tem como destino o rancho de um tal de Morgan (Robert Woods), encontram forma de serem por ele contratados. Rayo, faz-se valer da agiliza no gatilho e é naturalmente contratado como capanga. Já Carrancho alista-se como cozinheiro, uma profissão adequada para o gorducho. O intuito de ambos é fazerem-se passar despercebidos e localizar o local exacto onde o dinheiro mora, e só então executar o golpe. Melhor, golpes, que por esta hora já é cada um por si! Os planos individuais parecem ter pernas para andar, mas o que nenhum deles  esperava certamente era bater de caras com um esquema de escravatura engendrado pelo deplorável Morgan. Tornando-se ambos improváveis defensores dos peones. 

Carrancho: Simpático, larápio, trapaceiro e agora salvador dos fracos e oprimidos!

“L'uomo che viene da Canyon City” é o segundo filme do contrato de Robert Woods para o clã Balcázar, e neste capítulo ao contrário do que seria regra nos seus westerns seguintes, desempenharia o papel do antagonista. A sua personagem é um tipo sem escrúpulos que não só se entretém a explorar a mão-de-obra mexicana usada na extração do minério, como ainda congemina esquemas para arrebatar o dinheiro dos pagamentos do governo que legitimamente lhe haveria de vir parar. Forçando assim o duplo pagamento. E no elenco temos também o impecável Luis Dávila, no papel de Rayo. Para os mais distraídos será uma cara nova, mas o actor argentino foi um habitué nos westerns espanhóis mais madrugadores e como tal, parceiro habitual nos filmes dos Balcázar (L'uomo dalla pistola d'oro, Dinamite Jim).

Todos se acagaçam na hora de saltar para dentro dos carris.

O filme tresanda a western paella e até mesmo o título espanhol – Viva Carrancho – é o que me parece mais apropriado. Um título que não deixa margem para dúvidas, a personagem que rouba a tela é a de Fernando Sancho, que genuinamente saca umas valentes gargalhadas ao espectador menos sisudo. Curiosamente, ele e Robert Woods contracenaram nesse mesmo ano em “Los Pistoleros de Arizona”, onde Sancho interpreta igualmente uma personagem chamada Carrancho. Além do nome existem poucas singularidades entre ambas as personagens, podendo e devendo, encarar os filmes como dissociados. Resumindo e baralhando, se procuram um grande western para preencher os vossos corações, sigam caminho. Ainda assim, como é boa regra nos filmes de Alfonso Balcázar, o entretenimento está minimamente garantido. A fotografia é cuidada e a acção é literalmente explosiva! É arriscar e não piar!

09/05/2021

El más fabuloso golpe del Far-West (1971 / Realizador: José Antonio de la Loma)



O banco de Sun Valley, enterrado entre as montanhas do Nevada, tem a reputação de ser inexpugnável. Tal fama levou a que o cofre merecesse a especial confiança da indústria mineira que lhe deposita elevadas somas de ouro, mas um bando de trafulhas liderados por um fulano apelidado de Michigan engendra um plano para dar sumiço ao lote. O plano é tremendamente intricado e como exalta várias vezes o cabecilha aos seus acólitos: deve ser executado ao segundo. E de facto, mesmo com alguns percalços, realizam o golpe com sucesso. O pior vai ser movimentar a carga pesadíssima por entre as montanhas nevadas.


Frank Braña trata de escavar o túnel.

Depois do golpe, os membros do bando seguem diferentes trilhos, o ponto de encontro entre todos está acertado, mas o relógio suíço do aprumadíssimo Michigan começa a atrasar quando os comparsas que ficaram com o encargo de levar a carroça com o ouro roubado tardam a aparecer no esconderijo da vilanagem. Os dois homens serão mais tarde encontrados cadáveres, a carroça feita num oito e o ouro, nem vê-lo. Os sinais parecem claros, os dois foram assassinados por alguém com conhecimento do plano, ou seja, alguém do grupo ficou ganancioso. Estão lançadas as bases para a desconfiança e paranoia entre o grupo. 


Spaghetti nevado, filme abençoado!

José Antonio de la Loma, um dos argumentistas mais activos do western europeu (Pistoleros de Arizona, Tierra de fuego, Clint el solitário, Professionisti per un massacro, etc), desta vez assume também a realização, outorgando um filme inesperadamente vistoso e com um tom bastante distinto da generalidade das produções do género desta fase pós-Trinitá. A produção é compartida entre espanhóis, franceses e italianos, mas nota-se uma preponderância castelhana no elenco e estilo do filme. Esse elenco, diga-se, é de austeridade, não tendo havido provavelmente verba para um nome sonante para a liderança. Sobe então à tona o talento do omnipresente Fernando Sancho.


Não vales um chavo meu javardo!

Apesar de não ombrear com outros westerns-spaghettis-nevados de maior reputação (Il grande silenzio, Condenados a vivir), é seguramente um filme que mereceria maior culto. Desgraçadamente, o filme andava meio perdido e até bem recentemente só se conseguia assistir através de transferências manhosas de velhinhas cassetes VHS. Para sorte dos garimpeiros do género, circula agora por aí uma versão ripada da televisão espanhola com qualidade de imagem irrepreensível. Então, quem sabe não seja esta a hora da sua redenção! Essa dita versão encontra-se em sítios mal frequentados e à falta de edições físicas nas lojas desse mundo fora, ninguém vos poderá chamar de piratas se lá o forem buscar. Arg, arg, arg!

06/07/2020

Voltati... ti uccido (1967 / Realizador: Alfonso Brescia)

O velho Sam, é proprietário de uma prolifera mina de ouro, mas a vida não lhe corre de feição. Uns bandoleiros, liderados pelo asqueroso «El Bicho», ataca-os frequentemente, afugentando os trabalhadores. Contudo «El Bicho» é apenas um pau mandado do ganancioso Ted Shore, que quer apropriar-se da mina de ouro do velho Sam. O estratagema do cabecilha é simples: afastar todo e qualquer recurso da mina para torná-la insustentável e assim forçar o velho a vendê-la ao preço da uva mijona. E sim, tudo parecia encaminhado para tal desfecho, não fosse a chegada à cidade de pistoleiro misterioso: Winchester Bill.


Spartaco Conversi, uma presença habitual no género.

Ainda antes de chegar aos limites da cidade, o dito Bill é surpreendido por dois dos tais bandoleiros. Os olhos dos malandros brilham quando vêm os detalhes dourados da coronha da Winchester do nosso então desconhecido pistoleiro e em modo de gozo propõem comprá-la. Mau negócio para eles, que acabam imediatamente com o corpo cravejado de chumbo quente. 


Não vendo que está avariada. Querem ver?

Richard Stapley que na sua carreira europeia usou o nome Richard Wyler, interpreta sem grande chama este homem da carabina. Como antagonista temos Fernando Sancho, que entrega mais uma actuação piloto automático, executando o malfeitor mexicano que interpretou dezenas de vezes, a páginas tantas até já mete ranço. Apesar disso tem algumas tiradas cómicas que ajuda a escorregar. Depois de fazer uma investida sobre os infelizes dos trabalhadores da mina, vira-se para um deles e grita: “Eu não gosto que venham trabalhar”. Já dizia o outro, isto é gozar com quem trabalha!

Vamos lá despachar que tenho de ir gravar cenas noutro filme. 

O título nacional do filme foi “Quero matar-te de frente”, que traduz com coerência o original italiano. É um filme com uma narrativa algo complexa e com diversos clichés do género. Vejamos, temos um forasteiro a jogar de todos os lados da barricada, bandidos mexicanos aos magotes, torturas aqui e ali, etc. Mas não estamos na presença de um clássico nem sequer de um daqueles achados. É antes um western rotineiro e visivelmente feito com orçamento limitado. Ouvidos mais treinados reconhecerão até trechos de bandas sonoras de outros westerns mais reputados. A rapinação de bandas sonoras foi prática comum em produções mais modestas e é algo que me irrita profundamente. Coisa que este Alfonso Brescia fez com demasiada frequência nos seus westerns.

15/07/2019

Attento gringo, è tornato Sabata (1972 / Realizador: Alfonso Balcázar, Pedro Luis Ramírez)

Apesar do seu título internacional “Watch Out Gringo! Sabata Will Return”, esclareça-se já o leitor que estamos na presença de um filme órfão de qualquer relação com a trilogia originalmente lançada por Gianfranco Parolini. Além disso, como provavelmente também já vão imaginando, é uma produção a milhas da pomposidade das produções da saga Sabata. Ainda assim, o elenco é potente e para uma produção de setentas louve-se-lhe o enfoque naqueles clichês do western-spaghetti, ao invés de seguir como a maioria, pelo ritmo de paródia à Trintitá. A realização é assinada por Alfonso Balcázar e Pedro Luis Ramírez, mas  pelo que li, terá sido este último o único a tratar da direcção. Não me admiro que assim tenha acontecido, o sobrenome  Balcázar gozava de alguma fama e por isso é provável que o tenham aproveitado para capitalizar o produto. A parceria resultou num western mediano e claramente influenciado por “Il buono, il brutto, il cativo”, com direito a tantas traições que a certo ponto já dou por mim concentrado na porcaria do smartphone em vez da televisão. São os tempos modernos…

Um grupo de bandidos liderados pelo vil Luke Morgan (Daniel Martín), rouba uma caixa forte carregada de ouro e esmilham-se para o esconderijo com uma refém (a Rosalba Neri, espertos!), não vá o diabo tecê-las. Carrancho, por sua vez aproveita uma ocasião para dar sumiço ao ouro, escondendo-o num terreno onde se implantará uma igreja Mórmon. Está dado o mote para o enésimo jogo do gato e do rato, que entretanto se adensa com a inclusão de mais dois pistoleiros interessados no tema. 

Este gajo vai-se arrepender de salvar este trapaceiro da morte certa.

Apesar da considerável riqueza do elenco (George Martin, Vittorio Richelmy, Rosalba Neri, Daniel Martín, Luciano Rossi), o destaque total do filme vai para o gorducho Fernando Sancho, uma figura quase omnipresente no género (para o bem e para o mal), que curiosamente volta a interpretar uma personagem de nome Carrancho, anos depois de o ter feito noutra produção de Balcázar, apropriadamente lançada em Espanha como ''Viva Carrancho''. Mas não há ligação entre os dois filmes.

Hey gringo! Onde está a paella?

“Judas... ¡toma tus monedas!”, titulo de lançamento em Espanha, foi um dos últimos westerns assinados por Alfonso Balcázar (Clint el solitario, Los Pistoleros de Arizona, Sonora), que depois derivaria para outro género em alta rotação nos idos de setenta, as comédias eróticas!

25/11/2018

Sette magnifiche pistole (1966 / Realizador: Romolo Guerrieri)

Em 1960 dá-se a estreia do mega-clássico “Os Sete Magníficos”. O sucesso de bilheteiras é enorme e ainda que as personagens principais do grupo de justiceiros sejam severamente dizimadas, haverá espaço para mais três sequelas oficiais e muitas fotocópias de qualidade inferior. Este “Sette magnifiche pistole” é uma dessas variações de segunda linha, dúvidas houvessem quanto ao trocadilho do titulo ou semelhanças entre os posters de ambos os filmes (vide arte original aí abaixo). Mas há variações, claro, desta vez não será um grupo de campesinos a sofrer as passinhas do Algarve nas mãos de um grupo de bandidos, singularizando-se a coisa num tal de Timothy Benson, que teve a sorte (ou azar) em herdar uma mina de ouro por parte de um tio.

Ora sucede que esse tal Timothy (num desempenho raro de Sean Flynn, filho do infâme Errol Flynn) não a consegue explorar, culpa da malvadez do excelentíssimo Sancho Rodriguez, interpretado justamente por um verdadeiro Sancho, o único e incomparável Fernando Sancho. Que, vá-se lá saber como, nesse ano protagonizou três westerns com o «sete» diluído nos seus títulos: “7 dólares de sangue”, “Sete pistolas para os MacGregors” e este “Sete magnificas pistolas”. Mas, adiante…

Sean Flynn em sessão de aprendizagem via bofetada na tromba!

O tal Benson tem estudos, é educado e até já conquistou o coração da bela Coralie (interpretação de Evelyn Stewart, que registe-se está especialmente bonita neste filme), mas ao rapaz faltam-lhe as ferramentas necessárias para enfrentar o todo poderoso e muito egocêntrico Sancho Rodriguez, que lhe dizima quase toda a equipa de mineração. Sobrevive apenas Gorky que resolve recrutar cinco velhos conhecidos para fazerem frente ao processo de bullying em curso. Como expectável darão formação ao oprimido e enfrentarão inevitavelmente os bandidos, desta vez com saldo muito negativo para a equipa dos mauzinhos.

Ida Galli (aka Evelyn Stewart), a carinha laroca de serviço.
 
Este foi o primeiro western de Romolo Guerrieri, que deixou para a posterioridade o excelente “10000 dólares para um massacre”, e por ser a sua primeira entrada no género perdoemos-lhe a incapacidade de se ter decidido pelo ambiente cómico ou violento, que machuca gravemente a qualidade do filme, que obviamente será apenas para completistas do género.

Arte original do filme de John Sturges. Qualquer semelhança não será coincidência...

09/07/2018

La diligencia de los condenados (1970 / Realizador: Juan Bosch)

Anthony Stevens, John Wiseman e Brett Hudson, três velhacos do piorio, têm as suas carantonhas estampadas num cartaz de recompensa. A lei anda a morder-lhes os calcanhares porque violaram e mataram duas mulheres. A arrogância deste trio é tanta que, apesar de andarem fugidos, até se atrevem a ir à cidade jogar às cartas. O xerife local é um tipo honesto e não está com meias-medidas: mete-os no xadrez. O julgamento será nos próximos dias. Mas o juiz só pode condená-los quando chegar uma testemunha que assistiu aos crimes que Stevens e os seus brutamontes cometeram. A testemunha viaja na diligência que é interpelada pelo bando de Ramon Azteco, um bajoujas com um chapéu à Benny Hill. Ramon, que é cúmplice de Tony Stevens, tem como missão impedir que essa valiosa testemunha chegue ao tribunal. A diligência é desviada para a pousada mais próxima, pousada essa que é gerida por um tal Robert Walton, homem casado e pai de um rapaz de oito anos. Mas o fanfarrão Ramon Azteco não faz ideia qual dos passageiros é a testemunha. 

Os passageiros da diligência são ameaçados.

Por isso, todos vão ter de ficar retidos na pousada e esperar que o tempo passe. Robert Walton, a sua bela esposa e o seu filho vão ter de comer e calar? Ramon Azteco conseguirá alcançar o seu objetivo? O malandro Anthony Stevens e os seus compinchas vão ser ilibados por falta de provas e falta de testemunhas? E por onde anda o famoso pistoleiro Wayne Sonnier? Consta que desapareceu misteriosamente depois de ter sido baleado há oito anos.

Põe-te manso ou levas um balázio!

O realizador espanhol Juan Bosch Palau (pseudónimo John Wood) dirige este ótimo filme protagonizado pelos gigantes do western-spaghetti Richard Harrison e Fernando Sancho. As cenas na pousada são tensas, claustrofóbicas e ameaçadoras.
“A Diligência dos Condenados” (título em Portugal) é um western muito interessante que felizmente está disponível em DVD. A edição italiana da “Wild West” é de ótima qualidade e está à venda a preço de amigo!

06/02/2018

Los fabulosos de Trinidad (1972 / Realizador: Ignacio F. Iquino)

Os três irmãos Pinzio (Chris Huerta), Panza (Ricardo Palacios) e Ponza (Tito Garcia), contrabandistas de profissão, encontram-se aprisionados no campo de trabalhos forçados que o coronel Jiménez (Fernando Sancho) administra. Mas a estadia por lá não se vai alongar, uma vez que a bela Nora Vargas (Fanny Grey) vai usar os seus dotes sedutores para ludibriar o coronel e assim saca-los do presidio. Para azar de todos com essa fuga surge também o interesse do caçador de recompensas Scott (Richard Harrison). E a trama desenvolve-se por aí.


É o regresso de Richard Harrison a um western cómico e com o mote Trinitá escarrapachado no titulo, neste caso justificado pelo sobrenome dos contrabandistas balofos, Trinidad. Contudo ao contrário do anterior, “Jesse &Lester - Due fratelli in un posto chiamato Trinità”, a comédia aqui não sai do registo estúpido e as tentativas de fazer piadas resultam invariavelmente em grandessíssimos flops.

Os "fabulosos" irmãos Trinidad!

“Los fabulosos de Trinidad” aparecem rotulados como uma produção ítalo-espanhola, mas é evidente a preponderância dos daqui do lado, participação italiana nem vê-la. Quer o elenco quer a equipa técnica é assumida inteiramente por nuestros hermanos. A única intromissão à falange hispânica é feita pelo cabeça de cartaz, Richard Harrison, que queimava os seus últimos cartuchos no género. 

Adeus rapaziada, tenho de ir fazer uma visita ao Godfrey Ho.

A realização ficou a cargo de Ignacio F. Iquino (que também escreve e produz), homem responsável por uma porção considerável de westerns mediterrâneos, mas nenhum deles digno de grande nota. E tal como Harrison, também ele derivaria a partir daqui, no seu caso abordando o cinema mais “picante”. Talvez se tenha safado melhor…


14/02/2017

El sabor de la venganza (1963 / Realizador: Joaquín Luis Romero Marchent)


Com um título como este, não é preciso ter bola de cristal para adivinhar o que o futuro nos reserva, vingança, pois claro! Três irmãos assistem ao assassinato do seu pai às mãos de quatro foragidos. Os rapazes fazem-se homens mas a sede de vingança constantemente atiçada pela sua mãe, consome-os. 

A vingança pode ter vários sabores, Jeff (Richard Harrison) tenciona encontrar os bandidos que escaparam e levá-los à justiça, os outros dois preferem a simplicidade das leis do povão, justiça pelas próprias mãos. Tais desvios de identidade provocam grandes quezílias internas, que progressivamente afastam os irmãos. 

 Richard Harrison com cara de poucos amigos.

A gota de água dá-se quando uns bandidos lhes roubam algumas cabeças de gado. Os rancheiros interceptam facilmente os gatunos mas não lhe dão hipóteses de serem levados perantes os homens da lei, são antes selvaticamente mortos por Chris (Robert Hundar), que não está para aturar merdas. Jeff decide então abandonar o rancho para se tornar agente da lei. 

Na mesmíssima noite, Chris, embriagasse e acaba por abater um homem indefeso, não tendo outro remédio senão pôr-se na alheta. Separados, os irmãos seguirão diferentes pistas, atingindo eventualmente os mesmos resultados e o reencontro torna-se inevitável. A vingança será saboreada mas o seu gosto é amargo.

Esta produção ítalo-espanhola surge numa fase precoce do género, pelo que se entende as vénias feitas aos westerns americanos, cumprindo uma porrada daqueles clichés enfadonhos da corrente mais clássica. Muitas cenas de pancadaria, cowboys cantores, rodeos e afins.

Não faltaria trabalho a Fernando Sancho nos anos que se seguiriam.

 Já tenho dito, e por isso colecciono alguns inimigos, que esta é uma área onde normalmente não me misturo, mas admito que de quando a quando me cruzo com alguns exemplares bastantes eficazes, e deste gostei razoavelmente. 

Joaquín Luis Romero Marchent, hoje em dia notável pelo horror-western “Condenados a vivir” foi um dos primeiros a realizar westerns na europa (estreou-se com “El Coyote”, de 1954), aqui realiza uma história que escrita a meias com o irmão, e também ele realizador, Rafael Romero Marchent. A estrela da companhia é o americano Richard Harrison, que não abraçou à primeira esta ideia de fazer westerns em Espanha, voltando par as sandálias de gladiador. 

Só depois de Leone acender o rastilho é que mudaria de ideias, aí sim, ficaria de pedra e cal até que a coisa deu o pifo. Já Joaquín Luis Romero Marchent não demoraria muito a meter-se noutra, reunindo grande parte deste cast e equipa técnica, realiza “Antes llega la muerte”, outro a não perder!

08/10/2016

Fora de tópico | Lançamento "Zwei Halleluja für den Teufel (Abre tu fosa, amigo, llega Sábata...)"


Aparentemente os nossos amigos da barbarolândia conseguiram uma versão do pseudo Sabata "Abre tu fosa, amigo, llega Sábata...", ligeiramente maior daquela que circula por aí. Audio alemão e espanhol, para variar. Está a preço de amigo na Amazon alemã.

11/09/2016

Fora de tópico | Lançamento "100.000 verdammte Dollar (Voltati... ti uccido)"


Meias boas noticias para os fãs do western-spaghetti. "Voltati... ti uccido" tem finalmente uma edição em DVD, mas infelizmente os amigos da Edel desta vez não deixaram opções audio além do alemão. Os mais valentes podem encomenda-lo aqui.

14/06/2016

Réquiem para el gringo (1968 / Realizador: José Luis Merino)


Ross Logan: “Faltam três dias para o dia 17 de abril.” 
Nina: “O que vai acontecer no dia 17 de abril?” 

Alguém sabe a resposta a esta pergunta? Sim? Não? Mas antes, comecemos pelo óbvio: Neste filme, Fernando Sancho é o óbvio líder mexicano. Aldo Sambrell é o óbvio lacaio. Carlo Gaddi é o óbvio pistoleiro vestido de negro com duas pistolas à cintura. Angel Alvarez é o óbvio taberneiro. Os camponeses / peões são os sacos de pancada mais do que óbvios. E até mesmo o ator canadiano Lang Jeffries (praticamente desconhecido nestas andanças) veste a pele do óbvio vingador taciturno.

Levas um tiro nas ventas!

Passemos então ao menos óbvio: uma aura fantasmagórica, vários funerais, procissões e cânticos fúnebres, o protagonista veste um poncho semelhante a uma pele de jaguar (segundo a mitologia Maia os jaguares eram seres sagrados e esta pequena referência no filme não é casual), o modo como se movimenta sugere algo de sobrenatural, os seus vastos (e estranhos) conhecimentos de astronomia e meteorologia (até tem um escritório na sua fazenda recheado de documentação desse género, incluindo um telescópio na varanda) e ainda temos diversos cadáveres pendurados em noites de tempestade!

O homem tem um poncho todo catita!

A música, ao longo de todo o filme, é interpretada essencialmente por teclados / órgãos de tubos de igreja, talvez para que o título do filme não fosse em vão! (Requiem = rezar pelos mortos; composição musical tocada durante os velórios). Para acentuar ainda mais a vertente sobrenatural, o protagonista aparenta ter a extraordinária capacidade de prever / chamar / convocar tempestades violentas! Mas não vão ser os relâmpagos e os trovões a ter um papel crucial no confronto final: um sinistro eclipse do sol vai ser decisivo no duelo entre Ross Logan e Porfírio Carranza! 

Ross Logan: “Estás condenado! E a tua maldição vem do céu!”