Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Sabato. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Sabato. Mostrar todas as mensagens

09/07/2026

Al di là della legge (1968 / Realizador: Giorgio Stegani)

 

Silvertown parece a típica cidade pacata do Oeste; o pessoal trabalha no duro nas minas e vive para o dia de São Receber. O novo engenheiro, Novak (Antonio Sabato), chega com a promessa de optimizar a extração e aumentar a produtividade. Contudo, a viagem até à cidade não lhe poderia correr pior: o baú com o pagamento dos mineiros, que Novak levava sob o banco da carruagem, desaparece misteriosamente apenas momentos depois de ele ter confirmado que o dinheiro lá estava!


Sorria foi assaltado!

Inconformado e determinado a desvendar o que considera um incidente impossível, Novak procura respostas pelos próprios meios. É neste cenário que surge Cudlip (Lee Van Cleef), um homem que à primeira vista se apresenta como um aliado prestável. Contudo, o espectador cedo descobre uma ironia cruel: aquele que se oferece para ajudar é, na verdade, o arquiteto do assalto!

O filme, realizado por Giorgio Stegani, é um apontamento curioso da época. Stegani, que fora assistente de Giorgio Ferroni e argumentista do venerado “Um Dólar Furado”, não era um estranho ao sucesso. Afinal, fora ele quem dirigiu “Adeus Gringo”, um dos primeiros grandes êxitos de Giuliano Gemma. Assinando sob o pseudónimo anglo-saxónico George Finley, Stegani firmou aqui o argumento em parceria com Fernando Di Leo que, na década seguinte, se tornaria um incontornável no poliziesco.


Sorriso de malandro.

Nos anos 60, o filão das coboiadas era sinónimo de lucro fácil e, para garantir o sucesso de mais uma produção do género, foi contratado Lee Van Cleef. Actor que atravessava um período de popularidade explosiva, embalado por êxitos como “Gigantes em Duelo” e “A Morte Anda a Cavalo”. 

Aqui, Van Cleef repete a parceria com um actor mais jovem, numa relação que, ao contrário de outros filmes, se mantém mais leve e salpicada de momentos humorísticos. Esta dinâmica de "buddy movie" funciona quase como um protótipo, e antecipa as fórmulas que se tornariam a norma na década seguinte, provando que o western spaghetti também poderia ser ligeiro e espirituoso, sem nunca perder a sua essência cínica.


Estão todos lixados.

O elenco secundário é, por si só, outro forte motivo de interesse: temos o competentíssimo Lionel Stander, o feioso Gordon Mitchell e uma curiosidade imperdível: Bud Spencer quase irreconhecível, de cara barbeada e num papel curtíssimo. 

Anos mais tarde, o nosso bonacheirão favorito confidenciaria que Lee Van Cleef chegava frequentemente atrasado ao set e ainda com a bezana. O problema só foi resolvido após uma conversinha séria! Com o respeitinho restituído, as coisas estabilizaram e Van Cleef nunca mais se esticou.


Querem ver que vou ter de dar uns sopapos no LVC!

Filmado entre os estúdios Elios, em Itália, e as paisagens áridas de Almería, “Acima da Lei” é, para muitos, o melhor western realizado por Stegani e, ironicamente, também o seu último. Está, porém, longe de ser um filme isento de falhas e perde algum fôlego no desenlace final. 

Num momento difícil de levar a sério: um grupo de mineiros simplórios decide enfrentar o sanguinário Burton (Gordon Mitchell), um pistoleiro experiente, entrincheirado numa posição de clara vantagem, que os vai abatendo um a um sem grande dificuldade. É um autêntico momento «Fidani». Uma sequência muito mal esgalhada, mas que acaba por ser apenas um tropeço desculpável. 


Engenhoca telescópica.

Em Portugal, o filme foi editado nos finais dos anos 80 em VHS pela Sonovideo com o título “Acima da Lei” (vejam um exemplar da colecção do Nuno Vieira). Anos mais tarde, com a chegada do DVD, a Prisvideo lançou-o como “À Margem da Lei” (que também podem cuscar no blog do Nuno). 

Qualquer uma destas opções está agora confinada a leilões de velharias ou às profundezas da Vinted. Mas não desesperem, existem formas simples de o encontrar. A Star Movies costuma alinhá-lo na programação e, no YouTube, a oferta de dobragens é vasta.

Antes de ir embora, uma nota final: a banda sonora de Riz Ortolani é um mimo! Fiquem aqui com um cheirinho:



13/06/2021

Odio per odio (1967 / Realizador: Domenico Paolella)

 

Os fãs de coboiadas têm sido brindados pela Fox Movies Portugal com uma programação farta. O recente mês de Maio então, foi um non-stop de westerns, com a balança pender  largamente para a variante italiana. Por entre clássicos e outros títulos já batidos na programação, desta vez surgiram também algumas novidades de maior interesse. A mim despertou-me especial curiosidade este “Odio per Odio”. O filme não consta na cada vez mais longa lista de westerns-spaghetti com edição Blu-ray. Na verdade, à data que escrevo este texto existe apenas uma edição brasileira cortada e com proporções incorrectas e um DVD-R on demand da Warner Brothers Archive Collection. Nem mesmo no Videoclube do Sr. Joaquim se encontra o dito sem ter que escarafunchar. 

“Ódio por Ódio” é o primeiro western dirigido por Domenico Paolella, realizador já veterano por essa altura e que colecionava alguns sucessos, sobretudo em comédias e filmes peplum. Ora, em 1967 esse filão tinha os dias contados e naturalmente também ele transitou para os westerns. Aí chegado e rodeando-se de alguns dos suspeitos do costume – Mario Amendola, Bruno Corbucci, Fernando Di Leo – coescreveu este “Ódio por Ódio”, título comum em Portugal e Brasil. Tanta carola junta é normalmente sinal de que o argumento saiu a ferros, mas o resultado, não sendo fantástico, consegue ser suficientemente interessante para manter o espectador desperto na totalidade da sua duração. 

Miguel prepara a emboscada.

Cooper, interpretação do Canadiano John Ireland, é um velho assaltante de bancos procurado pela lei. Certo dia ele e um compincha de ocasião esvaziam mais um banco. O plano era entrar e sair com o dinheiro sem desferir qualquer tiro, mas o seu parceiro que é mau como as cobras resolve eliminar todos os funcionários à facada. Só porque sim. Entretanto, Miguel (Antonio Sabàto), um maltrapilho mexicano fica barrado à porta. O desgraçado só queria fazer o levantamento das suas poupanças e seguir caminho, mas escolheu o momento errado. Ao aperceber-se do que estava a acontecer, resolve seguir os bandidos interceptando a carroça já em pleno deserto. Na sua rectidão, Miguel apenas exige restituição do que lhe é devido, mas por azar alguém à distância observa a transação, denunciando ambos às autoridades. 

Os dois são rapidamente presos e julgados, mas as suas sortes serão muito diferentes. Cooper vai parar a um campo de trabalhos forçados onde acaba por contrair malária. Já Miguel, consegue uma benesse e acaba por ser libertado depois de um tipo chamado Coyote subornar o Juiz. Ficando por isso em dívida para com ele. Enquanto isso, Cooper apodrece na carcere, mas jamais revela o paradeiro de dinheiro roubado e o seu antigo sócio não está com meias medidas raptando-lhe a filha. Certa noite ele e os seus capangas infiltram-se nas instalações por forma a resolver a coisa de uma vez por todas! Mas o velho matreiro consegue escapar miraculosamente, qual Mandrake. Já cá fora, com a ajuda de Miguel, confronta os bandidos. E mais não conto.

Este é Cooper, um bom malandro.

Este era o único western-spaghetti protagonizado por Antonio Sabàto que ainda me faltava riscar da lista, e que bela surpresa foi! O seu personagem, é um tipo pacato estigmatizado pelos gringos e pares, uns por motivos raciais e outros pela sua ambição. Ele só quer largar a vida de prospector de ouro e rumar a Nova Iorque e dedicar-se ás artes. Poderia ser apenas uma sugestão de construção de personagem, mas certo dia quando os capangas lhe atacam a casa, ele faz uso dessas valências montando um complexo esquema de articulações que lhe permite embutir chumbo em todas as direcções, iludindo os patifes, que julgavam estar a duelar-se com um largo número de oponentes. É um dos momentos mais divertidos do filme! John Ireland entrega também uma credível prestação, um grande ator que não gozou de enorme popularidade, mas que muito honrou o género com a sua presença. A ligação entre os dois personagens ainda que não envolta de grande sofisticação funciona perfeitamente. 

O que me parece que funcionou menos bem foi o desenlace final. Tem contornos de revolução à moda dos zapata-westerns, mas que julgo deveria ter sido um pouco mais dramatizada. Em vez disso, Paolella optou pelo confronto entre facções com uma verdadeira chuva de fogo, na minha opinião demasiado extensa e não coincidente com o ritmo do filme. Paolella faria logo de seguida um outro western, As Duas Pistolas de Bill, um filme menos convencional, mas que também recomendo aos fanáticos das coboiadas italianas. Recordar que Antonio Sabàto faleceu já este ano vítima de Covid-19. Ele foi um actor que deixou pegada no género, com uma porção considerável de títulos dos quais se destaca o popular “À Margem da Lei”, onde contracenou com Lee Van Cleef e o então barbeado Bud Spencer. O seu primeiro papel de relevo foi no clássico de corridas de John Frankenheimer “Grande Prémio” em 1966. 

  Tomaram este mexicano por parvo. Agora levam o bucho cheio de chumbo!

Nas décadas seguintes foi astro em dezenas de filmes série-B, desde giallo, policiais, pós-apocalípticos, guerra, etc. Deixou ainda neste mundo o Antonio Sabàto Jr. que também seguiu as pisadas do pai, estabelecendo-se nos Estados Unidos como actor e modelo. Daria um tiro no pé ao apoiar publicamente a eleição de Donald Trump nas presidenciais de 2016, um dos primeiros actores ilustres a fazê-lo, o que lhe valeu um cartão vermelho das elites de Hollywood. 

25/05/2013

Fora de tópico | Lançamento "And God Said To Cain" & "Twice A Judas"


Em Julho chega a Spaghetti Western Collection da Wild East atingirá o seu volume 45. Um grande lançamento que agregará dois dos melhores westerns-spaghetti protagonizados por Klaus Kinsky: "E Dio disse a Caino" e "Dos veces Judas". A não perder!

09/04/2012

Fora de tópico | Lançamento "Hate for Hate"



Não param de chegar noticias sobre agendamento de edições dedicadas ao euro-western. O senhor que se segue é o desconhecido "Odio per odio", filme protagonizado por Antonio Sabato e John Ireland, que até ver apenas estava disponível via edição da Ocean Pictures, que como se sabe não é famosa pela sua flexibilidade no que toca a distribuição para fora das fronteiras brasileiras.   

Esta nova edição tem a mão da Warner Brothers e estará disponível a partir de 25 de Abril. Interessados poderão verificar as especificações desta edição seguindo este link.