Mostrar mensagens com a etiqueta 1971. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1971. Mostrar todas as mensagens

15/06/2020

Giù la testa (1971 / Realizador: Sergio Leone)

Miranda: “Como diabo te chamas?”
Mallory: “Sean…”
Miranda: “Como?”
Mallory: “John!”

O primeiro filme, “O Colosso de Rodes”, foi para aquecer os motores. O primeiro western foi um enorme sucesso. O segundo western bateu todos os recordes. O último western da trilogia já não obteve o sucesso esperado. O quarto western, uma obra absolutamente genial, não foi compreendido pela maioria do público.

No dealbar da década de 1970, Sergio Leone já falava em reforma antecipada (embora nem família, nem amigos, nem ele próprio acreditava nisso). Falava também em fazer um “remake” de “E Tudo o Vento Levou” ou de realizar uma nova versão de “D. Quixote de la Mancha”. Tudo não passou de paleio.

Alguém anda a espiar!

Surgiu então a possibilidade de fazer um western político ambientado no México dos tempos revolucionários. Leone, naquela fase da sua carreira, era um cagão que se armava em intelectual (é verdade que era um cineasta genial mas não deixava de ser um cagão). Além disso, meteu na cornadura que não queria realizar o filme, isto é, queria apenas produzir e ser uma espécie de supervisor de Peter Bogdanovich. As coisas com Bogdanovich azedaram e o realizador americano, antes de bazar, mandou Leone para o caralhinho!

Mallory, o irlandês.

Leone recorreu para o seu assistente Giancarlo Santi. As vedetas Rod Steiger e James Coburn recusaram: “Ou é Leone que realiza ou nós pomo-nos nas putas!”. Sergio Leone cedeu aos dois protagonistas mas, apesar de todas estas exigências, “Aguenta-te, Canalha!” (título em Portugal) não funcionou!

Miranda, o mexicano.

Mesmo para aqueles que adoram “Zapata westerns” (não é o meu caso), o filme não está à altura de outros já produzidos nos anos anteriores em Itália. Cabe aos fãs de Sergio Leone ver este filme e tirar as suas próprias conclusões. Eu, enquanto “Leoneano”, digo que “Agáchate, Maldito!” (Espanha), “Duck, You Sucker!” (Estados Unidos), “A Fistful of Dynamite” (Reino Unido), “Il Était Une Fois La Révolution” (França), “Quando Explode a Vingança” (Brasil) é o filme mais fraco do realizador italiano.

O vilão está a petiscar!

Nota final: no início do filme aparece uma citação (incompleta) de Mao Tsé-Tung, o histórico ditador chinês. Viviam-se os tempos do pós-maio 68 e alguns países da Europa ocidental pensavam que as revoluções comunistas “à la Mao Tsé-Tung” eram divertidas, simpáticas, fofinhas e que o objetivo era implementar a liberdade, a democracia e o estado de direito. Anos mais tarde, felizmente, o muro de Berlim caiu, o véu de secretismo do bloco comunista foi levantado e, aos poucos, ficámos a saber que a revolução liderada pelo Grande Timoneiro foi um autêntico desastre que despoletou fome, miséria, assassinatos e que custou a vida a milhões de pessoas. Afinal, o seu livrinho vermelho não era tão inócuo assim!

01/04/2020

La vendetta è un piatto che si serve freddo (1971 / Realizador: Pasquale Squitieri)

O jovem Jeremiah Bridge (Leonard Mann) crê que os seus pais foram massacrados por um grupo de índios selvagens. Alguns anos depois, já adulto, Jeremiah é um homem que destila ódio contra os índios e é agora um implacável matador de indígenas (e vendedor de escalpes). Os seus sentimentos começam a mudar quando encontra uma jovem índia que levou um tratamento com alcatrão e penas. A arrogância do ricaço Perkins (Ivan Rassimov) e do seu sabujo Virgil Prescott (Klaus Kinski) leva Jeremiah a ver as coisas de outro prisma. No fim, ele descobre quem são os verdadeiros selvagens e os verdadeiros assassinos.

Agarrem essa gaja!

Este filme é um dos poucos westerns-spaghetti que aborda o tema do ódio / racismo entre brancos e índios (e toma partido do lado dos índios). Klaus Kinski teve um papel menor neste filme, o que não o impediu de “armar barraca”. Segundo o realizador Pasquale Squitieri, na cena em que Kinski é levado à força por vários indivíduos, o irascível ator alemão desatou a bater em todos os que se aproximavam dele. 

E que tal um balázio nas trombas?

Squitieri mandou parar tudo, perguntou o que se passava e Kinski respondeu: “Realismo! Isto tem de ter realismo!”. Squitieri pediu-lhe calma. Mas o cabrão era tinhoso e tinha a mania nos cornos! Continuou a fazer a mesma merda até que Squitieri entrou em cena com um taco de basebol nas mãos pronto para lhe escavacar a marmita! Só aí é que Kinski baixou a bolinha e fez as coisas como deve ser.

Leonard Mann, o caçador de índios!

Título original italiano traduzido à letra: “A vingança é um prato que se serve frio”.
Título em Espanha: “Le venganza esperó diez años”.
Título em Portugal: “Fúria Selvagem”.

02/03/2020

Una pistola per cento croci (1971 / Realizador: Carlo Croccolo)

Reza a lenda que o realizador Carlo Croccolo era amigalhaço do ator Tony Kendall. O primeiro queria fazer um western mas tinha muito pouco dinheiro. O segundo, por amizade (ou talvez solidariedade), aceitou protagonizar esse mesmo western. Carlo Croccolo e o produtor Oscar Santaniello conseguiram os meios necessários e avançaram. Tony Kendall, Mimmo Palmara, Marina Mulligan, Monica Miguel e Ray Saunders são os mais importantes do elenco. Os restantes são fundamentalmente duplos, quase todos presença assídua nos westerns de Demofilo Fidani (Dennis Colt, Custer Gail, Luciano Conti, etc.). A história é muito simples: Sartana / Santana / Django (consoante a versão) é um pistoleiro dos sete costados que decide proteger a indefesa donzela Jessica Dublin. A súcia que anda a fazer mal à mulher é liderada por Frank Damon, ex-camarada de armas de Sartana.


Só a meio do filme é que ficamos a saber que acima do chefe Frank Damon há uma “chefa” que veste roupas pretas, tem um vistoso sombrero mexicano e maneja o chicote com a destreza de um domador de circo! Os melhores momentos do filme são o tiroteio final recheado de cadáveres e a cena em que a “chefa” despe Jessica Dublin à chicotada.

Tony Kendall com um ar extremamente sério!

Com Croccolo e Santaniello, a máxima era “no poupar é que está o ganho” e por isso várias cenas deste filme foram recicladas no western seguinte, “Black Killer”. Carlo Croccolo, sob o pseudónimo Lucky Moore, além de fazer filmes em Itália cujos atores sacavam das suas pistolas (cinema western), também foi aos Estados Unidos fazer filmes em que os atores sacavam das suas gaitas (cinema porno). Mas o objetivo permanecia o mesmo: disparar a arma!

31/10/2019

Uccidi Django... uccidi per primo! (1970 / Realizador: Sergio Garrone)

Eis mais um de muitos westerns-spaghetti cujo título é mentiroso. Não há nenhum “Django” em todo o filme. O título em Espanha não é melhor: “Tequila”! E porquê este título? Não sei e duvido que alguém saiba. Este filme foi completamente desprezado, a distribuição foi praticamente inexistente e foi parar às salas de cinema de 3ª categoria. Muitos anos depois, Sergio Garrone até admitiu em entrevistas que não se lembra de absolutamente nada. O elenco tem à cabeça Giacomo Rossi Stuart, ator italiano que, anos mais tarde, iria interpretar o papel do Capitão Fritz Von Merkel no bem-sucedido “Zorro”, de Duccio Tessari. Temos também os inevitáveis vilões Aldo Sambrell e George Wang, o habitual Furio Meniconi e as lindíssimas Krista Nell e Diana Lorys. 
Aldo Sambrell a fumar uma cigarrada!

A receita é a habitual: Johnny McGee, o velho Thomas Nathaniel Livingstone (nome todo pomposo para um velho jarreta) e um mestiço vivem numa cabana perto da sua mina de ouro. O banqueiro Anthony Burton quer todas as minas da região e não aceita que lhe digam “não”. Todos os mineiros da zona são ameaçados, atacados e, alguns deles, assassinados. O braço armado de Burton é um mexicano chamado Lupe Martinez, que na maior parte do tempo anda todo grogue e vive escondido numa gruta húmida e terrivelmente lúgubre.

Além da pistola, o protagonista também maneja a picareta.

Para defender o que é seu, o trio de mineiros não vira a cara à luta. Johnny é implacável com o seu colt, o mestiço é mestre em lançar dardos através da sua flauta e o velho Livingstone, quando não está a agravar a sua cirrose, resmunga. Os condimentos da habitual receita acima mencionada são os inevitáveis balázios e sopapada! No auge dos westerns italianos, uns panhonhas franceses escreveram numa revista que “em Roma há lá um Sergio que faz três westerns por semana”. 

Esta gravata é mesmo à tua medida!!

Eles referiam-se a Sergio Garrone mas estavam completamente errados porque Garrone só fez cinco westerns. Participou, posteriormente, em mais dois westerns porque foi chamado pelo produtor para terminar o que outro realizador, Luigi Mangini, já tinha começado. “Uccidi Django… Uccidi Per Primo!” é um western pobre. Eu adjetivá-lo-ia como um filme “feito às três pancadas”. Ou, como se diz na minha terra, um filme “feito à papo-seco”!

11/06/2019

...e lo chiamarono Spirito Santo (1971 / Realizador: Roberto Mauri)

Por alguma razão vi o segundo filme desta trilogia antes do seu predecessor, tal a qualidade dessa zurrapa demorei anos a arriscar voltar à saga, mas fi-lo um dia destes e afortunadamente tenho de reconhecer que este primeiro filme é bastante superior. Tem menos traços de paródia, um andamento razoável e sobretudo actuações muito aceitáveis. No elenco encontramos: Jack Betts a empoçar a bigodaça mais épica do western europeu; Mimmo Palmara que não falha quando o põem a fazer de índio (ora lembrem-se lá do clássico “Black Jack”); José Torres num papel completamente tresloucado (bem sei que fez muitos, mas quem imaginaria um padre homicida?) e o “mocinho” de serviço é Vassili Karis: nada mais nada menos que o dono dos ponchos mais ridículos do western-spaghetti.

Uma mulher entra em trabalho de parto, há dor, há choro, mas logo chega a alegria: “é um rapaz!”. Um olhar breve pela janela revela uma pomba branca e alguém grita: “Espírito Santo!”. E assim se faz a ponte mais foleira que se poderia imaginar com a personagem popularizada  pelo filme de Giuliano Carnimeo e interpretada pelo nosso favorito Gianni Garko. 

Vassili Karis, além de protagonizar ainda tratou do recrutamento do elenco.

Anos mais tarde encontramos novamente Spirito Santo (Vassili Karis), agora a vergar o aço num campo de trabalhos forçados de onde será liberado por acção de um tal Foster (Jack Betts), que pretende impingi-lo na participação a um assalto a um carregamento de ouro. A equipa forma-se e o golpe dá-se, mas um dos comparsas - o padre Steve (José Torres) - tem um surto psicótico e dizima uma quantidade avassaladora de militares com a sua metralhadora. Padre que é padre não sai de casa sem ela, certo?! 

Com padres destes não me apanham na missa.

E pronto, já adivinharam, quem amocha com as culpas de tudo isto e mais um par de botas é o nosso amigo Spirito Santo, que acabará por ter de confrontar os seus ex-parceiros e ainda livrar-se de um xerife mestiço (Mimmo Palmara) que o persegue por motivos alheios a este imbróglio. Motivações que terão de conferir vocês mesmos, para não entrar aqui em modo spoiler total.  

O cachet do Jack Betts foi todo para aquela bigodaça.

Rodado quase totalmente na região de Manziana (Itália), o filme peca evidentemente pela falta dos grandes planos proporcionados pelas co-produções ítalo-espanholas, mas esqueçamo-nos disso. É uma história simples e coerente que não sofre dos sobressaltos habituais das produções de menor orçamento que o género produzia nestes inícios de setenta. Até ver arrisco-me mesmo a dizer que é o meu spaghetti favorito da safra do siciliano Roberto Mauri. Portanto, larguem lá os centos de filmes de super-heróis e as séries da moda que os grandes estúdios vos tentam enfiar pela goela e arrisquem algo completamente diferente!

25/10/2016

Black Killer (1971 / Realizador: Carlo Croccolo)

Tombstone é uma cidade apavorada! O medo deve-se à violência que os irmãos O’Hara exercem sobre a população. Assaltos e homicídios são o prato do dia. O juiz é um malandro corrupto e o xerife é tão inútil que depressa acabam com ele. O advogado James Webb (Klaus Kinski) chega à cidade. Elegantemente vestido de negro, Webb vem carregado de livros muito importantes, muito especiais e muito misteriosos. Procura saber rapidamente o que se passa naquela localidade e, sendo um advogado abelhudo, mete o nariz (discretamente) em todo o lado: espreita pelas janelas, ouve atrás das portas, esconde-se atrás dos cortinados e nunca se separa de, pelo menos, um dos seus essenciais tomos da lei. Com pezinhos de lã e constantemente a recorrer ao paleio técnico (cita artigos da lei), o advogado Webb cedo percebe que o juiz é um ciganão e que não tem intenção nenhuma de acabar com a corrupção.

Preparando a artilharia.

Enquanto isso, um tal Burt Collins chega a Tombstone. O homem tem o dedo leve no gatilho e Webb insiste que o tipo seja nomeado xerife. Com a estrela ao peito, Collins limpa a cidade (com a extraordinária ajuda da sua cunhada índia especialista em arco e flecha) e o advogado mantém-se nos bastidores com os seus inseparáveis livros. Mas que raio de livros serão aqueles? “Black Killer” é um dos 7 westerns que o ator Klaus Kinski fez no ano de 1971. É um filme fraco, com uma montagem descuidada e que recorre a alguma nudez feminina para evitar que o pessoal se deixe dormir durante os 90 minutos que o filme dura. Alguns perguntar-se-ão como é que um ator de prestígio como Klaus Kinski aceitava estes papéis nestas produções rascas.

Este artigo da lei é mortal!

Eis a resposta: “A certa altura eu já nem me dava ao trabalho de ler argumentos. Nem queria saber! Chegava lá, fazia o que tinha a fazer, recebia o dinheiro e ia-me embora!” E quanto aos westerns-spaghetti, concretamente: “Muitos e muitos westerns que fiz em Itália”, dizia Kinski, “cada um pior do que o outro! E os seus pseudo-realizadores ainda mais incompetentes! E quanto mais incompetentes eles eram mais hostis se tornavam! Mas pagavam-me bem e isso é que me interessava. Com o estilo de vida que eu levo preciso de trabalhar.”

Sangue!!

De facto, ao ler a sua autobiografia, eu próprio constatei que Klaus Kinski levava uma vida absurdamente cara: 7 Ferraris, 6 Rolls-Royce, 3 Maseratis, várias mansões, apartamentos e palacetes na Europa e na América, viagens, banquetes, champanhe, caviar e muitas putas è discrição! Chegou a ganhar um salário astronómico de 50 000 Marcos por dia mas… será que era suficiente para cobrir todas estas despesas loucas? Excêntrico e genial para uns, alucinado de merda que não respeitava nada nem ninguém para outros, Klaus Kinski era mesmo assim: um homem de extremos. Com ele, ou oito ou oitenta!

05/07/2016

Bad Man's River (1971 / Realizador: Eugenio Martin)

Um revolucionário mexicano contrata quatro ladrões de bancos para destruírem um arsenal do exército mexicano. O arsenal vai pelos ares, mas o soldo dos bandidos esfuma-se com ele, dando-se então inicio a uma interminável sequelas de traições e outras intrujices entre bandidos, revolucionários, exército e mais sei lá o quê. Estamos em inícios dos setentas e os delírios começam a tomar conta da indústria western europeia. Eugenio Martin, que em 1966 realizara o muito reputado "El precio de un hombre", mete também os pés pelas mãos e presenteia-nos com este paupérrimo exercício western, sem fio condutor que lhe valha e com uma bizarríssima trilha sonora para um western de chancela europeia. 

Grande equipa de ladrões. Entram no cofre pela base mas saem pela porta de entrada!

Não se deixem enganar pelos nomes sonantes do elenco - Lee Van Cleef, James Mason, Gianni Garko, Aldo Sambrell, Eduardo Fajardo - aqui se prova que a quantidade não é sinónimo de qualidade. Aliás, até dói ver Lee Van Cleef, um tipo conotado como «duro», aqui com chapéu de coco enfiado na mona e a ser contantemente indrominado pela irritante Gina Lollobrigida. 

Lee Van Cleef mostra algum amor à lambisgóia de serviço, Gina Lollobrigida.

Também o nosso muito apreciado Gianni Garko, que nos habituámos a ver como Sartana ou em papeis de igual importância,  aparece aqui montado numa bicicleta e com óculos na fronha, triste fim. Enfim, podia recomendar-vos uma ou outra edição DVD/Blu-ray mas vou poupar-vos uns cobres e futuros martírios, conselho de amigo: arrepiem caminho, e passem ao lado deste!

Ora então fiquem lá com mais alguma publicidade enganosa: 



15/11/2015

Filme completo | W Django! (1971)



Django segue o rastro dos bandidos que violaram e mataram a sua esposa. No caminho, salva da forca um ladrão de cavalos, que sabe quem assassinou a sua esposa. O filme é de Edoardo Mulargia, italiano que ficou conhecido pela sua capacidade em debitar westerns decentes mas de baixo orçamento, quase todos com usurpação de cenas de filmes de Sergio Leone. Este não foi excepção, baseando-se aqui e ali no clássico "Il buono, il brutto, il cattivo", com Glauco Onorato (Carranza) a fazer um decalque descarado do famoso "Tuco". Ver para crer! 

07/07/2015

Filme completo | Per una bara piena di dollari (1971)


Ao regressar da Guerra Civil, John Hamilton encontra a casa destruída e a família assassinada. Decide então dar caça aos bandidos responsáveis pelo feito. É assim o cinema low budget do prolífico Demofilo Fidani, o mais amado dos odiados do cinema italiano. O filme está disponível no Youtube, atrevam-se!

28/04/2015

Anche per Django le carogne hanno un prezzo (1971 / Realizador: Luigi Batzella)

Os westerns de Luigi Batzella (pseudónimo Paolo Solvay) fazem parte do lote mais fraco do subgénero. Batzella sofria daquilo que eu chamo de “síndrome Demofilo Fidani”, ou seja, tirava cenas de filmes anteriores, editava-as e usava-as para um novo filme (recycled footage). Para fundamentar ainda mais a minha opinião Batzella foi buscar Jeff Cameron, um dos protagonistas dos westerns de Fidani. Embora seja um filme fraco salva-se o atraente “casting” feminino (Esmeralda Barros, Dominique Badou, Angela Portaluri). Na vertente masculina apenas Jeff Cameron se safa encarnando um Django relativamente convincente. Os restantes nem vale a pena mencionar.


Goffredo Scarciofolo aka Jeff Cameron, o nosso Django de serviço, 

Eis um pequeno resumo: Alguns bandidos mexicanos liderados pelos irmãos Cortez atacam uma herdade daquela região. Destroem tudo, matam os dois proprietários e raptam a sua filha. Antes disso tinham concretizado um golpe a um banco de onde roubaram uma soma avultada. Os irmãos Cortez são quatro homens (ou são três homens e uma mulher?) todos vestidos com roupas iguais que faz lembrar algo como a junção entre “os irmãos Dalton” e “os Três Amigos”. Todos eles têm a cabeça a prémio mas ninguém tem coragem de mexer uma palha porque os mexicanos são mais venenosos do que um punhado de escorpiões! Django chega ao local, bebe uns copos, anda à sopapada, dispara uns balázios e ainda papa a dona do hotel.

O vil metal sempre como razão para a escaramuça.

Para acrescentar mais lenha a esta confusa fogueira andam outros dois indivíduos a esparvoar: um finório engravatado especialista na batota e um tipo bruto que nem uma capa de parede que anda com uma sela que herdou do seu avô. Cada um destes personagens tem um objetivo concreto no enredo: será o dinheiro da recompensa? Será recuperar o dinheiro roubado do banco? Ou será algo mais? Ficarão a saber tudo quando virem este filme mas ficam desde já avisados: o conteúdo é adequado apenas para maníacos da série B que gostam de ver uns disparates de vez em quando. Os outros… nem o cheiro!!!

Trailer:

10/02/2015

Giù le mani... Carogna! (Django Story) (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Certa noite, num saloon do Velho Oeste, está o jovem Wild Bill Hickok a beber uma fresquinha. Tudo está calmo e tranquilo. Um homem misterioso entra no saloon, senta-se e também bebe uma caneca para matar a secura. O homem está todo vestido de negro, o seu bigode e os seus cabelos grisalhos indiciam que se trata de um indivíduo idoso, fisicamente debilitado (traz uma bengala) mas o seu olhar é sinistramente lúcido e perspicaz. Num ápice rebenta uma violenta discussão entre alguns clientes do saloon e começam a zunir murros, pontapés, cabeçadas, garrafas partidas e mesas desfeitas! A discussão alarga-se ao jovem Hickok e ao velho coxo, que prega umas bengaladas em alguns mariolas. Subitamente, o xerife aparece e põe ordem na confusão. Leva para o xadrez todos os palhaços que começaram a briga deixando Hickok e o velho a sós no saloon.


Feitas as apresentações, Wild Bill percebe que tem perante si Django, o célebre pistoleiro e caçador de recompensas mais famoso do Oeste. Ambos vão passar todo o serão à mesa a comer, a beber e a conversar porque Hickok quer ouvir de Django todas as aventuras que viveu quando este era mais novo e como eliminou todos os seus temíveis inimigos ao longo da sua carreira de pistoleiro. Este foi o último western de Demofilo Fidani, um cineasta que fazia filmes à velocidade da luz.

Rezam as crónicas que alguns westerns que realizou foram rodados em poucos dias! Os cenários e os locais não variavam muito e os atores e técnicos não variavam nada porque era gente de confiança (praticamente como uma família). Fidani era um tipo engenhoso porque fazia muitos westerns quase sem dinheiro. Para este filme o que é que o homem fez? Pegou em cenas dos seus westerns anteriores, editou-as como quis e colou-as às novas cenas filmadas de propósito para este filme (nomeadamente todas as cenas que incluem Wild Bill Hickok e o grisalho Django).


Para quem não é muito exigente a montagem final escapa mas há, de facto, várias falhas como é apanágio das produções da Tarquinia Films. O elenco é mais do mesmo: Jerry Ross como Wild Bill Hickok, Gordon Mitchell como Buck Bradley, Dennis Colt num duplo papel dos irmãos Manuel e Paco Sanchez, Dean Stratford como Dean O’Neil e à cabeça temos Hunt Powers a interpretar um Django velho, coxo, quase reformado mas ainda com genica para disparar uma arma ou partir o focinho a uma súcia de malandros com a sua terrível bengala! Aconselhável única e exclusivamente para malucos como eu (“mea culpa, mea culpa”) que gostam de Demofilo Fidani e das suas produções rascas.

Mais algum material promocional:


Trailer:

18/11/2014

Zagor kara korsan'in hazineleri (1971 / Realizador: Nisan Hançer)

Quando se menciona o nome “Bonelli” em Itália muita gente coloca-se imediatamente em sentido. E porquê? A história já é longa e inicia-se na Itália do pós-Segunda Guerra Mundial. Com um país devastado material e animicamente o povo italiano depressa quis esquecer as longas décadas de ditadura fascista de Benito Mussolini e da vergonhosa derrota perante as tropas aliadas. Com a libertação da Europa o convívio entre a população e os soldados americanos teve o efeito de despertar as pessoas para outros interesses e os Estados Unidos da América eram agora o modelo a seguir. As multidões amavam o cinema americano, os atores americanos, os realizadores americanos, os músicos americanos… A paixão pelo Oeste Selvagem tornou-se viral por toda a Europa e a Itália foi o melhor exemplo. 


Em 1948 um tal Giovanni Luigi Bonelli criou um personagem emblemático que iria fazer sonhar várias gerações de leitores: TEX WILLER, um Ranger do Texas que combate pela honra e pela justiça e implacável com os seus inimigos. O sucesso tem sido manifestamente grandioso desde então que ainda hoje o personagem existe e é imbatível nos “fumetti” italianos! Filho de peixe sabe nadar! Sergio Bonelli seguiu as pisadas do pai e em 1961 criou ZAGOR. Também ambientado no Velho Oeste, também defensor da justiça, Zagor vive na floresta de Darkwood e impõe respeito a índios e brancos nem que para isso seja obrigado a usar o seu Colt Navy ou a sua infalível machadinha de pedra. Tal como Tex, Zagor ainda hoje ocupa o 2.º lugar do pódio da banda desenhada italiana e tem muito sucesso noutros países (Brasil, Croácia, Grécia, Turquia). 


Tex foi adaptado ao cinema em 1985, numa fase tardia dos westerns italianos, e o filme não foi bem sucedido nas bilheteiras. Zagor nunca teve adaptações oficiais para o cinema mas na Turquia alguém se lembrou disso e mesmo sem autorização da Sergio Bonelli Editore foram em frente. Isso resultou num filme patético, sem nexo, com sequências de ação ridículas, infantis e lamentáveis. Até a música, além de repetitiva, foi roubada de outros westerns. E este não foi o único: foram três os filmes não oficiais de Zagor e todos eles na mesma linha: muito muito maus! Eu, como leitor e fã de Zagor desde os anos 80, nunca percebi porque é que não houve pelo menos uma adaptação oficial para o cinema. Talvez o medo de falhar, tal como aconteceu com o filme de Tex, seja a principal razão. 


Para terminar aproveito este momento para fazer algo que nunca tive a oportunidade de fazer: agradecer a Sergio Bonelli por tudo o que fez pela banda desenhada (essa arte tão bela e tão subestimada) e por ter criado um personagem que tornou a minha vida muito melhor. Viva Sergio Bonelli! Viva Zagor!


Filme completo: