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28/06/2020

Rimase uno solo e fu la morte per tutti! (1971 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Reza a lenda que o signore Edoardo Mulargia se terá sentado na cadeira de realização deste “Rimase uno solo e fu la morte per tutti!” com o comboio já em andamento. O projecto teria sido originalmente iniciado por Mario Pinzauti com outro título, “L’uomo dalla Colt bianca” ou “Una Colt venutta dal Nord”, não se sabe bem. Pinzauti que fez carreira na escrita de giallos e afins não tinha muito jeito para as câmeras e não cravou o seu nome nos anais do cinema e este nem foi o seu único tiro de pólvora seca. Anos antes iniciou também outro filme que não chegou a ver a luz do dia, “Interpol morte al molo 18”. 

"Já chega Mulargia, estamos a partir pedra à mais de 10 minutos."

O xerife Dakota é injustamente acusado de participação no assalto a uma diligência e acaba a partir pedra no presídio. Aí vai ter de trocar mimos com os residentes que ele próprio remetera para lá enquanto homem da lei. Mas graças à esperteza do seu irmão (Slim) a sua estadia não será prolongada. Slim concebe uma farsa para ludibriar o responsável da prisão, que acaba por libertar o ex-xerife sob um suposto indulto do governador. Os dois irmãos iniciam então a caçada aos verdadeiros responsáveis pelo assalto. 

Cheira a trapaça!

Não é possível esconder as debilidades do filme, ora por perseguições a cavalo esticadas à exaustão, ora por ensaios de suspense sem real interesse. A espera que os bandidos fazem numa casa alheia, com os seus anfitriões amordaçados é um bom exemplo disso. A câmara corrupia lentamente entre os diversos malandros, ora vemo-los acariciar a artilharia, ora vemos o temor dos cativos e até temos direito a diversos zooms às esporas do Dino Strano. Tentativa de fazer algo como a introdução do "Aconteceu no Oeste"? Parece-me que sim, aliás Mulargia nunca escondeu o fascínio pelos westerns de Leone que copiou diversas vezes nos seus anteriores.

Slim, o personagem mais afoito do filme.

Não, os filmes de Edoardo Mulargia (Cjamango, A Vingança de Django, etc.) nunca foram soberbos, mas eram por regra bem feitinhos e carregados de acção. Peças em défice neste “Rimase uno solo e fu la morte per tutti!”. Temos ainda assim alguns bons duplos por aqui, daqueles que se atiram à maluca dos telhados, e eles sim, capazes de nos sacar umas gargalhadas involuntárias. A duração da fita não ultrapassa os 80 minutos, menos que a generalidade dos filmes do género e a razão está na escarrapachada na cara. Não havia cacau! 

Dúvidas existenciais: Como é que este homem aparece de surpresa com dois tipos a galope lá atrás? 

Ao menos o elenco enche o olho. Temos Tony Kendall como xerife, Dino Strano e Omero Gargano como vilões e o brasileiro Celso Faria ainda faz uma “perninha”. De todos destaco sobretudo a equipa dos mauzões. Dino Strano já nasceu com aquela imagem de patife profissional, sempre impecavelmente vestido de negro como manda a tradição. Já Omero Gargano, está especialmente eficaz no papel de suposto cidadão de respeito, mas que afinal encabeça as operações do bando. E se não bastasse, nos tempos livres ainda maltrata psicologicamente a sua "prometida". Um verdadeiro exemplo pela negativa.

"Diga bom dia com Mokambo!"

Marco Giusti refere no seu “Dizionario del western all'italiana” uma entrevista que Kendall deu sobre o filme. Contava Kendall que o Dino Strano estava convencido que o papel principal seria para dele, ao aperceber-se do contrário não terá ficado muito satisfeito. Consigo ter empatia por ele, o homem já tinha entrado em dezenas de westerns e estava na hora de ter um papel de “mocinho”, mas não teve sorte. Teve de esperar mais um par de anos e finalmente deram-lho em "Allegri becchini... arriva Trinità" (o Emanuel já falou dele aqui), um filme que faz justiça ao nome do seu intérprete: estranho! 

"Há aqui mais dinheiro que nos bolsos do produtor."

Já Kendall, que na bagagem já coleccionava uma catrefada de papéis principais graças à franquia «Comissário X», esfregou as manápulas e ganhou mais um para a colecção, o quinto só em spaghettis. Kendall é dono daquele tipo de cara granítica, potencialmente ideal para estas andanças, mas há ali algo nele que não bate certo. Se tivesse um DeLorean como o do Martin MacFly, era gajo para ir ao passado dar-lhe uma só dica: "Sócio, se queres fazer westerns usa a porra do chapéu como toda a gente à tua volta!"

16/12/2019

...E il terzo giorno arrivò il corvo (1973 / Realizador: Gianni Crea)

Os irmãos Link, Tornado e Sally encontram por acaso uma carroça abandonada. Essa carroça pertence à Lawson Company e transporta uma carga preciosa: ouro! Os três irmãos não são desonestos, nem gananciosos, nem sovinas e devolvem a carroça ao legítimo dono. Quando chegam ao escritório e são recebidos por Lawson, em vez de agradecimentos, os três maninhos levam uma parelha de coices e são postos na rua! Ninguém percebe porquê. Pouco depois, uns marmanjos raptam Sally. Link e Tornado vão buscá-la. Mas porquê tanta intriga? Será porque o ouro que devolveram era falso? Ou será porque Lawson trabalha em conluio com o Corvo que, tal como o nome indica, é um tipo todo vestido de preto com uma capa a condizer.

Eis os três protagonistas!

Os três irmãos querem ajustar contas com esse tal Corvo porque foi ele que, há muitos anos, matou o pai deles. Mas mesmo que consigam depenar o Corvo há que ter em conta que os pássaros de plumagem preta também têm família. O irmão do Corvo (o Corvo Júnior, talvez?) não vai ficar de braços cruzados (ou será de asas cruzadas?).

Cenas de violência também estão presentes.

Gianni Crea era um realizador que andava sempre a contar os poucos trocos que tinha no bolso. Nos seus westerns, a cheta era muito curta e por isso reciclava cenas de outros filmes (neste caso, cenas de “Se T’incontro, T’ammazzo”) para poder alcançar os mínimos olímpicos. Talvez por isso é tão evidente a montagem descuidada.

E eis o Corvo!

A música é da autoria de Nora Orlandi, o que é digno de registo porque até nesse aspeto não era habitual ter uma mulher como compositora de uma partitura musical de um western. O título em Portugal é “Ao Terceiro Dia Chegou o Corvo”. Até admira que desta vez tenham respeitado o título original italiano. Caso contrário, este filme arriscar-se-ia a chamar-se algo estapafúrdio como “A Revolta do Autoclismo” ou “Os Três Contigo”!

17/12/2018

Se t'incontro, t'ammazzo (1970 / Realizador: Gianni Crea)

O ator Donald O’Brien (nascido em Pau, França), eterno ator secundário em muitos westerns-spaghetti, é o protagonista de mais uma “vendetta”. Gordon Mitchell, Dean Stratford e Mario Brega fazem-lhe companhia. Diversas cenas foram filmadas no “Cave Film Studio”, propriedade de Gordon Mitchell. Aos comandos disto tudo está o realizador Gianni Crea, o que significa que se trata da típica produção western italiana de orçamento paupérrimo do início dos anos 70.



A “vendetta” tem sempre a mesma premissa: os honestos e humildes, cedo ou tarde, alcançam os seus objetivos. Os gananciosos e os desonestos, por mais que fujam, levam nos cornos! O sumário: Jack é um agricultor que vive uma vida pacata. Um rápido ataque à sua propriedade resulta na morte dos seus pais e na destruição dos seus bens. Num ápice, o agricultor torna-se pistoleiro. Sedento de vingança aí vai ele, bruto dos queixos, em busca dos tipos que destruíram a sua vida.

Duas caras bem conhecidas da série B.
Consta que o filme foi feito em dez dias! Várias cenas foram recicladas e repostas noutros westerns de Gianni Crea (para poupar película e trabalho). A falta de dinheiro era tanta que nos últimos dias de filmagem já nem sequer tinham orçamento para ter cavalos. Depois deste filme Mario Brega continuou a trabalhar com Gianni Crea. Como se sabe, Brega era amigo de Sergio Leone e fez a ponte para que Crea e Leone se conhecessem. 

Quietinho ou levas um tiro no focinho!
A amizade entre ambos consolidou-se e anos mais tarde Gianni Crea revelou que ele próprio iria ser o responsável pela 2ª unidade do filme “Assedio di Leningrado”, um grande épico sobre a Segunda Guerra Mundial que Sergio Leone tinha em mãos no final dos anos 80. Segundo reza a lenda o governo do então líder soviético Mikhail Gorbatchev até tinha autorizado que as filmagens decorressem em solo russo. Mas por ironia do destino Leone morreu no dia 30 de abril de 1989, o projeto ficou sem efeito e Gorbatchev viu a Cortina de Ferro cair no dia 9 de novembro de 1989.

Filme completo:

13/11/2018

Allegri becchini... arriva Trinità (1973 / Realizador: Ferdinando Merighi)

Este filme está repleto de nomes ligados aos westerns-spaghetti de série B (ou será série Z?). O realizador é Fred Lyon Morris (quem?!), aliás, Ferdinando Merighi (quem?!). Merighi foi assistente de realização de vários westerns de Giuseppe Vari e de um western de Demofilo Fidani. O responsável pela montagem é Luigi Batzella, que também realizou alguns westerns muito baratos e muito maus. O herói improvável é Dean Stratford (Dino Strano), ator italiano que fazia sempre papéis de mau mas que desta vez evitou o “typecast”. Gordon Mitchell tinha de estar presente porque foi tudo filmado no seu estúdio Western Town, o santuário dos westerns-spaghetti paupérrimos dos anos 1970. O aviso fica desde já feito: marados da série B (ou será série Z?), cheguem-lhe obra! Intelectualoides: Pisguem-se!!


A vingança é o prato forte do dia! Um bando de cinco pulhas (um barbudo, um índio, o já citado Gordon Mitchell, um parvalhão que tira macacos do nariz e um mexicano de meia-tigela) pratica extorsão e rapto. O cabecilha é um homem que veste uma túnica e um capuz preto (tipo Ku Klux Klan mas em preto) e comunica por linguagem gestual (o índio é o intérprete). A mulher raptada é assassinada pelos bandidos pouco antes da chegada à cidade do seu irmão Chad Randall. Este também veste sempre de preto e é um pistoleiro mais bruto do que uma capa de parede!

Todos obedecem ao homem do capuz!

Randall vai à caça, apanha dois deles e trata-lhes da saúde. Mas o homem não é feito de ferro e também tem direito a fazer uma pausa. Nada melhor do que foder a gaja da pousada. Depois, já mais leve, vai atrás dos restantes broncos. Mas será que ele vai descobrir a identidade do misterioso encapuzado?

O protagonista sofre!

Como é evidente não vou contar o final. Direi apenas que Randall seguirá a premissa que os Megadeth estabeleceram em 1990 no célebre álbum “Rust in Peace”. Na terceira faixa pode ler-se “take no prisoners… take no shit!”.

Trailer:


E um pouco de Megadeth:

18/09/2017

Il tredicesimo è sempre Giuda (1971 / Realizador: Giuseppe Vari)

É dia de festa na localidade de Sonora, México. O capitão Ned Carter, ex-oficial do Exército Confederado, vai-se casar com Mary Belle. Os convidados comem e bebem à discrição. Estão 13 convidados sentados à mesa. Treze piratas de primeira categoria. Há de tudo: ladrões, foragidos, batoteiros, bêbados, desertores, espiões, sem esquecer juízes corruptos, padres fornicadores, mulheres adúlteras e maridos cornudos! Um deles diz que treze pessoas sentadas na mesma mesa dá azar. Ninguém lhe passa cartão, obviamente. A noiva chega ao local na diligência mas surpreendentemente todos os passageiros foram assassinados (Mary Belle incluída). Os homens vasculham a zona em busca dos culpados pelo massacre. As buscas não dão em nada.

Donald O'Brien em estado de alerta.

Um por um, os homens que estavam no banquete começam a cair que nem tordos. Fala-se na maldição do número 13. A casa de putas revela-se um bom sítio para saber algo mais sobre o mistério. Um perigo mortal espreita em todas as esquinas porque os homens continuam a morrer. Andam todos com o cu às bufas! E as gajas, jeitosas e loucas de tesão, não são de confiança!

Vou-te fazer a barba!

Consta que a defunta noiva tinha herdado uma mina do seu falecido pai mas agora essa mesma mina está repleta de assustadoras caveiras no interior de uma das galerias. Porquê? O que aconteceu? O casamento de Mary Belle e Ned Carter era assim tão inocente como parecia? Eis uma história de crime e mistério no Velho Oeste.

02/05/2016

Era Sam Wallash... lo chiamavano... 'E così sia'! (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Só no ano de 1971, Demofilo Fidani realizou cinco westerns! Foi o seu ano mais produtivo (em quantidade porque é qualidade isso é muito discutível). Vamos então ver o que nos reserva este filme: Numa noite tranquila, Sam Wallash e o seu irmão estão no saloon a beber o seu canudo de cerveja. Mash Donovan e a sua manada de jagunços entram no local à bruta, ajustam contas com o taberneiro e disparam sobre toda a gente. Sam escapa ao massacre mas o seu maninho foi com os porcos! O homem zanga-se (e com razão, porra!) e irá até ao fim do mundo para limpar o sebo ao cabeçudo do Donovan. Em Golden City, Donovan anda-se a pavonear feito fanfarrão perante tudo e todos até que correm notícias que um homem alto que escapou ao massacre na taberna é um tipo perigoso e que anda atrás dele. Donovan não admite baixar a crista e contrata mais pistoleiros para o protegerem. Na sua demanda vingativa, Sam “despacha” muitos rufiões mas não se livra de levar umas mocadas nas ventas de vez em quando.

Porrada que até cria bicho!

Embora seja muito hábil no gatilho, Sam tem um trauma antigo e extremamente bizarro: tem pavor de portas a bater! Porquê? Como é habitual nos westerns de Demofilo Fidani a capacidade de estender, prolongar e desenvolver o enredo é muito reduzida e por isso há que “encher chouriços”. Como? Incluindo as habituais cenas de pancadaria no saloon, um combate de boxe e cavalgadas de um lado para o outro apenas para ter mais alguns minutos de projeção para chegar perto da hora e meia de filme previamente estabelecida.

Donovan e os seus jagunços.

O americano Robert Woods é o protagonista. Dean Stratford, Dennis Colt e Simone Blondell são os antagonistas. O competente diretor de fotografia Franco Villa e o compositor Coriolano “Lallo” Gori fazem um bom trabalho, como sempre. O confronto final entre herói e vilões nas dunas de um deserto é um excelente momento e a aparição de uma metralhadora é um ótimo trunfo! Nota de destaque para um hilariante (e absurdo) momento com Gordon Mitchell, Peter Martell e Lincoln Tate, que se apresentam como implacáveis pistoleiros e depois… nunca mais aparecem no filme! Infelizmente, e como seria de esperar, não há DVD deste filme à venda e está na hora de mudar essa situação! Portanto, faço aqui um apelo a todos os fãs de Demofilo Fidani (onde eu estou incluído, naturalmente) para gritar isto alto e bom som: “Fidanianos de todo o mundo… uni-vos!”

15/12/2015

Passa Sartana... è l'ombra della tua morte (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)

Parece impossível mas é verdade: o realizador Demofilo Fidani fez este filme em seis dias! Seis dias!! Segundo reza a lenda o cineasta tinha o projeto em mãos mas estava completamente falido. Juntou toda a equipa técnica e os atores (ou melhor, os duplos e os figurantes) e prometeu pagar-lhes depois de fazer o filme. Toda a gente compreendeu a situação e todos trabalharam com o empenho habitual. O título deste filme em Portugal é “Sartana Contra Todos”. O título é mais do que adequado porque é exatamente isso que acontece em todo o filme. Ninguém escapa a Sartana!

Sartana e o seu pistolão!

Onde quer que o homem vai, por todos os sítios por onde passa… é só cadáveres a rebolar pelo meio do chão e cacetada de criar bicho! Todos os malandros, piratas, trafulhas, vigaristas, batoteiros e assassinos que se cruzam com Sartana são automaticamente varridos pela sua pistola ou pelos seus punhos de aço (a bem da verdade diga-se que a maioria manda umas trombas tão feias que realmente merecem um tiro naqueles cornos)!

Cortaram o pio a Simone Blondell.

Mas porque é que o famoso justiceiro do Oeste anda a fazer isso? A resposta é simples: as autoridades estão aflitas porque não conseguem estancar o elevado número de crimes na região (homicídios, raptos, assaltos). Há pânico, morte e caos por todo o lado! A lei tem de agir! O xerife e os altos responsáveis pela cidade são forçados a tomar medidas extremas para acabar com o problema.

Sartana atravessa o deserto.

A solução chama-se Sartana, o famoso pistoleiro que, por razões obscuras, é agora um fora-da-lei. Convocado à cidade, é pedido a Sartana que trate da saúde a toda a escumalha que anda por aí. A recompensa pelo trabalho será um prémio em dinheiro e o perdão oficial das autoridades. Sartana monta-se no cavalo, passa por várias localidades, saloons, desertos, cidades fantasma e tudo o que apanhou pela frente foi derretido.

Dino Strano já está à rasca!

Alguém sobreviveu a Sartana? Não. O trabalho foi bem executado? Sim. Demofilo Fidani assina mais um western violento a preço de saldo? Sim. E este Jeff “Sartana” Cameron? É o homem certo para o papel? Na minha modesta opinião a resposta é “sim”. E porquê? Porque Fidani não pode ter um Sartana elegante à Gianni Garko. Com Fidani, o Sartana à Jeff Cameron trata do assunto à bruta porque este Sartana é bruto dos queixos! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é duro que nem um calhau! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é rijo que nem um corno!

10/02/2015

Giù le mani... Carogna! (Django Story) (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Certa noite, num saloon do Velho Oeste, está o jovem Wild Bill Hickok a beber uma fresquinha. Tudo está calmo e tranquilo. Um homem misterioso entra no saloon, senta-se e também bebe uma caneca para matar a secura. O homem está todo vestido de negro, o seu bigode e os seus cabelos grisalhos indiciam que se trata de um indivíduo idoso, fisicamente debilitado (traz uma bengala) mas o seu olhar é sinistramente lúcido e perspicaz. Num ápice rebenta uma violenta discussão entre alguns clientes do saloon e começam a zunir murros, pontapés, cabeçadas, garrafas partidas e mesas desfeitas! A discussão alarga-se ao jovem Hickok e ao velho coxo, que prega umas bengaladas em alguns mariolas. Subitamente, o xerife aparece e põe ordem na confusão. Leva para o xadrez todos os palhaços que começaram a briga deixando Hickok e o velho a sós no saloon.


Feitas as apresentações, Wild Bill percebe que tem perante si Django, o célebre pistoleiro e caçador de recompensas mais famoso do Oeste. Ambos vão passar todo o serão à mesa a comer, a beber e a conversar porque Hickok quer ouvir de Django todas as aventuras que viveu quando este era mais novo e como eliminou todos os seus temíveis inimigos ao longo da sua carreira de pistoleiro. Este foi o último western de Demofilo Fidani, um cineasta que fazia filmes à velocidade da luz.

Rezam as crónicas que alguns westerns que realizou foram rodados em poucos dias! Os cenários e os locais não variavam muito e os atores e técnicos não variavam nada porque era gente de confiança (praticamente como uma família). Fidani era um tipo engenhoso porque fazia muitos westerns quase sem dinheiro. Para este filme o que é que o homem fez? Pegou em cenas dos seus westerns anteriores, editou-as como quis e colou-as às novas cenas filmadas de propósito para este filme (nomeadamente todas as cenas que incluem Wild Bill Hickok e o grisalho Django).


Para quem não é muito exigente a montagem final escapa mas há, de facto, várias falhas como é apanágio das produções da Tarquinia Films. O elenco é mais do mesmo: Jerry Ross como Wild Bill Hickok, Gordon Mitchell como Buck Bradley, Dennis Colt num duplo papel dos irmãos Manuel e Paco Sanchez, Dean Stratford como Dean O’Neil e à cabeça temos Hunt Powers a interpretar um Django velho, coxo, quase reformado mas ainda com genica para disparar uma arma ou partir o focinho a uma súcia de malandros com a sua terrível bengala! Aconselhável única e exclusivamente para malucos como eu (“mea culpa, mea culpa”) que gostam de Demofilo Fidani e das suas produções rascas.

Mais algum material promocional:


Trailer:

16/06/2014

Straniero... fatti il segno della croce! (1968 / Realizador: Demofilo Fidani)

"Straniero... fatti il segno della croce!" foi o primeiro filme assinado pelo infame Demofilo Fidani, aqui escamoteado sob o seu pseudónimo mais reconhecido: Miles Deem. Mas também há quem defenda que tenha sido o seu segundo, uma vez que "Prega Dio... e scavati la fossa" terá sido realizado por si e não por Edoardo Mulargia como indicam os créditos do dito. O nome - Fidani - vêm normalmente associado a cinema de qualidade duvidável, e sim é verdade que muitos dos seus filmes não vão lá nem com molho de tomate. Normalmente estaria por isso aqui a falar-vos-ia sobre a falta de sequência narrativa, sobre a imbecilidade da câmara tremula, sobre as interpretações medíocres, mas não posso. É que ao contrário da esmagadora maioria dos filmes do seu cardápio, este aqui é incrivelmente satisfatório e quase isento de lacunas. Porra, vou admitir, gostei bastante!

O trabalho de câmara foi porventura aquilo que mais me surpreendeu pela positiva. Ao que parece a função foi iniciada pelo reconhecido Franco Villa (Prega il morto e ammazza il vivo, Due once di piombo) mas segundo rezam as más línguas, o tipo desertou para outra produção e foi o então jovem Joe D'Amato que tratou do assunto, e bem na minha modesta opinião. Curiosamente Amato faz ainda um pequeno cameo no séquito de grunhos do filme. Grupinho onde que se lista um elenco de luxo: Fabio Testi, Dino Strano, Jeff Cameron, etc. Tudo gente que haveria de se tornar presença habitual nas produções da famosa Tarquinia Internazionale.


A história é bem simples mas coerente e bem ritmada. Sem perder muito tempo somos levados a seguir as actividades de um bando de patifes (ladrões de bancos, sallons e afins). Na pista desses segue um pistoleiro em busca do dinheiro das recompensas, e um coxo em busca de vingança. Lembra-vos alguma coisa, não? Apesar do mote sério que o filme lança, também aqui e ali já se incluem algumas alusões ao western cómico que seria popularizado nos anos seguintes graças ás personagens de Giuliano Carnimeo (Halleluja) e Enzo Barboni (Trinita). Contem por isso com alguns gadgets e parvoíces em doses moderadas. 

Charles Southwood fez aqui a sua primeira aparição na grande tela, interpretando o caçador de recompensas de identidade desconhecida. Ao bom estilo de "Per qualche dollaro in più", no final  também ele abandonará a cidade carregado de cadáveres. Como habitual, o actor americano não desiludiu na sua interpretação e não admira por isso que tenha sido depois chamado a participar noutros spaghettis mais bem financiados. Com Mario Bava faria "Roy Colt & Winchester Jack", e com Carnimeo popularizaria o estranho cossaco de "Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja" ou o trapaceiro mariconço, Sabbath, de "C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara!".


Inevitavelmente a história recordará Fidani como realizador de meia tigela, mas a equipa deste blogue tem conferido a filmografia do homem e avisa-vos já que esse  juízo pode ser demasiado precipitado. Claramente antes de enveredar nas suas famosas patifarias cinematográficas, o homem dava o litro e se perderem o vosso tempo com ele, encontrarão dois ou três filmes que poderemos considerar na média do género. Este é um deles, sejam valentes e vejam-no!

Mais algum engodo para os vossos olhos:


Trailer italiano:

13/05/2014

Cjamango (1967 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Este western é um filme simples, com um enredo simples, com momentos de ação simples e que aborda os temas mais simples do subgénero: a ganância e a vingança. Vivia-se a época em que a prioridade de qualquer cineasta / produtor italiano que quisesse ganhar uns trocos a fazer westerns era única e exclusivamente imitar as obras de Leone, Corbucci e Tessari. O protagonista deste filme é claramente um cruzamento entre Clint Eastwood e Franco Nero. O nome também não deixa margem para dúvidas. A fórmula foi usada “ad nauseam” por muitos outros, ou seja, a velha parceria entre um pistoleiro que procura dinheiro e vingança e outro que quer, acima de tudo, justiça. Edoardo Mulargia construiu a sua reputação nos westerns de série B e “Cjamango” é um desses westerns. O ator Ivan Rassimov / Sean Todd cumpre bem o papel de pistoleiro infalível sempre num registo muito próximo de heróis como “Django” ou “Homem Sem Nome”.


Quanto ao enredo, o que há a dizer? Cjamango vence um jogo de cartas e a aposta foi em ouro. Subitamente, vários homens entram no saloon e disparam sobre toda a gente. O ouro é levado. Cjamango sobrevive ao massacre e vai à procura dos assassinos e do ouro. Tudo acontece dentro de um triângulo infernal composto por Hernandez, Don Pablo e Tigre. Enquanto isso, do lado de fora corre Clinton, um forasteiro que parece ter uma missão bem definida. As presenças da bela Pearl e do jovem Manuel servem apenas para conferir a Cjamango uma aura de compaixão que fazem lembrar “Shane”.


No meu ponto de vista não há nada de surpreendente neste filme. Mas, como era hábito naqueles anos, a produção em massa de westerns não tinha muito que saber. Era fundamentalmente adotar a mesma estratégia, estando esta fortemente consolidada em dois sólidos pilares: a imitação e o plágio.

Lobbys:


Trailer: