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29/12/2016

Fora de tópico | Lançamento "May God Forgive You... But I Want" & "Massacre At Grand Canyon"


Depois de muita especulação e promessas falhadas, "Chiedi perdono a Dio... non a me" chega finalmente à colecção spaghetti-western da Wild East. Este filme dá uma sequência solta q.b. ao bem mais conhecido "Cjamango" (aqui resenhado pelo Emanuel). Um bom filme que vale a pena conferir. Também no pacote, aparece "Massacro al Grande Canyon", o primeiro western realizado por Sergio Corbucci, que curiosamente não vê o seu nome creditado na ficha técnica. Já está à venda!

22/11/2016

Dio li crea... io li ammazzo! (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

Nem o próprio Paolo Bianchini acreditaria que a sua primeira aventura no western-spaghetti fosse recordada quatro décadas depois do seu lançamento, mas aconteceu! Nesse longínquo ano de 1968, o artista fazia a transição da função de assistente para a cadeira de manda-chuva, ainda tinha por isso de aceitar projectos baratuchos como este. O argumento é de Fernando Di Leo, que se tornaria alguns anos depois num dos pesos pesados do policial italiano. Não sei se propositado ou não, Di Leo parece ter reciclado a história de "Sugar Colt", experimentada com sucesso dois anos antes pela mão do nosso bem-amado, Franco Giraldi. Pode até ser embirração aqui do alentejano mas a personagem principal parece sacada a papel químico. Ora vejamos, um pistoleiro a soldo com pinta de galã, investiga um caso mal explicado. No primeiro seria o desaparecimento de um regimento de soldados, aqui trocou-se o «capital humano» por um factor mais comum ao universo western: assaltos a carregamentos de ouro!

Deus cria-os, Dean Read mata-os! E ainda arranja tempo para nos cantar o tema "God Creates Them, I Kill Them".

Mas a categoria do supracitado, "Sugar Colt", é francamente superior. Giraldi como profundo conhecedor das manhas do género, soube bem como transformar uma ideia estapafúrdia num mini-clássico. Ainda assim, não descartem já este intento. "Dio li crea... io li ammazzo!" é um daqueles westerns em que há mais conversa do que propriamente tiroteio e porrada, coisa que demoverá alguns, porém interessa também exaltar as coisas boas, como é o caso do trabalho de fotografia de Sergio D'Offizi, francamente acima da média.

Dean Reed suposto espião na vida real, interpreta ele próprio uma espécie de 007 do western-spaghetti.

O papel principal do filme foi entregue a Dean Reed, que a rapaziada mais velha reconhecerá também de outras andanças. Reed iniciara anos antes da sua chegada a Itália, uma carreira enquanto cantor. Algo que lhe valeu fama em alguns países, nalguns terá mesmo atingido um reconhecimento popular superior ao do próprio Elvis Presley, imaginem só! As suas ideologias politicas valeriam-lhe a apropriada alcunha de Red Elvis. Bianchini relembra em entrevista incluída na "Koch Media - Italowestern Enzyklopädie No.2", as fortes convicções comunistas de Reed, que ao que as más línguas dizem, ter-se-à tornado espião e silenciado por tais actos. Os mais paranóicos acreditam que o seu suicídio foi mais um daqueles embustes que nos habituámos a ver nos filmes de espionagem da guerra-fria. Existe um documentário interessante sobre a vida do actor (Der rote Elvis), em que tudo isto se aborda mas francamente pareceu-me inconclusivo.

Pietro Martellanza é Don Luis del la Vega, um vilão à medida do nosso herói.

Fora de conspirações, o que a nós nos interessa é a habilidade do americano no manejo do revolver e afins. E amigos, nas cenas de acção a cavalo, o americano não falha. Pode até parecer irrelevante mas são estes pormenores que permitem que o realizador use planos mais elaborados e não aquelas filmagens manhosas a um quilómetro de distância, para esconder as fuças de um duplo qualquer.

Parece que alguém vai levar chumbo quente no bucho!

O tal DVD da Koch Media é excelente, o filme apresenta-se com uma imagem cristalina e com opções áudio para todos os gostos (inglês, italiano, alemão) e ainda a dita entrevista com o realizador, documentários, galerias e trailers. A edição aparece em formato pacote e contém ainda os filmes: "California", "Dio non paga il sabato", e "Campa carogna... la taglia cresce". Valeu os malvados euros!


Mais propaganda da barbarolândia:



07/06/2016

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

02/05/2016

Era Sam Wallash... lo chiamavano... 'E così sia'! (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Só no ano de 1971, Demofilo Fidani realizou cinco westerns! Foi o seu ano mais produtivo (em quantidade porque é qualidade isso é muito discutível). Vamos então ver o que nos reserva este filme: Numa noite tranquila, Sam Wallash e o seu irmão estão no saloon a beber o seu canudo de cerveja. Mash Donovan e a sua manada de jagunços entram no local à bruta, ajustam contas com o taberneiro e disparam sobre toda a gente. Sam escapa ao massacre mas o seu maninho foi com os porcos! O homem zanga-se (e com razão, porra!) e irá até ao fim do mundo para limpar o sebo ao cabeçudo do Donovan. Em Golden City, Donovan anda-se a pavonear feito fanfarrão perante tudo e todos até que correm notícias que um homem alto que escapou ao massacre na taberna é um tipo perigoso e que anda atrás dele. Donovan não admite baixar a crista e contrata mais pistoleiros para o protegerem. Na sua demanda vingativa, Sam “despacha” muitos rufiões mas não se livra de levar umas mocadas nas ventas de vez em quando.

Porrada que até cria bicho!

Embora seja muito hábil no gatilho, Sam tem um trauma antigo e extremamente bizarro: tem pavor de portas a bater! Porquê? Como é habitual nos westerns de Demofilo Fidani a capacidade de estender, prolongar e desenvolver o enredo é muito reduzida e por isso há que “encher chouriços”. Como? Incluindo as habituais cenas de pancadaria no saloon, um combate de boxe e cavalgadas de um lado para o outro apenas para ter mais alguns minutos de projeção para chegar perto da hora e meia de filme previamente estabelecida.

Donovan e os seus jagunços.

O americano Robert Woods é o protagonista. Dean Stratford, Dennis Colt e Simone Blondell são os antagonistas. O competente diretor de fotografia Franco Villa e o compositor Coriolano “Lallo” Gori fazem um bom trabalho, como sempre. O confronto final entre herói e vilões nas dunas de um deserto é um excelente momento e a aparição de uma metralhadora é um ótimo trunfo! Nota de destaque para um hilariante (e absurdo) momento com Gordon Mitchell, Peter Martell e Lincoln Tate, que se apresentam como implacáveis pistoleiros e depois… nunca mais aparecem no filme! Infelizmente, e como seria de esperar, não há DVD deste filme à venda e está na hora de mudar essa situação! Portanto, faço aqui um apelo a todos os fãs de Demofilo Fidani (onde eu estou incluído, naturalmente) para gritar isto alto e bom som: “Fidanianos de todo o mundo… uni-vos!”

11/02/2014

Ciakmull - L'uomo della vendetta (1970 / Realizador: Enzo Barboni)

Depois de fazer carreira enquanto responsável de fotografia, Enzo Barboni lançou-se por conta própria neste “Ciakmull - L'uomo della vendetta”. Um western-spaghetti, está claro! Barboni tinha já por esses tempos uma ideia distinta do tipo de western que queria rodar, mas tratando-se este de um projecto adjudicado por Manolo Bolognini não pôde fazer muitas ondas (reza a história Bolognini até já havia despedido Ferdinando Baldi das funções de realizador). Com tal clima não é de admirar que Barboni não tenha conseguiu embutir o seu cunho pessoal no filme, firmando um western muito distante da paródia desmiolada que o notabilizariam. Não obstante, a música ritmada e engraçadinha do recém finado Riz Ortolani já parecia fazer a ponte para os dois mundos. 


Na acção do filme acompanhamos as peripécias de um grupo de pistoleiros não muito diferentes daqueles que vimos por exemplo no mais conceituado “Oggi a me... domani a te!”, filme com o qual comunga também de uma certa atmosfera outonal. Ora, um grupo de bandidos incendia um asilo como manobra diversão que lhes permitirá distrair os guardas de um carregamento de ouro acabadinho de chegar à cidade. Alguns dos prisoneiros do asilo safam-se do «barbecue» e esgueiram-se do local. É aí que um dos gatunos dá de caras com um dos fugitivos do asilo, que reconhece e chama pelo nome: “Ciakmull”! 


Desconhecedor do próprio nome o evadido fica meio atarantado pelo encontro. Percebemos então que Ciakmull sofre de amnésia, um lugar comum nos papeis encabeçados por Leonard Mann, se nos recordarmos de “Il pistolero dell'Ave Maria”. Em busca do seu passado, ele e os seus companheiros são levados até Osaka onde se depararão com uma cidade subjugada por duas famílias rivais. Aproveitando o facto de que Ciakmull nada recorda do seu passado, os Udo fazem-se passar por seus familiares atiçando o amnésico contra o seu verdadeiro pai, Caldwel. Felizmente para ele, o seu comparsa Hondo (George Eastman) detecta o cheiro a esturro e investiga a situação, evitando a tragédia. Irado com o sucedido Ciakmull põem a cidade a ferro e fogo.


Não se tratando de um western soberbo, não admira que tenha feito uma carreira modesta nas bilheteiras europeias, julgo possuir um ou outro motivo de interesse. Desde logo o elenco, liderado por Leonard Mann, George Eastman, Peter Martell e Woody Strode; entre outros suspeitos do costume. A história do filme é creditado a Franco Rossetti (Django, El Desperado) mas parece que a coisa não estava ao jeito pretendido e foi o próprio George Eastman (aka Luca Montefiori) que se agarrou à papelada e rescreveu parte do material. Não será fácil saber hoje qual a extensão da participação de Montefiori no argumento final do filme mas a verdade é que progressivamente o actor tornar-se-ia num reconhecido argumentista, tendo escrito por exemplo o western crepuscular “Keoma” e o infame horror canibalista de “Anthropophagus”.


Mais alguns lobbys do país das salsichas:



Filme completo:

24/09/2012

Dove si spara di più (1967 / Realizador: Gianni Puccini)

Quando o cinema italiano fervilhava em produções western, estas começavam a ter um estatuto interessante. O que inicialmente parecia ser uma brincadeira tornou-se num caso sério de popularidade. Os cineastas italianos, alguns deles grandes apaixonados pelos westerns, tinham agora a oportunidade de realizar filmes que até há poucos anos atrás eram da exclusiva responsabilidade dos americanos.  

Mas essa “febre” não afetou toda a gente. Gianni Puccini manteve a sua postura e quis deixar bem claro desde o início que o western não era um género que o entusiasmasse. Apesar de tudo, Puccini acabou também por participar neste movimento cinematográfico, mais por pressão dos produtores do que por vontade própria. Rotulado de “intelectual”, Puccini não queria que o seu filme se resumisse a tiroteios à parva e cenas de ação rudimentares. Surgiu então a ideia de pegar na famosa tragédia de William Shakespeare “Romeu e Julieta” e levá-la para o Oeste Selvagem.


Campos e Mounters são duas famílias rivais que combatem entre si há muitos anos. Ambos os lados cultivam um ódio doentio contra o inimigo e os níveis de violência chegam a patamares nunca antes vistos. Johnny (Peter Lee Lawrence), o filho mais novo da família Mounters, tenta manter-se afastado desse conflito, o que nem sempre é possível. Mas um capricho do destino coloca Johnny no caminho de Julieta (Cristina Galbo), a filha do patriarca Campos. A paixão entre os dois jovens é tão intensa como polémica. Esse amor impossível levará a um final trágico em que a morte (literalmente) resolverá a questão!  

 
Este western aborda uma história de amor (provavelmente a história de amor mais famosa de sempre) de uma forma simples. Considero-o um filme simples e sem grandes rasgos de genialidade. O final violento em que surge a figura macabra da morte é de facto um momento excelente e que naquela época não foi bem aceite e não se livrou da censura! O realizador Gianni Puccini faleceu pouco tempo depois e a sua obra ficou irremediavelmente encerrada para sempre.


Lobbys alemães:



Trailer italiano: