Mostrar mensagens com a etiqueta Romano Puppo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Romano Puppo. Mostrar todas as mensagens

16/12/2019

...E il terzo giorno arrivò il corvo (1973 / Realizador: Gianni Crea)

Os irmãos Link, Tornado e Sally encontram por acaso uma carroça abandonada. Essa carroça pertence à Lawson Company e transporta uma carga preciosa: ouro! Os três irmãos não são desonestos, nem gananciosos, nem sovinas e devolvem a carroça ao legítimo dono. Quando chegam ao escritório e são recebidos por Lawson, em vez de agradecimentos, os três maninhos levam uma parelha de coices e são postos na rua! Ninguém percebe porquê. Pouco depois, uns marmanjos raptam Sally. Link e Tornado vão buscá-la. Mas porquê tanta intriga? Será porque o ouro que devolveram era falso? Ou será porque Lawson trabalha em conluio com o Corvo que, tal como o nome indica, é um tipo todo vestido de preto com uma capa a condizer.

Eis os três protagonistas!

Os três irmãos querem ajustar contas com esse tal Corvo porque foi ele que, há muitos anos, matou o pai deles. Mas mesmo que consigam depenar o Corvo há que ter em conta que os pássaros de plumagem preta também têm família. O irmão do Corvo (o Corvo Júnior, talvez?) não vai ficar de braços cruzados (ou será de asas cruzadas?).

Cenas de violência também estão presentes.

Gianni Crea era um realizador que andava sempre a contar os poucos trocos que tinha no bolso. Nos seus westerns, a cheta era muito curta e por isso reciclava cenas de outros filmes (neste caso, cenas de “Se T’incontro, T’ammazzo”) para poder alcançar os mínimos olímpicos. Talvez por isso é tão evidente a montagem descuidada.

E eis o Corvo!

A música é da autoria de Nora Orlandi, o que é digno de registo porque até nesse aspeto não era habitual ter uma mulher como compositora de uma partitura musical de um western. O título em Portugal é “Ao Terceiro Dia Chegou o Corvo”. Até admira que desta vez tenham respeitado o título original italiano. Caso contrário, este filme arriscar-se-ia a chamar-se algo estapafúrdio como “A Revolta do Autoclismo” ou “Os Três Contigo”!

06/12/2016

Cipolla Colt (1975 / Realizador: Enzo G. Castellari)

Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, preparem-se que isto vai dar molho! Enzo G. Castellari (realizador) e Franco Nero (ator) passaram-se completamente da mona! Só assim se explica a razão de terem feito este filme! Em 1975, os westerns-spaghetti violentos praticamente já não existiam e os westerns-spaghetti cómicos eram tão maus que até metiam dó! “Cipolla Colt” foi o primeiro western da parceria Castellari / Nero. Ambos sempre desvalorizaram este filme (claro, não são tolos!) alegando que era uma comédia dirigida às crianças e ao público mais jovem. O título deste filme em inglês é “Cry Onion”. É bastante adequado porque, de facto, isto dá realmente vontade de chorar! Em Portugal foi batizado de “O Cheiro Das Cebolas” mas até se podia chamar “A Revolta Das Cebolas”, “Bafo De Cebola” ou então “Excesso de Cebola Provoca Parvoíce Extrema” ou até mesmo “As Cebolas Fazem Bem à Saúde Mas Este Filme Não”!

Fazer cara de parvo é obrigatório neste filme!

Cebola Colt, um maltrapilho malcheiroso, viaja numa carroça carregada de cebolas. A carroça é puxada por Archibald, um cavalo muito esperto que tem um chapéu de palha na cabeça, que sabe assobiar e peida-se para afugentar os inimigos. Cebola Colt é um tipo que come cebolas como quem come maçãs. Manda um bafo que o pessoal até desmaia, espreme cebolas e bebe um nutritivo sumo de cebola tão forte capaz de derreter o copo! O tique que o homem tem no pescoço torna-o ainda mais esparvoado. Paradise City está repleta de torres e poços de petróleo. Ali, o ouro negro é rei e senhor. Os magnatas do petróleo, sediados em Austin, Texas, mandam a seu bel-prazer. Quem se atrever a levantar cabelo é pura e simplesmente eliminado. 

O sócio de quatro patas de Cebola Colt.

Foi o que aconteceu ao pai de dois miúdos que vivem no campo. Agora que são órfãos, vão receber a visita de Cebola Colt porque este acabou de comprar aqueles terrenos agrícolas. Cebola e as crianças vivem como querem: bebem vinho, fumam charutos, mantêm uma dieta equilibrada à base de cebola mas… os empresários do petróleo querem aquele terreno imediatamente. Dá-se então início a um conflito entre Cebola e o pessoal do petróleo, com o protagonista a demonstrar a sua perícia na arte de manejar as suas duas armas favoritas: a pistola e a cebola! Este distinto comedor de cebolas apaixona-se por uma mulher (e o seu amor é correspondido), com destaque para uma intensa conversa romântica entre ambos cujo tema é… as várias qualidades de cebola que há no mundo! Mas isto ainda não fica por aqui! 

Um parvalhão maneta.

O manda-chuva lá do sítio é um maneta que tem uma mão de chapa, o seu ajudante tem uma marrafinha e um bigode à Hitler, temos bicicletas e motas, trambolhões, chapadas (Cebola Colt transforma-se em Chapada Colt), perseguições em “fast-forward” ao estilo de Benny Hill e pontapés no cu à Charlie Chaplin. Guido e Maurizio de Angelis assinam o registo musical do filme e esta resenha chega ao fim porque já tenho lágrimas nos olhos com toda esta embrulhada!