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2018/12/17

Se t'incontro, t'ammazzo (1970 / Realizador: Gianni Crea)

O ator Donald O’Brien (nascido em Pau, França), eterno ator secundário em muitos westerns-spaghetti, é o protagonista de mais uma “vendetta”. Gordon Mitchell, Dean Stratford e Mario Brega fazem-lhe companhia. Diversas cenas foram filmadas no “Cave Film Studio”, propriedade de Gordon Mitchell. Aos comandos disto tudo está o realizador Gianni Crea, o que significa que se trata da típica produção western italiana de orçamento paupérrimo do início dos anos 70.



A “vendetta” tem sempre a mesma premissa: os honestos e humildes, cedo ou tarde, alcançam os seus objetivos. Os gananciosos e os desonestos, por mais que fujam, levam nos cornos! O sumário: Jack é um agricultor que vive uma vida pacata. Um rápido ataque à sua propriedade resulta na morte dos seus pais e na destruição dos seus bens. Num ápice, o agricultor torna-se pistoleiro. Sedento de vingança aí vai ele, bruto dos queixos, em busca dos tipos que destruíram a sua vida.

Duas caras bem conhecidas da série B.
Consta que o filme foi feito em dez dias! Várias cenas foram recicladas e repostas noutros westerns de Gianni Crea (para poupar película e trabalho). A falta de dinheiro era tanta que nos últimos dias de filmagem já nem sequer tinham orçamento para ter cavalos. Depois deste filme Mario Brega continuou a trabalhar com Gianni Crea. Como se sabe, Brega era amigo de Sergio Leone e fez a ponte para que Crea e Leone se conhecessem. 

Quietinho ou levas um tiro no focinho!
A amizade entre ambos consolidou-se e anos mais tarde Gianni Crea revelou que ele próprio iria ser o responsável pela 2ª unidade do filme “Assedio di Leningrado”, um grande épico sobre a Segunda Guerra Mundial que Sergio Leone tinha em mãos no final dos anos 80. Segundo reza a lenda o governo do então líder soviético Mikhail Gorbatchev até tinha autorizado que as filmagens decorressem em solo russo. Mas por ironia do destino Leone morreu no dia 30 de abril de 1989, o projeto ficou sem efeito e Gorbatchev viu a Cortina de Ferro cair no dia 9 de novembro de 1989.

Filme completo:

2018/01/02

Jesse & Lester - Due fratelli in un posto chiamato Trinità (1972 / Realizador: Renzo Genta & Richard Harrison)

Ora vamos lá começar 2018 com uma coboiada divertida. Já estão de pé atrás? É normal, já todos sabemos que este filão foi muito maltratado nos anos setenta, mas animem-se que este “Dois Irmãos Num Lugar Chamado Trinitá” supera facilmente a média da época. A trama desenvolve-se em redor de dois irmãos há muito separados, Jesse e Lester. Eles que se voltam a encontrar com o objectivo de reclamarem uma herança num lugarejo chamado Trinitá. Sim, é mais uma sacanagem feita ao signore Enzo Barboni, mas quem pode apontar o dedo no país da bota, afinal roubar à cara podre foi o que fez florescer o género.


Richard Harrison gaba-se do filme, e não é de admirar o porquê, afinal o homem além de envergar o papel principal, escreveu, produziu e ainda realizou. Renzo Genta também é creditado, mas participado apenas nos primeiros dias das filmagens, sendo depois dispensado devido a diferenças artísticas. Harrison assumiu as rédeas embora não tivesse assinado com o seu nome, assinaria antes como James London em homenagem ao seu ídolo Jack London, modas da época.

Que pontaria do caneco. Vai tudo a eito, irmãozinho incluído. 

Lester (Donald O'Brien) vasculha o velho oeste em busca do irmão Jesse (Richard Harrison). Como pessoa integra que é, quer dividir a herança. Com o dinheiro da dita tenciona construir uma igreja, mas o desapontamento abater-se-á sobre ele ao ver que o irmão só quer o dinheiro para iniciar um bordel, o melhor do Oeste diga-se! Porrada de criar bicho, tachada na tromba, tiroteios ocasionais e situações mais ou menos hilariantes garante viagem segura ao espectador menos exigente. Os outros, já sabem voltem para a secção dos blockbusters, que isto não é fruta para os vossos dentes.

Parece que alguém abusou na medicina.

Apesar de ser uma produção modesta, o elenco é bastante decente. Richard Harrison está seguríssimo num papel cómico, algo que por exemplo nunca correu de feição ao carrancudíssimo Anthony Steffen. Mas a cereja no bolo é Donald O'Brien, que é uma verdadeira caricatura, sacada de um qualquer fumetti. Até ver o papel mais forte que lhe vi fazer. Mas há muitas mais caras conhecidas por aqui: George Wang, Federico Boido, Luciano Rossi, etc.

Que grande figura!

“Dois Irmãos Num Lugar Chamado Trinitá” sobreviveu à erosão dos tempos e apareceu recentemente em formato digital, pela mão da editora alemã Koch Media mas se o soldo vos falta, procurem no Videoclube do Sr. Joaquim que tudo tem e nada nega!

2017/09/18

Il tredicesimo è sempre Giuda (1971 / Realizador: Giuseppe Vari)

É dia de festa na localidade de Sonora, México. O capitão Ned Carter, ex-oficial do Exército Confederado, vai-se casar com Mary Belle. Os convidados comem e bebem à discrição. Estão 13 convidados sentados à mesa. Treze piratas de primeira categoria. Há de tudo: ladrões, foragidos, batoteiros, bêbados, desertores, espiões, sem esquecer juízes corruptos, padres fornicadores, mulheres adúlteras e maridos cornudos! Um deles diz que treze pessoas sentadas na mesma mesa dá azar. Ninguém lhe passa cartão, obviamente. A noiva chega ao local na diligência mas surpreendentemente todos os passageiros foram assassinados (Mary Belle incluída). Os homens vasculham a zona em busca dos culpados pelo massacre. As buscas não dão em nada.

Donald O'Brien em estado de alerta.

Um por um, os homens que estavam no banquete começam a cair que nem tordos. Fala-se na maldição do número 13. A casa de putas revela-se um bom sítio para saber algo mais sobre o mistério. Um perigo mortal espreita em todas as esquinas porque os homens continuam a morrer. Andam todos com o cu às bufas! E as gajas, jeitosas e loucas de tesão, não são de confiança!

Vou-te fazer a barba!

Consta que a defunta noiva tinha herdado uma mina do seu falecido pai mas agora essa mesma mina está repleta de assustadoras caveiras no interior de uma das galerias. Porquê? O que aconteceu? O casamento de Mary Belle e Ned Carter era assim tão inocente como parecia? Eis uma história de crime e mistério no Velho Oeste.

2015/01/13

Corri uomo corri (1968 / Realizador: Sergio Sollima)

Manuel “Cuchillo” Sanchez é um personagem criado por Sergio Sollima, realizador de renome e homem de esquerda. Sollima não quis um herói taciturno, veloz e imbatível nos momentos cruciais com a pistola. Cuchillo é um simples homem do campo, um pobre peão mexicano tagarela que não usa armas de fogo porque, segundo o cineasta, “é demasiado primitivo para isso”. Embora seja ignorante em letras Cuchillo também tem armas valiosas: a sua astúcia, a sua perspicácia, a sua capacidade de reação e… o manejo perfeito de facas. A vida de Cuchillo é tudo menos faustosa e vive uma relação de altos e baixos com a bela Dolores. Um pequeno delito leva-o à prisão onde partilha a cela com Ramirez, um intelectual que apoia o movimento revolucionário e a queda do atual governo.

Ambos conseguem fugir e Ramirez já tem em mente um plano: resgatar o ouro escondido para financiar a revolução. O destino é cruel e Ramirez é morto a tiro sem poder revelar o segredo, conseguindo apenas mencionar a cidade de Barton City. Cuchillo encaminha-se para lá mas o trajeto está cheio de obstáculos. Estará a revolução mexicana nas mãos de um mísero e insignificante peão?

Sergio Sollima não seguiu o caminho da esmagadora maioria dos seus colegas. Fez muito poucos westerns porque ele próprio achava que o subgénero já tinha perdido a credibilidade. Dizia que o que começou por ser uma bonita forma de arte depressa se tornou numa paródia que nunca mais podia ser levada a sério. Em “Corri Uomo Corri” os intérpretes cumprem sem mácula o seu papel: Donald O’Brien como pistoleiro / mercenário americano, José Torres como intelectual / poeta, John Ireland como líder de um grupo revolucionário, Nello Pazzafini como brutamontes e Tomas Milian a liderar como “Cuchillo”.

Uma nota de destaque para as duas belezas femininas deste filme na pessoa de Linda Veras e Chelo Alonso. Conclui-se então que Cuchillo tinha dois amores: uma loira e uma morena, tal como diziam as imortais palavras de Marco Paulo!


Mais algumas imagens promocionais:




Trailer:

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