Mostrar mensagens com a etiqueta William Berger. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta William Berger. Mostrar todas as mensagens

2019/06/03

Il suo nome gridava vendetta (1968 / Realizador: Mario Caiano)

Os atores Anthony Steffen, William Berger, Robert Hundar, Evelyn Stewart, Mario Brega e Jean Louis unem forças neste western de Mario Caiano. O realizador, juntamente com Tito Carpi, alinhavou e escreveu o argumento. Enzo Barboni assinou o seu nome como diretor de fotografia. Este leque de profissionais, em conjunto, deu origem a um western bastante decente, longe da genialidade de uns e longe da palhaçada de outros. Como diriam alguns: “não é bom, nem mau… antes pelo contrário”! Davy Flanagan, ex-militar ianque, tem a cabeça a prémio. É acusado de traição e deserção. Após cinco anos de ausência, Flanagan regressa a Dixon, a cidade onde sempre viveu.

O taciturno Steffen!

A vizinhança é pouco amistosa. O ambiente naquela cidade é de cortar à faca. Mas Flanagan não percebe o porquê de tanta animosidade. Pior: o facto de ter sido baleado na cabeça durante a Guerra Civil fez com que perdesse a memória.Lisa, a sua ex-mulher, casou-se com um tipo chamado Clay Hackett. O desgosto de Lisa é tão grande que passa os dias a encher as trombas de bebida. O juiz Sam Kellog é o único que o quer ajudar.

O sádico Berger!

Aos poucos, a memória torna-se menos turva. Mas à medida que Davy Flanagan maneja o seu revólver com mestria, a sua memória vai-se tornando mais clara e aí é que haverá tiros e batatada que até ferve! E ferve de tal maneira que, no final, o vilão dará um belo mergulho no bebedouro dos cavalos para arrefecer as suas malévolas intenções.É um mergulho digno dos melhores que já vimos, semelhante aos mergulhos do pessoal maluco que se atirava em grande estilo do alto da 3ª prancha na Piscina Municipal de Portalegre. Aqueles que viveram esses tempos nesta cidade do Alto Alentejo sabem do que eu estou a falar!

2018/05/27

Mi chiamavano Requiescat... ma avevano sbagliato (1973 / Realizador: Mario Bianchi)

Era uma vez um rapazinho italiano chamado Sergio Ciani. Tal como muitos outros, começou a bombar forte e feio nos ginásios. Estava claro que o seu destino era o culturismo. No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a Itália estava a abarrotar de tipos cheios de cabedal que, além do culturismo, também apostavam numa carreira na Sétima Arte. Gordon Scott: impecável! Reg Park: imponente! Ed Fury: perfeito! Gordon Mitchell: aquela máquina! Dan Vadis: incrível! Steve Reeves: o melhor de todos! E Sergio Ciani?! Também fez carreira no “peplum” mas agora sob o pseudónimo de Alan Steel. O tempo foi passando, o “peplum” foi substituído pelo western e, já na fase decadente do género, Alan Steel esconde os seus músculos sob um manto negro ao encarnar o papel de vingador justiceiro.

Alan Steel está em apuros!

O capitão ianque Jeff Madison e os seus soldados caem numa emboscada. O inimigo é um grupo de militares rebeldes sob as ordens de Machedo. Os homens do capitão Madison são fuzilados. O oficial é barbaramente torturado com murros, pontapés, dois tiros na mão direita e uma chuva de escarretas! Os bandidos abandonam o prisioneiro amarrado ao chão e em muito mau estado. Praticamente à beira da morte, Madison é salvo por uma bela jovem índia. O sentimento de raiva é cada vez mais ardente. Mas como pode Madison vingar-se se a sua mão direita ficou inutilizada para sempre?

Frank Braña com cara de maluco!

Filho do cineasta Roberto Bianchi Montero, Mario Bianchi deixou a sua função de assistente de realização para ele próprio se tornar realizador. Os seus westerns não gozam de grande reputação nem de grande culto. Da sua curta filmografia western, aconselho vivamente três registos seus: o inquietante “Hai Sbagliato… Dovevi Uccidermi Subito!”, com Robert Woods, o misterioso “In Nome Del Padre, Del Figlio e Della Colt”, com Craig Hill, e este muito violento “Fast Hand is Still My Name” (título internacional), com Alan Steel, o tal rapazinho italiano que fez carreira graças a muito trabalho físico e mental. Um verdadeiro “self-made man”, diria eu!

2018/01/29

Una lunga fila di croci (1969 / Realizador: Sergio Garrone)

Dois indivíduos estranhos, com nomes estranhos (Ordep e Leuname) e com gostos cinematográficos ainda mais estranhos (muitos dirão que não lembram nem ao diabo!) estão de regresso ao seu bem conhecido tabernáculo, o Epicnirp Laer, cujo cabecilha agora é o Ogait, para emborcar as benditas garrafas com sumo de cevada da famosa marca Sergas. A degustação do trotil é inicialmente acompanhada por algumas observações futebolísticas porque um fala do seu clube, o Acifneb, e o outro comenta a atualidade do seu Sesneneleb. Mas esse tema é sol de pouca dura. O assunto principal é o cinema. Vejamos como decorre a conversa:

- Eh pá, há poucos dias estive a rever um western do Sergio Garrone.
- Qual? Não me digas que foi o “Django, il Bastardo”?
- “Django il Bastardo” não! O nosso amigo António Rosa já nos ensinou que o filme em Portugal chama-se “O Sinal de Django”! Mas não, não foi esse.
- Qual foi, então?
- Foi aquele que, além do Anthony Steffen, tem também o William Berger. Ambos são caçadores de prémios.
- Ah, já sei! Estás a falar do “Una Lunga Fila di Croci”.
- Exatamente.
- Esse é um bom western. É um dos melhores do Garrone.

O potente canhão de William Berger. 

- Sim, estou de acordo. É um belo western. Mas lembro-me da primeira vez que o vi, já lá vão uns anos, e naquela altura não achei nada de especial.
- O Garrone é um bom realizador. E esse filme tem dois bons protagonistas.
- Sim, o Garrone é um gajo catita! E este filme tem vindo a subir na minha consideração. Hoje acho-o um western-spaghetti bem bom!
- Essas situações acontecem. Às vezes aprendemos a gostar mais de certos filmes à medida que os revemos. Descobrimos sempre qualquer coisa nova em cada visualização.
- Diria que sim. E além do Steffen e do Berger ainda tem o Mario Brega, o Riccardo Garrone e a Nicoletta Machiavelli.
- E o Franco Villa como diretor de fotografia. E o Joe D’Amato como “cameraman”.
- Ou seja, tudo pessoal que sabia o que fazia.
- Pois com certeza!

Anthony Steffen também tem um igual.

- Andei a pesquisar no tomo do Marco Giusti e notei que há um pormenor curioso sobre o Anthony Steffen.
- Ai sim? O quê, exatamente?
- Os depoimentos das pessoas que trabalharam com o Steffen dizem todos o mesmo!
- O quê? O gajo era ruim? Era malandro?
- Não, nem por isso. Era um tipo pacífico mas tinha a mania que era vedeta.
- E por acaso até era!
- Pois, mas demorava muito a preparar-se para as cenas. Estava constantemente a olhar-se ao espelho, a arranjar-se…
- Deixa lá o homem sossegado! Ele fez muitos westerns e quando se retirou ainda foi a tempo de gozar a reforma no Brasil.
- É verdade. Faleceu em 2004 e a sua campa está no Rio de Janeiro.
- “Requiescant In Pace”, António de Teffé!
- Só para terminar: qual é o título deste filme em Portugal?
- Eu penso que é “Sem Espaço Para Morrer”. Mas não tenho a certeza absoluta.
- O quê? Não tens a certeza absoluta? Contacta imediatamente o António Rosa, que ele trata já do assunto!

O taciturno Steffen de perfil.

- Tu és chato, pá! O raio da bebida deve ter veneno!
- Vá lá, pá! Deixa-te de cantigas e contacta o homem! Eu sei que os Açores ficam longe do Alto Alentejo mas a tecnologia supera tudo.
- Pronto, está bem! Aqui vai: amigo António Rosa, por favor esclarece esta questão e já agora… bebe um copo à nossa saúde e à saúde dos nossos bem amados westerns-spaghetti! Um abraço!

2017/12/05

Una Colt in mano del diavolo (1972 / Realizador: Gianfranco Baldanello

“Lembra-te que quando saíres daqui deves-me um favor”! Foi esta a frase que Sulky Jeremy Scott disse a Roy Koster quando ambos cumpriam pena de prisão com trabalhos forçados numa penitenciária. Jeremy matou um guarda (espetou-lhe uma picareta nos costados) para salvar a vida a Roy e agora este está em dívida para com o seu companheiro. Jeremy é executado e Roy sai da cadeia (não se percebe se fugiu ou se cumpriu a totalidade da pena) e vai até à cidade de Silver Town. Visita a viúva de Jeremy e os seus dois filhos, que ainda guardam muita raiva e ressentimento pelos crimes que o seu pai cometeu. Em Silver Town, Roy Koster tropeça num velho bêbado que inesperadamente se revela uma boa fonte de informações.

Ponham-se a pau comigo!

No dia seguinte, quando Koster quer saber mais… o velho aparece morto (enforcado). Toda a gente insiste em suicídio mas Koster não vai na cantiga. Este, após ter despachado uns rufiões à lei da bala, fica a saber exatamente o que se passou anos antes com o seu amigo Jeremy: tudo teve origem no assassinato de um importante homem de negócios e da sua neta. Ambos foram emboscados e mortos a tiro. A culpa caiu sobre Jeremy, que foi condenado numa audiência nada justa cheia de falsos testemunhos. Mas porque é que tanta gente mentiu em tribunal? Porque todos estavam borrados de medo de Warner, o “big boss” lá do sítio. Mas será que o verdadeiro culpado é assim tão óbvio?

Rédea curta!

Gianfranco Baldanello dirige o ator americano Robert Woods pela segunda vez num western (a primeira vez foi em 1968 com “Black Jack”). Filme de baixíssimo orçamento, com cenários e locais simples mas visualmente apelativos e com um elenco composto por veteranos: Robert Woods, William Berger e George Wang. A duração total do filme é de 90 minutos mas a versão atualmente disponível é de apenas 72 minutos!

Robert Woods distribui chumbo quente. 

Destaque para um momento absurdo: quando Roy Koster e Martha Scott estão a sós a conversar, o ambiente aquece e, sem aviso prévio, Koster crava umas valentes castanhas na cara da rapariga que até a derruba! Logo de seguida… ambos beijam-se apaixonadamente! Dir-se-ia que nesta situação aplica-se a ideia do “quando mais me bates mais gosto de ti”.

2015/06/09

Oggi a me... domani a te! (1968 / Realizador: Tonino Cervi)

Movido pela sede de vingança, Bill Kiowa reúne um grupo de homens rápidos no gatilho, para procurar e eliminar os patifes que lhe assassinaram a mulher. Uma quadrilha de «comancheros» liderados pelo algo psicótico James Elfego. O argumento vagamente baseado no provérbio latino «Hodie mihi, cras tibi» (1), foi escrito pelo então jovem jornalista Dario Argento e por Tonino Cervi, que também realiza. E como se percebe não resultou nada de complexo, seguindo o habitual mote do «homem em busca de vingança» que, como se sabe, foi usado na grande maioria dos westerns-spaghetti da década de sessenta. Mas apesar desse défice, tem ainda assim a curiosidade de introduzir alguns elementos do cinema de samurais, não faltando mesmo a presença de um dos mais reputados actores do género, Tatsuya Nakadai, que muitos reconhecerão dos filmes de Akira Kurosawa (incluindo os clássicos "Yojimbo, o Invencível", "Ran - Os Senhores da Guerra" e "Sanjuro").

Brett Halsey é Bill Kiowa. Qualquer semelhança com a figura de Django, é pura coincidência.

O actor nipónico interpreta o dito James Elfego, uma daquelas figuras extravagantes que não se esperaria num western clássico americano, mas que abundaram na corrente europeia. Não sei bem como se explicam aquelas feições asiáticas num grupo de «comancheros», mas afinal o que é que isso interessa ao comum dos mortais? Eu digo-vos: nada! O tipo é mau como as cobras, um pouco apanhado da marmita e está disposto a decepar aqueles que encontrar pelo caminho. Porra, acho que gosto disso!

Bud Spencer é O'Bannion, um dos seus primeiros personagens no western-spaghetti.

Uma personagem também algo curiosa é a de Bill Kiowa, o individuo passa cinco anos na prisão devido a uma cilada que Elfego lhe preparou. Tempo mais do que suficiente para planear a sua vingança e treinar a agilidade de movimentos. Até aí, tudo normal, mas uma vez cá fora parece que batemos de frente com Django. É que a carantonha de Brett Halsey é incrivelmente idêntica à de Franco Nero, e para ajudar à festa, a indumentária que lhe aplicaram é uma cópia quase exacta da do famoso pistoleiro do caixão. Estranhamente, e ao contrário de tantos outros «sotto-Djangos», este filme até acabou por viver longe dessa febre. O titulo proverbial, perdeu-se ainda assim na maioria das traduções, no Brasil por exemplo saiu como "A vingança pela honra", e em Portugal, "A vingança de Bill Kiowa".

Os sete magníficos, perdão, cinco!

Ao estilo de "Os sete samurais", temos um elenco recheado, com Jeff Cameron, Bud Spencer, William Berger e Wayde Preston. Todos eles actores que nos anos seguintes haveriam de ter emprego certo no western-spaghetti, mas que aqui se comportaram de uma forma demasiado precária. Uma pena, porque o filme é porreiro e com uma equipa destas poderia ser ainda muito mais.

1
hodie mihi, cras tibi 
(locução latina que significa "hoje a mim, amanhã a ti") 
locução O que me sucede hoje suceder-te-á amanhã a ti. 
"hodie mihi, cras tibi", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa


Mais alguma propaganda da época:



Trailer:

2013/09/19

Fora de tópico | Lançamento "Sabata"


Na última semana de Outubro o clássico de Gianfranco Parolini, "Ehi amico... c'è Sabata, hai chiuso!", conhecerá uma nova edição. Agora em formato blu-ray, ainda que o pacote traga também a versão em DVD. É mais uma edição da Explosive Media, chancelada pelo senhor Ulrich P. Bruckner.

2013/09/01

Fora de tópico | Lançamento "Hanging For Django"


Outro filme de Sergio Garrone que conhece nova edição é "Una lunga fila di croci". Um western-spaghetti repleto de acção e com um elenco de se lhe tirar o chapéu: Anthony Steffen e Willian Berger, Mario Brega, Riccardo Garrone. A edição é da subsidiária americana da Rarovideo que desta vez disponibiliza o filme em duas opções, DVD e Blu-Ray.  Estará á venda em Outubro.

2013/03/22

Fora de tópico | Lançamento "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie No. 2"


A edição do primeiro volume desta nova colecção da Koch Media foi adiada uma porrada de vezes, e agora que finalmente executo a minha encomenda online reparo que já anunciam mais um volume. Desta vez agruparam o clássico "California" com outros três títulos menos badalados: "Dio li crea... Io li ammazzo!", "Dio non paga il sabato" e "Campa carogna... la taglia cresce". A edição está prevista para meados de Maio. Mais despesas...

2012/10/22

Sartana nella valle degli avvoltoi (1970 / Realizador: Roberto Mauri)

Eis mais uma produção italiana de baixo orçamento que procurou encaixar algum dinheiro por via da utilização abusiva do apelido Sartana. Personagem lançada originalmente por Gianfranco Parolini e que despoletaria uma série de filmes oficiais (já resenhados por aqui) e claro está, muitos mais no mercado paralelo. E na verdade para com a personagem popularizada por Gianni Garko, este pseudo Sartana apenas no uso da capa negra se poderá assemelhar.

O jogador intrometido, ganancioso mas justo; transforma-se nesta versão num bandido procurado pela lei, capaz de matar à mínima provocação. Curiosamente coube ao austríaco William Berger envergar as vestimentas Sartana, ele que até participara no filme de lançamento oficial da saga, “Se incontri Sartana prega per la tua morte”, em que desempenhara um dos antagonistas, Lasky! Lee Calloway ou Sartana (William Berger) é um foragido da lei, a sua cabeça vale já 10000 dólares, valor que o coloca nas prioridades dos caçadores de recompensas locais. Hábil no gatilho leva a melhor nesses embates.


Incentivado por uns patifes da mesma laia que ele, irá tomar a prisão local de assalto e libertar os irmãos Douglas, com os quais pretende dividir o ouro que estes haviam rapinado ao exército e que esconderam antes de serem capturados. É claro que depois de se verem em liberdade os três irmãos tentam livrar-se de Calloway a cada oportunidade. Surpreendido numa destas tentativas de fuga dos Douglas, o nosso anti-herói acaba amarrado a um cartucho de dinamite, mas safa-se miraculosamente e dá então caça aos seus ex-associados. Tudo se inverterá no entanto e o caçador torna-se na presa. Uma situação completamente reminiscente do estupendo “Sentenza di morte” de Mario Lanfranchi, onde é o homem armado que foge dos seus perseguidores.

Infelizmente este que é o grande mote lançado pelo título do filme revela-se numa mui entediante e mal filmada perseguição. Que sai claramente prejudicada pela falta de um orçamento que permitisse filmagens em ambientes mais apropriados (esclareça-se que aquele que é exaltado como perigosíssimo deserto se monstra na verdade ser bastante outonal). Filmado inteiramente em Itália e portanto sem acesso aos convincentes desertos andaluzes, a débil ilusão de desertificação conseguida prejudica profundamente a autenticidade do filme.


Apesar de ter realizado uma série considerável de westerns (Colorado Charlie, Wanted Sabata, ...e lo chiamarono Spirito Santo, etc.), Roberto Mauri não será recordado como um dos grandes realizadores do género, e este “Sartana nella valle degli avvoltoi” - que até é um dos seus filmes mais aceitáveis - não é grande espingarda, mas também não é completamente vulgar. Acabando por cumprir alguns requisitos mínimos, que lhe permitem uma entrada directa para o gigantesco lote dos euro-westerns que nem aquecem nem arrefecem.

O filme foi exibido em Portugal com o título “Sartana no Vale dos Abutres”, mas nos dias de hoje como seria de esperar não está disponível em DVD. Está contudo disponível em várias edições por esse mundo fora, aquela que disponho é uma edição britânica da C’est La Vie, que apresenta o filme em formato widescreen com áudio em inglês. A imagem é tão nítida que permite ver coisas tão características do cinema de outrora como os fios de coco que puxam as articulações de um escorpião, usado numa das derradeiras cenas do filme. Algo que poderia passar despercebido nas décadas de 60 e 70 mas que hoje em dia surgem nuas aos nossos olhos, sendo impossível não considerar filmes como este, datados de uma outra época. Apenas para curiosos!

Lobbys:


Trailer:

2012/10/16

Django 2: il grande ritorno (1987 / Realizador: Nello Rossati)

O mais carismático personagem dos westerns-spaghetti está de volta! Mais de duas décadas depois (precisamente 21 anos), Django voltou a empunhar a sua metralhadora e a lidar com caixões, carros funerários e morte. O ator Franco Nero volta a encarnar o personagem que lhe deu fama mundial mas infelizmente o seu mentor não o acompanha nesta última aventura. O projeto estava inicialmente pensado para ter Sergio Corbucci como realizador mas o débil estado de saúde do cineasta impediu que assim fosse. Nello Rossati assumiu a responsabilidade e assinou um filme com características muito diferentes do original. O ambiente deste filme é exótico e tropical. O frio, a chuva e a lama são substituídos por florestas e rios. A ganância e a vingança são substituídas pelo amor à família e pelo sentido de responsabilidade.  O tempo passou e o velho Oeste Selvagem desapareceu para sempre.


Vive-se uma nova era onde os antigos pistoleiros já não têm lugar. Contudo, a violência persiste, bem como a maldade, a escravatura e o terror. No México, ao longo de inúmeros rios e pântanos, navega uma embarcação militar liderada pelo general húngaro Orlowsky, mais conhecido por “Diabo”, que enriquece à conta do trabalho de escravos nas minas de prata e do tráfico e exploração sexual de mulheres. O famoso pistoleiro Django abandonou a vida violenta e agora vive retirado como monge num esquecido mosteiro mexicano.

Django é informado que tem uma filha adolescente e que esta foi raptada e levada a bordo do “Mariposa Negra”, a imponente embarcação do “Diabo”. Os seus métodos pacíficos de abordagem aos raptores, além de não resolverem nada, tornaram Django em escravo. Tendo conseguido escapar do seu cárcere, Django sabe que só há uma maneira de fazer justiça e não é através de falinhas mansas: terá de ser à moda antiga!  Após recuperar a sua célebre metralhadora de dentro de um caixão numa sepultura com o seu nome, Django usa uma carroça funerária para seguir e matar todos os malandros que lhe apareçam pelo caminho. As explosões e os tiros só vão acabar quando todos os escravos forem libertados, inclusive a sua filha. 


Nunca se entendeu porque é que foram precisos mais de vinte anos para produzir uma sequela oficial de “Django”. É certo que tanto Sergio Corbucci como Franco Nero tiveram anos de intenso trabalho mas este filme já não tem a magia de outros tempos. Acredito que, se Corbucci dirigisse as operações, o projeto teria sido melhor. Rossati colocou este filme mais perto do cinema de aventuras do que dos westerns. Ainda assim, apesar de todas as fragilidades bem evidentes, o filme fica para a História não pela sua qualidade mas por ser a única sequela oficial, no meio de dezenas de cópias simplórias, plágios descarados e desmesurado abuso do nome “Django”!


Lobbys:




Trailer:

Related Posts with Thumbnails