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21/06/2019

Nato per uccidere (1967 / Realizador: Antonio Mollica)


Artigo gentilmente cedido pelo companheiro António Furtado da Rosa, grande entusiasta do western-spaghetti e também ele blogger ocasional via http://westerneuropeu.blogspot.com/ 

Resumindo este filme, vemos Gordon Mitchell como Roose, um jogador de cartas lacónico e rápido no gatilho sempre pronto a ganhar uns dólares a mais, mas cujo destino leva-o a uma pequena vila onde os pequenos rancheiros são subjugados e aterrorizados pela ambição desmedida de um grande proprietário, Tyson (Tom Felleghy), apoiado por Dudgett (Aldo Berti) e o seu bando. Quando este filme me chegou às mãos, confesso, torci o nariz. Pareceu-me mais um western obscuro de qualidade duvidosa e, ainda por cima, não era grande admirador do Gordon Mitchell dos westerns spaghettis, principalmente nas extravagâncias com aquele charme muito próprio de  Demofilo Fidani onde passava os filmes a gritar num tom interpretativo exagerado a raiar a fronteira do cabotinismo, embora, a verdade seja dita, admirava bastante o Gordon Mitchell do peplum em filmes como “Maciste Contra o ciclope”, “A Ira de Aquiles”, “7 contra o Mundo” ou “A vingança de Spartacus”. Depois de algum tempo na prateleira vi o filme, e em boa hora o fiz.

Cuidado Berti, a estrela sou eu!

Roose, à primeira vista, parece ser um típico anti-herói do género que já vimos em muitos filmes, mas não, Mitchell retrata um pistoleiro infalível que não se sente satisfeito por sê-lo e vemos isso logo no início do filme, numa caracterização de personagem brilhante, quando enquanto se vestia no quarto do hotel antes de enfrentar três homens em duelo, apanha um mosca e em vez de a matar, abre a janela e liberta-a dizendo: “Vive em paz, tu que podes.” A paz que ele não tem, a paz que quem vive com uma arma na mão não tem. Não é movido por qualquer paixão ou por um desejo de vingança nem é um justiceiro movido por qualquer responsabilidade social e não tenciona, de maneira nenhuma, mudar o mundo, Roose procura um futuro em paz, mesmo que para isso se tenha de tornar um herói e fazer aquilo para o qual nasceu, matar.

Mitchell chega e mata!

“Nascido para Matar” é um filme de orçamento exíguo e uma pequena pérola do género que merece ser descoberto e é um exemplo seguro de que os meios nem sempre justificam os fins, porque com poucos meios, Antonio Mollica (Tony Mulligan), de quem se conhece a realização de apenas três filmes (“20 Passos Para a Morte” com Dean Reed e o interessante filme de piratas “O Regresso do Pirata Negro” com Robert Woods)  conseguiu levar este filme a um bom fim com uma realização segura e sem invenções, criando um filme que foi feito sem mais nenhuma intenção se não para entreter com cenas de ação muito bem coordenadas e com o mimo de nos podermos deliciar com a bela música de Felice Di Stefano muita acima da média do género e do próprio maestro que compôs as partituras de filmes como “Cjamango, o Vingador”, “Não matar” ou “Pede Perdão a Deus”. 

Em 1967 o género ainda não estava de rastos.

Como nota final, gostaria de ter visto Gordon Mitchell muitas vezes mais neste registo de pistoleiro implacável e lacónico, sem histrionismos, criando mais personagens nascidas para nos surpreender. Recomendo esta pérola algo obscura, mas cativante.

01/12/2015

Perché uccidi ancora? (1965 / Realizador: Jose Antonio de la Loma, Edoardo Mulargia (não creditado)


Em 1965 ainda o “Por um punhado de dólares” de Sergio Leone fazia o seu percurso na elevação a estatuto de obra definidora do western europeu, mas o filão não tardaria a ganhar caudal e este “Perché uccidi ancora” é um bom exemplo daquilo que se avizinharia por esses anos. A produção, sustentada por capital italiano e espanhol, é rodada quase na totalidade em Espanha, onde estão os melhores cenários, já os actores vem quase todos do país da bota, mais avançados nestas andanças do cinema. E Anthony Steffen, que já tinha mostrado os dentes noutro western (Der Letzte Mohikaner), consegue aqui o seu primeiro papel principal, que lhe valeria fama suficiente para ser contratado para uma média de três westerns por ano nos tempos seguintes, escapulindo-se ainda esporadicamente para outros campos do exploitation europeu.

A falta de expressividade de Anthony Steffen não parece ter feito mossa na época.

Sobre este filme existe curiosamente alguma polémica sobre quem o realizou afinal, a documentação espanhola evidencia o nome de Jose Antonio de la Loma, mas artigos da época e testemunhos de actores como Aldo Berti, sustentam a versão de que o filme é de Edoardo Mulargia, o que faria deste “Perché uccidi ancora” a sua estreia nos domínios do western. É sabido que naqueles tempos estas confusões não foram casos isolados, e na dúvida opto por acreditar nas fontes italianas, até porque o estilo de Mulargia parece bem patente. Enredo simples, acção constante e preocupação com a fotografia. Também porque quer Steffen, quer Berti haveriam de ser comparsas habituais nos filmes seguintes do italiano.

José Calvo unta as mãos de Aldo Berti e companhia. 

O filme é particularmente violento para o ano e que foi lançado, período em que já se faziam alguns westerns mas em que a maioria pendia para os pressupostos do western clássico americano. Começa logo com a morte de McDougall, linchado selvaticamente pelos homens de Lopez (Pepe Calvo), que obriga os seus capangas a disparar sobre o desgraçado, uma bala por cada um. A razão da rixa não se esclarece para além do mote «sangue chama sangue», uma chavão que seria utilizado vezes sem conta nos anos seguintes.


Oh, pá! Aqui há gato!

Steven McDougall (Anthony Steffen), ao tomar conhecimento do sucedido, deserta do exército e regressa ao povoado com a missão única de limpar o sebo aos patifes que participaram no assassinato. Todos sabemos que a avalanche de histórias de vingança suceder-se-iam nos anos seguintes mas pelo carácter madrugador desta produção, recomenda-se a viagem!

15/09/2015

Bada alla tua pelle Spirito Santo! (1972 / Realizador: Roberto Mauri)

Bem-vindos à segunda investida de Roberto Mauri na personagem Espírito Santo. Como seria de esperar a acção pouco ou nada tem a ver com a do primeiro filme da trilogia, e muito menos com a de Carmineo (Uomo avvisato mezzo ammazzato... Parola di Spirito Santo, onde a personagem apareceu originalmente). Volta-se no entanto a usar a personagem, que desta vez «encarna» no tenente Albert Donovan. A missão do militar é descobrir que raio se está a passar com os carregamentos de ouro que saem do Forte Phoenix, substituídos por falsos lingotes falsos. O grego Vassili Karis, presença habitual nos filmes de Mauri (Wanted Sabata, Un animale chiamato uomo, etc.), volta a interpretar a personagem. Acho que sempre engracei com o actor, mas aquele poncho amaricado que usava na maioria dos westerns causa-me alguma brotoeja, e só por o ter descartado neste aqui, já me alivia a dor. 

O vilão, ainda que com pouco tempo de cena é desta vez entregue a Craig Hill, um patife que toma o lugar do Coronel do Forte Phoenix, por forma a rapinar os carregamentos de ouro que a cavalaria deve supervisionar. Hill não decepciona e só fiquei com um amargo de boca pela falta de exploração da sua personagem. Entenderia que Mauri o tivesse resguardado intencionalmente para manter o suspense sobre a sua implicação nos furtos, mas sejamos francos, é demasiado evidente para se apostar na charada.

Crag Hill e Remo Capitani trocam mimos.

O filme está ainda carregado de personagens pitorescas. A começar logo pelo bandido Diego de Habsburgo, um escroque daqueles que esperaríamos num filme da saga Aleluia. Este aqui apesar da pinta de bandido de meia tigela, diz-se descendente da Casa de Habsurgo (1) e apresenta-se com pretensões politicas, pretendendo saquear os carregamentos de ouro para capitalização do seu exército na tomada do México. Os seus comparsas mantém o clima esquizitóide do filme, um diz ser descendente de piratas, outro apresenta-se como uma espécie de Garibaldino (2) e um último como rufia irlandês. E sim, a seu tempo todos eles terão a oportunidade de levar nas trombas do nosso amigo Espírito Santo. Ámen!

O ítalo-grego Vassili Karamesinis é "Espírito Santo". 

Não sei ao certo que sucesso terá tido “Bada alla tua pelle Spirito Santo!”, mas suponho que não tenha sido muito, uma vez que não abundam registos de lançamento noutros mercados para além do local. E entende-se porquê, trata-se de uma versão vulgarizada de um qualquer filme da saga «Sartana», ao qual se incrementou o nível de parvoíce, provavelmente pela entrada em cena de novos heróis, claro está, «Trinitá» e «Aleluia». Curioso que numa cena do filme, até façam uma graça com o facto, responde Karis depois de lhe chamarem Aleluia, "Aleluia não, Espírito Santo".

"Espírito Santo" distribui chumbo quente pela vilanagem.

Para se degustar este tipo de filme, é preciso estar-se no comprimento de onda correcto, caso contrário o risco de a sonolência atacar é grande! Eu nem desgostei, mas achei a montagem demasiado atabalhoada, o que dificulta bastante o entendimento do enredo da história. Mas nada que uma Sagres fresquinha não possa resolver!

1 Casa de Habsburgo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_de_Habsburgo
2 Garibaldino: http://it.wikipedia.org/wiki/Garibaldino

04/11/2014

Ehi amigo... sei morto! (1970 / Realizador: Paolo Bianchini)

O bando de Barnett sequestra a população de uma pequena cidade do Texas, e por lá aguardam a chegada de uma diligência que um passarinho lhes disse transportar um chorudo carregamento de ouro. Os larápios rapinam o lote e fogem para o seu esconderijo mas Doc Williams impulsionado pela população local decide seguir-lhes o rasto e claro está, encher-lhes o bandulho de chumbo quente. Este foi o último western realizado por Paolo Bianchini realizador que entusiasmou com o excelente "Lo voglio morto", em que um homem destroçado por uma tragédia pessoal acaba envolvido num golpe em plena guerra civil. A curta carreira do realizador no género não teve porém  uma consistência de resultados, e para além do supracitado, o resto do seu material é bastante mais rotineiro.


Este "Ehi amigo... sei morto!" será mesmo o menos interessante de todos eles. O protagonismo do filme ficou entregue a Wayde Preston, um dos muitos actores americanos que se aventuraram por terras transalpinas durante a histeria do western-spaghetti. Infelizmente para ele, ao contrário do que aconteceu com a maioria dos seus conterrâneos, não lhe foram oferecidos grandes papéis, e à excepção da incursão em "Oggi a me... domani a te!" - em que se enturmou no gang de Bud Spencer e companhia - participou sobretudo em filmes que  hoje fazem parte da longa lista de esquecidos. 


Este aqui também não é grande espingarda e Preston transparece mesmo aquela ideia de ter sido pago à fala, acreditem quando vos digo que o homem nem mostra os dentes! Como comparsa, o pistoleiro silencioso tem a companhia de «El Loco», um vagabundo mexicano que ao bom estilo do do western all'italiana, ora lhe dá a mão, ora o trama. Marco Zuanelli que interpreta a personagem, tem aqui uma proeminência bem superior ao habitual, mas a sua personagem não é muito diferente do que nos habituámos a ver fazer Ignazio Spalla. Enfim, amigos, se já vão avançados nos «estudos» do western europeu, deiam-lhe uma olhada, mas se ainda estão naquela fase de descoberta da filmografia dos «três Sergios», então mais vale manter a distância!

25/02/2014

Un Dollaro tra i denti (1966 / Realizador: Luigi Vanzi)

Este terá sido provavelmente o primeiro western italiano a ter financiamento norte-americano (através do influente empresário Allen Klein). O elenco é liderado pelos também americanos Tony Anthony e Frank Wolff e secundado por Gia Sandri, Jolanda Modio, Raf Baldassare e Aldo Berti. É uma obra claramente inspirada no filme “Por Um Punhado de Dólares”, com um ritmo lento em que predominam os longos silêncios preenchidos pela música de Benedetto Ghiglia. É um filme de muito baixo orçamento com algumas cenas bastante violentas (chicotear, violar, agredir, ameaçar) com tiroteio e sadismo quanto baste. Um tipo misterioso chega à localidade mexicana de Cerro Gordo. Por entre as ruas silenciosas entra numa hospedaria para alugar um quarto. O dono do estabelecimento arma-se em esperto e leva com uma garrafa nos cornos. 

Já no seu quarto, observa da janela uma patrulha de soldados mexicanos serem massacrados por bandidos disfarçados de frades. Estes, com Águila à cabeça, pretendem o ouro que o exército americano vai transportar até aquele povoado. O forasteiro, em conluio com Águila, elabora um plano para que o ouro fique na posse de ambos e que o lucro seja dividido em duas partes iguais.


Mais traiçoeiro do que uma serpente, o mexicano muda de opinião e recusa dar a metade combinada aos seu sócio americano. Para a humilhação ser completa dá-lhe somente uma única moeda de 1 dólar como prémio pelo seu esforço. O homem passa-se da cabeça! O forasteiro tenta fugir com o dinheiro mas é capturado e leva uma carga de porrada que até cria bicho! Pelo meio ainda é contemplado com umas chicotadas na focinheira, cortesia da sádica Maria Pilar, mais conhecida por Maruka. 


Em muito mau estado, o homem consegue arrastar-se para um lugar seguro para recuperar da sova. Os seus agressores procuram-no mas em vão. Já recuperado, o forasteiro inicia a limpeza geral da cidade usando não uma vassoura mas sim uma caçadeira! Ironicamente, o filme teve resultados modestos em Itália mas foi bem sucedido nas salas de cinema dos Estados Unidos. Sem dúvida que é um western de série B mas eu dou-lhe nota positiva porque… “Quem sou eu? Sou um homem justo!”

Trailer:

14/01/2013

La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io (1969 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Já andava para ver este filme há muito tempo mas por alguma razão só recentemente o passei para o topo da pilha. Infelizmente não é um dos filmes mais fáceis de encontrar por aí, em DVD apenas se conhecem duas versões. Uma brasileira da Ocean Pictures e outra francesa da Gladiateur Films. Ora, como de francês pouco entendo e as editoras brasileiras nunca pareceram muito interessadas em exportar para a Europa, continuo sem um DVD na colecção. Encontrei sim, um DVDrip espanhol - "El Puro se sienta, espera y dispara" - num destes sítios de má fama. A imagem apesar de enublada até é aceitável, mas infelizmente o filme não aparece na sua duração original, que segundo li por aí devia roçar as duas horas. Tive de me contentar com cerca 82 minutos! Eu até já tenho assistido a muitos filmes cortados mas nunca numa duração tão grande, e a verdade é que com um delta destes não me é fácil tecer uma opinião muito bem formada sobre o filme. 

Os cortes são mesmo bastante evidentes nesta montagem castelhana. Quer na edição abrutalhada quer na incongruência de alguns dos diálogos. Mas entretanto descobri no Youtube a versão brasileira, dobrada em português, que apresenta uma montagem bastante mais aceitável. Por estranho que pareça as diferenças entre as duas versões são tais que em certos casos o diálogo chega a mudar ligeiramente. Também alguns pedaços de fita aparecem numa versão e não noutra (a "famosa" cena gay, por exemplo, foi retirada da versão espanhola). Não conheço a versão do DVD francês, mas acredito que para se conseguir assistir ao filme como deve de ser será necessário mesclar as várias versões existentes por aí, coisa que provavelmente alguém já terá feito mas não posso confirmar.


Robert Woods descreve justamente “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” como um western budista. Aqui o actor norte-americano encarna um pistoleiro conhecido por El Puro - que também dá titulo à versão internacional do filme. Um criminoso procurado pela lei que vive agora incógnito numa cidade fronteiriça, onde se gladia com o temor pela morte, que qualquer pistoleiro «wannabe» lhe queira oferecer. Completamente acabado, vive agora com uma garrafa aos queixos, não se mostrando ameaça sequer ao barman do saloon, que não têm dificuldade em coloca-lo KO. Mas a sua cabeça continua a prémio e um bando de assassinos liderado por Gipsy - uma versão empobrecida do Índio de Por mais alguns dólares - está interessado em reclamar a soma e com isso tornarem-se eles próprios como os senhores da região. 

As parecenças de “La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” com os westerns de Leone não acabam por aqui. A maior de todas é mesmo a música, da autoria de Alessandro Alessandroni, ele que era justamente um colaborador habitual de Ennio Morricone. Alessandroni parece mastigar as trilhas que Morricone compôs para a trilogia do «homem sem nome» e produzir algo que quase roça o plágio. Mas comparações à parte o filme subsiste por si só. O ponto de inflexão na vida de El Puro será o assassinato da prostituta Rosie (Rosalba Neri), a única amiga do bebedolas na cidade. Qual fénix, o pistoleiro renasce da tragédia. Larga o álcool que lhe turvava as ideias e os reflexos, e enfrenta os meliantes. Embate que infelizmente não é um dos mais interessantes que o género viu, mas o twist guardado para o final salva-o. 


***Inicio de spoiler*** Como dizia, a versão brasileira que assisti no Youtube e que recomendo aos curiosos, está bastante mais bem editada que a espanhola, sendo inclusivamente ligeiramente maior. Porém o triste final que se abate sobre El Puro, baleado à distância pelo último pulha do bando, fica apenas sugerido nesta versão, sendo bastante mais poética na versão espanhola em que o pistoleiro morto pelas costas acaba estendido no chão. Um final desolador pouco visto no género. ***fim de spoiler*** 

“La taglia è tua... l'uomo l'ammazzo io” não é um western-spaghetti fácil, mas nos últimos anos têm existido à volta dele um certo burburinho (o beijo gay dezenas de anos antes de “Brokeback Mountain” muito ajudou a tal), que o têm elevado à condição de filme de culto no género. Será mesmo o mais conceituado dos filmes de Edoardo Mulargia, que como muitos outros realizadores da época nunca tiveram à sua mercê os benefícios das grandes produções, mas que com alguma astúcia conseguiu lançar uma série de filmes razoáveis (“W Django!”, “Cjamango”, “Non aspettare Django, spara”, etc.). Com Robert Woods fez ainda mais um western, “Prega Dio... e scavati la fossa”, mas sobre esse falaremos outro dia!



Filme completo dobrado em português:

 

22/10/2012

Sartana nella valle degli avvoltoi (1970 / Realizador: Roberto Mauri)

Eis mais uma produção italiana de baixo orçamento que procurou encaixar algum dinheiro por via da utilização abusiva do apelido Sartana. Personagem lançada originalmente por Gianfranco Parolini e que despoletaria uma série de filmes oficiais (já resenhados por aqui) e claro está, muitos mais no mercado paralelo. E na verdade para com a personagem popularizada por Gianni Garko, este pseudo Sartana apenas no uso da capa negra se poderá assemelhar.

O jogador intrometido, ganancioso mas justo; transforma-se nesta versão num bandido procurado pela lei, capaz de matar à mínima provocação. Curiosamente coube ao austríaco William Berger envergar as vestimentas Sartana, ele que até participara no filme de lançamento oficial da saga, “Se incontri Sartana prega per la tua morte”, em que desempenhara um dos antagonistas, Lasky! Lee Calloway ou Sartana (William Berger) é um foragido da lei, a sua cabeça vale já 10000 dólares, valor que o coloca nas prioridades dos caçadores de recompensas locais. Hábil no gatilho leva a melhor nesses embates.


Incentivado por uns patifes da mesma laia que ele, irá tomar a prisão local de assalto e libertar os irmãos Douglas, com os quais pretende dividir o ouro que estes haviam rapinado ao exército e que esconderam antes de serem capturados. É claro que depois de se verem em liberdade os três irmãos tentam livrar-se de Calloway a cada oportunidade. Surpreendido numa destas tentativas de fuga dos Douglas, o nosso anti-herói acaba amarrado a um cartucho de dinamite, mas safa-se miraculosamente e dá então caça aos seus ex-associados. Tudo se inverterá no entanto e o caçador torna-se na presa. Uma situação completamente reminiscente do estupendo “Sentenza di morte” de Mario Lanfranchi, onde é o homem armado que foge dos seus perseguidores.

Infelizmente este que é o grande mote lançado pelo título do filme revela-se numa mui entediante e mal filmada perseguição. Que sai claramente prejudicada pela falta de um orçamento que permitisse filmagens em ambientes mais apropriados (esclareça-se que aquele que é exaltado como perigosíssimo deserto se monstra na verdade ser bastante outonal). Filmado inteiramente em Itália e portanto sem acesso aos convincentes desertos andaluzes, a débil ilusão de desertificação conseguida prejudica profundamente a autenticidade do filme.


Apesar de ter realizado uma série considerável de westerns (Colorado Charlie, Wanted Sabata, ...e lo chiamarono Spirito Santo, etc.), Roberto Mauri não será recordado como um dos grandes realizadores do género, e este “Sartana nella valle degli avvoltoi” - que até é um dos seus filmes mais aceitáveis - não é grande espingarda, mas também não é completamente vulgar. Acabando por cumprir alguns requisitos mínimos, que lhe permitem uma entrada directa para o gigantesco lote dos euro-westerns que nem aquecem nem arrefecem.

O filme foi exibido em Portugal com o título “Sartana no Vale dos Abutres”, mas nos dias de hoje como seria de esperar não está disponível em DVD. Está contudo disponível em várias edições por esse mundo fora, aquela que disponho é uma edição britânica da C’est La Vie, que apresenta o filme em formato widescreen com áudio em inglês. A imagem é tão nítida que permite ver coisas tão características do cinema de outrora como os fios de coco que puxam as articulações de um escorpião, usado numa das derradeiras cenas do filme. Algo que poderia passar despercebido nas décadas de 60 e 70 mas que hoje em dia surgem nuas aos nossos olhos, sendo impossível não considerar filmes como este, datados de uma outra época. Apenas para curiosos!

Lobbys:


Trailer:

18/04/2010

Il mio nome è Mallory "M" come morte (1971 / Realizador: Mario Moroni)

Robert Woods teve um papel importante no seio do spaghetti-western, não foram poucos os filmes em que deu a cara (Due once di piombo, Black Jack, Quel caldo maledetto giorno di fuoco, etc.), mas essa passagem pelo género não parece regozijar nem o próprio. É que no meio de tantos filmes, poucos são os que se podem considerar sequer medianos, a maioria são mesmo muito fracos. E quem viu, por exemplo, a sua participação no medíocre Era Sam Wallash... lo chiamavano 'Così Sia' do prolífico Demofilo Fidani, entenderá do que falo. Nascido e criado no Colorado, Woods acabou como tantos outros actores americanos por remar à Europa, em procura de melhor sorte. Em França trabalhou em dobragens e ocasionalmente em teatro.

Encontro na tasca.

Aí seria descoberto pelo produtor e realizador espanhol Alfonso Balcazar, que lhe acenou com um contrato para um punhado de filmes. Uma proposta simplesmente irrecusável para um actor em inicio de carreira. A parceria seria iniciada com Los pistoleros de Arizona, um filme mexido e vagamente interessante. Outros se seguiram e ao longo dos anos Robert Woods consolidaria o seu nome no cinema europeu, garantindo trabalho para 14 anos, e participações em mais de 20 westerns-spaghetti. Nalguns desses filmes nunca deveria ter aceitado protagonizar, Il mio nome è Mallory... M come morte é um desses casos!

Gabriella Giorgelli é a carinha laroca de serviço.

A acção do filme gira em torno da personagem Mallory, um tipo mestiço que se faz apresentar com um penteado ridículo – valia tudo nos anos 70. No final da guerra civil Mallory e o seu amigo Coronel Todd Hasper compram um rancho à muito desejado por Bart Ambler, o patife local. A compra decorre enquanto Bart está fora da cidade, mas com o seu regresso a agitação começa. Block, outrora braço contratado de Mallory une esforços com Ambler e interceptam o antigo proprietário do rancho, que assassinam depois de lhe roubar o ouro da venda. Agora na posse do ouro, Ambler tenta legitimamente comprar as terras a Mallory, que não se mostra minimamente interessado em fazer negócio. O mestiço apaixona-se entretanto por Cora, irmã de Ambler, o que incendiará ainda mais o ódio de Block - eterno apaixonado pela miúda. Sabendo que dificilmente conseguirá sacar mais rápido que Mallory, Ambler faz-se valer da inveja de Block incentivando-o a confrontar o mestiço.

Este sócio anda sempre mal disposto.

"Il mio nome è Mallory... M come morte" podia ser simplesmente um filme mediano, mas a direcção do estreante Mario Moroni é ineficaz e vistas as coisas não consegue ser nada mais do que um filme aborrecido, lançado num ano em que o género parecia cada vez mais condenado ao desaparecimento. Para além de algumas velhinhas edições em VHS julgo ser completamente impossível de encontrar por aí este “Mallory”. A versão que tive oportunidade de assistir corresponde a uma transferência de uma dessas VHS, com imagem e som sofrível e legendas originais forçadas. Um exercício no limiar do masoquismo, garanto-vos!


Edit (26/06/2020):

O filme foi finalmente lançado em versão DVD cristalina em meados de 2013 (screens ilustrativos dessa nova versão). Titulo da edição: Django - unerbittlich bis zum Tod. Podem encontra-lo na Amazon.