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09/09/2019

Trinità e Sartana figli di... (1972 / Realizador: Mario Siciliano)

Quando este filme estreou, em 1972, os westerns-spaghetti cómicos nasciam como cogumelos e o público-alvo era as crianças, os jovens e o pessoal que já estava farto de ver cadáveres em catadupa. O realizador Mario Siciliano escolheu o jovem Alberto Dell’Acqua, acrobata, duplo e ator secundário em muitos westerns, para o papel de Sartana. A maior novidade foi Harry Baird, ator negro de nacionalidade britânica, para encarnar Trinitá. Sartana, um rapaz loiro cheio de genica, alia-se a Trinitá, um negro que veste uma camisola de marinheiro às riscas vermelhas e brancas. Diz chamar-se Trinitá porque é nativo da ilha de Trinidad (atual Trinidad e Tobago).

Este Trinitá mais parece um marinheiro de água doce!

A dupla Sartana e Trinitá anda com um olho no burro e outro no cigano porque sabem que um carregamento de dinheiro chegou fresquinho ao banco. Ambos roubam a massa e pisgam-se. Trinitá apaixona-se por Martha (Daniela Giordano), uma jovem que vive com um grupo de agricultores pobres. Trinitá almoçou com eles, encheu os cornos de vinho e, perdido de bêbado, deu o dinheiro roubado aos agricultores. Quando Sartana chegou e viu o que o seu sócio fez, passou-se da marmita!

Ambos os protagonistas empunham as suas armas!

Enquanto isso, Burton e o mexicano El Tigre andam armados em parvos à cata de ouro que os Rangers transportam. Sartana e Trinitá também vão meter o focinho no assunto. O resto do filme não é mais do que muitas chapadas, pontapés no cu, frigideiras nas ventas, cabeças partidas, narizes amassados e algum tiroteio. Na cena final surge uma metralhadora, há muita confusão, muito cagaçal, muito banzé mas… zero mortos!

Sartana disfarçado de mexicano.

O veredito: não tem o impacto dos dois primeiros “Trinitá” com Terence Hill e Bud Spencer mas, verdade seja dita, também não é a estupidez à “Tresette” ou à “Carambola”. Quem quiser arriscar… fora, figo! Quem não quiser… não vem mal ao mundo.

17/11/2015

Django sfida Sartana (1970 / Realizador: Pasquale Squitieri)

Estávamos numa época em que era moda juntar vários personagens célebres dos westerns italianos para tentar adiar o inevitável, isto é, a saturação do subgénero e a sua consequente decadência. A junção desses nomes célebres vinha sempre em dupla: Trinitá e Sabata, Django e Aleluia, Sartana e Trinitá, Sartana e Sabata, etc. A dupla que mais vezes trabalhou em conjunto foi provavelmente Django e Sartana. São eles os protagonistas deste filme de Pasquale Squitieri, um cineasta que apenas registou dois westerns no seu currículo.


A cidade de Tombstone orgulha-se do seu sistema bancário. Steve, irmão do conhecido pistoleiro Django, trabalha no banco onde ocupa um cargo de relevo. Sartana está de passagem pela cidade e foi visto a falar com Steve. Quando nada o fazia prever o diretor do banco é assassinado e a sua sobrinha é raptada. Pior ainda, todo o dinheiro da caixa forte desapareceu.

O tema fundamental do filme: dinheiro!

A população, privada das suas poupanças, exige explicações e justiça. Steve e Sartana tornam-se assim nos bodes expiatórios perfeitos. Sartana tem a cabeça a prémio e Steve é linchado pelos cidadãos. Quando Django chega a Tombstone vê o cadáver do seu irmão pendurado na rua e vai atrás de Sartana para ajustar contas. No momento decisivo, e após uma troca de bofetadas, Django percebe que a história está muito mal contada e decide unir-se a Sartana para desmascarar os verdadeiros culpados.

Tony Kendall não é para brincadeiras

Com paisagens e belos cenários de cores escuras envolvidos em chuva, lama e sujidade, temos o venezuelano José Torres a interpretar o papel de mexicano mudo, temos algumas mulheres atraentes e temos os habituais brutamontes de serviço. Os italianos Tony Kendall e George Ardisson encarnam Django e Sartana, respetivamente. Ambos os atores têm uma história curiosa porque ambos defendem que Sergio Leone queria-os como protagonistas para o seu filme “Por Um Punhado de Dólares” (Kendall como “Joe” e Ardisson como “Ramon”).

Django e Sartana bebem uma fresquinha

Acima de tudo a ideia fundamental que fica é esta: Django é um tipo implacável e Sartana também. Quando os dois se juntam… ponham-se a pau!!

25/02/2014

Un Dollaro tra i denti (1966 / Realizador: Luigi Vanzi)

Este terá sido provavelmente o primeiro western italiano a ter financiamento norte-americano (através do influente empresário Allen Klein). O elenco é liderado pelos também americanos Tony Anthony e Frank Wolff e secundado por Gia Sandri, Jolanda Modio, Raf Baldassare e Aldo Berti. É uma obra claramente inspirada no filme “Por Um Punhado de Dólares”, com um ritmo lento em que predominam os longos silêncios preenchidos pela música de Benedetto Ghiglia. É um filme de muito baixo orçamento com algumas cenas bastante violentas (chicotear, violar, agredir, ameaçar) com tiroteio e sadismo quanto baste. Um tipo misterioso chega à localidade mexicana de Cerro Gordo. Por entre as ruas silenciosas entra numa hospedaria para alugar um quarto. O dono do estabelecimento arma-se em esperto e leva com uma garrafa nos cornos. 

Já no seu quarto, observa da janela uma patrulha de soldados mexicanos serem massacrados por bandidos disfarçados de frades. Estes, com Águila à cabeça, pretendem o ouro que o exército americano vai transportar até aquele povoado. O forasteiro, em conluio com Águila, elabora um plano para que o ouro fique na posse de ambos e que o lucro seja dividido em duas partes iguais.


Mais traiçoeiro do que uma serpente, o mexicano muda de opinião e recusa dar a metade combinada aos seu sócio americano. Para a humilhação ser completa dá-lhe somente uma única moeda de 1 dólar como prémio pelo seu esforço. O homem passa-se da cabeça! O forasteiro tenta fugir com o dinheiro mas é capturado e leva uma carga de porrada que até cria bicho! Pelo meio ainda é contemplado com umas chicotadas na focinheira, cortesia da sádica Maria Pilar, mais conhecida por Maruka. 


Em muito mau estado, o homem consegue arrastar-se para um lugar seguro para recuperar da sova. Os seus agressores procuram-no mas em vão. Já recuperado, o forasteiro inicia a limpeza geral da cidade usando não uma vassoura mas sim uma caçadeira! Ironicamente, o filme teve resultados modestos em Itália mas foi bem sucedido nas salas de cinema dos Estados Unidos. Sem dúvida que é um western de série B mas eu dou-lhe nota positiva porque… “Quem sou eu? Sou um homem justo!”

Trailer: