Mostrar mensagens com a etiqueta Mirella Pamphili. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mirella Pamphili. Mostrar todas as mensagens

17/11/2015

Django sfida Sartana (1970 / Realizador: Pasquale Squitieri)

Estávamos numa época em que era moda juntar vários personagens célebres dos westerns italianos para tentar adiar o inevitável, isto é, a saturação do subgénero e a sua consequente decadência. A junção desses nomes célebres vinha sempre em dupla: Trinitá e Sabata, Django e Aleluia, Sartana e Trinitá, Sartana e Sabata, etc. A dupla que mais vezes trabalhou em conjunto foi provavelmente Django e Sartana. São eles os protagonistas deste filme de Pasquale Squitieri, um cineasta que apenas registou dois westerns no seu currículo.


A cidade de Tombstone orgulha-se do seu sistema bancário. Steve, irmão do conhecido pistoleiro Django, trabalha no banco onde ocupa um cargo de relevo. Sartana está de passagem pela cidade e foi visto a falar com Steve. Quando nada o fazia prever o diretor do banco é assassinado e a sua sobrinha é raptada. Pior ainda, todo o dinheiro da caixa forte desapareceu.

O tema fundamental do filme: dinheiro!

A população, privada das suas poupanças, exige explicações e justiça. Steve e Sartana tornam-se assim nos bodes expiatórios perfeitos. Sartana tem a cabeça a prémio e Steve é linchado pelos cidadãos. Quando Django chega a Tombstone vê o cadáver do seu irmão pendurado na rua e vai atrás de Sartana para ajustar contas. No momento decisivo, e após uma troca de bofetadas, Django percebe que a história está muito mal contada e decide unir-se a Sartana para desmascarar os verdadeiros culpados.

Tony Kendall não é para brincadeiras

Com paisagens e belos cenários de cores escuras envolvidos em chuva, lama e sujidade, temos o venezuelano José Torres a interpretar o papel de mexicano mudo, temos algumas mulheres atraentes e temos os habituais brutamontes de serviço. Os italianos Tony Kendall e George Ardisson encarnam Django e Sartana, respetivamente. Ambos os atores têm uma história curiosa porque ambos defendem que Sergio Leone queria-os como protagonistas para o seu filme “Por Um Punhado de Dólares” (Kendall como “Joe” e Ardisson como “Ramon”).

Django e Sartana bebem uma fresquinha

Acima de tudo a ideia fundamental que fica é esta: Django é um tipo implacável e Sartana também. Quando os dois se juntam… ponham-se a pau!!

01/04/2014

Djurado (1966 / Realizador: Giovanni Narzisi)


Um forasteiro chega à cidade de Silvermine. Cavalga lentamente pela zona gringa mas sem que se perceba porquê, só pára ao chegar à aldeia mexicana, situada na periferia da cidade. Ao entrar no saloon local é rasteirado por dois gringos de maus fígados, e como se não bastasse do lado de dentro do saloon recebe uma saraivada de chumbo quente, que uma francesa jeitosa disfere. 

Não estamos perante um grande marco do cinema italiano, e assim sem perder muito tempo, rapidamente nos explicam a existência de uma querela entre a rapariga e o facínora local, Tuncan (Luis Induni). Tuncan para além de estar envolvido numa série de esquemas ilícitos pretende deitar as mãos aos terrenos da francesa - Barbara Donovan - onde hipoteticamente existirá um filão de ouro. E tenta por isso criar um clima de medo que afugente a freguesia do saloon mexicano. 

Inexplicavelmente o forasteiro - que se apresenta como Djurado mas também como "golden poker" - oferece os seus préstimos à garota e rapidamente encena uma cena de pancadaria com os pilantras de Tuncan. O cabecilha não gosta da brincadeira e responde ás provocações com um banho de sangue no rancho dos amigos de Barbara Donovan. Djurado, que demonstra igual habilidade com o baralho de cartas e com o colt, confronta então o malvado Tuncan num ... patético jogo de poker. Tristes ideias a desta gente meus amigos! 

E enfim, finalmente um xerife é destacado para a cidade e o forasteiro parte para outra. Para azar dele e sorte do agora sonâmbulo espectador, as coisas apimentam-se finalmente e o "golden poker" leva um enxerto de porrada a mando de Tuncan. Não contente, o safado engendra ainda um assalto ao banco da cidade de Dallas, em que convenientemente plantam provas que incriminem Djurado. 

A maior parte dos nossos leitores não se terão provavelmente cruzado nunca com este triste exemplar do western all´italiana, mas se reparem nos fotobustas com que ilustramos esta resenha, notarão algumas parecenças físicas entre este Dante Posani e o malogrado Giuliano Gemma. Razão que desconfio ter sido factor preponderante na sua contratação. Aliás até o pseudónimo usado pelo actor - Montgomery Clark - parece ter sido clonado do «pistolero nazionale» que como se sabe usava também na fase inicial da sua carreira o alias Montgomery Wood. 

Também a história do filme como se entende pelos quiçá demasiado extensos parágrafos anteriores, bebe descaradamente de alguns dos filmes protagonizados por Gemma. É a velha história de um pistoleiro bem intencionado que depois de tramado vai ter de correr a via sacra para se provar inocente. Coisa que vimos fazer muito melhor em "Adios Gringo", lançado um ano antes. 

Infelizmente para todos nós este "Djurado" é um exemplar bastante pobre, falhando na construção da trama, personagens e afins. Não almejando sequer ter uma fotografia razoável que o fizesse menos penoso ao olhar. E Giovanni Narzisi que chegou a trabalhar como câmara de Mario Bava só voltaria a sentar-se na cadeira de realizador onze anos depois. Sorte a nossa, que provavelmente nos livrámos de mais um quinhão de westerns manhosos!