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16/02/2020

Amico mio, frega tu... che frego io! (1973 / Realizador: Demofilo Fidani)

Primeira e única tentativa do cineasta Demofilo Fidani no western cómico. Primeira e única vez que o ator Ettore Manni é o protagonista de um western de Fidani. Denver, Colorado. A febre do ouro está alta. Anda tudo com os cornos no ar porque todos ambicionam encontrar o filão que os vai enriquecer. Mulieta (Gordon Mitchell) e o seu bando de mal-encarados também entram no jogo. Perla (Simone Blondell) oferece-nos o seu olhar sensual, o seu lindo sorriso e as suas belas pernas (é uma espécie de bailarina da coxa grossa)! Jonathan Dickinson (Ettore Manni) é um trafulha disfarçado de sacerdote que não faz mais nada senão enganar os otários e encher a camisola (à conta dos outros, obviamente). 

Este “sacerdote” lambão viaja montado num burro velho chamado Gordon e tem uma sociedade com Mark Tabor (Bud Randall), também vigarista de primeira. As montanhas estão repletas de garimpeiros. Jonathan Dickinson e Mark Tabor passam dias e dias de pá e pica. A fome e o desespero começam a apertar. O trabalho não está a dar frutos. Até ao dia em que…

Estás encurralado, seu vigarista!

Muita gente diz que Demofilo Fidani é o “Ed Wood dos westerns-spaghetti”. Muitos dizem isso como forma de desprezo. Eu vejo isso como um elogio. Tanto Wood como Fidani são realizadores de culto que ficarão para sempre. São realizadores que fizeram filmes tão maus que até se tornaram bons! E por causa dos filmes de qualidade duvidosa que fizeram, hoje são respeitados e venerados por todos os que amam a série B. 

Biqueirada de meia-noite!

Em sentido contrário, há por aí muitos imbecis que realizam filmes nojentos com orçamentos de milhões, filmes esses capazes de provocar urticária, vómitos e diarreia a qualquer pessoa boa do sentido! Sim, fantoches de Hollywood, estou a falar de vocês, tropa dum cabrão!!



13/01/2020

Carambola (1974 / Realizador: Ferdinando Baldi)

Vivendo toda a minha vida perto da fronteira com Espanha, tal como o meu amigo e sócio Pedro Pereira, sempre ouvimos falar de expressões como “contrabando”, “contrafação” ou “refugo”. O contrabando, que no nosso tempo de infância quase já não existia, era inócuo: sacas de batatas, café, bolachas, bacalhau ou garrafas de Coca-Cola. Hoje, o mundo é muito mais evoluído e o contrabando mudou: droga, armas, tabaco, putas, chulos, terroristas e afins. A contrafação, vulgo falsificação ou adulteração, também havia (e continua a haver). O refugo, isto é, aquilo que sobra, depois de escolhido o melhor, continua presente.

Mas o que é que tudo isto tem a ver com o filme “Carambola”? A resposta é simples: tem tudo a ver! “Carambola” é a contrafação dos filmes de sucesso da dupla Trinitá e Bambino. “Carambola” é o contrabando da dupla Trinitá e Bambino porque plagiam descaradamente e não pagam direitos de autor ou direitos alfandegários. “Carambola” é o refugo porque, não havendo Terence Hill e Bud Spencer, sobraram Antonio Cantafora e Paul Smith.

Colby, o pilha-galinhas.

O filme, per se, é um chorrilho de palhaçadas protagonizadas pelo elegante Colby e pelo abrutalhado Lem. À la carte ou à discrição temos chapadas nas trombas, murros no toutiço (também conhecidos por “murros à pedreiro”), jogos de snooker e uma banda a tocar Jazz, ou “Jás”, como se diz no Pé da Serra. E é tudo! Não vale a pena aprofundar mais o assunto porque o filme é tão mau que, se insistirem muito, é capaz de moer o juízo e os colhões ao padre-santo!

A força de Lem é proporcional à sua brutidade!

Epílogo: para os iniciantes em jogos de snooker / bilhar, um conselho: desconfiem sempre quando alguém pegar no giz azul (que é usado para esfregar na ponta do taco) e vos disser: “Cheira lá isto! Cheira a banana!”.

09/09/2019

Trinità e Sartana figli di... (1972 / Realizador: Mario Siciliano)

Quando este filme estreou, em 1972, os westerns-spaghetti cómicos nasciam como cogumelos e o público-alvo era as crianças, os jovens e o pessoal que já estava farto de ver cadáveres em catadupa. O realizador Mario Siciliano escolheu o jovem Alberto Dell’Acqua, acrobata, duplo e ator secundário em muitos westerns, para o papel de Sartana. A maior novidade foi Harry Baird, ator negro de nacionalidade britânica, para encarnar Trinitá. Sartana, um rapaz loiro cheio de genica, alia-se a Trinitá, um negro que veste uma camisola de marinheiro às riscas vermelhas e brancas. Diz chamar-se Trinitá porque é nativo da ilha de Trinidad (atual Trinidad e Tobago).

Este Trinitá mais parece um marinheiro de água doce!

A dupla Sartana e Trinitá anda com um olho no burro e outro no cigano porque sabem que um carregamento de dinheiro chegou fresquinho ao banco. Ambos roubam a massa e pisgam-se. Trinitá apaixona-se por Martha (Daniela Giordano), uma jovem que vive com um grupo de agricultores pobres. Trinitá almoçou com eles, encheu os cornos de vinho e, perdido de bêbado, deu o dinheiro roubado aos agricultores. Quando Sartana chegou e viu o que o seu sócio fez, passou-se da marmita!

Ambos os protagonistas empunham as suas armas!

Enquanto isso, Burton e o mexicano El Tigre andam armados em parvos à cata de ouro que os Rangers transportam. Sartana e Trinitá também vão meter o focinho no assunto. O resto do filme não é mais do que muitas chapadas, pontapés no cu, frigideiras nas ventas, cabeças partidas, narizes amassados e algum tiroteio. Na cena final surge uma metralhadora, há muita confusão, muito cagaçal, muito banzé mas… zero mortos!

Sartana disfarçado de mexicano.

O veredito: não tem o impacto dos dois primeiros “Trinitá” com Terence Hill e Bud Spencer mas, verdade seja dita, também não é a estupidez à “Tresette” ou à “Carambola”. Quem quiser arriscar… fora, figo! Quem não quiser… não vem mal ao mundo.

11/02/2019

Scansati... a Trinità arriva Eldorado (1972 / Realizador: Aristide Massaccesi)

Western-spaghetti trapalhão e cómico (ou não) feito em apenas seis dias! O nome “Trinitá” é dado a uma localidade e não a um personagem (talvez somente para escapar ao óbvio). Grande parte do filme é narrado em “voz off”. Muitas cenas foram recicladas de outros westerns, nomeadamente de “Il suo nome era Pot… ma lo chiamavano Allegria!”. Como diria o grande Marco Giusti, é um filme “Frankenstein”, ou seja, pega-se em vários pedaços diferentes, edita-se e nasce um novo filme.A história começa com Jonathan Duke, um charlatão que anda de cidade em cidade a vender um suposto elixir milagroso. O seu sócio Sebastian Carter ajuda-o nas trafulhices. Quando o negócio dá para o torto dedicam-se à batota. Conseguem depenar uns patinhos na mesa de jogo mas ambos querem mais.Nos tempos livres, Carter procura os serviços de uma mulher chamada Pussy para afogar o ganso. Mas teve azar da última vez porque, em vez de Pussy, calhou-lhe uma velha gaiteira feia que nem um bode!

 Eldorado montado na sua "moto".

Enquanto isso, consta que numa chafarica mexicana chamada Trinitá há um gajo que não regula bem da marmita, que veste um uniforme militar, tem uma fita na cabeça, autointitula-se um deus e monta a cavalo como se fosse uma mota (até tem volante e espelho retrovisor)! O alucinado chama-se Eldorado, tem vários súbditos e os seus baús estão cheios de ouro.Duke e Carter pedem ajuda a Juanita, a sobrinha de Eldorado, para roubar o ouro. Duke, como grande trapaceiro que é, tenta encantar Eldorado com a sua cantiga do bandido e com truques de ilusionismo. Mas o que Duke não sabe é que o baboso Eldorado é um ótimo espadachim e só se o derrotar em duelo é que terá hipótese de ver o reluzente ouro.

O elixir dos vigaristas!

O ator Gordon Mitchell, por incrível que pareça, não faz de vilão. Stan Cooper (Stelvio Rosi) encaixa bem como aldrabão vigarista. Craig Hill como Eldorado interpreta o seu papel mais aparvalhado em westerns. Mas, apesar de esparvoado e egocêntrico, revela conhecimentos de literatura. As suas últimas palavras são exatamente as mesmas de Ricardo III, de William Shakespeare: “Um cavalo! Um cavalo! O meu reino por um cavalo!”. O título provisório deste filme era “Colpo Grosso a Eldorado”. Mas atenção, cambada de tarados sexuais: nada tem a ver com o “Colpo Grosso” que tinha gajas descascadas e que era apresentado por Umberto Smaila!

15/11/2016

Un bounty killer a Trinità (1972 / Realizador: Joe D'Amato)


A cidade de Trinitá vive momentos dramáticos. O banco foi assaltado, todos os carregamentos de ouro são constantemente roubados, o xerife da cidade vive acagaçado e o exército não pode fazer nada porque está ocupado na guerra contra os índios. Os cidadãos mais influentes da cidade reúnem-se e mandam chamar o xerife federal de Dallas. Mas o “temível” xerife é um velho jarreta que facilmente cai na esparrela que nem um passarinho! Os bandidos, liderados pelos irmãos Sancho e Paço Navajeros, contam com o auxílio secreto de Pizarro (Antonio Cantafora), membro do concelho de cidadãos de Trinitá e principal espião / chibo / bufo. Esta situação não pode continuar e um membro do comité contrata secretamente Alan Boyd (Jeff Cameron), um caçador de prémios extremamente caro mas extremamente eficaz. 

O especialista prepara os seus instrumentos de trabalho. 

Boyd não tarda a apresentar resultados: encomenda ao cangalheiro uma dose industrial de caixões, apresenta-se na cidade como (falso) agente de seguros e os muitos avisos de recompensas que tem dentro do bolso significam muitos cadáveres e… muita cheta! As ferramentas do seu trabalho incluem um Colt, uma Derringer, uma Winchester, uma caçadeira, dinamite e… uma besta!

Uma espécie de Guilherme Tell dos westerns.

Em apenas 80 minutos de filme este exército de um só homem vai entrar em ação e vai ser profissional até ao fim porque como dizia o outro: “Modéstia à parte… mas eu sou bom”! Jeff Cameron faz lembrar o personagem Sartana (chapéu preto, roupas elegantes, gravata vermelha) e Antonio Cantafora é o vilão de serviço com uma cabeleira vistosa, um grande bigode a condizer e umas patilhas à reforma agrária.

Os maninhos Navajeros. 

Aristide Massaccessi sempre foi respeitado enquanto diretor de fotografia (nomeadamente nos westerns de Demofilo Fidani). Ao assumir a cadeira de realizador trabalhou sob inúmeros pseudónimos mas foi sob o pseudónimo de Joe D’amato que alcançou a fama em géneros cinematográficos como o terror, o erotismo e a pornografia. Joe D’amato faleceu no dia 23 de janeiro de 1999.


09/04/2013

Il mio nome è Nessuno (1973 / Realizador: Tonino Valerii & Sergio Leone)

O projeto arrancou quando surgiu a Sergio Leone a ideia de adaptar para o cinema a epopeia homérica “A Odisseia”. Essa adaptação transformar-se-ia num western situado nos anos da Guerra Civil Americana. Mas o seu amigo Duccio Tessari já tinha realizado essa ideia em 1965 com “Il Ritorno di Ringo”, o que levou Leone a rever o seu projeto. Juntamente com Fulvio Morsella e Ernesto Gastaldi, o cineasta decidiu que o filme iria ter um novo rumo mas tinha de ser outra pessoa a ocupar a cadeira de realizador. O escolhido foi Tonino Valerii, jovem realizador muito competente já com alguns westerns de qualidade no seu currículo e colaborador de Leone nos seus dois primeiros westerns. 

O enredo sofreu muitas alterações e da ideia original a única coisa que permaneceu foi o nome “Ninguém” (uma clara alusão ao episódio homérico entre o herói Ulisses e o gigante Polifemo). O filme é a junção entre o western clássico americano e o novo fenómeno do western cómico italiano. Quem melhor para liderar ambas as vertentes do que Henry Fonda e Terence Hill, respetivamente? 


Apesar de ser uma produção cuidada, ter um orçamento generoso e ter sido um dos maiores sucessos de bilheteira dos westerns-spaghetti nos anos 70, não se livrou de alguma polémica e momentos de conflito entre Leone e Valerii. Uma das versões é que Leone, inicialmente, tinha pouco interesse no filme e, caso as coisas descambassem, faria como Pilatos e atirava toda a responsabilidade para cima de Valerii. Este, enxovalhado na sua honra, afirma que estava a fazer um belo trabalho. Leone ter-se-á apercebido disso e, após o sucesso nas bilheteiras, tentou divulgar a (falsa) ideia que tudo o que o filme tinha de bom foi graças à sua genialidade! De facto, Leone dirigiu várias cenas enquanto assistente de realização mas isso não é suficiente para dizer que o filme foi realizado por si. 


Tonino Valerii resume bem a situação: “Franco Giraldi era o assistente de Leone em “Per Un Pugno Di Dollari” e dirigiu praticamente metade das cenas incluídas na versão final! Mas ninguém diz que o filme é do Franco Giraldi! Por isso, “Il Mio Nome è Nessuno” é um filme de Tonino Valerii!” Creio que é claro para todos que Sergio Leone era um cineasta genial e deixou-nos obras magníficas que ficarão para sempre, mas neste caso estou do lado de Tonino Valerii. Leone exagerou no seu cinismo e maltratou o seu pupilo. Conclusão: tudo isto resultou numa rutura profissional e pessoal entre ambos. Foi-se a amizade… ficou a obra!


Lobbys germânicos:



Trailer: