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18/05/2020

Ed ora... raccomanda l'anima a Dio! (1968 / Realizador: Demofilo Fidani)

Ora então vamos lá a isto, só por causa das tosses! 

Este filme tem Jeff Cameron, Fabio Testi, Ettore Manni, Cristina Penz e Dennis Colt? Sim. 

Este filme tem cenas recicladas de outros westerns? Sim. 

Este filme é uma produção de baixíssimo orçamento e meios limitadíssimos? Sim. 

Este filme tem inúmeras cavalgadas, única e exclusivamente para ter mais minutos de projeção? Sim. 

Este filme tem várias cenas de sopapada no saloon, as habituais garrafas a voar, espelhos partidos, mesas e cadeiras feitas em cacos? Sim. 

Então este filme é obviamente realizado pelo grande Demofilo Fidani? Sim. 

Misteriosos pistoleiros ameaçam uma família.

Há alguma coisa fora do normal neste western “Fidaniano”? Sim, há. 

E o quê, concretamente? A presença do ator Mohammad Ali Fardin, ou apenas Fardin, para os amigos. Saiu do anonimato através do desporto (luta-livre), venceu a medalha de prata em Tóquio em 1954 e foi um carismático ator nos anos 1960 no Médio Oriente. Tinha nacionalidade iraniana e este “Ed Ora… Raccomanda L’anima a Dio” é conhecido no Irão como “Mardaneh Bekosh”. 

Vais levar tantas nesses cornos!!

Em 1968, quando este filme foi produzido, quem mandava no Irão era o Xá. A Revolução Islâmica aconteceu em 1979, o Xá bazou para o Egito e o Ayatollah Khomeini tomou o poder. O país passou a chamar-se República Islâmica do Irão, os fanáticos religiosos passaram a mandar em tudo e, claro, deram cabo daquela merda toda! 

Fardin extremamente irritado!

Fardin assistiu a tudo isto. Faleceu no dia 6 de abril de 2000 aos 70 anos de idade em Teerão. 

25/04/2020

5 westerns-spaghetti para ajudar a superar a quarentena - Vol.3

Como sabemos, por causa do coronavírus, vulgo COVID-19, a população tem de ficar em casa e respeitar a quarentena. Já que algumas das palavras de ordem são “confinamento”, “isolamento social” e “restrições”, eis um punhado de westerns-spaghetti que remetem para locais fechados, ambientes claustrofóbicos e situações de isolamento. Com estes cinco filmes, vão ver que, afinal, ficar em casa a ver cinema é algo extremamente bom e enriquecedor! Aproveitem!

1. Dio non paga il sabato (1967 / Tanio Boccia) 

Um grupo de bandidos assalta uma diligência e refugia-se numa cidade-fantasma. Têm de passar vários dias juntos até que as autoridades desistam de os procurar. Será que os gatunos vão ter paciência para se aturar uns aos outros?
[resenha aqui]

2. Il venditore di morte (1971 / Enzo Gicca Palli)

O detetive / pistoleiro Silver é contratado para desvendar estranhos homicídios numa cidade cheia de puritanos. Os habitantes dessa cidade parecem saber mais do que aquilo que apregoam! Quantos assassinos há, afinal? Quem é culpado e quem é vítima?
[resenha aqui]

3. E Dio disse a Caino... (1969 / Antonio Margheriti)

Dez anos de xadrez não saciaram a sede de vingança de Gary Hamilton! Conseguida a liberdade, Hamilton volta a casa para ajustar contas com Acombar, o homem que o tramou. Numa cidade completamente cercada, uma terrível noite de tempestade é tempo suficiente para Hamilton matar todos os pistoleiros, fritar Acombar em lume (nada) brando e ainda pregar uma chapada na cara da voluptuosa Maria!
[resenha aqui]

4. Prega il morto e ammazza il vivo (1971 / Giuseppe Vari)

Dan Hogan e as suas bestas roubaram um valioso carregamento de ouro. Escondem-se numa pousada isolada antes de fugirem para o México. Os Rangers percorrem toda a região em busca do ouro e dos meliantes. O confinamento de todas as pessoas que estão na pousada decorrerá sem problemas?
[resenha aqui]

5. Quel maledetto giorno d'inverno... Django e Sartana ...all'ultimo sangue! (1970 / Demofilo Fidani)

O pistoleiro Django e o xerife Sartana estão em Black City. A cidade é ameaçada pelos jagunços de Bud Willer em parceria com os bigodudos de Paco Sanchez. Quase toda a ação acontece na cidade, principalmente os sangrentos duelos ao alvorecer, naquelas ventosas e geladas manhãs de inverno!

15/10/2018

Prega Dio... e scavati la fossa (1968 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Ainda hoje este filme é um aglomerado de interrogações, dúvidas e contradições. Não se sabe se o filme foi realizado por Edoardo Mulargia ou se por Demofilo Fidani. A esposa de Fidani, Mila Vitelli, diz que o marido foi apenas produtor. O protagonista, Robert Woods, diz que foi Fidani quem realizou. Então, em que é que ficamos?! Não há certezas absolutas porque as várias fontes e os diversos depoimentos registados são muito contraditórios. Eu acredito que Mulargia tenha dirigido mas Fidani prova que teve voto na matéria ao incluir alguns dos seus “afilhados” no elenco, nomeadamente Jeff Cameron, Simone Blondell, Cristina Penz e Celso Faria (e até o próprio Fidani fez um “cameo”).

O tema do filme é a época conturbada que se vivia no México do presidente Porfírio Diaz. Após muito tempo exilado nos Estados Unidos, Fernando regressa ao seu querido México. A sua família morreu mas o seu velho amigo Cipriano luta contra o sistema e é procurado pelos “federales”. Fernando quer liberdade e justiça. Cipriano quer continuar de rédea solta, ou seja, matar soldados e andar no gamanço.

O vaidoso Jeff Cameron exibe o cartaz de recompensa.

Don Enrique é o homem mais rico da região. Cipriano planeia raptar-lhe a filha. O melhor momento para isso é quando ela está na marmelada com o namorado. Don Enrique retalia que nem um touro bravo (de cabeça baixa e à bruta) e descarrega a sua fúria nos camponeses mexicanos, que não têm nada a ver com o assunto. Fernando não pode deixar que Cipriano continue a cometer crimes. Está na hora de lhe chegar a roupa ao pelo!

Robert Woods com um vistoso bigode à mexicano!

Os heróis neste tipo de westerns defendem sempre os mais pobres. Ao ver este filme o que me apetece dizer é que a dupla Mulargia / Fidani também foi solidária e apadrinhou um projeto pobre. Mas não… não é um filme disparatado e sem nexo! É apenas uma produção muito pobre.

05/03/2018

Per una bara piena di dollari (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

George Hamilton é um militar da Confederação que regressa a casa. A sua família foi assassinada e o seu rancho foi reduzido a cinzas. O único sobrevivente é Sam, um escravo negro que, mesmo após a Guerra Civil, quis continuar a trabalhar para a família Hamilton. Os cabrões que cometeram estes crimes andam aí! E quem é o mandachuva? O mexicano Tamayo ou o raivoso Hagen? George Hamilton vai em busca da verdade sem hesitar. A única pista, para já, é um relógio de bolso que toca uma suave melodia e que foi encontrado no meio dos escombros. O resto do mundo que se prepare porque agora George já só responde pelo seu nome de guerra: Nevada Kid.

Obra tipicamente fidaniana, “Per Una Bara Piena di Dollari” é um retrato fiel da maneira muito peculiar de como o realizador Demofilo Fidani fazia os seus westerns. Foi a segunda e última colaboração de Fidani com o ator Klaus Kinski (já tinham trabalhado juntos em “Giù La Testa… Hombre!”). Kinski era teimoso que nem um corno mas aparentemente respeitava Demofilo Fidani (pudera, o velhote tinha um físico que impunha respeito!).

Klaus Kinski está desconfiado!

O diretor de fotografia, Aristide Massaccesi (nome de guerra: Joe D’Amato), é que esteve quase a partir as trombas a Kinski. No último momento, Fidani meteu-se no meio da confusão e cada um foi para seu lado. Em privado, Kinski e Fidani tiveram uma conversa séria. Foi mais ou menos isto: “Klaus, a partir de agora ou fazes tudo o que te dizem para fazeres ou quem te parte o focinho sou eu! Chiaro?!” Foi remédio santo! A partir daí tudo correu lindamente e consta até que Klaus Kinski e Aristide Massaccesi se tornaram amigos.

Um churrasco à mexicana!

A lindíssima Simone Blondell, atriz e filha do realizador, fazia parte do elenco. Kinski, tarado sexual de primeira categoria, andava sempre com o ponteiro fora da braguilha mas não há qualquer registo sobre uma hipotética relação entre ambos. Nem mesmo na sua autobiografia, onde o irascível ator alemão se gaba constantemente das suas aventuras sexuais.

O acrobata Jeff Cameron.

Dezenas, centenas, milhares de gajas que Klaus Kinski papou! Se calhar, até metade do mundo marchou! E a outra metade não marchou porque começaram a dar-lhe cãibras, muito provavelmente! Enfim, Klaus Kinski era a personificação da hipérbole!


Mais alguma propaganda da época:


07/06/2016

Due once di piombo (1966 / Realizador: Maurizio Lucidi)

A vida dos habitantes de Houston tornou-se num pequeno inferno desde que a banda de Joe Clane assentou amarras, mas a sorte dos patifes vai mudar com a chegada de um novo rosto à cidade, Pecos! Este bizarríssimo pistoleiro mexicano terá sido porventura a personagem mais popular de todas as que o norte-americano Robert Woods protagonizou. O filme foi inicialmente concebido como capitulo único e foi inclusive testado com um final pessimista em que o herói sucumbia, mas segundo apurámos quando entrevistámos o actor, a prova feita num cinema de Nápoles serviu para redefinir o rumo da personagem, tal o protesto da audiência contra a falta de sorte do mexicano. A aceitação do filme acabaria por ser tal, que uma sequela oficial surgiria no ano seguinte (Pecos è qui: prega e muori). A realização de ambos ficou a cargo de Maurizio Lucidi, que apesar de ter por essa altura uma boa bagagem como editor, estreava-se aqui no filone. Lucidi presenteia-nos com um western violento, cheio de vilanagem bruta dos queixos, cortesia de gente como George Eastman (que se estreava no género), Peter Martell ou Sal Borgese, todos com um tempo de antena estupidamente curto, culpa do amigo Pecos!

Robert Woods é Pecos Martinez!

A trama não é ruim, mas é demasiado fácil colá-la ao seminal Per un pugno di dollari, senão vejamos. Em ambos um pistoleiro desconhecido chega à cidade, envolve-se com os pulhas locais, a páginas tantas leva um enxerto de porrada, mas depois de lamber as feridas volta para lhes limpar o sebo.

As reciclagens nos filmes italianos não são factor de estranhamento para gente vacinada, e a verdade é que a mesclagem aqui feita resulta decentemente. Talvez por isso, o filme conseguiu um encaixe anormal para o tipo de produção tão low budget. E por falar em colagens, mais descarada ainda é a fotocópia que Lallo Gori fez do hit “House Of The Rising Sun” dos The Animals, aqui transformado em “The Ballad of Pecos”, pela voz de Bob Smart. 

Eixo do mal: Pier Paolo Capponi, Peter Carsten, George Eastman. 

A personagem de Robert Woods tem tanto de interessante como de caricata. O tipo aparenta ser um um peone esfomeado, mas por andar armado é imediatamente conotado como encrenqueiro, «mel» para os «ursos» do povoado, está claro. Porém a chegada dele à cidade não é casual, Pecos tem a sua própria agenda e isso garantirá muito chumbo quente ao longo dos oitenta e tal minutos do filme.

O DVD da Koch Media vem com uma entrevista recente a Woods, nesta o actor afirma que só aceitou o papel no filme na condição de ser caracterizado de forma a assemelhar-se tanto quanto possível com um verdadeiro mexicano. Em vez disso a mim pareceu-me que o transformaram num pistoleiro de olhar vesgo. Felizmente não lhe fizeram assim tantos grandes planos às fuças e desta forma a coisa escorrega naturalmente.

Neste filme a máxima aplica-se: mulher sofre!

Curiosamente o mítico medium/realizador, Demofilo Fidani, senhor de uma obra incontestavelmente ruim, assumiu neste primeiro filme da saga Pecos, funções na equipe técnica. Também o estimado Joe D'Amato por lá se passeou de câmara na mão. Tudo gente que nos anos seguintes assumiriam a «vanguarda» do western-spaghetti  de série z. Já Maurizio Lucidi, abandonaria esta linha mais dura e a partir daqui enveredaria pelos tortuosos caminhos do western cómico (La più grande rapina del west, Si può fare... amigo). Lá chegaremos!

02/05/2016

Era Sam Wallash... lo chiamavano... 'E così sia'! (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Só no ano de 1971, Demofilo Fidani realizou cinco westerns! Foi o seu ano mais produtivo (em quantidade porque é qualidade isso é muito discutível). Vamos então ver o que nos reserva este filme: Numa noite tranquila, Sam Wallash e o seu irmão estão no saloon a beber o seu canudo de cerveja. Mash Donovan e a sua manada de jagunços entram no local à bruta, ajustam contas com o taberneiro e disparam sobre toda a gente. Sam escapa ao massacre mas o seu maninho foi com os porcos! O homem zanga-se (e com razão, porra!) e irá até ao fim do mundo para limpar o sebo ao cabeçudo do Donovan. Em Golden City, Donovan anda-se a pavonear feito fanfarrão perante tudo e todos até que correm notícias que um homem alto que escapou ao massacre na taberna é um tipo perigoso e que anda atrás dele. Donovan não admite baixar a crista e contrata mais pistoleiros para o protegerem. Na sua demanda vingativa, Sam “despacha” muitos rufiões mas não se livra de levar umas mocadas nas ventas de vez em quando.

Porrada que até cria bicho!

Embora seja muito hábil no gatilho, Sam tem um trauma antigo e extremamente bizarro: tem pavor de portas a bater! Porquê? Como é habitual nos westerns de Demofilo Fidani a capacidade de estender, prolongar e desenvolver o enredo é muito reduzida e por isso há que “encher chouriços”. Como? Incluindo as habituais cenas de pancadaria no saloon, um combate de boxe e cavalgadas de um lado para o outro apenas para ter mais alguns minutos de projeção para chegar perto da hora e meia de filme previamente estabelecida.

Donovan e os seus jagunços.

O americano Robert Woods é o protagonista. Dean Stratford, Dennis Colt e Simone Blondell são os antagonistas. O competente diretor de fotografia Franco Villa e o compositor Coriolano “Lallo” Gori fazem um bom trabalho, como sempre. O confronto final entre herói e vilões nas dunas de um deserto é um excelente momento e a aparição de uma metralhadora é um ótimo trunfo! Nota de destaque para um hilariante (e absurdo) momento com Gordon Mitchell, Peter Martell e Lincoln Tate, que se apresentam como implacáveis pistoleiros e depois… nunca mais aparecem no filme! Infelizmente, e como seria de esperar, não há DVD deste filme à venda e está na hora de mudar essa situação! Portanto, faço aqui um apelo a todos os fãs de Demofilo Fidani (onde eu estou incluído, naturalmente) para gritar isto alto e bom som: “Fidanianos de todo o mundo… uni-vos!”

15/12/2015

Passa Sartana... è l'ombra della tua morte (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)

Parece impossível mas é verdade: o realizador Demofilo Fidani fez este filme em seis dias! Seis dias!! Segundo reza a lenda o cineasta tinha o projeto em mãos mas estava completamente falido. Juntou toda a equipa técnica e os atores (ou melhor, os duplos e os figurantes) e prometeu pagar-lhes depois de fazer o filme. Toda a gente compreendeu a situação e todos trabalharam com o empenho habitual. O título deste filme em Portugal é “Sartana Contra Todos”. O título é mais do que adequado porque é exatamente isso que acontece em todo o filme. Ninguém escapa a Sartana!

Sartana e o seu pistolão!

Onde quer que o homem vai, por todos os sítios por onde passa… é só cadáveres a rebolar pelo meio do chão e cacetada de criar bicho! Todos os malandros, piratas, trafulhas, vigaristas, batoteiros e assassinos que se cruzam com Sartana são automaticamente varridos pela sua pistola ou pelos seus punhos de aço (a bem da verdade diga-se que a maioria manda umas trombas tão feias que realmente merecem um tiro naqueles cornos)!

Cortaram o pio a Simone Blondell.

Mas porque é que o famoso justiceiro do Oeste anda a fazer isso? A resposta é simples: as autoridades estão aflitas porque não conseguem estancar o elevado número de crimes na região (homicídios, raptos, assaltos). Há pânico, morte e caos por todo o lado! A lei tem de agir! O xerife e os altos responsáveis pela cidade são forçados a tomar medidas extremas para acabar com o problema.

Sartana atravessa o deserto.

A solução chama-se Sartana, o famoso pistoleiro que, por razões obscuras, é agora um fora-da-lei. Convocado à cidade, é pedido a Sartana que trate da saúde a toda a escumalha que anda por aí. A recompensa pelo trabalho será um prémio em dinheiro e o perdão oficial das autoridades. Sartana monta-se no cavalo, passa por várias localidades, saloons, desertos, cidades fantasma e tudo o que apanhou pela frente foi derretido.

Dino Strano já está à rasca!

Alguém sobreviveu a Sartana? Não. O trabalho foi bem executado? Sim. Demofilo Fidani assina mais um western violento a preço de saldo? Sim. E este Jeff “Sartana” Cameron? É o homem certo para o papel? Na minha modesta opinião a resposta é “sim”. E porquê? Porque Fidani não pode ter um Sartana elegante à Gianni Garko. Com Fidani, o Sartana à Jeff Cameron trata do assunto à bruta porque este Sartana é bruto dos queixos! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é duro que nem um calhau! Aliás, o Sartana à Jeff Cameron é rijo que nem um corno!

28/07/2015

...e vennero in quattro per uccidere Sartana! (1969 / Realizador: Demofilo Fidani)


Imaginemos este cenário: dois amigos encontram-se. Ambos são fãs de westerns-spaghetti e estão num local a beber uns copos. Eis a conversa:

- Então pá, já viste o Sartana do Demofilo Fidani?
- Sartana? Qual deles? Não são dois?

- Sim, são dois. É aquele protagonizado pelo Jeff Cameron.
- Mas não são os dois com o Jeff Cameron?

- Pois é, tens razão! As minis já me estão a fazer efeito!
- Bebe mais um copo que isso passa!


Uma donzela ameaçada.

- Dizia eu que o filme do Sartana é aquele em que aparecem quatro indivíduos para matar o Sartana.
- Ah, esse! Não, ainda não vi. É bom?

- Para quem gosta de westerns-spaghetti de série B não é mau.
- E quem são afinal esses quatro indivíduos que querem matar o Sartana?

- São quatro mercenários. Foram pagos por um tipo misterioso para limpar o sebo ao Sartana.
- Mas porquê? O Sartana fez mal a esse gajo?

- O gajo tem medo que o Sartana estrague os seus planos de rapto, extorsão e homicídio.
- Ele devia ter medo das autoridades em vez de ter medo do Sartana.

- Pelos vistos as autoridades pediram ajuda ao Sartana, já que o homem sabe o que faz quando se trata de despachar assassinos e vigaristas.
- Lá isso é verdade!

- Mais uma rodada, se faz favor! Certo?
- Sim, venham elas!


Este isqueiro funciona bem!

- Como estava a dizer, o Sartana foi contratado pelo xerife para descobrir quem é o cabecilha deste complô e tem carta branca para fazer o trabalho.
- Já estou a imaginar balázios com fartura e sopapada que até ferve!

- Pois está claro! Isto é um western do Fidani, não é uma daquelas xaropadas “artisticamente bem estruturadas”!
- Artisticamente? “Vade Retro”, Satanás!!

- “Vade Retro”, não! Venham mas é mais umas fresquinhas, só por causa das tosses.
- Se faz favor! Mais do mesmo!

- E dizia eu que esse tipo misterioso…
- Mas é misterioso porquê?

- Porque fala com os seus capangas por trás de um quadro na parede. O quadro tem dois furos de onde só se vê os olhos.
- É estranho, realmente…

- E quando contratou os quatro mercenários para matarem o Sartana o gajo usou sempre uma capa preta, uma peruca comprida, um chapéu e nunca se vê a cara.
- E quem são esses quatro mercenários?


Estás arrumado, sacana!

- Um é pugilista, outro anda com um chicote, outro é um “naifas” e o último é um pistoleiro que nunca dispara pelas costas.
- Está visto que não vai ser pera doce para o Sartana.

- Provavelmente. Terás de ver o filme para confirmar.
- Há algum DVD deste filme à venda?

- Infelizmente, não.
- Nem sequer na Alemanha ou na Itália?

- Não. Até à data ainda não. Em lado nenhum.
- É pena senão até comprava. Enfim, terei de ver o filme no computador. O ficheiro que tenho tem uma qualidade de imagem fraca mas é o que há.

- Bebemos mais uma, para a despedida?
- É capaz de ser melhor.

- Se faz favor! Duas!
- Quantas é que já bebemos hoje?


Quem será o misterioso vilão?

- Nem sei. Já lhe perdi a conta.
- Não devem ter sido poucas.

- Porquê?
- Porque tanto paleio sobre um filme do Fidani só pode ser obra de tontos e de fracos do sentido.

- Alto lá! Eu não sou fraco do sentido!
- E tonto?

- Também não!
- Então já sei! Há um outro tipo de pessoas que falam dos westerns do Fidani como se de um génio se tratasse.

- Quem? Não conheço ninguém assim.
- Conheces, conheces.

- Quem?
- Alguém que anda na blogosfera a debitar baboseiras há mais de seis anos. Todos os meses escrevem baboseiras diferentes.


Sartana é rápido a sacar.

- Mas quem é essa gente?
- A equipa do blogue “Por Um Punhado De Euros”.

- Ena pá, essa dupla! Aqueles gajos não regulam bem, pois não?
- Quase de certeza que não. Quem é que no seu perfeito juízo tem um blogue sobre westerns-spaghetti? Hoje em dia os blogues de cinema são modernos e falam de temas modernos…

- Mas esses dois são da velha guarda, não são?
- São. Eles são tão antigos que, além de escreverem sobre filmes antigos, até compram DVD originais!

- É incrível! Isso já não se usa!
- E então, bebemos mais uma ou vamos embora?

- Vamos embora. A carga que levamos hoje já é mais do que suficiente…


07/07/2015

Filme completo | Per una bara piena di dollari (1971)


Ao regressar da Guerra Civil, John Hamilton encontra a casa destruída e a família assassinada. Decide então dar caça aos bandidos responsáveis pelo feito. É assim o cinema low budget do prolífico Demofilo Fidani, o mais amado dos odiados do cinema italiano. O filme está disponível no Youtube, atrevam-se!

10/02/2015

Giù le mani... Carogna! (Django Story) (1971 / Realizador: Demofilo Fidani)

Certa noite, num saloon do Velho Oeste, está o jovem Wild Bill Hickok a beber uma fresquinha. Tudo está calmo e tranquilo. Um homem misterioso entra no saloon, senta-se e também bebe uma caneca para matar a secura. O homem está todo vestido de negro, o seu bigode e os seus cabelos grisalhos indiciam que se trata de um indivíduo idoso, fisicamente debilitado (traz uma bengala) mas o seu olhar é sinistramente lúcido e perspicaz. Num ápice rebenta uma violenta discussão entre alguns clientes do saloon e começam a zunir murros, pontapés, cabeçadas, garrafas partidas e mesas desfeitas! A discussão alarga-se ao jovem Hickok e ao velho coxo, que prega umas bengaladas em alguns mariolas. Subitamente, o xerife aparece e põe ordem na confusão. Leva para o xadrez todos os palhaços que começaram a briga deixando Hickok e o velho a sós no saloon.


Feitas as apresentações, Wild Bill percebe que tem perante si Django, o célebre pistoleiro e caçador de recompensas mais famoso do Oeste. Ambos vão passar todo o serão à mesa a comer, a beber e a conversar porque Hickok quer ouvir de Django todas as aventuras que viveu quando este era mais novo e como eliminou todos os seus temíveis inimigos ao longo da sua carreira de pistoleiro. Este foi o último western de Demofilo Fidani, um cineasta que fazia filmes à velocidade da luz.

Rezam as crónicas que alguns westerns que realizou foram rodados em poucos dias! Os cenários e os locais não variavam muito e os atores e técnicos não variavam nada porque era gente de confiança (praticamente como uma família). Fidani era um tipo engenhoso porque fazia muitos westerns quase sem dinheiro. Para este filme o que é que o homem fez? Pegou em cenas dos seus westerns anteriores, editou-as como quis e colou-as às novas cenas filmadas de propósito para este filme (nomeadamente todas as cenas que incluem Wild Bill Hickok e o grisalho Django).


Para quem não é muito exigente a montagem final escapa mas há, de facto, várias falhas como é apanágio das produções da Tarquinia Films. O elenco é mais do mesmo: Jerry Ross como Wild Bill Hickok, Gordon Mitchell como Buck Bradley, Dennis Colt num duplo papel dos irmãos Manuel e Paco Sanchez, Dean Stratford como Dean O’Neil e à cabeça temos Hunt Powers a interpretar um Django velho, coxo, quase reformado mas ainda com genica para disparar uma arma ou partir o focinho a uma súcia de malandros com a sua terrível bengala! Aconselhável única e exclusivamente para malucos como eu (“mea culpa, mea culpa”) que gostam de Demofilo Fidani e das suas produções rascas.

Mais algum material promocional:


Trailer: