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16/06/2014

Straniero... fatti il segno della croce! (1968 / Realizador: Demofilo Fidani)


"Straniero... fatti il segno della croce!" foi o primeiro filme assinado pelo infame Demofilo Fidani, aqui escamoteado sob o seu pseudónimo mais reconhecido: Miles Deem. Mas também há quem defenda que tenha sido o seu segundo, uma vez que "Prega Dio... e scavati la fossa" terá sido realizado por si e não por Edoardo Mulargia como indicam os créditos do dito. O nome - Fidani - vêm normalmente associado a cinema de qualidade duvidável, e sim é verdade que muitos dos seus filmes não vão lá nem com molho de tomate. Normalmente estaria por isso aqui a falar-vos-ia sobre a falta de sequência narrativa, sobre a imbecilidade da câmara tremula, sobre as interpretações medíocres, mas não posso. É que ao contrário da esmagadora maioria dos filmes do seu cardápio, este aqui é incrivelmente satisfatório e quase isento de lacunas. Porra, vou admitir, gostei bastante!

O trabalho de câmara foi porventura aquilo que mais me surpreendeu pela positiva. Ao que parece a função foi iniciada pelo reconhecido Franco Villa (Prega il morto e ammazza il vivo, Due once di piombo) mas segundo rezam as más línguas, o tipo desertou para outra produção e foi o então jovem Joe D'Amato que tratou do assunto, e bem na minha modesta opinião. Curiosamente Amato faz ainda um pequeno cameo no séquito de grunhos do filme. Grupinho onde que se lista um elenco de luxo: Fabio Testi, Dino Strano, Jeff Cameron, etc. Tudo gente que haveria de se tornar presença habitual nas produções da famosa Tarquinia Internazionale.


A história é bem simples mas coerente e bem ritmada. Sem perder muito tempo somos levados a seguir as actividades de um bando de patifes (ladrões de bancos, sallons e afins). Na pista desses segue um pistoleiro em busca do dinheiro das recompensas, e um coxo em busca de vingança. Lembra-vos alguma coisa, não? Apesar do mote sério que o filme lança, também aqui e ali já se incluem algumas alusões ao western cómico que seria popularizado nos anos seguintes graças ás personagens de Giuliano Carnimeo (Halleluja) e Enzo Barboni (Trinita). Contem por isso com alguns gadgets e parvoíces em doses moderadas. 

Charles Southwood fez aqui a sua primeira aparição na grande tela, interpretando o caçador de recompensas de identidade desconhecida. Ao bom estilo de "Per qualche dollaro in più", no final  também ele abandonará a cidade carregado de cadáveres. Como habitual, o actor americano não desiludiu na sua interpretação e não admira por isso que tenha sido depois chamado a participar noutros spaghettis mais bem financiados. Com Mario Bava faria "Roy Colt & Winchester Jack", e com Carnimeo popularizaria o estranho cossaco de "Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja" ou o trapaceiro mariconço, Sabbath, de "C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara!".


Inevitavelmente a história recordará Fidani como realizador de meia tigela, mas a equipa deste blogue tem conferido a filmografia do homem e avisa-vos já que esse  juízo pode ser demasiado precipitado. Claramente antes de enveredar nas suas famosas patifarias cinematográficas, o homem dava o litro e se perderem o vosso tempo com ele, encontrarão dois ou três filmes que poderemos considerar na média do género. Este é um deles, sejam valentes e vejam-no!

22/05/2012

Fora de tópico | Lançamento "Die Koch Media Italowestern-Enzyklopädie No. 1"


Em Julho chegará ás lojas o primeiro número da "Italowestern-Enzyklopädie No. 1", um lançamento da Koch Media. A espectacular colecção arco-íris que a editora alemã tinha vindo a lançar, parece ter sido definitivamente cancelada mas felizmente a editora continuará a colocar mais títulos do género no mercado. Uma óptima noticia para os fãs do género pois é sabido que os seus lançamentos são por regra extremamente cuidados.

Este primeiro volume da colecção irá agrupar 4 títulos, a saber: "I vigliacchi non pregano", "...e per tetto un cielo di stelle", "Gentleman Jo... uccidi" e "Roy Colt e Winchester Jack". Deste lote destacamos o primeiro, nele encontramos uma das melhores interpretações do habitué Gianni Garko - aqui num papel algo psicótico, bastante diferente dos filmes da saga Sartana.

A edição será limitada e estará à venda através do site da editora e demais lojas virtuais.

25/10/2011

Dai nemici mi guardo io! (1968 / Realizador: Mario Amendola)

No pós guerra civil, Alan Burton (Charles Southwood) vagueia pelo deserto com uma sela ás costas. Ao longe avista uma diligência que aborda e a troco da sua sela consegue autorização para subir e seguir viagem. Eis que pouco depois, um grupo de homens a cavalo ataca a diligência. O objectivo dos agressores é sequestrar um dos passageiros, um militar do derrotado exército sulista. Escamoteando-se habilmente, o nosso herói acidental consegue abater os delinquentes a tiro de Winchester.

No meio da troca de balas também o Major acaba por ser baleado, mas antes de morrer transmite um rico segredo a Burton. Um valioso tesouro confederado fora refundido e para determinar o seu paradeiro será necessário possuir três moedas de dólar muito especiais. Nestas estão estampados os códigos que determinam a localização exacta do lote. Burton lança-se então na busca das outras duas moedas.


As reminiscências a “Il buono, il brutto, il cattivo” são óbvias. Temos um tesouro escondido e imaginem só, três tipos atrás dele (um gringo, um mexicano de intenções dúbias e um mauzão que por breves momentos até une esforços com os bonzinhos da fita). E como se não bastasse temos também um Charles Southwood que aqui e ali replica o modus operandi usado por Clint Eastwood na trilogia do «Homem sem nome». A versão dobrada em Inglês que tive a oportunidade de assistir comprova-o. Mas desenganem-se, este “Dai nemici mi guardo io!” fica a léguas da qualidade do terceiro western de Sergio Leone.

“Dai nemici mi guardo io!” (também conhecido como “Three Silver Dollars”) foi até ver o único filme realizado por Mario Amendola que assisti. Todavia mesmo que não lhe possa exigir créditos na cadeira de realizador confesso que esperava muito mais de uma pessoa envolvida nos argumentos de alguns westerns-spaghetti que bastante aprecio – “Il grande silenzio” ou “Winchester, uno entre mil” – mas que afinal aqui se limitou a recontar mais uma caça ao tesouro no oeste selvagem. Espalhando-se ao comprido na abordagem sobre a ganância humana.


No campo das interpretações a coisa não corre muito melhor, especialmente ao nível dos chamados «extras», que diga-se são mesmo muito pouco convincentes. Para nosso contentamento, ao menos a estrela do cartaz – Charles Southwood – garante os requisitos mínimos do pistoleiro sedento por ouro. Esta foi apenas a sua segunda aparição no cinema, na primeira fora curiosamente dirigido pelo amado/odiado Demofilo Fidani. Na verdade Southwood não faria grande carreira no cinema, mas apesar do curto portfolio haveria de ganhar alguma fama graças ás bizarras personagens que interpretou nos westerns de Giuliano Carnimeo (“C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara” e “Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja”).

Actualmente “Dai nemici mi guardo io!” apenas está editado no mercado germânico, o DVD segundo consta é de fraca qualidade pelo que esperemos que uma cópia decente surja num futuro breve. Enquanto isso não acontece resta-nos aproveitar as maravilhas do mundo digital, que vai disponibilizando algumas versões ripadas das velhinhas cassetes de VHS.



Eis mais algumas imagens do filme, porque vale a pena contemplar Alida Chelli, filha do maestro Carlo Rustichelli:



06/12/2010

C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara (1970 / Realizador: Giuliano Carnimeo)


Esta foi a primeira e única incursão de George Hilton na personagem Sartana, em substituição do seu colega e amigo Gianni Garko. Mas se no papel principal existiu esta alteração substancial, já não se pode dizer o mesmo da generalidade do elenco e equipa técnica, onde se passeiam alguns dos habituais contratados de Giuliano Carnimeo. Talvez pela ausência de Garko nas vestes de Sartana, "C'è Sartana... vendi la pistola e comprati la bara" tem sido o mais negligenciado dos filmes da franquia. Pessoalmente acho um desprestígio para com o trabalho de Hilton, que me parece irrepreensível no papel, encarnando com bastante naturalidade a elegância da personagem. Hilton que continuaria num futuro muito próximo a trabalhar com Carnimeo, noutra das mais memoráveis e divertidas personagens do western-spaghetti: Aleluia!


De uma cidade mineira saem constantemente carregamentos de ouro, mas as carroças nunca chegam longe porque um grupo de bandidos mexicanos a mando de Mantas (Nello Pazzafini) lhes deita sempre a mão. Sartana assiste a um desses ataques enquanto toma o seu pequeno-almoço. Abelhudo como de costume, o nosso herói rapidamente descobre que os sacos contêm afinal areia e que afinal o responsável pelos transportes para fora da cidade está feito com os bandidos mexicanos. Visto está, que ao nível do argumento pouco ou nada se acrescentou aos títulos anteriores, no entanto este filme merece uns créditos adicionais pelo belo trabalho de imagem desempenhado pelo habitué do género Stelvio Massi (Il prezzo del potere, Testa t'ammazzo, croce... sei morto... Mi chiamano Alleluja).

Ao nível das engenhocas também não surgem grandes novidades, mas as cenas impossíveis à moda de James Bond continuam recorrentes. Logo no inicio do filme o realizador tem a ousadia de introduzir uma cena em que Sartana arremessa um cantil de água que alveja no ar, este por sua vez verte o seu conteúdo em cima de um pacote de dinamite apagando o rastilho. Tudo isto segundos depois de os responsáveis pela dinamite cavalgarem do local, sem que se apercebessem da ausência de uma explosão! Uma parvoíce? Talvez, mas sobretudo um indício de que o spaghetti-western estava a mudar. Em breve seria essa vertente cómica e non sence a tomar conta do género, vertente de que Giuliano Carnimeo também teve a sua cota de responsabilidade.


Em Portugal tal como em muitos outros países a personagem Sabata foi acrescentada às “gordas” do cartaz (titulo nacional: “Sartana desafia Sabata”), isto sem que a personagem figurasse por aqui. Aparece sim, um tal Sabbath (Charles Southwood) em nada comparável ao Sabata encorpado por Lee Van Cleef. Obviamente que foi um erro propositado para aumentar o interesse pelo filme, mas a mim não me agradou a ideia.

Os interessados em possuir “C'e Sartana… Vendi la pistola e compra la bara” têm varias opções no mercado de vendas online, sobretudo através das compilações de baixo preço de editoras como a Pop Flix (“Gunslinger Western Collection”), Mill Creek Entertainment (“Spaghetti Westerns”) ou da VideoAsia (“Spaghetti Western Bible Vol. 2 – Sartana: The Complete Saga”). Todas elas contam com o filme num formato 4:3 que não será por certo dos mais desejados, mas ainda assim para aqueles que querem realmente ter acesso à totalidade dos filmes oficiais da franquia (e mais alguns dos não oficiais) sem terem de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional, recomendo a aquisição da edição da VideoAsia.


Os nossos amigos alemães resolveram trocar Sartana por Django, eis mais alguns lobby cards:



Trailer: