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11/06/2019

...e lo chiamarono Spirito Santo (1971 / Realizador: Roberto Mauri)

Por alguma razão vi o segundo filme desta trilogia antes do seu predecessor, tal a qualidade dessa zurrapa demorei anos a arriscar voltar à saga, mas fi-lo um dia destes e afortunadamente tenho de reconhecer que este primeiro filme é bastante superior. Tem menos traços de paródia, um andamento razoável e sobretudo actuações muito aceitáveis. No elenco encontramos: Jack Betts a empoçar a bigodaça mais épica do western europeu; Mimmo Palmara que não falha quando o põem a fazer de índio (ora lembrem-se lá do clássico “Black Jack”); José Torres num papel completamente tresloucado (bem sei que fez muitos, mas quem imaginaria um padre homicida?) e o “mocinho” de serviço é Vassili Karis: nada mais nada menos que o dono dos ponchos mais ridículos do western-spaghetti.

Uma mulher entra em trabalho de parto, há dor, há choro, mas logo chega a alegria: “é um rapaz!”. Um olhar breve pela janela revela uma pomba branca e alguém grita: “Espírito Santo!”. E assim se faz a ponte mais foleira que se poderia imaginar com a personagem popularizada  pelo filme de Giuliano Carnimeo e interpretada pelo nosso favorito Gianni Garko. 

Vassili Karis, além de protagonizar ainda tratou do recrutamento do elenco.

Anos mais tarde encontramos novamente Spirito Santo (Vassili Karis), agora a vergar o aço num campo de trabalhos forçados de onde será liberado por acção de um tal Foster (Jack Betts), que pretende impingi-lo na participação a um assalto a um carregamento de ouro. A equipa forma-se e o golpe dá-se, mas um dos comparsas - o padre Steve (José Torres) - tem um surto psicótico e dizima uma quantidade avassaladora de militares com a sua metralhadora. Padre que é padre não sai de casa sem ela, certo?! 

Com padres destes não me apanham na missa.

E pronto, já adivinharam, quem amocha com as culpas de tudo isto e mais um par de botas é o nosso amigo Spirito Santo, que acabará por ter de confrontar os seus ex-parceiros e ainda livrar-se de um xerife mestiço (Mimmo Palmara) que o persegue por motivos alheios a este imbróglio. Motivações que terão de conferir vocês mesmos, para não entrar aqui em modo spoiler total.  

O cachet do Jack Betts foi todo para aquela bigodaça.

Rodado quase totalmente na região de Manziana (Itália), o filme peca evidentemente pela falta dos grandes planos proporcionados pelas co-produções ítalo-espanholas, mas esqueçamo-nos disso. É uma história simples e coerente que não sofre dos sobressaltos habituais das produções de menor orçamento que o género produzia nestes inícios de setenta. Até ver arrisco-me mesmo a dizer que é o meu spaghetti favorito da safra do siciliano Roberto Mauri. Portanto, larguem lá os centos de filmes de super-heróis e as séries da moda que os grandes estúdios vos tentam enfiar pela goela e arrisquem algo completamente diferente!

24/07/2018

Il bello, il brutto, il cretino (1967 / Realizador: Giovanni Grimaldi)

Antes da chegada de Trinitá e Bambino ao oeste selvagem, já havia uma dupla a abrir sorrisos nas plateias europeias (e não só): Franco Franchi e Ciccio Ingrassia. Tal como acontece hoje em dia, com as réplicas bollywoodianas, era prática nos idos de sessentas/setentas meter estes dois sicilianos a protagonizar versões parodiadas dos sucessos de bilheteira de então e o filão do western-spaghetti não foi excepção. A fórmula era quase sempre a mesma, comédias estúpidas com os dois a fazerem invariavelmente cara de parvos, Franco Franchi a ganhar neste campeonato a dois, diga-se. A coisa funcionou de tal forma, que nos bons tempos estreavam uma dezena de filmes por ano!


Dificilmente encontraremos alguém que tenha vivido nesses anos que tenha passado incólume ao sucesso da dupla. Mas nem tudo são rosas e a comédia como se sabe é um género que sofre bastante com o passar dos anos, e actualmente a generalidade dos seus filmes têm um travo extremamente datado.

Mimmo Palmara explica o poder da sedução!

Ora neste capítulo dessa longa parceria, aparece-nos um velho conhecido no cargo de realizador, Gianni Grimaldi (StarblackAll'ombra di una coltCuatro dólares de venganza). Aqui encarregue de parodiar livremente o mega sucesso “O bom, o mau e o vilão” de Sergio Leone. A trama é decalcada de uma forma quase assustadora, substituindo apenas algumas peças do puzzle. A Franco cabe o papel de um caçador de recompensas, e a Ciccio o de bandido.

Dois palermas, ou não fossem eles de Palermo.

Juntos têm um esquema para recolher o dinheiro da recompensa e dar de frosques do local. Até que um dia dá o tremelico a Franco e a corda não parte. Mas ainda assim, o bandido escapa da morte certa e culpabiliza o ex-comparsa pelo feito, punindo-o com uma passeata pelo deserto. Só que em vez de lhe provocar uma insolação, é ele que apanha uma congestão pela barrigada de água que foi bebendo pelo caminho. E com esta já perceberam o nível do filme. Encontram então um sargento sulista que lhes confia duas partes de um segredo, o paradeiro de um tesouro enterrado, surpresa?! Os dois decidem dividir o soldo mas como é óbvio há mais um peão neste jogo, o bonito!

03/11/2015

...e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile (1972 / Realizador: Antonio Secchi)

Este é o primeiro e único filme de Antonio Secchi, Genovês responsável pela fotografia de uma mão cheia de westerns-spaghetti de belo efeito, incluindo os muito recomendáveis “Un dollaro bucato”, “Quién sabe?” e “Sentenza di morte”. Mas para azar de todos a perícia de Seccchi com a câmara não acompanhou as necessidades da realização, não admirando por isso que não tenha voltado a sentar o «próio» na cadeira de realizador. Situemo-nos: estamos já nos anos setenta e não há muito dinheiro nem tempo a perder nas rodagens. A acção do filme gravita em redor de um tipo chamado Jerusalém, uma versão muito desinspirada de um Aleluia (George Hilton) ou de um Trinitá (Terence Hill), um lugar-comum nestas paródias dos anos setenta.

 Anos setenta, tempo de dizer adeus aquelas belas paisagens de Almeria (Espanha).

O papel de Jerusalém coube a outro «desaparecido em combate» do cinema: Scott Holden, filho de William Holden, esse sim estrela maior de filmes como o super clássico “The Wild Bunch” de Sam Peckinpah. Jerusalém e o pai, um velho bandido agora reformado e desacreditado, aceitam a arriscada tarefa de transportar um carregamento de ouro até ao Fort Edward, chefiado pelo general confederado Briscott (mais uma breve participação do francês Philippe Leroy). Mas nessa arriscada aventura não serão poucos os que lhes tentarão rapinar o soldo.

Ainda que o título original do filme seja “… e alla fine lo chiamarono Jerusalem l'implacabile”, artifício pomposo e claramente decalcado de um sem número de outros westerns europeus que o precederam. Este é conhecido internacionalmente por algo que poderemos livremente traduzir como “Frigideira calibre 38”, o que diz bastante sobre qual a arma de eleição do nosso herói de ocasião. Esperem por isso muita galhofa idiota e pouco tiroteio! 

 Giorgio Trestini interpreta Bobo, uma brutamontes claramente influenciado por Bud Spencer.

Dizem por aí que não devemos julgar os livros pelas capas, mas seria estúpido se não tivesse feito neste caso. Não, não fui ao engano e só acabei por confirmar aquilo que já desconfiava, é mais um western de fim de época, mal feito, sem piada e ideal para nos embalar no sono. Comigo funcionou… Zzz!

18/08/2015

Vivo per la tua morte (1968 / Realizador: Camillo Bazzoni)

O protagonista deste filme é um homem que dominou completamente o cinema de ação na Itália entre 1958 e 1963. Este homem não era europeu. Nasceu nos EUA, cedo começou a interessar-se pelo desporto e pela atividade física em geral e alcançou a glória por mérito próprio. Quando se iniciou na alta competição, este indivíduo demonstrou a tudo e a todos que com empenho, com muito trabalho e com uma atitude positiva os resultados podem ser alcançados. O mundo do culturismo rendeu-se a seus pés quando se sagrou campeão americano em 1947, Mister Mundo em 1948 e Mister Universo em 1950. Foi uma questão de pouco tempo para se aventurar na Sétima Arte. Em Hollywood apenas protagonizou papéis irrelevantes (um deles num filme do célebre realizador Ed Wood) e decidiu atravessar o Oceano Atlântico e tentar a sua sorte no Velho Continente.

 "Banhos de sol" forçados.

Em boa hora o fez! Naquele tempo, o cinema italiano começava a fervilhar com produções de filmes mitológicos / épicos. Eram produções de baixo orçamento mas dirigidas por pessoas competentes. “Le Fatiche Di Ercole” transformou este homem no ator americano mais carismático (e mais bem pago) da Europa. Os filmes mitológicos passaram a ser a sua especialidade e a sua imagem de marca. Ele foi Hércules, Glauco, Rómulo, Eneias, o filho de Spartacus, o ladrão de Bagdad e Sandokan sempre em grandes aventuras, muita espadeirada e com músculos extremamente bem definidos.

O implacável Nello Pazzafini.

Numa fase descendente da sua carreira cinematográfica o homem aceitou protagonizar (e escrever) um western italiano mas os tempos já eram outros. “Vivo Per La Tua Morte” foi um fracasso nas bilheteiras e na crítica, o que fez com que, infelizmente, se retirasse da vida artística não pela porta grande mas sim pela porta do cavalo. Voltando para os EUA, o homem continuou a sua vida longe dos holofotes da fama só aparecendo esporadicamente em colóquios sobre culturismo até à sua morte em 2000. Embora muita gente não tenha noção disto, este homem foi a grande referência de dois dos maiores ícones do cinema de ação de Hollywood: Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Mas afinal quem é o homem?! É o grande Steve Reeves!!

12/04/2013

Fora de tópico | Lançamento "Django - Einladung zum Totentanz"


Sai hoje para as lojas mais uma spaghetti-western pela mão da Savoy Film, "...e venne il tempo di uccidere". Um filme modesto mas interessante em que podemos contar com um Anthony Ghidra em grande forma. Vale a pena conferir!

13/09/2010

T'ammazzo!... Raccomandati a Dio (1968 / Realizador: Osvaldo Civirani)


Ainda não passou muito tempo desde que alguém lançou na internet o boato de que o actor George Hilton teria falecido. A notícia surgiu com toda a modernidade que nos é contemporânea - via rede social Facebook - provocando algum alarido entre os apreciadores de euro-westerns, giallos e afins. O que demonstrou o quão grande é o carinho que muitos ainda mantêm pelo actor de origem Uruguaia, que nos anos de ouro do spaghetti-western fez carreira no cinema europeu, onde protagonizou algumas das mais míticas personagens do género: Sartana, Hallelujah ou Tresette. As notícias da sua morte mostraram-se felizmente um logro, mas serviram pelo menos para que se reflectisse sobre a quantidade de filmes protagonizados por Hilton que não tiveram ainda uma merecida edição perceptível em formato DVD. O western-spaghetti de tendências cómicas T'ammazzo! - Raccomandati a Dio é um desses títulos perdidos.


George Hilton interpreta Glenn Reno, um falso padre que assiste às cerimónias fúnebres do bandido Roy Fulton (Gordon Mitchel). O enterro decorre sob a atenção do xerife local, mas rapidamente se percebe tratar de um embuste, já que em vez do corpo de Roy é o saque do banco (pertencente a um tal Hartmann) que jaz dentro do caixão. Em breves, é-nos explicado como chegamos aqui: Roy escapara com o saque, mas durante a acção provou chumbo quente no bucho. O enterro serviria assim como pretexto para tirar simultaneamente do seu encalço, os parceiros que traiu e as autoridades. Mas estando gravemente ferido, não tem opção senão aceitar uma nova parceria - desta vez com Glenn - e assim partilhar os 200.000 dólares. Consolidada a sociedade, Glenn procura um médico que trate dos ferimentos de Roy, mas serão os antigos associados deste a chegar primeiro ao esconderijo. De regresso com o médico e sem vestígios de Roy, Glenn sente-se ultrajado e cavalga instintivamente para a sepultura, onde num cenário enlameado ao bom estilo de Django, desenterra o caixão, sob o qual jura matar o pantomineiro e ficar com todo o dinheiro. Mas chega novamente atrasado e em vez dos dólares é o inanimado corpo de Roy que preenche a tumba.


Apesar de "T'ammazzo! - Raccomandati a Dio "ser claramente uma produção modesta, reúne um elenco interessante, somando ao sempre regular George Hilton, a presença do canadiano John Ireland (no papel de um “Coronel” fora-da-lei) e Piero Vida (um simpático brutamontes a quem curiosamente chamam “Português”). Todas elas personagens com algum potencial - cortesia do senhor Tito Carpi - mas que uma realização atabalhoada não lhes conseguiu tirar o devido proveito. Realização essa da responsabilidade de Osvaldo Civirani, o mesmo que já havia estado por detrás do medíocre "Il figlio di Django" (ler resenha), que apesar de tudo, aqui sobe ligeiramente a fasquia, conseguindo montar um filme quase sempre divertido e acima de tudo despretensioso. E teria feito melhor se não tivesse resolvido arruinar os momentos finais do filme com uma longa e grosseira cena em que Hilton e a bela Sandra Milo devoram primitivamente uns nacos de carne assados sob grandes close-ups à comida mastigada. Horrendo e inexplicável!

O filme é nos dias que correm pérola rara, mas consegui deitar-lhe a mão através de uma transferência para DivX de uma velha cassete VHS da versão Norte-Americana (Dead for a Dollar), que um anónimo fã do género fez o favor de disponibilizar num website de má fama. A qualidade de imagem é no mínimo miserável, sendo em determinados momentos quase imperceptível. Talvez um dia surja por aí uma edição DVD que permita uma apreciação mais séria. Pelo sim, pelo não, espero… sentado!

13/07/2010

Black Jack (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Depois de planear o assalto ao banco perfeito, Jack é traído pelos seus comparsas no momento da partilha do roubo. Nada que Jack não tivesse previsto. Tirando vantagem de um revolver que previamente havia refundindo no saco do dinheiro, consegue escapar. Mas é novamente traído, agora pelo índio que havia contratado para que deixasse um rasto falso aos bandidos que o tentassem perseguir. Em vez disso, o índio conduz os bandidos até á cidade fantasma onde Jack, sua irmã e cunhado se refugiam. Severamente torturado - parcialmente enforcado, esfaqueado e baleado - vê ainda a sua irmã ser violada e seu escalpe ser removido. 

O gangue reune-se antes do golpe.

Deixado a uma morte certa, Jack acaba por ser salvo no último minuto pela namorada. Já recuperado, mas com visíveis mazelas físicas e mentais, Jack pensa apenas em vingar a morte da sua inocente irmã, mas as notícias do paradeiro dos seus antigos associados não chegam. Farto de esperar, e mesmo aleijado, Jack abandona a cidade fantasma na sua implacável demanda vingativa.

Com amigos assim, quem precisa de inimigos.

Pessoalmente creio que esta terá sido a melhor prestação de Robert Woods (Il mio nome è Mallory... M come morte) no cinema europeu. Encarnando esta personagem inicialmente simpática, mas que progressivamente passa da amargura à demência total, tais as consequências da fulcral cena de tortura montada por Gianfranco Baldanello. As balas cravadas nas pernas tornam-no manco e será com a ajuda da bengala que Jack se arrastará, qual Horace Pinker no saudoso 100.000 volts de terror (talvez Wes Craven tenha tirado daqui alguma ideia)! Genialidade é atributo que dificilmente se apontará a Baldanello, mas este "Black Jack" foi muito bem conseguido. 

Mimmo Palmara convence enquanto índio taciturno.

Graças a uma boa história, um punhado de actores interessantes e uma filmagem repleta de cores e ambientes negros. Falha no entanto na sequenciação. Não se sabe por exemplo como o personagem principal encontra cada um dos seus alvos, mas eis que Jack aparece e lá estão eles, prontos a serem abatidos! Baldanello teria certamente beneficiado em algum prolongamento na duração total do filme, que ultrapassa ligeiramente a hora e meia. A sequência final, segue uma linha (quase) gótica e que, ainda que pouco esclarecedora, consegue criar um ambiente sinistro quanto baste, com a cidade a desmoronar-se e sem um final feliz à vista. 

No more Mr. Nice Guy!

Existe por aí uma edição VHS com um final alternativo, que permite entender melhor porque aparece o nosso negro herói estendido no chão no final do filme, mas a edição DVD que vi é a da editora espanhola CWP, que apresenta o filme em castelhano e na sua duração regular. Infelizmente o DVD não beneficia do formato widescreen (pelo que pesquisei não existirá mesmo em nenhuma das edições até agora lançadas), mas a qualidade de imagem é óptima. Gianfranco Baldanello, realizou uma quantidade interessante de westerns-spaghettis mas daquilo que lhe conheço nenhum que iguale o nível alcançado com este recomendável "Black Jack"

16/02/2010

Le pistole non discutono (1964 / Realizador: Mario Caiano)


Ao mesmo tempo que Sergio Leone filmava o seminal Per un pugno di dollari em Los Albaricones (Almeria, Espanha), uma outra equipa trabalhava também no local. Mario Caiano e seus comparsas rodavam por ali Le pistole non discutono, um western europeu feito à imagem dos grandes clássicos americanos, com direito à famosa carga da cavalaria e até mesmo a tema cantado à lareira! Como protagonista deste intento Caiano contou com o canadense Rod Cameron - estrela cadente do cinema americano série-B - que mais tarde voltaria a aceitar papeis em outras produções europeias tais como Il piombo e la carne.


Bill (Horst Frank) convencido pelo seu irmão George (Angel Aranda) decide assaltar o banco de River Town, cidade natal de ambos, aproveitando o facto do xerife (Pat Garrett) estar afastado do local por se casar nesse mesmo dia. Com a quase totalidade da população dentro da igreja local e consequentemente com as ruas desertas, prevê-se um golpe fácil. Mas nem tudo corre como planeado e os dois pistoleiros são reconhecidos pelos homens do banco, conseguindo ainda assim fugir com o saque e procurar refúgio numa povoação do outro lado da fronteira. Ainda que sem jurisdição em território mexicano, o xerife Pat Garrett persegue e captura os bandidos. Os seus problemas estão ainda longe de ficar resolvidos uma vez que a vilanagem local liderada por Santero (Mimmo Palmara) toma conhecimento da existência dos 30.000 dólares, tudo fazendo para lhe deitar a mão. Apesar da avançada idade, o “avozinho” Rod Cameron safa-se bastante bem nas cenas de pancadaria, nalgumas delas segundo reza a história prescindindo mesmo da utilização de duplos, mas é o então jovem Horst Frank que preenche o ecrã com uma interpretação de grande nível, coisa que nos habituaria nos filmes que protagonizaria mais tarde: Preparati la bara!, Quella sporca storia nel west, etc.


Ao contrário de “Per un pugno di dollari” - que marcou o inicio de uma época no cinema de acção de selo europeu - “Le pistole non discutono” apenas demonstrou que é possível reproduzir de um modo quase perfeito o western clássico americano sem ter de atravessar o Atlântico. Mario Caiano realizaria nos anos seguintes um punhado de westerns-spaghetti - muitos dos quais protagonizados pelo saudoso brasileiro Anthony Steffen - nos quais se denota uma clara aproximação às características vulgarmente consideradas como chavões neste tipo de cinema. Filmes imperdíveis como é o caso do excelente zapata-western Un treno per Durango ou Una Bara per lo sceriffo. Merece por isso ser relembrado!


Trailer