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19/01/2016

Uno a uno sin piedad (1968 / Realizador: Rafael Romero Marchent)

Bill chega à cidade de Abilene, onde se apresenta como filho de um tal Coronel Grayson, o que lhe dá direito imediato a uma valente carga de porrada por parte da população local, que ficamos então a saber terem ressentimentos para com o dito Coronel, acusado de ter usurpado uma extraordinária maquia ao exército confederado. O rapaz é aconselhado pelo xerife a dar à soleta daquelas partes e é então que se cruza com Charro, um velho camarada do Coronel. Charro esclarece o que realmente levou ao desaparecimento do Coronel e os dois acabam por unir esforços no intuito de restaurar a dignidade do falecido Coronel. Para isso perseguirão os responsáveis pela farsa: um a um, sem piedade! 

Karl Hyrenbach, mais conhecido como Peter Lee Lawrence!

O filme é de Rafael Romero Marchent, prolifero realizador nestas andanças do western-spaghetti. Os seus filmes raramente são ruins mas também raramente passaram daquela fasquia mediana, e este “Ad uno ad uno... spietatamente” também não é excepção. Curiosamente li no guia promocional espanhol coisas como «grande superprodução em Eastmancolor» mas acredito piamente que dinheiro foi coisa que não terá abundado na feitura do filme. A co-produção dominada pelos espanhóis não me parece que tenha dado para muito mais do que garantir um elenco decente. Destaque para o Peter Lee Lawrence, que fornece a sua habitual figura de pistoleiro agaiatado mas muito ágil com o colt. Lawrence e Marchent, devem ter-se dado bem e a parceria prosseguiria em mais três westerns. Desses três não me canso de destacar o psico-western “Garringo”, que infelizmente continua a ser ignorado pelos fãs de coboiadas. 

Não se deixem enganar pelo olhar inocente. Este morde!

“Um a um sem piedade”, titulo em Portugal, saiu no longínquo ano de 1968, ou seja um ano depois de “Gigantes em duelo” ter feito furor nas salas de cinema europeias, ora atendendo a tal sucesso não é de estranhar que Marchent tenha aproveitado a «hola». Nota-se isso especialmente no entrosamento entre as personagens de Peter Lee Lawrence e William Bogart, não muito distantes do aluno/mestre de Giuliano Gemma e Lee Van Cleef. Não falta sequer uma arraçada versão do famoso credo do pistoleiro, mas aqui sem grande efeito, diga-se. 

Guglielmo Spoletini consegue desta vez ter um dos papéis principais.

William Bogart (alias de Guglielmo Spoletini), ganha neste âmbito um certo destaque, entregando uma prestação bastante eficaz, que na modesta opinião deste escriba. Só falha pelos tiques repescados ao outro famoso «mexicano» dos western-spaghetti: o Tuco de Eli Wallach (O bom, o mau e o vilão). O elenco conta ainda com mais alguns suspeitos do costume, todos com papéis curtos e desinteressantes. Eduardo Fajardo é um dos muitos xerifes que por aqui se passeiam, acabando por desaparecer de cena sem que déssemos por isso. Sidney Chaplin é um dos alvos a abater (chato de morte), pior sorte só mesmo a de Chris Huerta, ao qual calhou o papel de um bêbado qualquer. 

A cilada está montada. Quem cairá na esparrela?

Resumindo e baralhando: o filme até está bonitinho, as paisagens de Almeria estão todas lá o que beneficiou a fotografia e a acção desenrola-se a um ritmo que deixa a sonolência ficar para segundo plano, mas não acredito que tenha tido muitos apreciadores na época em que o lançaram, muito menos hoje. Mas sejamos realistas, que mais se pode exigir a um homem que consegue lançar três westerns no mesmo ano?!

11/08/2015

Fora de tópico | Lançamento "Garringo" & "Two Crosses at Danger Pass"



O quinquagésimo terceiro volume da colecção western-spaghetti da editora americana Wild East vai homenagear o realizador e argumentista espanhol, Rafael Romero Marchent. A edição será dupla e incluirá dois dos seus melhores filmes, "Garringo" (analisamo-lo aqui) e "Due croci a Danger Pass", para além de uma entrevista exclusiva com Marchent e os habituais trailers e galerias. Disponível nas lojas a 18 de Agosto.

26/05/2015

Fora de tópico | Lançamento "Sein Steckbrief ist kein Heiligenbild"


Já estava na hora de que este "El hombre que mató a Billy el Niño" voltasse a estar disponível em DVD, é que a única edição à data - Divisa - já desapareceu das lojas há muito. A olhar para as características anunciadas pela Wild Coyote até poderemos estar a falar de uma «reedição», já que para além do audio alemão, deverá ter também uma faixa em espanhol. E para quem não percebe nada disso, legendas em inglês. Já disponível!

10/12/2014

Fora de tópico | Lançamento "Sein Wechselgeld ist Blei"


Já está nas lojas mais uma edição de "I giorni della violenza" de Alfonso Brescia. Esta edição da alemã MLV aparentemente não defirirá da versão editada há anos atrás pela também germânica Koch Media, mas aqui com o extra de poder ser adquirida em formato DVD ou Bluray. Mesmo a tempo de a pedirem ao Pai Natal!

24/09/2012

Dove si spara di più (1967 / Realizador: Gianni Puccini)

Quando o cinema italiano fervilhava em produções western, estas começavam a ter um estatuto interessante. O que inicialmente parecia ser uma brincadeira tornou-se num caso sério de popularidade. Os cineastas italianos, alguns deles grandes apaixonados pelos westerns, tinham agora a oportunidade de realizar filmes que até há poucos anos atrás eram da exclusiva responsabilidade dos americanos.  

Mas essa “febre” não afetou toda a gente. Gianni Puccini manteve a sua postura e quis deixar bem claro desde o início que o western não era um género que o entusiasmasse. Apesar de tudo, Puccini acabou também por participar neste movimento cinematográfico, mais por pressão dos produtores do que por vontade própria. Rotulado de “intelectual”, Puccini não queria que o seu filme se resumisse a tiroteios à parva e cenas de ação rudimentares. Surgiu então a ideia de pegar na famosa tragédia de William Shakespeare “Romeu e Julieta” e levá-la para o Oeste Selvagem.


Campos e Mounters são duas famílias rivais que combatem entre si há muitos anos. Ambos os lados cultivam um ódio doentio contra o inimigo e os níveis de violência chegam a patamares nunca antes vistos. Johnny (Peter Lee Lawrence), o filho mais novo da família Mounters, tenta manter-se afastado desse conflito, o que nem sempre é possível. Mas um capricho do destino coloca Johnny no caminho de Julieta (Cristina Galbo), a filha do patriarca Campos. A paixão entre os dois jovens é tão intensa como polémica. Esse amor impossível levará a um final trágico em que a morte (literalmente) resolverá a questão!  

 
Este western aborda uma história de amor (provavelmente a história de amor mais famosa de sempre) de uma forma simples. Considero-o um filme simples e sem grandes rasgos de genialidade. O final violento em que surge a figura macabra da morte é de facto um momento excelente e que naquela época não foi bem aceite e não se livrou da censura! O realizador Gianni Puccini faleceu pouco tempo depois e a sua obra ficou irremediavelmente encerrada para sempre.


Lobbys alemães:



Trailer italiano:

06/02/2012

Per qualche dollaro in più (1965 / Realizador: Sergio Leone)


Com o seu primeiro western, Sergio Leone deu início a uma nova fase do cinema italiano mas agora sentia na pele as desvantagens de ter assinado de forma precipitada um contrato pouco vantajoso com a Jolly Films. O contrato dizia que Leone era forçado a fazer outro filme e sucediam-se os conflitos com os produtores Arrigo Colombo e Giorgio Papi. O cineasta sentia-se injustiçado na divisão dos lucros e antes de cortar o mal pela raiz e rescindir unilateralmente disse aos produtores da Jolly Films: “Vou processá-los em tribunal! Eu nem sabia se queria fazer outro western mas agora vou mesmo fazer, só para vos chatear! E o título vai ser… Por Mais Alguns Dólares!” O advogado que se ocupou do processo foi um tal Alberto Grimaldi. Grimaldi também tinha ambições no cinema, já tinha produzido três westerns de Joaquin Romero Marchent, mas aguardava por uma grande oportunidade. Viu em Sergio Leone o homem certo para apostar e fez-lhe uma proposta irrecusável: Para o novo filme, a produção garantia as despesas, os salários e 50% do lucro das bilheteiras ia diretamente para o bolso do realizador! Mas a guerra de bastidores continuava e, numa jogada cínica, Colombo e Papi contactaram Clint Eastwood e tentaram convencê-lo para protagonizar uma sequela produzida pela Jolly Films, desviando-o do caminho de Leone. Contudo, Eastwood não aceitou e pouco tempo depois Leone viajou de propósito aos Estados Unidos para resgatar o ator para uma segunda aventura juntos. Mas “Por Mais Alguns Dólares” não podia ter apenas um protagonista. Henry Fonda, Charles Bronson, Lee Marvin e Robert Ryan recusaram categoricamente. Em Los Angeles, um dos assistentes de Leone facultou-lhe um documento com uma fotografia de um ator de segunda linha e que agora tinha desaparecido misteriosamente após um grave acidente de viação. Ao ver a foto, Leone decidiu instantaneamente: Lee Van Cleef era o homem certo e nada mais interessava! Com uma mala cheia de dinheiro, Leone apresentou o contrato ao ator e 10 000 dólares. Foi mais do que suficiente… O filme gira em torno de dois caçadores de prémios que perseguem o psicopata / assassino / ladrão / drogado / violador El Índio. Enquanto um quer o dinheiro da recompensa o outro parece ter outras razões. Alguns momentos do filme ficam para sempre na memória dos cinéfilos, nomeadamente o duelo final dentro de uma área circular, a “arena da vida”, como Sergio Leone lhe chamava, “o momento da verdade na hora da morte”, tudo isto acompanhado pela genial partitura musical do mestre Ennio Morricone. O filme estreou no outono de 1965 e foi um sucesso gigantesco, tornando-se no filme mais rentável em Itália durante vários anos. Lee Van Cleef ascendeu ao estatuto de estrela, Clint Eastwood confirmou as suas credenciais de super vedeta e Sergio Leone matou dois coelhos com uma cajadada só: conseguiu mais um extraordinário marco da História do Cinema e vergou definitivamente as intenções malévolas dos seus inimigos de estimação.
Galeria: Trailer:

02/01/2012

Garringo (1969 / Realizador: Rafael Romero Marchent)

Neste relativamente desconhecido psico-western, o espanhol Rafael Romero Marchent reúne sob o mesmo cartaz dois astros do género, o macambúzio Anthony Steffen (no papel de implacável Tenente Garringo) e o louro com cara de menino da mamã, Peter Lee Lawrence (enquanto Johnny, um assassino de militares). O filme sofre de diversas falhas rítmicas mas têm os seus trunfos e bem vistas as coisas acaba por ser minimamente interessante para vos poder recomendar para estes dias frios que aí estão à porta.

Via flashback ficamos a conhecer o passado de Johnny (Peter Lee Lawrence). Na sua infância Johnny assiste à execução do seu pai pela mão de um oficial do exército. Em choque a criança foge do local acabando por ser encontrado por Klaus (José Bodalo) que acaba por o salvar e adoptar. Mas a dramática cena marca-o profundamente e depois de crescido o seu lado mais psicótico vêm ao de cima abraçando o caminho dos fora-da-lei. Os seus actos criminosos dirigem-se especialmente para com os oficiais do exército, que pune brutalmente sem que tenham a mínima oportunidade de defesa. Depois de executadas todas e quaisquer fardas azuis que se lhe passem pelo caminho envia ainda sarcásticos recados às chefias do exército, subscrevendo-se em todas elas.


Decididos em terminar com os actos de Johnny, os cabecilhas do exército decidem dar uma segunda oportunidade ao implacável tenente Harris, que libertam da prisão militar com a missão de identificar e capturar o perturbado rapaz. Mesmo que para isso use os brutais métodos que o haviam colocado por detrás das barras do forte. Depois de quatro anos malvadez longe de casa, Johnny regressa para junto de Klaus que entretanto se tornou o xerife da cidade. O seu regresso não é no entanto inocente, na verdade apenas se deve a um golpe que planeia executar sobre um carregamento de ouro do exército que passará pelas redondezas. Mas Garringo segue as suas pistas alcançando os parceiros de Johnny, acabando por chegar finalmente perto do bandido.

Entre tantos e tantos westerns europeus, convenha-se dizer que nada aqui é realmente extraordinário, mas “Garringo” têm ao menos o privilégio de conter aquela que muitos consideram a melhor interpretação do austríaco Peter Lee Lawrence. O papel de vilão permitiu-lhe sair da habitual pele de pistoleiro bonzinho por quem as miúdas suspiram. Ele saca aqui uma interpretação bastante variada. Ora encarna o papel de simpático rapaz, aparentemente enamorado pela filha do novo médico da cidade, que numa cena algo comovente agracia a rapariga com um belo vitelo! Mas o mesmo rapazola é capaz de matar uma mão cheia de soldados sem pestanejar apenas pelo simples prazer de matar.


Surpreendentemente Marchent foge ao típico duelo entre o bom e o mau, acabando por colocar o louro doido nas mãos de um dos seus criminosos parceiros. Também os caracteres dos dois personagens principais são algo antagónicos. Johnny é um rapaz bem-educado, agradável ao olho mas completamente abrasado da cabeça, que mata oficiais e lhes retira as insígnias como troféu que guarda na campa do seu pai. Já o Tenente Garringo apesar de representar o lado da lei, julga-se acima dela usando todos os meios para eliminar a corja da sociedade. Os seus métodos são desaprovados pela lei militar e – ainda que temporariamente – até o levaram a ver o sol aos quadradinhos, mas mesmo depois de libertado não hesita em matar um homem indefeso. O que faz então os seus actos mais justificáveis que os de Johnny?

Os cenários utilizados são algo pobres mas ainda assim têm a curiosidade de contar com uma sequência rodada nas ruínas de El Cercón, mosteiro nos arredores de Madrid que ficou imortalizada no clássico do terror luso-espanhol “A noite do terror cego”. Em 1971 outro filme com «Garringo» no título chegou aos cinemas italianos – “Sei giá cadavere amico… ti cerca Garringo!” – mas não se trata de uma sequela. Na verdade o título original espanhol nem contém a menção a «Garringo», mas sim a um mais rentável herói do género: «Sabata». Anos loucos para o cinema europeu! Já a testada dupla Steffen e Lawrence voltar-se-ia a encontrar alguns anos mais tarde num western-spaghetti de contornos cómicos, bem diferente deste aqui. Filme que chegou a ser lançado nalguns países como “Arriva Garringo”, mas desengane-se também quem julgar que se trata de uma sequela.

“Garringo” está disponível em DVD através da editora espanhola Impulso Records, é mais um dos filmes incluídos na “La colección sagrada del spaghetti western”. Tem áudio em espanhol e imagem em widescreen.


Mais imagens do filme:



Trailer: