Bill chega à cidade de Abilene, onde se apresenta como filho de um tal Coronel Grayson, o que lhe dá direito imediato a uma valente carga de porrada por parte da população local, que ficamos então a saber terem ressentimentos para com o dito Coronel, acusado de ter usurpado uma extraordinária maquia ao exército confederado. O rapaz é aconselhado pelo xerife a dar à soleta daquelas partes e é então que se cruza com Charro, um velho camarada do Coronel. Charro esclarece o que realmente levou ao desaparecimento do Coronel e os dois acabam por unir esforços no intuito de restaurar a dignidade do falecido Coronel. Para isso perseguirão os responsáveis pela farsa: um a um, sem piedade!
Karl Hyrenbach, mais conhecido como Peter Lee Lawrence!
O filme é de
Rafael Romero Marchent, prolifero realizador nestas andanças do western-spaghetti. Os seus filmes raramente são ruins mas também raramente passaram daquela fasquia mediana, e este
“Ad uno ad uno... spietatamente” também não é excepção. Curiosamente li no guia promocional espanhol coisas como «grande superprodução em Eastmancolor» mas acredito piamente que dinheiro foi coisa que não terá abundado na feitura do filme. A co-produção dominada pelos espanhóis não me parece que tenha dado para muito mais do que garantir um elenco decente. Destaque para o
Peter Lee Lawrence, que fornece a sua habitual figura de pistoleiro agaiatado mas muito ágil com o colt. Lawrence e Marchent, devem ter-se dado bem e a parceria prosseguiria em mais três westerns. Desses três não me canso de destacar o psico-western
“Garringo”, que infelizmente continua a ser ignorado pelos fãs de coboiadas.
Não se deixem enganar pelo olhar inocente. Este morde!
“Um a um sem piedade”, titulo em Portugal, saiu no longínquo ano de 1968, ou seja um ano depois de
“Gigantes em duelo” ter feito furor nas salas de cinema europeias, ora atendendo a tal sucesso não é de estranhar que Marchent tenha aproveitado a «hola». Nota-se isso especialmente no entrosamento entre as personagens de Peter Lee Lawrence e William Bogart, não muito distantes do aluno/mestre de Giuliano Gemma e Lee Van Cleef. Não falta sequer uma arraçada versão do famoso credo do pistoleiro, mas aqui sem grande efeito, diga-se.
Guglielmo Spoletini consegue desta vez ter um dos papéis principais.
William Bogart (alias de Guglielmo Spoletini), ganha neste âmbito um certo destaque, entregando uma prestação bastante eficaz, que na modesta opinião deste escriba. Só falha pelos tiques repescados ao outro famoso «mexicano» dos western-spaghetti: o Tuco de Eli Wallach (
O bom, o mau e o vilão). O elenco conta ainda com mais alguns suspeitos do costume, todos com papéis curtos e desinteressantes.
Eduardo Fajardo é um dos muitos xerifes que por aqui se passeiam, acabando por desaparecer de cena sem que déssemos por isso.
Sidney Chaplin é um dos alvos a abater (chato de morte), pior sorte só mesmo a de
Chris Huerta, ao qual calhou o papel de um bêbado qualquer.
A cilada está montada. Quem cairá na esparrela?
Resumindo e baralhando: o filme até está bonitinho, as paisagens de Almeria estão todas lá o que beneficiou a fotografia e a acção desenrola-se a um ritmo que deixa a sonolência ficar para segundo plano, mas não acredito que tenha tido muitos apreciadores na época em que o lançaram, muito menos hoje. Mas sejamos realistas, que mais se pode exigir a um homem que consegue lançar três westerns no mesmo ano?!