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12/04/2011

Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972 / Realizador: Michele Lupo)

A minha paixão pelo western-spaghetti a muito se deve aqueles momentos bem passados em frente à televisão, nos tempos de criança. Nesses anos assistia-se com frequência a filmes destes lá em casa. Filmes que alugávamos nos videoclubes da cidade de Portalegre e que passavam também com bastante frequência nos canais espanhóis, que conseguíamos captar graças a uma antena bem posicionada. Desses tempos e desses filmes muito se esfumou, mas nos ficheiros temporários do grande amendoim guardei algumas cenas de filmes que por mais que tente não consigo recordar o nome, filmes esses que tenho tentado redescobrir ao longo dos anos.

Tenho comprado por isso bastantes DVDs do género, muitas das vezes por coleccionismo doentio, mas noutras simplesmente na ilusão de que seja “o tal filme”. Uma das imagens que a minha memória guardou e que mais empenho me mereceu nesta busca desenfreada, foi um duelo entre um personagem interpretado por Giuliano Gemma e um tipo careca cuja cara a nada associava. Nesse retrato, Gemma ficara sem munição mas conseguira enganar o vilão graças a uma bala que guardava num fio que levava ao pescoço. Pois bem, finalmente descobri que porra de filme era esse: “Amico, stammi lontano almeno un palmo”, que por cá ficou conhecido por “Ben e Charlie”!


Ben (Giuliano Gemma) é libertado de uma prisão mexicana, lá fora um gringo – Charlie (George Eastman) – espera-o à três dias. Depois de se agredirem mutuamente em nome dos bons velhos tempos tomam caminhos distintos, mas o destino acaba teimosamente por os voltar a cruzar. Chegados a Red Rock, Ben assalta o banco para espanto do próprio Charlie. Ambos acabam por escapar com o saque das garras do Xerife Walker (Aldo Sambrell) e com o feito passam de meros escroques esfomeados a bandidos com a cabeça a prémio. O Xerife e os agentes da Pinkerton seguem no seu encalço, mas inesperadamente são alcançados não pela lei, mas sim por um bando de malfeitores interessados em fazer sociedade com os nossos anti-heróis.

Michele Lupo, que já trabalhara com Gemma noutro clássico do género (Arizona Colt), monta aqui um filme que não compromete mas que também não ganhou lugar na história do western europeu. Pessoalmente pareceu-me razoavelmente bem fotografado (recuperando até alguns cenários míticos do género como a fortaleza de "El Condor" ou casa de "Once Upon a Time in the West") e com um ritmo bastante interessante. Ainda assim, num ponto de vista meramente analítico poderia reduzi-lo a mais um buddy western na linha dos então populares westerns cómicos da escola Barboni. Meio sério e meio a brincar, com cenas de pancadaria aos montões, mas com tiroteio reduzido e quase sempre pouco certeiro. O argumento é curiosamente responsabilidade parcial do próprio Eastman (que na função assina com o nome de baptismo: Luigi Montefiore), algo que repetiria noutras películas com igual ou maior sucesso ("Keoma").


O DVD da Wild East é uma das opções a considerar para aqueles que quiserem obter “Ben e Charlie”. Como é norma nas edições da editora Norte-Americana, o filme é apresentado em formato widescreen, com imagem cristalina e com áudio em Inglês. O DVD contém ainda alguns extras de interesse: galerias de imagens promocionais, trailers e genéricos alternativos. Um filme divertido para nos fazer esquecer do fosso em que o país está mergulhado.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer: