Mostrar mensagens com a etiqueta Sergio Donati. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sergio Donati. Mostrar todas as mensagens

04/10/2011

La caza del oro (1972 / Realizador: Juan Bosch)

Com a chegada do western cómico até o habitualmente taciturno Anthony Steffen, que por regra associamos aos mais carrancudos dos personagens do western-spaghetti (“Django il bastardo”, “Garringo”, etc), passou a interpretar personagens em filmes que não são carne, nem peixe (“Uno, dos, tres... dispara otra vez”, “Arriva Sabata!”). Filmes que se por um lado tentam imprimir algumas passagens mais cómicas nos seus roteiros, não se contêm quando chega a hora da matança.

É certo e sabido que o Steffen que adoramos é desprovido de expressividade. Coisa sem importância quando se trata de encorpar os mais destemidos pistoleiros do velho oeste, mas quando se passa para o lado da paródia, as coisas ficam estranhas. Os anos 70 foram férteis em produções deste tipo, e esta co-produção ítalo-espanhola intitulada de “La caza del oro” é um desses bichos raros.


Carver (Manuel Guitián) é um velho bandido que roubou 28 sacos de ouro à companhia mineira, mas que acabou na prisão por 20 penosos anos, onde manteve segredo sobre o paradeiro do saque. No dia da sua libertação uma série de bandidos sem escrúpulos fazem romaria até às portas da prisão, com o intuito de forçar o avozinho a indicar a localização do tesouro. O director da prisão (Raf Baldassarre) também está interessado no dinheiro e oferece protecção ao velho em troca do metal precioso, mas Carver agride o carcereiro e volta para dentro da choldra. Lá, espera-o o mexicano Paco (Daniel Martín), companheiro de cela que tenciona escapulir-se com o velho e com ele repartir o ouro. O mexicano logra em fugir com a sua «galinha dos ovos de ouro» mas não chega longe porque Trash (Anthony Steffen) - o mais afoito dos abutres - lhes interrompe a fuga.


Os três acabam por formar uma delicada sociedade, seguindo em direcção ao local onde o ouro terá sido refundido. Pelo meio encontram uma caravana de mulheres de má fama, geridas por uma velha conhecida de Carter. Ressabiado, o velho acaba por bater as botas antes de consumar o acto! Sem saberem ao certo sobre o paradeiro do ouro, Trash e Paco continuam em direcção à fronteira Mexicana. O infortúnio dura pouco e acabam por mero acaso por ter conhecimento da localização do tesouro, que afinal foi escondido dentro da imagem de San Firmino! Mas um grupo de bandidos mexicanos comandados pelo velhaco Firmin Rojas (Fernando Sancho) também estão interessados na estatueta, que crêem poder proporcionar-lhes grandes milagres nas suas actividades criminosas. Imagine-se!


No meio desta trapalhada toda salva-se a interpretação do espanhol Fernando Sancho, muito divertido nas poucas linhas que lhe couberam. De resto, nem os cenários usados na rodagem abonam a favor do filme, que apesar de ter sido rodado por Espanha não contempla nenhuma das vistosas paisagens de Almería. Um filme bastante regular que apenas o mais sedento dos fãs do género se deverá atrever em perseguir.

12/04/2011

Amico, stammi lontano almeno un palmo (1972 / Realizador: Michele Lupo)

A minha paixão pelo western-spaghetti a muito se deve aqueles momentos bem passados em frente à televisão, nos tempos de criança. Nesses anos assistia-se com frequência a filmes destes lá em casa. Filmes que alugávamos nos videoclubes da cidade de Portalegre e que passavam também com bastante frequência nos canais espanhóis, que conseguíamos captar graças a uma antena bem posicionada. Desses tempos e desses filmes muito se esfumou, mas nos ficheiros temporários do grande amendoim guardei algumas cenas de filmes que por mais que tente não consigo recordar o nome, filmes esses que tenho tentado redescobrir ao longo dos anos.

Tenho comprado por isso bastantes DVDs do género, muitas das vezes por coleccionismo doentio, mas noutras simplesmente na ilusão de que seja “o tal filme”. Uma das imagens que a minha memória guardou e que mais empenho me mereceu nesta busca desenfreada, foi um duelo entre um personagem interpretado por Giuliano Gemma e um tipo careca cuja cara a nada associava. Nesse retrato, Gemma ficara sem munição mas conseguira enganar o vilão graças a uma bala que guardava num fio que levava ao pescoço. Pois bem, finalmente descobri que porra de filme era esse: “Amico, stammi lontano almeno un palmo”, que por cá ficou conhecido por “Ben e Charlie”!


Ben (Giuliano Gemma) é libertado de uma prisão mexicana, lá fora um gringo – Charlie (George Eastman) – espera-o à três dias. Depois de se agredirem mutuamente em nome dos bons velhos tempos tomam caminhos distintos, mas o destino acaba teimosamente por os voltar a cruzar. Chegados a Red Rock, Ben assalta o banco para espanto do próprio Charlie. Ambos acabam por escapar com o saque das garras do Xerife Walker (Aldo Sambrell) e com o feito passam de meros escroques esfomeados a bandidos com a cabeça a prémio. O Xerife e os agentes da Pinkerton seguem no seu encalço, mas inesperadamente são alcançados não pela lei, mas sim por um bando de malfeitores interessados em fazer sociedade com os nossos anti-heróis.

Michele Lupo, que já trabalhara com Gemma noutro clássico do género (Arizona Colt), monta aqui um filme que não compromete mas que também não ganhou lugar na história do western europeu. Pessoalmente pareceu-me razoavelmente bem fotografado (recuperando até alguns cenários míticos do género como a fortaleza de "El Condor" ou casa de "Once Upon a Time in the West") e com um ritmo bastante interessante. Ainda assim, num ponto de vista meramente analítico poderia reduzi-lo a mais um buddy western na linha dos então populares westerns cómicos da escola Barboni. Meio sério e meio a brincar, com cenas de pancadaria aos montões, mas com tiroteio reduzido e quase sempre pouco certeiro. O argumento é curiosamente responsabilidade parcial do próprio Eastman (que na função assina com o nome de baptismo: Luigi Montefiore), algo que repetiria noutras películas com igual ou maior sucesso ("Keoma").


O DVD da Wild East é uma das opções a considerar para aqueles que quiserem obter “Ben e Charlie”. Como é norma nas edições da editora Norte-Americana, o filme é apresentado em formato widescreen, com imagem cristalina e com áudio em Inglês. O DVD contém ainda alguns extras de interesse: galerias de imagens promocionais, trailers e genéricos alternativos. Um filme divertido para nos fazer esquecer do fosso em que o país está mergulhado.


Mais alguns lobbys germânicos:



Trailer:


23/07/2009

La Resa dei conti (1966 / Realizador: Sergio Sollima)


La Resa dei contiSeria de esperar que a minha primeira abordagem aqui neste intento de blog, aos títulos do western spaghetti, fosse feita à obra do mestre Sergio Leone, justamente considerado o pai do género, e incontestavelmente o homem responsável pela realização dos seus mais marcantes momentos. Pois bem, não o farei, Leone terá de esperar. Debrucemo-nos então sobre algo menos óbvio, mas igualmente de grande qualidade, senhores e senhoras apresento-vos Sergio Sollima. A dedicação de Sollima ao género foi fugaz mas de grande destaque, o expoente máximo da sua criatividade terá sido nesta co-produção italo/hispânica, La resa dei conti (1966), que agora vos falo. Com um excelente argumento do próprio em colaboração com gente como Sergio Donati (Faccia a faccia, Giù la testa, C'era una volta il West) e cinematografia de Carlo Carlini (Da uomo a uomo, Los pistoleros de Arizona).


O enredo é uma espécie de história do gato e do rato com claros contornos político-sociais pelo meio. Girando à volta da personagem de Jonathan Corbett, interpretado por Lee Van Cleef; e Cuchillo Sanchez, interpretado pelo cubano, Tomas Milian. Ambos donos de vastas filmografias e em pleno estado de graça na época. Corbett, um famoso caçador de cabeças prepara-se para deixar a profissão depois de aliciado pelo magnata Brokston (Walter Barnes) a seguir uma carreira política no Senado. Mas como última caçada deve capturar Cuchillo, um bandido Mexicano injustamente acusado de ter violado e assassinado uma menina. A tarefa não se lhe revelará no entanto fácil e nem tudo o que parece o é. Cuchillo, exímio manejador de facas e afins, com alguma mestria e esperteza consegue iludir e escapar ao seu carrasco. O duelo final mostra-se revelador e coloca frente a frente o mestre da faca contra a pistola do seu oponente, momento absolutamente memorável!


Infelizmente penso que “O grande pistoleiro” (isso mesmo, titulo nacional!) não está editado no circuito DVD Português, alguém me corrija por favor se estiver enganado. A cópia que possuo foi adquirida na conhecida loja virtual espanhola, DVDGO.com, sob o título “El halcón y la presa”, e contém o filme num belo widescreen com áudio em Espanhol e Italiano. Muito recomendável a todos aqueles que não têm estes idiomas como obstáculo, e que querem conhecer o western mediterrâneo para além da filmografia de Sergio Leone. Se o obstáculo existir, e não querendo de modo algum incentivar a partilha ilegal de ficheiros, sugiro uma rápida pesquisa em sítios dedicados à partilha de torrents de cinema mais alternativo. O Cinemageddon.org é uma opção muito válida neste aspecto. E se alguém vos disser que é ilegal, por favor lembrem-lhe que ilegal é privar o acesso a obras como esta, e… metam-lhe uma bala no meio dos olhos!


Trailer