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29/01/2018

Una lunga fila di croci (1969 / Realizador: Sergio Garrone)

Dois indivíduos estranhos, com nomes estranhos (Ordep e Leuname) e com gostos cinematográficos ainda mais estranhos (muitos dirão que não lembram nem ao diabo!) estão de regresso ao seu bem conhecido tabernáculo, o Epicnirp Laer, cujo cabecilha agora é o Ogait, para emborcar as benditas garrafas com sumo de cevada da famosa marca Sergas. A degustação do trotil é inicialmente acompanhada por algumas observações futebolísticas porque um fala do seu clube, o Acifneb, e o outro comenta a atualidade do seu Sesneneleb. Mas esse tema é sol de pouca dura. O assunto principal é o cinema. Vejamos como decorre a conversa:

- Eh pá, há poucos dias estive a rever um western do Sergio Garrone.
- Qual? Não me digas que foi o “Django, il Bastardo”?
- “Django il Bastardo” não! O nosso amigo António Rosa já nos ensinou que o filme em Portugal chama-se “O Sinal de Django”! Mas não, não foi esse.
- Qual foi, então?
- Foi aquele que, além do Anthony Steffen, tem também o William Berger. Ambos são caçadores de prémios.
- Ah, já sei! Estás a falar do “Una Lunga Fila di Croci”.
- Exatamente.
- Esse é um bom western. É um dos melhores do Garrone.

O potente canhão de William Berger. 

- Sim, estou de acordo. É um belo western. Mas lembro-me da primeira vez que o vi, já lá vão uns anos, e naquela altura não achei nada de especial.
- O Garrone é um bom realizador. E esse filme tem dois bons protagonistas.
- Sim, o Garrone é um gajo catita! E este filme tem vindo a subir na minha consideração. Hoje acho-o um western-spaghetti bem bom!
- Essas situações acontecem. Às vezes aprendemos a gostar mais de certos filmes à medida que os revemos. Descobrimos sempre qualquer coisa nova em cada visualização.
- Diria que sim. E além do Steffen e do Berger ainda tem o Mario Brega, o Riccardo Garrone e a Nicoletta Machiavelli.
- E o Franco Villa como diretor de fotografia. E o Joe D’Amato como “cameraman”.
- Ou seja, tudo pessoal que sabia o que fazia.
- Pois com certeza!

Anthony Steffen também tem um igual.

- Andei a pesquisar no tomo do Marco Giusti e notei que há um pormenor curioso sobre o Anthony Steffen.
- Ai sim? O quê, exatamente?
- Os depoimentos das pessoas que trabalharam com o Steffen dizem todos o mesmo!
- O quê? O gajo era ruim? Era malandro?
- Não, nem por isso. Era um tipo pacífico mas tinha a mania que era vedeta.
- E por acaso até era!
- Pois, mas demorava muito a preparar-se para as cenas. Estava constantemente a olhar-se ao espelho, a arranjar-se…
- Deixa lá o homem sossegado! Ele fez muitos westerns e quando se retirou ainda foi a tempo de gozar a reforma no Brasil.
- É verdade. Faleceu em 2004 e a sua campa está no Rio de Janeiro.
- “Requiescant In Pace”, António de Teffé!
- Só para terminar: qual é o título deste filme em Portugal?
- Eu penso que é “Sem Espaço Para Morrer”. Mas não tenho a certeza absoluta.
- O quê? Não tens a certeza absoluta? Contacta imediatamente o António Rosa, que ele trata já do assunto!

O taciturno Steffen de perfil.

- Tu és chato, pá! O raio da bebida deve ter veneno!
- Vá lá, pá! Deixa-te de cantigas e contacta o homem! Eu sei que os Açores ficam longe do Alto Alentejo mas a tecnologia supera tudo.
- Pronto, está bem! Aqui vai: amigo António Rosa, por favor esclarece esta questão e já agora… bebe um copo à nossa saúde e à saúde dos nossos bem amados westerns-spaghetti! Um abraço!

12/11/2012

Odia il prossimo tuo (1968 / Realizador: Ferdinando Baldi)

Ferdinando Baldi, realizador que se especializara no cinema mitológico, entrega-nos aqui um filme de fusão entre esses peplum e o western. Um filme em que a utilização dos revólveres fica arredada para um segundo plano, sobressaindo daqui uma quantidade considerável de duelos mano a mano, que nalguns casos muito se assemelham com as lutas de arena da Roma antiga. Para o efeito são os escravos mexicanos que lutam pelo capricho do seu «patrocinador».

Apesar de este até ser um mote interessante, em rigor é preciso notar que “Odia il prossimo tuo” é um dos mais discretos trabalhos de Baldi, que realizaria anos mais tarde o clássico “Blindman”. Ele que confirmaria em entrevista transcrita no útil Dizionario del western all’italiana de Marco Giusti, não ter qualquer interesse em realizar o filme mas que estava contratualmente obrigado a terminá-lo, e apesar dos problemas de saúde assim o fez. 


Sob o olhar de toda uma cidade acagaçada o bando de Garry Stevens elimina o também fora-da-lei Bill Dakota e sua esposa, apropriando-se de um mapa com a localização de uma mina de ouro. Já com o mapa Stevens forja com Chris Malone uma sociedade que permita explorar a mina, mas acaba por ser traído por Malone que não está interessado em repartir lucros. Sem qualquer interesse pelo vil metal aparece Ken Dakota, irmão de Bill, que apenas pretende acabar com os dias de vida de Stevens.

A vilanagem do filme é recuperada do trabalho anterior de Baldi, “Preparati la bara”. O sempre irrepreensível Horst Frank aparece mais uma vez no papel de mau da fita, encarnando Chris Malone, um sádico barão que é capaz de engendrar as mais elaboradas cenas de tortura e que se revela apreciador absoluto dos já mencionados jogos de gladiadores! Outro nome repescado é o de George Eastman, que aqui encarna razoavelmente o assassino Garry Stevens, alvo dos «amores» de Malone e Ken Dakota. 


A grande diferença de elenco entre os dois filmes é mesmo a «substituição» de Terence Hill por um insipido Spiros Focás (aqui Clyde Garner), no papel do vingador Ken Dakota. Um pistoleiro demasiado arranjadinho e barbeado para que se possa levar a sério num western-spaghetti. Foi uma participação única (se remetermos “Zorro alla corte d'Inghilterra” para o nicho dos «Zorros») e esquecível no western europeu por parte deste reputado actor grego (Rocco e i suoi fratelli, Rambo III, The Jewel of the Nile). 

Não sei se “Odia il prossimo tuo” terá sido alguma vez exibido em Portugal mas no Brasil chegou a ser lançado com o ainda mais incrível “Rezo a Deus e odeio o meu próximo”, que haveria de ser rebatizado nas diversas edições que o filme haveria de ter (está tudo explicado no blogue O Euro Western no Brasil). Não é um grande filme mas mas também não é particularmente odiável, assim, saibam os mais curiosos que está disponível em várias edições DVD. A que possuo é a da editora norte-americana Wild East, que apresenta o filme num fullscreen apreciável. É uma double feature dedicada a George Eastman que contém também o mais apreciável - e também já resenhado por aqui - “L'Ultimo Killer”.


Mais algumas imagens promocionais para ver se vos convencemos:




Trailer:

09/08/2011

Navajo Joe (1966 / Realizador: Sergio Corbucci)

Nunca se viu um western em que o herói andasse a vaguear como um fantasma a arrastar um caixão. Nunca se viu um western em que o herói fosse cobardemente assassinado pelos vilões. Era muito pouco habitual a presença de índios nos westerns-spaghetti. Não era nada habitual o protagonista ser um índio. Sergio Corbucci fez tudo isso. Em 1966, o cineasta italiano oscilou, para não variar, entre o seu toque de génio (Django) e a simples banalidade (Johnny Oro). Mas tudo isto começou quando Burt Reynolds, ator conhecido da televisão americana, ambicionava fazer a sua transição para o cinema.

No outono de 1964, o seu amigo Clint Eastwood chama-o ao Review Studios, em Hollywood, para ver o seu último trabalho, um western europeu de baixo orçamento filmado em Espanha e Itália. Burt Reynolds viu o filme e adorou! Mais tarde, Eastwood apresentou Reynolds ao influente produtor italiano Dino de Laurentiis. Já com Sergio Corbucci a dirigir as operações, numa de várias reuniões, Dino disse a Reynolds: “Este filme vai ser ainda melhor que os anteriores! Eastwood matou 100 pessoas mas tu vais matar 245!”


O enredo é simples e violento: Duncan, uma besta da pior espécie, lidera um bando de brutamontes cuja ocupação é massacrar aldeias de tribos índias para depois vender os escalpos. Mas os tempos mudaram, já não há conflitos entre brancos e índios, mas Duncan não aceita isso e arrasa tudo por onde passa! Mas um misterioso índio navajo persegue esse violento grupo e sempre que há uma oportunidade deita a luva a uns quantos mal-encarados e faz trinta por uma linha! Mas qual será o seu verdadeiro motivo?


“Navajo Joe” é um filme simples, apesar de ter beneficiado de um orçamento generoso! Não é muito bom mas também não é mau. Digamos que é um filme do meio da tabela (falta-lhe claramente a magia de outros filmes; tudo parece demasiado forçado; alguns diálogos nem sequer fazem sentido). Os pontos altos são o tiroteio em frente do banco da cidade e o final pessimista típico de Corbucci. Para mim, o maior trunfo é a magnífica música de Ennio Morricone. Resta apenas dizer que, apesar de ter conseguido dar o tão ambicionado salto para o grande ecrã, Burt Reynolds admitiu mais tarde que não gostou desta experiência. Paciência…


Mais alguns lobbys gringos:




Trailer: