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18/05/2020

Ed ora... raccomanda l'anima a Dio! (1968 / Realizador: Demofilo Fidani)


Ora então vamos lá a isto, só por causa das tosses! 

Este filme tem Jeff Cameron, Fabio Testi, Ettore Manni, Cristina Penz e Dennis Colt? Sim. 

Este filme tem cenas recicladas de outros westerns? Sim. 

Este filme é uma produção de baixíssimo orçamento e meios limitadíssimos? Sim. 

Este filme tem inúmeras cavalgadas, única e exclusivamente para ter mais minutos de projeção? Sim. 

Este filme tem várias cenas de sopapada no saloon, as habituais garrafas a voar, espelhos partidos, mesas e cadeiras feitas em cacos? Sim. 

Então este filme é obviamente realizado pelo grande Demofilo Fidani? Sim. 

Misteriosos pistoleiros ameaçam uma família.

Há alguma coisa fora do normal neste western “Fidaniano”? Sim, há. 

E o quê, concretamente? A presença do ator Mohammad Ali Fardin, ou apenas Fardin, para os amigos. Saiu do anonimato através do desporto (luta-livre), venceu a medalha de prata em Tóquio em 1954 e foi um carismático ator nos anos 1960 no Médio Oriente. Tinha nacionalidade iraniana e este “Ed Ora… Raccomanda L’anima a Dio” é conhecido no Irão como “Mardaneh Bekosh”. 

Vais levar tantas nesses cornos!!

Em 1968, quando este filme foi produzido, quem mandava no Irão era o Xá. A Revolução Islâmica aconteceu em 1979, o Xá bazou para o Egito e o Ayatollah Khomeini tomou o poder. O país passou a chamar-se República Islâmica do Irão, os fanáticos religiosos passaram a mandar em tudo e, claro, deram cabo daquela merda toda! 

Fardin extremamente irritado!

Fardin assistiu a tudo isto. Faleceu no dia 6 de abril de 2000 aos 70 anos de idade em Teerão. 

15/10/2018

Prega Dio... e scavati la fossa (1968 / Realizador: Edoardo Mulargia)

Ainda hoje este filme é um aglomerado de interrogações, dúvidas e contradições. Não se sabe se o filme foi realizado por Edoardo Mulargia ou se por Demofilo Fidani. A esposa de Fidani, Mila Vitelli, diz que o marido foi apenas produtor. O protagonista, Robert Woods, diz que foi Fidani quem realizou. Então, em que é que ficamos?! Não há certezas absolutas porque as várias fontes e os diversos depoimentos registados são muito contraditórios. Eu acredito que Mulargia tenha dirigido mas Fidani prova que teve voto na matéria ao incluir alguns dos seus “afilhados” no elenco, nomeadamente Jeff Cameron, Simone Blondell, Cristina Penz e Celso Faria (e até o próprio Fidani fez um “cameo”).

O tema do filme é a época conturbada que se vivia no México do presidente Porfírio Diaz. Após muito tempo exilado nos Estados Unidos, Fernando regressa ao seu querido México. A sua família morreu mas o seu velho amigo Cipriano luta contra o sistema e é procurado pelos “federales”. Fernando quer liberdade e justiça. Cipriano quer continuar de rédea solta, ou seja, matar soldados e andar no gamanço.

O vaidoso Jeff Cameron exibe o cartaz de recompensa.

Don Enrique é o homem mais rico da região. Cipriano planeia raptar-lhe a filha. O melhor momento para isso é quando ela está na marmelada com o namorado. Don Enrique retalia que nem um touro bravo (de cabeça baixa e à bruta) e descarrega a sua fúria nos camponeses mexicanos, que não têm nada a ver com o assunto. Fernando não pode deixar que Cipriano continue a cometer crimes. Está na hora de lhe chegar a roupa ao pelo!

Robert Woods com um vistoso bigode à mexicano!

Os heróis neste tipo de westerns defendem sempre os mais pobres. Ao ver este filme o que me apetece dizer é que a dupla Mulargia / Fidani também foi solidária e apadrinhou um projeto pobre. Mas não… não é um filme disparatado e sem nexo! É apenas uma produção muito pobre.